Mon Bijou
3 Capítulo 3 - Versprechen
Shneider mal se moveu em direção a porta e viu o menino saltar da cama e cair no chão. O menino se recuperou com extrema rapidez e foi desengonçado até ele, ficando na ponta dos pés para tocar com uma das mãozinhas sua testa. O mais velho franziu o olhar diante daquilo, porém levou as mãos até o lado do corpinho menor, para ajudá-lo a se manter na ponta dos pezinhos.
— O senhor...não está dodói.. — Murmurou o menor. — ...Não estás quente. E-eu juro que o máximo que posso estar é com gripe, mas nenhuma....nenhuma ruim....então...eu...eu não...se....o senhor não estiver se sentindo bem...o....eu...e-eu posso preparar um....chá...? Queres chá? Talvez estejas com dor de cabeça..ou...ou....mas...m-mas me desculpe caso....passei gripe para o senhor...será que...que foi quando.... — Ele tocou os próprios lábios e corou. — ...gripe....pode passar pela boca? Se foi isso eu...
O homem sentiu os lábios estremecerem em um sorriso diante de tais palavras. Ele desceu os olhos por seu corpo miúdo, sentindo-o na ponta dos dedos. O toque em sua cintura se tornou mais forte, e ele passou a sussurrar ao judeu com a voz mais rouca.
— ...Eu...eu estou doente. Tenho certeza disso. Enlouquecido, também.
— E-Eu estou contaminado, monsieur? — Indagou o menor, assustado com a possibilidade.
— ...Não, a culpa não é tua. — Wolfang tocou a própria testa na do menor e cerrou os orbes. — ...E...eu estou quente sim. — Murmurou roucamente, tocando as mãozinhas, tomando-as para si mesmo. — ...mais quente do que...a muito tempo não fico. — Ele fez as mãos pequenas deslizarem pelo seu corpo, deixando-o sentir o relevo dos músculos sob a camisa, passando devagar por cada botão até tocar o cós da calça social, libertando as mãos naturalmente trêmulas que resvalaram por seu sexo teso e pulsante. — ...estou doente. Por isso eu...devo ir.
O menino fitou muito rapidamente o volume na calça do homem e se encolheu, afastando as mãos. Ele permaneceu calado por um longo tempo, tendo suas primeiras palavras sussurradas quase tão baixo quanto um respiro.
— ...É...isso....é....estar...dodói? — Perguntou, abaixando os orbes bicolores. — ...porque...isso...machuca. — Ele mordeu os lábios. — ...Ele fica assim quando alguém está dodói...e....sara....quando...deixa...a pessoa...? Porque fica...frio....depois. Melhora.
Louie levou as mãozinhas entre as próprias pernas e fechou os olhos por um momento.
— Eu...nunca peguei essa doença dos que me tocaram...mas....hoje...eu... — Suas coxas roçaram suavemente contra as suas mãozinhas. — ...Acho que...pelo frio..eu...eu...p-possa ter ficado com a saúde mais frágil...então...e-eu...- O menino corou fortemente. — ...Eu...fiquei dodói quando vi o monsieur...no...
Shneider se aproximou do menor, tocando suavemente seus braços, em um pedido para que afastasse as mãos do ventre. O judeu se encolheu, fechando as pernas. O alemão correu as mãos fortes pelos braços finos, encontrando suas mãos, levando-as até uma abertura da camisa. Os dedinhos estremeceram e Louie retesou os ombros.
— O que viste em mim? — Perguntou em um sussurro.
O loiro pareceu perder a voz ao sentir a pele do outro sob o tecido. Os dedos deslizaram, afastando os botões, sendo conduzidos pela mão maior. Wolfang ajudou-o a se desfazer de cada botão, descendo até o ventre, para em seguida afastar a camisa, lhe exibindo o abdômen esguio e musculoso. O menino tremia, recusando olhá-lo, até que um toque mais áspero chamou sua atenção.
Os dígitos sentiram a aspereza de um traço que cortava a barriga do homem em uma cicatriz antiga. Os orbes da criança se prenderam a sensação do toque naquela marca, afastando devagar o tecido para compreender o comprimento do ferimento.
Louie fitou a cicatriz , ainda a ter a mão trêmula sobre ela.
-... Eu...eu...vi... que o senhor está machucado.
