Momentos Chave De Nossas Vidas
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Alguém tinha pedido Shelby... sei que Beth e marlinkip, com certeza! Mais alguém?
Esse capítulo é dedicado a vocês dois e a quem mais tiver pedido isso... hehe
Obrigada a todos que leem essa fic... significa muuuuuuuuuuuito pra mim!
Beijos e espero que curtam =)
10 de outubro de 2012
"Rachel?" Blaine entrou no escritório, nitidamente preocupado, fazendo com que Rachel desviasse a atenção de um email que estava lendo, para olhar para o rosto dele. "Rach... é... eu nem sei como te dizer isso, mas... é a sua mãe. Ela está na recepção do edifício e quer subir pra falar com você."
"Minha mãe?" Perguntou, incrédula, retoricamente, enquanto o assistente apenas assentia. "Já não era suficiente eu estar completamente estressada porque o Finn e o Ryan não conseguem chegar a um acordo sobre o making off do Detox. Eu ainda vou ter que lidar com... isso?!"
"Eu devo dar uma desculpa...?"
"Não... não, Blaine. Pode autorizar a entrada dela. Mais cedo ou mais tarde, eu ia ter que falar pra ela tudo o que tá aqui, engasgado." Afirmou, apontando a própria garganta.
Rachel nem teve tempo de organizar um discurso. Minutos depois, Shelby estava sentada em uma cadeira em frente à dela, em seu novo escritório de presidente da TVZoom no ar. Não estranhara a recepção fria da filha, uma vez que tinha sido justamente por ter percebido uma mudança no comportamento dela que a mulher mais velha fora procurar pela garota. Ela nunca havia sido uma mulher de meias palavras, então decidiu ir direto ao assunto.
"O que tá acontecendo, Rachel? Eu deixei Giancarlo em Madri e vim pra cá só pra conversar com você e saber por que você se recusa a atender as minhas ligações e a responder os meus emails há semanas!" Rachel tomou um gole do chá que a copeira acabara de servir para ela e a mãe. "Nem mesmo o seu endereço de trabalho eu sabia que tinha mudado, e bati com a cara na porta! Eu só sabia que você estava bem porque o Ravid me disse... mas é claro que ele não quis me dizer por que você resolveu não falar mais com a sua mãe." Shelby continuou, sem ligar para chá algum.
A mulher tinha atravessado um oceano e deixado um noivo milionário sozinho, apenas para tentar entender o que estava acontecendo entre a filha e ela. Depois de alguns meses viajando pela África e apenas mandando cartões postais, ao voltar à Europa ela tinha tentado ligar para todos os números de Rachel e mandado mensagens para todos os endereços eletrônicos, por dias e dias, jamais conseguindo receber qualquer sinal de vida em troca.
"Eu acho que você não leu nenhuma revista americana ainda, né?" Rachel perguntou, com fingida calma. "E nem prestou atenção ao lugar onde está."
"Claro que eu sei onde estou, Rachel." Afirmou, cheia de empáfia e um pouco impaciente. "Lá na redação da revista, anotaram o endereço pra mim e colocaram TVZoom no ar. Eu perguntei à mocinha o que era e ela me explicou que era a emissora parceira da revista, e que você é a presidente do canal. Eu fico feliz com a sua promoção, a propósito... mas o que ela pode ter a ver com você não falando comigo?"
"Realmente, você NÃO prestou atenção ao lugar onde está. Esse prédio não é só da TVZoom no ar, que é realmente uma parceira da revista. Esse prédio abriga as presidências de todas as emissoras do grupo GHShow, ao qual a TVZoom pertence... e também a presidência do grupo." Afirmou, vendo o semblante da mãe mudar, a pele dela empalidecer. "Algum palpite sobre a razão por que eu tenho evitado você, agora?" Questionou com sarcasmo.
"Eu sei a quem pertence a GHShow, é claro. Eu morava nos Estados Unidos até outro dia." Seu jeito de falar já não era tão seguro, mas ela ainda não parecia consciente de toda a situação. "E é claro que, se você trabalha no grupo, você tem contato com ele. Mas eu ainda continuo sem entender o que a convivência com seu ex-namorado pode ter a ver com suas questões comigo." Shelby se lembrava muito bem do que tinha feito para separar os dois, mas jamais poderia imaginar que nenhuma das pessoas envolvidas no plano pudesse ter contado um segredo de tantos anos à filha.
