Monarc
13 Cheryl Brooks
Notas iniciais
Cheryl estava no banheiro se maquiando, pois precisava esconder aquele roxo que seu pai havia deixado em seu rosto, e ele não aceitava que os Bankoff a visse daquela forma, principalmente Thomas, que deveria considerá-la perfeita, a vida de Cheryl seria muito melhor se ela conseguisse amar Thomas desta forma, mas ela não conseguia cultivar este sentimento, e nem ele, nem nenhum outro garoto, não eram eles que faziam seu coração bater mais forte, na verdade desde que Mary Campbell tinha iniciado no Monarc, era a única que conseguia mexer com os sentidos de Cheryl, o que fazia ela achar engraçado quando Lindy ou Helena se incomodavam com sua relação com Thomas, mas a preocupava também, pois sabia que seu amigo estava um passo além de uma quedinha pela nova ruiva em sua vida.
Após estar maquiada como se tivesse colocado uma nova pele e vestida elegantemente, parecendo uma verdadeira boneca, odiava perceber isso quando se olhava, mas acompanhou seus pais a casa dos Bankoff, Matteo quem foi recepcioná-los, ele era muito melhor em manter as aparências do que seu irmão, Thomas os cumprimentou de longe e foi para sala chamando Cheryl com a cabeça, quando ela o acompanhou, sentia o sorriso de seus pais nas suas costas.
— Você está bem?
— Melhor agora. — Cheryl respondeu ao perceber que alguns dos empregados da casa pararam para ouvir os dois, fazendo Thomas se virar com uma expressão séria que ele só tinha em casa:
— Será que podem nos dar privacidade para conversarmos?
Os empregados dispersaram e Cheryl sorriu sentando ao lado de Thomas no sofá que a abraçou de forma totalmente platônica e fraternal, e voltou a perguntar:
— Você está bem?
— Ele me viu com a Mary, não estávamos fazendo nada demais, só abraçadas. E então quando chegou em casa… O resto você já sabe.
Thomas beijou sua testa e respirou fundo antes de responder:
— Sinto muito por isso. Posso te ajudar?
— Continue atuando nesse romance enquanto puder e seja convincente, já me ajuda muito.
— Eu estou dando meu melhor aqui. Sei que não vou ganhar um Oscar…
Cheryl deu risada e balançou a cabeça então ergueu o olhar para ele:
— Eu adoraria gostar de você desse jeito, sabia?
— Pela experiência que tenho, não parece tão bom.
— Helena?
— Eu não sei porque ela está brava comigo. De novo.
— Será que é porque você nunca mais chamou ela para sair?
— Nós fomos ao cinema aquele dia.
— Em amigos, Tom. Com muita gente.
— Eu não queria que ela ficasse desconfortável.
— Você é péssimo nisso, sabia?
— Por isso que você continua sendo minha única namorada.
Após um breve riso, Cheryl respondeu:
— Deprimente.
Matteo entrou na sala finalmente desfazendo o sorriso e soltando os ombros, aguardando alguns segundos antes de seu anúncio:
— O jantar está pronto. Que os jogos comecem.
Thomas se levantou primeiro e esticou a mão para ajudá-la, de braços dados adentraram a sala de jantar, não era possível dizer qual dos dois ficou mais enjoado com a reação satisfeita de ambas as famílias, e só piorou quando perceberam o assunto em pauta, Thomas que puxou a cadeira para Cheryl apertou a madeira forte até os nós da mão ficarem brancos e interrompeu o assunto:
— O cheiro da comida está maravilhoso.
E seu pai prontamente respondeu retomando o assunto anterior:
— Claro que está, nossas empregadas fizeram. São mulheres de verdade, não essas promíscuas que se envolvem com outras mulheres. Soube do burburinho em que está havendo sobre as garotas de seu colégio?
Sr. Brooks ignorando os sentimentos da filha continuou:
— Por mim poderia prender ou mandar matar todos, não faria diferença. Vão queimar no inferno de qualquer jeito.
Thomas olhou para Matteo que começou a comer quieto apenas encarando seu prato e quando olhou para o rosto de Cheryl viu seus olhos aguados e sentiu o sangue subir, respirou fundo e tentou se segurar, até que ouviu a resposta da Sra. Brooks:
— E essa espécie abominável agora tem autorização para andar entre nós como se fossem pessoas normais.
Foi a gota da água, Thomas levantou tão rápido que sua cadeira caiu para trás:
— Senhores, peço que nos deem licença, temos uma festa para ir, onde não fazem estúpidas distinções. — Ao esticar a mão para Cheryl completou: — Me acompanha?
Cheryl sorriu pegando a mão dele e fizeram sinal para Matteo seguir com eles, o que não levou nem dois segundos para decidir, escutaram seus pais gritando enquanto corriam para caminhonete e decidiram ignorar, rindo a caminho da festa Cheryl finalmente relaxou a postura:
— Eu não acredito no que você fez! Eles vão te matar, nos matar!
E Thomas respondeu com um dar de ombros:
— Não podia ficar lá ouvindo eles falando aquelas atrocidades.