As mãos maiores deslizaram para a pequena cintura, repousando o peso sobre ela, sem lhe ferir ou prendê-lo. O judeu, no entanto, tinha um tom vermelho em sua face, e seus olhos se desviavam e voltavam a ele a cada piscar de olhos.
— E..porque isso chamou tua atenção?
— E-Eu...também...estou machucado.
Wolfang afagou com os dedos a camisola do menino, sentindo a maciez do seu corpo sob ela, porém não avançou, para não assustá-lo. O homem se aproximou devagar dele, se curvando, tocando os lábios suavemente em sua face, vendo-o desviar nervosamente o olhar. O mais velho sentiu o perfume natural do menor e abaixou o olhar para o seu corpo. As mãos pesaram um pouco em seu quadril e o afagaram.
-...Ainda...sentes...? — Peguntou ele, em um murmuro, sugerindo ao pequeno volume do mais novo.
Louie estremeceu e desviou o olhar. Seus lábios pronunciaram um gemido quando o homem se aproximou mais dele, sentindo o seu retesar como um convite, pois ele havia lhe exposto o lado do pescoço.
Bijou curvou o corpinho, se fechando a ele, e lhe virou a face minimamente para gemer uma frase.
— O senhor vai me machucar?
Wolfang sentiu o gosto das lágrimas do menino ao ter os lábios em sua face. Ele olhou para as próprias mãos e parou. Os dedos afagaram a camisola solta, e ele respirou fundo.
— ...Me perdoe. — Ele fitou suas pernas trêmulas e as tocou. -...Deixei-me levar por teu encanto. — Ele riu baixo e afagou suas pernas. — Eu não...ousaria...
Bijou ainda estava encolhido, um pouco assustado com o desejo do homem.
— O....o...s-senhor...pagou.....por mim. Se quiseres....eu.....eu só.. me viro...e...e... — Louie tentou continuar, porém um soluço maior o envergonhou de forma que ele cobriu os lábios.
Wolfang afastou as mãos do menino e abaixou a face, pensativo. Ele o desejava, porém o menor parecia que temia cada movimento dele, mesmo carregado de paixão e cuidado. Ele se abaixou devagar, ainda pensativo, ficando aos pés do mais novo.
— O-o que o monsieur está fazendo? E-eu...o senhor não...devia...
O menino perdeu o equilibrio para trás no susto quando teve um dos joelhos beijados. Louie se sentou na beirada da cama e se encolheu, puxando uma das pernas,tendo a outra cativa do homem.
Wolfang deslizou os lábios por sua pele, descendo até o pequenino pé, e o apanhou com a mão em concha. Ele cutucou os dedinhos devagar e fitou o menino estremecer, sem saber como agir.
— Porque te espanta tanto meu movimento?
— Nenhum homem já se curvou...ou..- Louie umedeceu os lábios trêmulos. — ...na verdade eu raramente...vejo seus rostos.
Shneider afagou os pequeninos dedos e ergueu sua perna, pedindo licença. O menino se agitou, tendo a perna apoiada no antebraço do mais velho, que foi capaz de ter um acesso melhor ao seu ventre. O menor se apressou e colocou as mãos entre as pernas.
— N-Não! O que o senhor...esta f-fazendo? O senhor não devia...
— Kühlen sie, mon bijou. Acalme-se.
Louie se curvou e passou a soluçar, assustado. Shneider afastou as mãos do seu corpo e abaixou um pouco a perna que havia apartado, para em seguida se aproximar mais dele, erguendo-o um pouco. Ele o apoiou nos braços, deixando suas pernas em volta do seu corpo, ficando de joelhos diante dele. O homem o apoiou pela cintura para ficar próximo dele e buscou seus olhos, fitando-o.
— Kühlen sie. Olhe para mim. — Pediu, roçando os lábios no pequenino queixo molhado de lágrimas. O menino o fitou, ainda assustado, a soluçar. Ele teve uma das lágrimas beijadas, e seu corpo foi afagado com carinho. — ...juro que não te machucarei.
O judeu soluçou mais algumas vezes e levou as mãozinhas ao rosto, secando as lágrimas.
— Porque o senhor...insiste em me tocar com os lábios?
Shneider respirou fundo e resvalou os lábios no rosto do menor, sentindo o seu estremecer.
— ...Porque com ele eu não posso te machucar. — Ele subiu as mãos até o rosto do menino, afastando suas mechas loiras para olhar melhor a sua face. — ...me permitas te tocar com os lábios, mon bijou.
Louie soluçou, corando fortemente. Ele desviou o olhar e gaguejou.