"Ele não é meu ex-namorado. Finn é meu MARIDO." Rachel esclareceu. "É claro que, se você tivesse lido algumas revistas, você teria visto as fofocas sobre a festa de casamento, que vai acontecer em dezembro, mas... na verdade nós já somos casados no civil." Disse, como se o tópico fosse indiferente, corriqueiro.
"Marido? Ca-casados? Mas... como?"
"Indo a Las Vegas. Você não imagina como é simples!" Debochou. "Eu me casei com o Finn, mãe. Pra valer! Dessa vez eu não ia te dar a oportunidade de estragar tudo."
"É... você..."
"É... eu sei! É claro que eu sei. Você acha que eu me casaria com ele, se eu não tivesse descoberto tudo? Se eu continuasse acreditando que ele tinha dormido com a minha própria prima na véspera do nosso casamento?"
"Eu... é..." Ela engoliu seco, sem saber o que dizer ou fazer. "Rachel, minha filha..."
"Que espécie de pessoa você é, mãe?" Rachel perguntou, deixando as emoções represadas virem à tona, finalmente. "Aliás, que espécie de pessoa você é, SHELBY? Porque mãe... mãe você não deve ser, não é? Mães não fazem o que você fez comigo... não mães de verdade. Você... você só deu à luz e mais nada. Foi a única coisa boa que você fez." As lágrimas corriam pelos rostos das duas mulheres.
"Você não tá sendo justa, Rachel. Você não tá sendo justa. Eu fiz parte de toda a sua vida."
"É... você fez. Você fez mesmo! Se você não tivesse feito, eu estaria casada com o Finn há... uns oito anos só." Ironizou.
"É, mas... não seria quem você é hoje... uma grande jornalista, a presidente de uma empresa... porque, por mais que ele fosse seu marido, ele não ia te dar esse cargo tão importante, se..."
"Eu não posso acreditar que você vai ter a coragem de defender o que você fez, mãe! Os fins não justificam os meios... e eu tinha o direito de fazer as MINHAS escolhas."
"Eu sei, minha filha, mas..."
"Não tem 'mais'! Não existe justificativa nenhuma pra manipular os outros. Você fez o Finn acreditar que eu era egoísta... me fez acreditar que ele não me amava, me fez duvidar que alguém pudesse ser fiel, leal. Você quebrou uma coisa dentro de mim, há anos atrás, que só o Finn tá conseguindo recuperar, com o jeito doce dele, com o amor enorme dele por mim... que, graças a Deus, você não conseguiu destruir. Você quebrou uma outra coisa dentro de mim agora, porque eu olho pra você e eu não vejo alguém que eu seja capaz de amar, como uma filha deveria amar uma mãe."
"Rach..." Shelby tentou alcançar a mão da menina que estava sobre a mesa, brincando com a asa da xícara, em um gesto nervoso, mas ela se afastou, rapidamente.
"Talvez um dia... eu seja capaz de te perdoar... de te amar... de aceitar ou até querer a sua presença na minha vida, mas... não agora. Se você puder ir, agora, eu... não tenho mais nada pra te dizer..." A outra mulher fez menção de falar algo, mas foi logo interrompida. "...ou pra ouvir de você. Por favor." Fez um gesto, indicando a porta e se levantou, indo para a janela e dando as costas para a mãe, para não lhe dar o gosto de ver mais lágrimas banhando seu rosto.
Shelby foi embora em silêncio. A cabeça baixa, um misto de tristeza e vergonha, por ter sido enxotada do escritório da própria filha, da vida da própria filha. Entendia as razões de Rachel e sabia que a garota jamais entenderia suas razões, mas o fato era que ela não acreditava no amor, em devotar a vida a alguém e deixar oportunidades mais sólidas de lado, e fora por causa dessas convicções que ela fizera o que tinha sido necessário. Mesmo sabendo que o seu modo de agir não fora politicamente correto, ela não conseguia se arrepender totalmente.
Rachel chorou compulsivamente, após a saída da mãe. Soluçava muito ainda quando a porta do escritório se abriu e Finn surgiu com seu semblante carregado de preocupação. Os dois trocaram um olhar que transmitiu todo o apoio e carinho de que ela precisava, e ela se levantou rapidamente, praticamente se jogando nos braços dele.
