Momentos Chave De Nossas Vidas
12 Capítulo 12
18 de setembro de 2030
Era para ser só mais um dia de semana comum. Rachel e Finn chegaram em casa, trocaram de roupa e chamaram os filhos para jantar, porque gostavam de fazer pelo menos uma refeição em família, e aproveitar para saber o que estava acontecendo nas vidas de cada um, além de compartilhar sobre as dos dois com as crianças. As meninas já não eram mais tão crianças assim, e isso era mais uma razão para que ouvissem sobre trabalho, responsabilidades, metas, e também pudessem ver que essas coisas não tinham só um lado ruim, principalmente se suas carreiras fossem bem escolhidas e tivessem a ver com suas paixões.
Felizmente, como elas não precisariam ter o sustento como prioridade, graças ao patrimônio herdado e multiplicado pelos pais, teriam a oportunidade rara de escolher realmente de acordo com seus sonhos. Por outro lado, Finn e Rachel já tinham tido várias conversas, ao longo dos últimos anos, e concordavam sobre não quererem que elas deixassem de ter profissões e achassem mais interessante apenas gastar dinheiro.
“Eu hoje recebi o roteiro do piloto de um programa para jovens. Talvez vocês queiram ler e me dar uma opinião, meninas?” Finn sugeriu, já saboreando a sobremesa.
“Claro, pai. Eu já fiz todos os meus trabalhos e tava meio entediada mesmo. Veio a calhar.” Brie afirmou animada.
“Cadê os livros que a gente comprou semana passada?” Rachel perguntou.
“Já li.” Deu de ombros, apesar do semblante admirado da mãe.
“Eu posso ler depois também, pai.” Aubrey falou, pela primeira vez durante todo o jantar e sem vivacidade alguma.
“Tá tudo bem, meu amor?” Questionou o pai e ela balançou a cabeça afirmativamente apenas, mas, quando a conversa continuou mesmo depois de todos terem terminado seus doces, se manifestou de novo, dizendo estar com dor de cabeça, e perguntou se poderia ir para o quarto, descansar.
Rachel não participou mais do descontraído papo entre Finn, Brianna e Derek, pois sua cabeça e seu coração tinham acompanhado Aubrey. Como mãe, ela era capaz de sentir que a filha estava com algum problema e imaginava que a garota estivesse precisando dela, então também pediu licença aos demais e saiu da sala de jantar, indo até o corredor e batendo na porta do segundo quarto.
“Entra!” Ela escutou a voz chorosa da menina e sentiu um aperto no peito ainda maior.
“Meu amor! O que houve?” Perguntou, sentando-se na cama junto com Aubrey e oferecendo seus braços, onde ela não hesitou em se aconchegar, soluçando.
“É esse garoto novo da minha turma, mãe.” Informou, quando conseguiu parar de chorar, saindo do abraço para olhar para o rosto de Rachel. “Eu não sei por que, mas eu fico muito triste, com vontade de sair correndo, entrar no banheiro e não sair de lá nunca mais, quando ele passa por mim e não fala comigo ou eu vejo ele conversando com outras meninas! Principalmente, quando eu o vejo com outras meninas.”
“E o que mais?”
“Como assim o que mais, mãe? Não é suficientemente ruim?” Irritou-se.
“É claro, meu bem! É sempre ruim ficar triste e com vontade de chorar, mas, por outro lado, se você se incomoda quando ele não fala com você, é porque é bom quando ele fala, certo?”
“É... é bom quando ele fala. Muito bom! Ele me conta da antiga cidade dele, a gente conversa sobre filmes, séries... música. Ele pergunta sobre Los Angeles, sobre a minha vida. Ele me faz rir e também ri do que eu falo, exatamente quando eu to querendo ser engraçada.”
“Ele é bonito?”
“Mãe!” Repreendeu, sem jeito e Rachel riu.
“Foi uma pergunta simples e você não respondeu, porque sabe muito bem o que está te deixando ora muito feliz e ora muito triste, desde que conheceu esse... Como é o nome dele?”
“Henry.”
“Esse Henry.” Sorriu. “O seu coração bate mais rápido, quando ele chega perto. Você não sabe onde colocar suas mãos, nem pra onde olhar. Você quer que o tempo pare, mas ele passa depressa e vocês não podem continuar mais conversando. E depois parece uma eternidade até que você o veja de novo!”