— E-Eu...digo...se...e-eu...o..senhor não..o senhor promete...que...não...vai...me machucar?
— Te prometo. — Respondeu, acariciando sua face. Ele desejou beijá-lo nos lábios novamente, porém o menino encolheu o corpo.
-...O...eu...p-posso....autorizar...se...se...quiser... — Murmurou, para depois voltar a apertar as mãos entre as pernas. — ...o....mas o senhor não devia...se...se...soubesse...o que...o que já fizeram em minha pele, o senhor não a beijaria. Eu não...não...
— Tu tomastes banho. — Murmurou, buscando os orbes que fugiam dele.
— O banho não tira as marcas. — Respondeu rapidamente.
Louie fitou os próprios braços, em especial para as cicatrizes. O homem via as marcas, e podia identificar a origem da maioria delas. Ele vagou os lábios pelos cortes de golpes em quinas em quedas, chutes, arranhões e socos. O alemão seguiu a história das agressões uma a uma, ouvindo-o chorar baixinho, descendo a boca por seu pescoço onde uma mão havia tentado estrangula-lo com uma corda e arame. O tecido foi afastado, e com ele Louie se virou para fugir do homem que o pegou devagar de volta, a ouvir seu soluçar suave, porém mantendo os beijos pelo seu corpo. Ele afastou a camisola correndo as mãos por debaixo do tecido, erguendo-a, podendo ver a respiração nervosa do menino erguer o peito magro. Cicatrizes de queimaduras escureceram pontos em seu peito que se uniam ao pontilhado do pigmento da pele, espalhando por todo o corpo como uma constelação que ele contava com a boca.
Um dos mamilos tinha uma marca de corte, talvez uma mordida violenta. Ele ousou acariciar a cicatriz com a língua, fazendo o menino gemer baixinho. Louie ainda estava inquieto e relutante, não ousando olhá-lo, porém ele o acolhia em seus braços, vendo-o arfar. O moreno voltou a erguer a perna do menor, e o viu se deitar devagar na cama, primeiro apoiando o peso nos cotovelos, e depois se deitando de lado, encolhido, tendo as mãos próximas aos lábios.
Wolfang correu até o umbigo com a língua e desceu sua camisola, para deixá-lo mais confortável, descendo mais os lábios. O menino teve as pernas abertas, ainda estando de lado. Sem a proteção das mãos, o mais velho pôde tocar o tecido fino que cobria o seu sexo. Ele sentiu o menino se remexer com o toque íntimo.
O tecido possuía uma pequenina marca úmida de prazer. Wolfang a tocou com os lábios, sentindo o gosto doce do mais novo, e chupou o tecido, mordendo a sua pequena ereção sob o tecido, sentindo-o ter um rápido rebater assustado.
— M-Monsieur, n-não! E-Eu n-não...!
Ele aprofundou a boca naquele ponto, mordendo a ereção que se formava debaixo da pela íntima, até que a visse querer escapar na lateral. Com a língua, ele a recolheu, retirando-a da peça. Louie arfou e acabou por abrir mais as perninhas, e até mesmo moveu o quadril, buscando os lábios que o tocaram. Wolfang virou o corpo do menino, deixando-o de barriga para cima, e ergueu suas pernas, apoiando-as em seus ombros largos, para ter total acesso ao seu íntimo.
A língua correu por sua fenda rosada, tocando o botão tenso e estreito, e mordiscou sua ereção antes de moldá-la dentro da boca com a língua, sorvendo do seu gosto com força, fazendo o menino mover o quadril contra ele, em deleite.
O judeu levou as mãos até os próprios cabelos, em prazer, enquanto o homem entre suas pernas se ocupava com os lábios em seu sexo. Era pequenino, jovem, rosado e macio. Em seu ventre ele podia contar os fios loiros ainda finos e tímidos que brilhavam com o suor. Louie gemia palavras desconexas e se movia sem jeito, arqueando o quadril como um convite ao homem, ou um recuo tímido.
Chegando o momento do ápice do seu prazer, Louie se desconcertou e tentou se sentar na cama para impedir o homem. Ele estava assustado com a nova sensação.
— X-Xixi! — Chorou ele. — T-Tira...T-tira que..q-que eu vou...e-eu vou...x-xixi...e-eu quero...v-vai sair..! Senhor! — Louie levou as mãos até os seus fios castanhos, apertando-os ao se sentar, tentando afastá-lo. — V-Vai sair! O x-xixi vai sair, senhor! P-por favor! P-Pare! E-Eu-Ah!
