Monarc

12 Helena Underwood


Helena acordou cedo no sábado e correndo foi se arrumar para ir ao museu, pois queria ver tudo com tempo e ainda teria que voltar cedo se arrumar para ir ao baile, quando se preocupou se Noah acordaria mais tarde viu que já fazia quase meia hora que tinha lhe mandado mensagem:

— Uma foto de um café e o nascer do Sol ao fundo —

“Não vai acordar não, ruivinha?”

Sorrindo, ela respondeu:

“Estou descendo agora, se quiser me trazer um café não reclamo”

Antes de sair, foi na cozinha de despedir de seu pai que a olhou sorrindo:

— Alguém acordou mais feliz hoje. Posso saber onde vai?

— Ao museu com um amigo. Se importa se eu dispensar os seguranças? É aqui perto.

— Promete que me liga de imediato se acontecer algo?

— Prometo, pai.

— E quais são as regras?

— Eu só estou indo ao museu!

— As regras?

Revirando os olhos, mas sem desfazer o sorriso, Helena respondeu:

— Sem mentiras, sem drogas e sempre com proteção. Agora posso ir?

— Eu te amo.

— Eu também te amo.

Helena saiu colocando o cabelo para dentro do capuz de seu casaco até encontrar Noah na frente do prédio, segurando dois cafés:

— Não sabia que ia sair com uma criminosa.

Ao pegar o café, Helena respondeu:

— É para evitar chamar atenção dos paparazzi, eles costumam me reconhecer pelo meu cabelo.

— O que dizer? É sua marca, ruivinha. E como vai querer ir?

— De trem, eu pelo menos adoro.

— Acredita que nunca andei?

Então enquanto seguiam para estação que não ficava longe dali, continuariam o diálogo:

— Sério? Mas é o principal meio de mobilidade deste reino!

— Eu gosto mais do meu skate, e para viagens longas, da minha moto.

Rindo com a ironia, Helena respondeu:

— E eu nunca andei em nenhum dos dois.

— Eu acho que vamos ter que mudar isso.

— Está doido? Eu vou cair na primeira tentativa! Zero equilíbrio.

— Mas eu te ensino, sem querer me gabar, sou um ótimo professor.

No trem, se sentaram um de frente para o outro:

— Posso saber que turmas você teve para me garantir isso?

— Eu ensinei o Ryan e ele ainda está inteiro.

Noah manteve a expressão séria enquanto se encararam por uns segundos até rirem e Helena balançar a cabeça, escolhendo ceder:

— Está bem, se você me ensinar, quem sabe.

— Vai estar livre amanhã?

— Já quer me ver de novo?

— Você quer aprender a andar? Sim ou não?

— Calma aí também, e eu quero, Que roupa que eu uso para isso?

— Com certeza algo mais confortável do que o que você está usando. E algo que pode sujar e rasgar.

— Estou começando a ficar preocupada de ter aceitado.

— Eu garanto que você saia inteira, suas roupas não posso prometer nada.

Helena deu risada e ao trem partir prestou atenção no percurso, o reino era lindo, e ela adorava a vista, Noah ao olhar o que chamava atenção da mesma, sem admitir em voz alta, entendia o encanto.

Ao chegarem no museu, após passarem por todos seguranças, Helena finalmente decidiu tirar o capuz e ficar a vontade, lá dentro havia poucas pessoas que se importavam com o mundo pop do qual seu pai fazia parte, ela e Noah levaram a manhã toda para conseguirem ver somente metade das obras, estavam passando pelas esculturas de gesso quando Noah comentou:

— Quando eu era criança, eu achava que eram pessoas de verdade que estavam dentro das esculturas e só foram presas no gesso.

— Isso parece mórbido… — Ao se posicionar atrás de uma sem braços e sem cabeça e colocar a mão na cintura da estátua — Eu me preocuparia bastante com isso.

Um grupo passou encarando feio Helena e cochichando entre si, até que Noah se virou um pouco exaltado ao falar alto:

— Estão olhando o que?! Perderam algo aqui?!

— Noah, não precisa disso. São só esnobes. Que tal irmos almoçar? Estou morrendo de fome!

— É uma boa ideia, o que quer comer?

— Massa! Espaguete com molho branco ou um calzone bem recheado.

— Acho que você me abriu o apetite, vamos antes que te prendam no gesso também.

Rindo, Helena respondeu:

— Melhor nos apressarmos então.

Após estarem no restaurante que havia dentro das propriedades do museu, haviam optado por espaguete ao molho branco e dividir uma garrafa de vinho, Noah então a questionou:

— Se entendeu com o cowboy?

— Sim, percebi que estava exagerando, seguimos amigos.

— Só isso?

— Só isso. Aparentemente é o que ele quer.

— Então tá bom.

— O que foi?

— Nada não.

— Nada mesmo?

— Nada Helena, só acho difícil ele conseguir ser só seu amigo, você é muito gata.

Helena sentiu suas bochechas queimarem na mesma hora e abaixou o rosto tentando disfarçar:

— Hein, relaxa, não te pedi em casamento. Só falei que você é gata porque você é. E aquele cowboy é um frouxo.

— Obrigada pelo elogio… Eu acho melhor voltarmos daqui a pouco não? Eu ainda irei no baile hoje. Você vai?

— Não estou muito afim não, mas quem sabe nos vemos lá?

— Por que não quer ir?

— Não vejo graça nesses eventos, tudo parece muito forçado.

— É porque a intenção é fazer sentir que é um dia mágico, para você lembrar no futuro.

— Não acha que isso é muita pressão?

— Não, eu espero que hoje a noite seja um momento que valha a pena recordar.