“Isso é o que você sente em relação ao papai, mãe? Isso é... amor?”
“Amor é muito cedo pra dizer, mas você tá apaixonada! Isso foi tudo que eu senti pelo seu pai quando o conheci, exatamente quando tinha a sua idade: treze anos.”
“Você sempre fala que vocês se amam desde novinhos, mas nunca contou direito pra gente!” Reclamou. “Como vocês sempre se amaram? Você não estudou na Inglaterra? Não foi lá que você conheceu o tio Sam e a tia Fabi? A tia Mercedes também!”
“A tia Fabi eu conheci depois, mas realmente eu estudei na Inglaterra... trabalhei na França. Nós ficamos separados por um tempo, mas isso não quer dizer que não tenhamos nos amado desde muito jovens.” Respondeu, não querendo entrar em detalhes sobre as razões que levaram os dois a ficarem afastados, sabendo que, provavelmente, um dia contariam tudo, mas sem imaginar que isso aconteceria menos de dois anos depois, porque as filhas descobririam sobre o reality show de que Finn tinha participado.
“Vocês ficaram logo juntos?”
“Não!” Rachel riu. “Na verdade demorou bastante. Pelo menos na minha opinião.”
“O que é bastante, mãe?” A filha se mostrou impaciente.
“Bom, deixa eu ver...” Pensou. “Quando o Finn foi morar na minha casa, as aulas daquele ano não tinham terminado ainda. A gente se via pouco, porque ele ainda ia pra um colégio distante, e só se aproximou mesmo nas férias de verão, quando meus avós ficaram com pena de manter a gente dentro de casa, e nos levaram pra uma fazenda. Como a sua avó foi, pra cuidar do meu avô, o seu pai também foi, e nós nos divertimos muito.”
“Aí aconteceu?”
“Não. Não foi tão simples assim.” Balançou a cabeça. “A gente ficou amigo e eu voltei das férias sabendo que tava apaixonada por ele. Mas ele era como um príncipe encantado pra mim!”
“Nunca deixou de ser.” Ironizou, porque, nunca tendo sido romântica, como era Brianna, sempre rira do jeito como os pais se comportavam um com o outro, até aquele momento.
“Ele sempre vai ser, é verdade. Mas eu to falando no sentido de ser inacessível, inalcançável. Ele tinha dezesseis anos e eu achava que ele me via como uma pirralha, apesar de conversar comigo e de nós rirmos muito juntos. Eu achava que pra amiga eu servia, até porque ele era educado e gentil demais pra não me dar atenção, mas que ele nunca ficaria com uma menina como eu, quando devia ter um bando de garotas da idade dele, correndo atrás. E essa ideia se reforçou quando as aulas começaram e ele foi estudar no mesmo colégio que eu, porque eu passei a ver as meninas e ele conversando, e a gente mal se falava na escola, pela diferença de idade, apesar de sempre passar um bom tempo juntos em casa, à noite e nos finais de semana, sempre que a gente podia.”
“Ele namorou alguém?” Questionou, com medo da resposta.
“Não namorou, mas ficou. E nunca ficou na minha frente, porque eu não ia às mesmas festas que ele, mas o seu tio falava sobre isso com ele na minha frente, sem saber como eu me sentia, e eu corri muitas vezes pro meu quarto, pra chorar, do mesmo jeito que você tem vontade de correr pro banheiro quando o Henry fala com uma garota.” Assegurou, fazendo um carinho na mão da filha. “Esse sofrimento não durou pouco, aliás. Mesmo depois que eu tomei coragem e dei o meu primeiro beijo nele, eu continuei achando que não tinha chance, pra só muito tempo depois tomar uma iniciativa de novo e, então, saber que ele pensava o mesmo.”
“Foi você quem beijou o meu pai?” Admirou-se.
“Foi! E com a desculpa esfarrapada de que eu precisava beijar alguém embaixo do Mistletoe.” Riu. “Como ele acreditou que eu só o beijei porque ele era a única opção, eu não sei! No entanto, ele realmente acreditou, a ponto de termos passado mais de um ano querendo nos beijar de novo e fingindo que nada estava acontecendo, até que veio o Sadie Hawkins de 2001.”
“Nossa, mãe! Você já tava com dezesseis!”