O abraço do marido era justamente aquilo de que ela mais necessitava. Entre os braços de Finn ficava o lugar mais seguro que ela conhecia no mundo e, então, ela pode sentir-se realmente livre para chorar e colocar para fora tudo o que estava sentindo, em vez de tentar ser forte. Ao mesmo tempo, ia se acalmando gradativa e verdadeiramente, à medida que ele a segurava forte contra si, e acariciava suas costas, como se assim pudesse tirar de dentro dela todas as dores, protegê-la de todo o mal do mundo.
Rachel sabia ser uma pessoa amada. Tinha o amor incontestável do pai, dos irmãos, e de amigos fiéis com os quais nem todo mundo tem o privilégio de contar. No entanto, Finn era, dentre todos, aquele que melhor sabia transmitir o amor nos gestos, usar o amor para tornar tudo mais fácil, para fazer os problemas parecerem menores. Ele sabia como agir e quando se omitir, o que dizer e quando se calar.
Finn só tinha conhecido Rachel quando ela já era quase uma adolescente, e depois os dois tinham passado longos oito anos separados, mas ainda assim ele a conhecia como a palma de sua mão, era capaz de lê-la melhor do que ninguém. Ele sabia que a decisão de sua mulher de dar à própria mãe o tratamento do silêncio, enquanto fosse possível, tinha sido dificílima, mas que a conversa que as duas haviam tido, alguns minutos antes, a destruíra ainda mais do que tentar ignorar Shelby. Sabia que tinha que estar ao lado dela, naquele momento, e era exatamente o que ele faria, mesmo que ela protestasse.
"O Blaine te avisou, não foi?" Ela perguntou, quando conseguiu se acalmar um pouco.
"Ele pensou em entrar e conversar com você, mas ficou desesperado demais quando ouviu os seus soluços do outro lado da porta." Respondeu.
"Ele não precisava te incomodar, amor." Ela afirmou, exatamente como ele previra.
"Eu o teria demitido, se ele não me chamasse." Brincou. "Qual seria a vantagem de trabalhar na mesma 'torre' que a minha princesa, se quando ela precisasse de mim eu não viesse resgatá-la?"
"Resgatar?" Perguntou, levantando a sobrancelha.
"Eu vou te levar pra casa." Mudou o tom para sério. "Nós vamos tomar um bom banho de banheira, você vai dormir um pouco... ou talvez a gente possa ver um filme, comer pipoca... ou alguma daquelas coisas gostosas todas que você nunca come porque acha que vai engordar."
"Finn, eu preciso trabalhar! É quarta-feira... no meio de uma semana caótica..."
"Não!" Ele disse, tocando o rosto dela. "Você precisa de tranquilidade, Rach. Precisa de descanso... ou de um pouco de diversão... o que você preferir. Precisa chorar tudo que tiver pra chorar, numa cama quente ou... escolher alguma coisa que faça simplesmente você se distrair, esquecer... deixar pra trás. Você precisa de carinho, de amor!" Disse, voltando a tomá-la em seus braços. "Você precisa... de mim!" Acrescentou, fazendo-se de pretensioso.
"Quanta modéstia, hum?" Ela riu.
"Eu só queria te ver sorrir." Afirmou, beijando-lhe os lábios.
A garota ainda tentou, mais uma vez, convencer o marido de que podia, e precisava, ficar no escritório até o final do dia, mas ele não mudou de ideia. Então os dois foram para casa, onde se encheram de fast food, refrigerante e chocolates, assistindo a algumas comédias românticas melosas, que serviram como desculpa perfeita para que Rachel chorasse tudo o que ainda tinha para chorar, até pegar no sono no colo de Finn.
Ele a carregou para a cama, apagou as luzes, cobriu-a com um edredom macio e beijou sua testa, afetuosamente, antes de ir para a sala e resolver algumas coisas pela Internet e pelo telefone. O dia não tinha sido perfeito, com a aparição inesperada da sogra, que fazia mais jus à fama que as sogras têm, do que qualquer outra que ele conhecia. Os próximos também não seriam perfeitos, porque a ferida que Shelby abrira, anos antes, e que ficara escondida por muito tempo, mas tinha sido exposta recentemente, demoraria a cicatrizar.
Eventualmente, no entanto, Rachel seria uma pessoa feliz de verdade. E, enquanto isso, ele estaria ao lado dela, tentando fazer com que seus dias fossem tão bons quanto a dor em seu coração lhes permitisse.
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