Louie sentiu um forte arrepio correr por sua espinha e se concentrar em seu ventre, onde gozou na boca do homem, apertando os seus fios, puxando-o contra o seu ventre. O menino estremeceu todo o corpo por alguns segundos, enquanto o seu mel era sorvido pelo mais velho, até um grande baque o atingir, e ele cai para trás, deitando-se com as pernas ainda abertas ao homem.
O loirinho arfava desconcertado, com a face corada. Wolfang afastou muito devagar os lábios do seu sexo, ouvindo gemer ao ter o calor da sua boca negada. Ele correu ainda a língua pelos pequenos testículos, e subiu para o ventre e barriga, até erguer suas pernas para o alto, expondo suas nádegas a ele, para beijar o seu botão.
— S-Senhor...o...- Louie soluçou baixinho. — ...o...m-meu...m-meu...foi...f-foi...xixi...mesmo...?
— Não. — Murmurou, abaixando suas pernas. Ele afagou o seu sexo relaxado, ouvindo-o gemer baixinho. — ...mas é um alívio quando...sai...não é? Como quando se faz xixi.
Bijou levou as mãos até os cabelos loiros espalhados na cama. Ele ainda arfava.
— ...É...- Murmurou, para em seguida ele mesmo se sentar novamente com cuidado e fitar o seu membro miúdo e segurá-lo. — mas..o..o que...foi...?...
— Você já fez isso em homens, não fez?
O menino se assustou com as palavras do mais velho, e afastou as mãos do ventre, cobrindo-o. Wolfang se sentou ao seu lado e pegou o cachimbo, queimando um novo fumo nele para tragar.
— É...é diferente. — Murmurou.
Wolfang fumou assoprando a fumaça para o lado oposto da criança que ainda encarava o próprio sexo.
— ...Como diferente?
— Não.... — Ele mordeu os lábios e desviou o olhar. — ...Não machucou.
O moreno sorriu vagamente e beijou rapidamente a face do menino, assustando-o. O pequeno limpou a bochecha, corando fortemente.
— O s-senhor acabou de..d-de usar p-para...p-para...!
Wolfang apagou o cachimbo e se deitou, dando ao menino um sorriso com o canto dos lábios que o fez se calar. Louie ficou sem saber o que faria dali em diante. Ele fitou o chão e depois o lado do homem, em um longo pensar, até ousar falar com ele.
— ...Casais..se....se....se...s-se beijam, não é senhor? — O homem concordou com ele. — ...e...e...não..não...s-se beijam...mulheres...da...d-da noite..n-não é...? Ou mesmo...Louie. — Ele mordeu os lábios. — ...Quando...o senhor...beija....não só....boca...mas....m-mas...m-m-m-m-m-mas...tudo... o que....o que...somos..?
O homem riu baixinnho com a dificuldade que tais palavras haviam deixado a pequena boca. Ele, no entanto, parou para pensar seriamente em suas palavras, se perguntando a mesma coisa. Porque exatamente havia feito aquilo? Ele não havia se satisfeito, mas sim explorado o prazer do mais novo, e sentia-se...estranho com isso. Ele se sentia como um jovem apaixonado novamente a dar prazer ao seu amor, escondido em um quarto qualquer, antes que um vigilante os visse.
O sabor do menino ainda estava a embriagá-lo, deixando-o com o ventre a ferver. Ele o desejava. Mas era somente isso? Não podia ser. Ele não queria que fosse. Talvez o menino o lembrasse seu antigo amor. Afinal, quando ele tinha a sua idade já se deitava com ele, e depois ficavam toda a noite a acariciar os cabelos do outro.
Wolfang se incomodava com a probabilidade do seu coração estar...domado pela presença de um jovem. Ele se sentia tolo e incapaz perto do menino. Um imbecil. Era uma vergonha. Era...era o que ele já havia esquecido.
— Algo impronunciável. — Respondeu, em um meio sorriso.
O menino o fitou curioso, e se aproximou dele quando o homem se ergueu da cama.
— Impro...impro...impronunciável...?....porque?...é...algo....ruim...?
— Não quis chamar de “amantes”, pois é algo...extravagante demais.
O menino corou com força e se enfiou dentro das cobertas, envergonhado.