“Não! Eu tinha acabado de fazer quinze em dezembro de 2000 e o baile foi em janeiro de 2001.” Suspirou. “Foi um dos melhores bailes do meu tempo de escola, com toda certeza! Sabe quando tudo dá certo e se encaixa perfeitamente? Foi exatamente assim! As meninas tinham que convidar os meninos, mas, como seu pai já tinha saído da escola, eu combinei de ir com o meu melhor amigo, que tinha acabado de brigar com a namorada. Só que o Finn era o único em casa quando a menina chegou lá, aos prantos, dizendo que queria fazer as pazes com o meu amigo, e acabou se oferecendo pra acompanhá-la até lá. Eu aproveitei pra pedir pra ele dançar comigo, já que eu tinha ficado sem par e a gente acabou aos beijos no corredor do colégio.”
Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Is this burning an eternal flame?
I believe it's meant to be, darling
I watch when you are sleeping
You belong with me
Do you feel the same?
Am my only dreaming?
Or is this burning an eternal flame?
Eternal Flame estava tocando e as palavras que a vocalista do The Bangles cantava, junto com os olhares e sorrisos tímidos trocados, falaram por eles, que finalmente entenderam que não precisavam ter medo do sentimento que nutriam um pelo outro ou de uma possível rejeição. Outra música começou e os casais em volta continuaram dançando, mas Finn deu a mão a Rachel e, sem dizer uma palavra, seguiu com ela para longe do baile, adentrando um dos muitos corredores do colégio em que, até pouco tempo, tinha estudado.
De repente, ele parou e ficou de frente para ela, e os dois se encararam. Havia tantas coisas a dizer e, ao mesmo tempo, não era preciso falar nada. Ele acariciou seu rosto e ela sentiu um arrepio gostoso, como aqueles provocados pela brisa no verão, fechando os olhos e respirando profundamente. Acariciou a mão dele, segundos depois, e abriu os olhos, para ver que agora era ele quem mantinha os seus fechados e que um sorriso de puro contentamento curvava os cantos de seus convidativos lábios.
Seus olhos não ficaram fechados muito tempo, no entanto, e seus lábios também tiveram que deixar de sorrir para se ocupar em tocar os dela. Suas mãos seguram-na pela nuca e as dela repousaram sobre o peito dele, enquanto os lábios se entreabriam e as línguas lentamente se conheciam, em um beijo lento, com sabor de hortelã e coca-cola.
“Eu sou louco por você, Rachel.” Declarou, abrindo os olhos em seguida, para saber sua reação, e ficando feliz com o semblante alegre dela. “Eu sou só o filho da...”
“Eu sou completamente louca por você, Finn Hudson! Mas eu vou ficar muito brava com você, se você completar esse raciocínio. Eu não fui criada pra enxergar as pessoas pelo que elas tem, e sim pelo que elas são... e você é uma das melhores pessoas que eu conheço. É isso que eu sei sobre você! É isso o que me interessa sobre você!”
“Então, eu tenho chances reais com você? Eu posso querer ser seu namorado?”
“Isso é um pedido?” Perguntou, mordendo a parte inferior da boca por dentro.
“Se a resposta for sim, é.” Riu.
“Eu não posso te dar uma resposta sobre isso, sem nem saber como você se sairia num encontro.” Brincou.
“Não seja por isso! Temos um encontro amanhã, senhorita!” Embarcou na brincadeira. “Eu espero por um encontro com você desde o dia em que você me beijou na frente de todo mundo, no outro Natal, e eu queria te puxar e te beijar de novo, mas não podia, e nem achava que você iria querer.”
“E eu espero por um beijo de verdade seu desde antes desse dia, mas achava que você nunca ia deixar de me ver como uma irmã mais nova.”
“Eu jamais te vi como uma irmã mais nova, Rach. Ou meus pensamentos teriam sido incestuosos.” Riu e beijou-a de novo, e de novo, e mais uma vez, encostando-a em uma parede cheia de armários, onde ficariam até ser anunciada a última música da festa.
“Aí vocês começaram a namorar?”
“Sim! Aí a gente começou a namorar.”
“Será que eu vou amar o Henry anos assim... e demorar anos pra fazer ele me notar ou ter coragem pra ficar comigo?”
“Tudo isso você só vai saber com o tempo, porque cada pessoa tem uma história, filha. No meu caso, tinha a diferença de idade que hoje não é nada, mas que parecia ser grande coisa na época, e o fato de o seu pai achar que, como filho de uma funcionária, não servia pra mim. Esses obstáculos não existem no seu caso, porque o Henry tem a sua idade ou quase, e provavelmente os pais dele tem uma boa situação econômica, pra ele estudar na sua escola, então ele não vai pensar bobagens sobre isso.”