— O dia de hoje não foi?

Helena novamente corou ao responder, se irritando consigo mesma por ser tão transparente:

— Sim Nicholas, o dia de hoje foi memorável, adoraria pintar uma lembrança sobre.

— E o que pintaria?

— Não sei ainda, algo abstrato talvez, sei que tenho a pretensão de usar amarelo.

— Por que amarelo?

— Você me lembra a cor amarela. É alegre, espontânea, quente.

Com um sorriso sedutor, Noah não deixou passar a oportunidade de fazê-la corar de novo:

— Então me acha quente?

— Sim, não, quer dizer, ah vá pro inferno Nicholas!

Ambos riram e Noah pagou toda a conta contra o que haviam combinado, então ao voltarem para o Village viram Lindy com Ryan logo a frente, o que fez Lena andar mais devagar e Noah semicerrar os olhos pensando no que teria a levado a tomar aquela atitude, como se lesse os seus pensamentos, Helena se justificou:

— Apenas queria dar privacidade para eles.

— Eu não falei nada.

— Bem, eu vou me arrumar para o baile.

— Então nos falamos depois para combinarmos sobre amanhã?

— Claro, chegando eu te mando mensagem.

— Combinado, ruivinha.

Noah beijou seu rosto ao se despedir quando chegaram no seu andar e após o elevador fechar Helena correu pegar suas coisas e subiu para a cobertura dos Smith se arrumar junto com Lindy, que a recebeu com um sorriso malicioso:

— Você acha que eu não vi você e o Nicholas grudadinhos lá embaixo? Vai me explicar isso?

— Grudados é exagero seu, só fomos ao museu.

— Que romântico! Você tinha um encontro hoje e não me falou nada? Como assim?

— Não foi um encontro! Apenas conversamos ontem, ele gosta de arte, eu também e tem um museu não muito longe daqui!

— Vocês vão sair de novo?

— Ele vai me ensinar a andar de skate amanhã. Eu preciso ver o que vou vestir! Acho que vou pegar umas roupas do meu pai e personalizar.

— Não acha que é muito trabalho por um amigo?

— Eu só não quero estragar minhas roupas Lindy, achei que entenderia.

Antes dela responder, Lindsay entrou no quarto:

— Lindy, eu vou usar o seu iluminador emprestado. Ah, oi Helena! Está bem? Está bonita, saiu com o Tom finalmente?

— Ela saiu com o Miller. Mas não foi um encontro.

— Muito arrumada para alguém que não foi para um encontro.

— Olha quem fala né? Enfim, bem que eu queria ir com o Tom, mas aparentemente só amigos mesmo. Pelo menos fizemos as pazes ontem.

— Vocês dois fazem tanto drama, por que não saem juntos logo? São um casal tão lindo, e o Nicholas nem ligaria, já que vocês não foram em um encontro!

— Porque ele não me chama, Lindy! Só esse simples detalhe que impede.

— Eu desisto de tentar falar alguma coisa, vamos nos arrumar?

— Meu acompanhante chegou, até meninas!

— Até Lindsay. E eu não estou nenhum um pouco animada para ir e ficar segurando vela para você e o Ryan…

— Eu disse para você aceitar ir com o Austin, agora trate de colocar um sorriso nesse rosto porque nossa noite será maravilhosa! Com ou sem os meninos, me entendeu?

— Entendi Lindy, entendi.

Helena revirou os olhos então elas começaram a se arrumar de fato, Helena havia optado por um vestido vermelho brilhante para refletir as luzes do salão, se sentia linda ao se olhar no espelho, mas achava que era muito esforço para nada, quando desceu com Lindy, se surpreendeu ao ver a caminhonete branca de Thomas parada e ele segurando um buquê de rosas vermelhas adicionadas brilho a parte, combinando com seu vestido, ao se aproximar receosa Helena perguntou:

— Está esperando alguém?

— Não mais, você está linda Helena. Eu sei que estou atrasado. Mas quer ir ao baile comigo?

— Claro.

— Me desculpe por ter sido um idiota, estou feliz que estejamos bem.

Helena sorriu ao pegar o buquê, eram flores lindas, amava rosas, e Tom fez questão de abrir a porta do carro como sempre, tanto para ela entrar quanto para ela sair, ao chegarem foram direto para pista de dança, demoraram a cansar, e quando Tom foi buscar algo para beberem Helena esbarrou em Noah:

— Achei que não viria.

— E eu achei que você e o cowboy fossem apenas amigos.

— E viemos como amigos, Noah.

— Se é o que você diz.

Antes de Helena abrir a boca, Thomas apareceu ao seu lado olhando diretamente para Noah:

— Algum problema aqui?

— Relaxa cowboy, ela está segura comigo. Te vejo amanhã, ruivinha.

Com uma piscadela ele sorriu e se afastou e Tom fechou a cara ao olhar para ela:

— Vocês irão sair de novo, Helena?

— Sim, ele vai me ensinar a andar de skate amanhã. Algum problema?

Helena também fechou a cara ao responder e pegou a taça da mão dele bebendo um gole, então ele continuou:

— Não, desculpe, eu não gosto dele, mas se pra você tudo bem, eu não irei me meter.

— Obrigada!

O resto da noite foi mais tranquilo, eles beberam e dançaram e conversaram, porém Helena não tinha certeza que aquilo seria mais marcante do que a quase discussão de mais cedo, já que ela passou a noite pensando no que fazia Tom não gostar de Noah sendo que eles sequer se conheciam, e quando ele a deixou em casa ela podia jurar que ele iria a beijar, porém apenas beijou seu rosto e foi embora.