— N-Não podemos ser amantes, senhor! A-Amantes não deixam os braços do outro o-ou..o-ou...não...sempre....eles...eles....n-nunca...s-sabe...e-eu...é..uma...menina...então...nós dois não podemos....ser...e..
— Quem você imagina que esteja mais apto para ser a mulher?
Louie colocou somente a cabecinha para o lado de fora e pensou, como se não fosse algo óbvio.
— ...Não uso vestido. Não posso ser.
— Estavas mais cedo a usar perfume de mulher. E quanto isso? Não seria uma prova?
— N-NÃO! E-era o perfume de minha mãe..e-então...e-eu não poderia...!
— Eu não pareço ter algo feminino, não acha? — O menino fitou o homem e ao ver o seu corpo atlético e viril, ele estufou as bochechas, com inveja.
— ...N-Não vale. O senhor é mais velho. A-Aposto que daqui...daqui alguns dias eu..eu...- Ele apertou as bochechas macias. — T-Terei barba! C-Com certeza eu terei! Talvez ainda hoje!
O homem riu e se afastou da cama, até ouviu um murmuro suave do menino que o fez se virar para ele.
— Disseste algo, mon bijou?
O menino umedeceu os lábios, ainda corado.
— ...Se somos...amantes....- Ele pronunciou muito sem jeito a denominação. — ...isso...q-quer dizer que o senhor não....vai mais embora pra sempre?
Wolfang o fitou longamente, se perguntando se o menino falava sério. Vendo-o tão esperançoso, ele respirou fundo e lhe respondeu antes de voltar ao lavabo.
— Eu posso ir embora, mas irei voltar.
O menino sorriu e o homem o deixou. O alemão lavou rapidamente a face tentando fazer acalmar o seu sexo que pulsava com força. Ele havia prometido que não machucaria o menino, e manteria sua palavra. Ele retornou, vendo-o deitado na cama e se uniu a ele, deixando alguns centímetros separando-os.
— Porque se deitou desta vez na cama, Louie?
— A-Amantes fazem isso...n-não fazem? — Perguntou, incerto. — eu...eu acho.
Shneider fitou vagamente o menino e respirou fundo. Ele riu consigo mesmo. Aquele menino era louco. Exatamente como ele. Dois loucos mereciam ser felizes, não era? Sim. Ele usaria esta justificativa.
— Amantes fazem mais do que isso. — Murmurou de volta, vendo-o se encolher entre as cobertas.
— O-o...o...que....mais..? — Perguntou Louie, com um fio de voz.
-...O que você acha?
Louie franziu o cenho e pensou seriamente no assunto, apoiando o pequeno queixo no ombro do homem, um contato que ele admirou, vendo-o se forçar a pensar.
— Amantes....franceses são diferentes dos alemães? — Perguntou, estreitando o olhar. — Porque eu...nunca vi alemães.
— O que os franceses fazem? — Perguntou, vendo-o corar fortemente.
— E-eles....e-eles...e-e-e-eles.... — O menino ficava cada vez mais envergonhado. — ...se encontram...e...e...beijam...e....e...d-d-dançam...e...
Wolfang fitou o menino e se sentou na cama.
— Dançam?
Louie se assustou com o homem se erguendo de repente.
— Monsieur...?
O loirinho deu um gritinho quando o mais velho tomou suas mãos e o tirou da cama, levando-o para a área maior do cômodo, sobre um tapete velho. Louie se encolheu, tendo as mãozinhas seguradas pelo soldado que o puxou para mais perto.
— Coloque sua mão aqui. — Indicou, apoiando uma de suas mãos no seu ombro. Louie precisou ficar na ponta dos pés. Wolfang o puxou novamente e ficou curvado. — Apoie seus pés nos meus. — O loirinho olhou para os próprios pés e subiu no homem. Uma das mãos grandes afagaram sua cintura e ele se moveu em uma balada suave, conduzindo o menor.
— O-oque o...?
— Dançando. — Respondeu, endireitando a postura. — Me acompanhe.
Louie ficou confuso, como se ter os pézinhos sobre os do outro não de fato o ajudavam, tendo que prestar muita atenção, travando todo o corpo, sem saber como se mover. Aos poucos, ele foi se soltando, e um pequeno sorriso surgiu em sua face, iluminando-a. O homem respondeu com um leve mover de lábios e o guiou pelo quarto, sob uma valsa que começou a ser cantarolada pelo mais novo, que havia se empolgado.