“Mas será que ele não gosta de mim só como amiga? E se eu amar ele pra sempre, mas ele não me amar?” Desesperou-se, como é comum aos apaixonados.
“Isso nós não temos como saber, mas, como eu disse, cada um tem uma história. Mesmo que hoje você sinta por ele tudo que eu senti pelo seu pai na sua idade, não quer dizer que ele vai ser o amor da sua vida. O seu tio e a Quinn, por exemplo, só se conheceram adultos. A Santana e o Sebastian também, e eles são super felizes.”
“A vida é tão difícil, mãe! Como é que eu vou saber se o que eu sinto é amor e... mesmo que eu fique com um menino, como eu vou saber se ele me ama? Como eu vou saber se eu devo me entregar... dar meu coração pra ele e...” Engoliu seco.
“E o seu corpo?” Levantou as sobrancelhas.
“É.” Respondeu, envergonhada, sem encarar a mãe. “Como você soube que deveria transar?”
“Isso também não é uma resposta fácil e, filha, você nunca vai estar completamente certa sobre o amor de ninguém... completamente segura. Entregar o coração sem essa segurança é um risco que a gente tem que correr na vida, ou vai viver pela metade.” Levantou o queixo da filha, buscando seus olhos. “Em relação ao sexo, você deve seguir o seu coração. Não existe uma resposta certa, mas, se quer seguir os meus passos, foi isso o que eu fiz.” Sorriu.
“Você pode me contar?” Pediu, timidamente.
“É claro que sim!” Riu. “Eu descobri que seu pai estava me esperando pra perder a virgindade comigo, então, como ele já tinha dezoito anos e amigos pegando no pé dele sem parar, as coisas não demoraram muito a acontecer. Nós namorávamos há quatro meses quando eu disse a ele que estava pronta, e então levou só mais umas duas semanas pra ele preparar uma coisa especial.”
Era final de semana e Finn tinha conseguido uma casa de praia emprestada com os pais de um dos muitos amigos ricos que ele tinha feito no colégio em que os Berry tinham bancado seus estudos. Puck emprestou o carro para que eles fizessem a viagem e, com o salário que estava recebendo em seu primeiro emprego, ele comprara mantimentos e todas as guloseimas que Rachel amava.
Planejara fazer um jantar romântico à luz de velas, mas logo que chegaram ao lugar, no começo da noite, acabaram deitando na cama juntos e começaram a trocar carinhos, que foram evoluindo para carícias mais quentes, beijos mais urgentes e pegadas mais fortes, até que tudo acabou acontecendo de forma natural.
Não foi tão prazeroso quanto Rachel esperava porque foi dolorido e nem tão bom quanto ele imaginara porque durou muito pouco. Porém, depois de cozinharem juntos, comerem e assistirem filme, eles fizeram tudo de novo, com mais calma, e foi bem melhor que da primeira vez. Depois eles tiveram o final de semana todo para se experimentar, estudar, e aprimorar as coisas e, no final,a experiência como um todo pode ser considerada perfeita.
Era tarde de domingo e Finn já tinha colocado as malas no carro, quando eles se sentaram para ver o por do sol, na varanda. Começaram a se beijar quando o espetáculo da natureza ocorria e, quando perceberam, já estavam sem suas roupas. As mãos dele afastaram as pernas dela e os corpos se encaixaram, espalhados pelo chão.
Ele se moveu, pegando uma camisinha na carteira, e penetrou-a com calma, mas ela usou os calcanhares para fazer com que ele o fizesse mais rápido e forte. Já não havia qualquer resquício de dor, somente prazer. Um prazer que foi crescendo até atingi-la como uma explosão, que ela ia querer que se repetisse pelo resto de sua existência.
“Que lindo, mãe!” Suspirou Aubrey. “Obrigada por conversar comigo, viu? Eu me sinto bem melhor!” A garota garantiu, após o término da história.
“De nada, meu amor.” Rachel respondeu, beijando a testa da filha e indo embora para o quarto ao encontro do marido.
Tantas recordações tinham-na deixado com vontade de ter um fim de noite especial. Era hora de estrear a lingerie nova que Kurt a tinha feito comprar no final de semana, e explodir, mais uma vez, de desejo e amor!
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