Matteo sorriu observando os dois, ele achava triste para amiga e para o irmão que seria impossível que fossem um casal, mas Cheryl era uma das poucas pessoas que despertava esse lado em seu irmão, e ele gostava disso, durante uma época ele acreditou até que Thomas escondia seus sentimentos por ela, mas com o tempo percebeu que o irmão a via como se fosse uma deles.
Quando chegaram, Matteo mais do que depressa foi encontrar-se com Cheer, enquanto Thomas e Cheryl chegaram lado a lado, um sendo quebrado de cada forma, Cheryl estava ciente que Mary ficava com outras pessoas e era bissexual, mas quando a viu se agarrando com Arthur não pensou que fosse se incomodar tanto, e ao olhar para o lado e ver a expressão séria e distante de Thomas, seguiu o olhar dele, observando Nicholas entregar uma cerveja para Helena e logo depois se inclinar em sua direção enquanto começavam o que parecia ser uma conversa muito animada, para se distrair e distrair o amigo que também precisava pegou a mão dele o levando para pista de dança, pularam até cansar, e depois pegaram as bebidas que gostavam e foram para longe da fumaça conversar, Thomas viu a hora que Helena passou por eles, e Cheryl percebeu a relutância em deixa-la, por isso o encorajou:
— Vá falar com ela, eu fico no carro, se demorar eu vou embora com o Matt.
— Não quero te deixar aqui depois de…
— Tom, me dá a porra da chave e vai logo!
— Obrigado!
Lhe depositando um beijo no rosto entregou a chave da caminhonete em sua mão e saiu andando em passos rápidos, Cheryl ao ficar sozinha se sentia incomodada de continuar ali, James Smith era um amigo próximo de seu pai, o que significava que ainda teria que se comportar como a boneca perfeita que era, para evitar futuros roxos, por isso pegou duas garrafas caso Tom fosse a encontrar, e resolveu esperar na caminhonete, não levou muito tempo até que o mesmo a fizesse companhia, ela foi a primeira a falar:
— Achei que levaria mais tempo.
— Ela continua brava comigo. E agora ela tem melhor companhia…
— Não é melhor Tom, só são diferentes. E é possível que ela só tenha essa companhia por não saber sobre você.
— Isso deveria me fazer sentir melhor?
— Sim? Afinal, tomar uma atitude pode resolver isso.
— Mas foi ela quem disse que não queria se apegar a ninguém.
— E é ela que vai decidir se abre espaço para você ou não, mas se não quiser fazer nada, eu espero que se sinta bem quando ver ela com Noah pelos corredores.
Ela imediatamente se arrependeu quando viu as sobrancelhas do amigo franzir enquanto seu olhar não disfarçava sua decepção:
— Acha que eles estão juntos?
— Tom, eu não a conheço. Não sei se ela estava flertando ou somente sendo legal com ele, não é mais fácil você descobrir falando com ela?
— Mas ela não quer falar comigo.
— O que ela não quer é ficar esperando, e nenhuma garota quer isso. Faça algo, chame ela pro baile, sei lá.
— Mas o baile é amanhã, ela com certeza já tem companhia, escutei os meninos que queriam chamá-la.
— Se for do coral e do basquete, ela os recusou, eles já arrumaram outros pares.
— Sério?
— Uhum, deveria tentar chamá-la, provável que ainda tenha uma chance.
— E se ela for com Nicholas?
— Eu e você sabemos que ele só vai aos bailes quando é para repassar as drogas do pai dele. Nunca vai acompanhado.
— Isso só faz eu ficar mais preocupado dela estar se envolvendo com ele.
— Ela tem uma equipe gigante de seguranças do pai dela, admita que é só ciúme.
— Também, mas me preocupa de verdade, e se ele a drogar? E se colocar ela em risco por conta desse negócio? Todos sabiam que era uma má ideia aceitar eles no…
— No Monarc? No Village? Tom, nós não sabemos se ele realmente tem escolha, olha quem é o pai dele. Não vamos agir como os nossos.
— Você tem razão, me desculpe.
Ao olhar a tela do celular por um segundo, o guardou, colocou o cinto e ligou o carro:
— Matt vai dormir aqui hoje, vamos encontrar um lugar para dormirmos também. Sabe algum lugar?
— Que nossos pais não encontrem? Talvez um, mas você vai precisar dirigir bastante.
— Não vejo problema nisso.
Cheyl ligou para o irmão mais velho de Mary, Pablo, que havia virado um bom amigo nesse pequeno período de tempo que os conhecia, e sem ela dizer nada, havia percebido o problema que ela tinha com o pai, ao explicar a situação daquela noite, perguntou se haveria lugar para eles, e ele confirmou, seria apertado, mas eles poderiam ficar, o resto da noite não vale tantas menções, Cheryl, Tom e Pablo pediram pizza e assistiram filmes até cansarem e dormirem todos na sala, ela decidiu continuar o final de semana na casa dos Campbell enquanto Tom voltou para sua casa cedo e antes de ir buscar Helena para o baile, deixou algumas coisas para ela, e ela ficou de lidar com a fúria de seu pai somente na noite de domingo.
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