Eles dançaram por longos minutos, rodopiando pelo quarto, até que o homem se curvasse e beijasse os lábios do menino que se assustou e encolheu o corpo, fugindo dele. O alemão parou a dança e deu somente mais uma volta com o menor, logo o indicando a cama. Louie se apressou a seguir o homem que dava a volta para se deitar do outro lado, notando a tristeza em seu olhar.
— M-Me desculpe, monsieur. Se...se...quiser...me..beijar...outra vez eu fico...e... — Ele foi até o soldado, aproximando-se de seu rosto. — P-pode me beijar...e...
Shneider afastou o menino dele, fazendo cair de barriga para cima. Louie se agitou e correu para o outro extremo da cama, onde se deitou entre as cobertas. O moreno respirou fundo, correndo os dedos pelos fios.
— ...O senhor está com raiva de mim? — Perguntou, em um fio de voz. Shneider o fitou com o canto dos olhos.
— Não. — Ele suspirou. — ...Somente não queria que fosse obrigado a isso.
Louie abraçou um travesseiro.
— M-Mas não...é...assim...que acontece? — Murmurou o loiro, a franzir o cenho. — O...senhor veio...e...e...não...é...para isso que...virei...amante? Que o senhor não vai mais embora? Não é por causa...destas coisas? — Ele tocou o peito do homem de leve. — E-eu...já estou...acostumado a isso...é...só...que...eu...nunca...tive...pedidos com beijos...então....não é...- Ele fez uma pausa, mordendo os lábios. — o...o senhor...me...
Wolfang se ergueu, afastando-o. Ele apanhou o charuto e foi para a porta. O menino se assustou, e correu para junto dele.
— O s-senhor disse que não ia embora! — Loiue teve a porta fechada próxima de sua face, fazendo-o recuar. — ...senhor...
O alemão estava do lado de fora. Ele respirou fundo, sendo capaz de ouvir um soluçar suave atrás da porta. Ele acendeu o tabaco e fumou, não se distanciando muito da porta. Shneider mordia o cabo do charuto com força. A fumaça pairava no ar, sendo puxado pelas frestas da madeira que revestia as paredes pobres daquele lugar patético.
Shneider fumou até queimar os dedos ao tentar acende-lo novamente, tacando-o no chão. Era um tolo. Lhe irritava profundamente a passividade daquele jovem. Quase tanto quanto sua própria estupidez. O menino era capaz de dizer que se casaria com ele caso lhe fosse gentil. Não era isso que crianças fazem? Elas acreditam no primeiro que lhes dão a mão e a puxam para serem delas, como um cão sem dono. O menino era um vira-lata surrado e triste. Ele lhe afagou a cabeça e já o tinha aos seus pés.
Porém nem mesmo o mais humilde dos cães não teme um tapa. E suas ações eram isso. Ele estava a agredir aquele menino com os seus desejos. Se ele forçasse, poderia tê-lo naquela noite, porém nada mais que isso. Seria o mesmo que uma foda vazia que custava cinco euros.
O moreno encarou o charuto caído e o deixou, entrando no quarto. Louie estava encolhido na cama, e ao vê-lo, se sentou.
- S-Senhor...? E-Eu...M-Me desculpe, e-eu...
Ele nada lhe disse ao voltar a se deitar. O menino ficou inquieto e se moveu na cama, desejando tocá-lo.
- O...senhor está bem?...Eu...não quis...se...se quiser, podemos tentar de novo...e...
- Podes me fazer um favor, Bijou? — Murmurou rouco. — ...fiques em silêncio agora.
O garoto engatinhou até o outro lado da cama, onde ficou a fitá-lo, tendo os lábios a se dobrar em palavras que não o deixaram. O pequeno deitou, tendo as costas viradas para ele. O soldado suspirou e o cobriu devagar, ouvindo-o soluçar baixinho.
- Eu voltarei. — Murmurou quase mais para si do que para o menino. — Eu...voltarei.
-...Não está zangado...? — Louie se moveu o suficiente para vê-lo, porém voltou a morder os lábios. — ...eu...eu devia estar em silêncio...d-desculpe..e... — Ele se virou, ficando calado.
O menino e o homem viraram as costas e demoraram para dormir. Shneider ainda refletia sobre suas palavras, tentando se convencer a de fato voltar. Ele na verdade falaria com ele mesmo por toda a noite e o inicio da manhã, vendo o sol pincelar seus tons na cortina
Fale com o autor