Moiras

9 Tons de Cinza


Zapata sempre saia estressada de seu novo trabalho. Sua decisão de mudar de agência e atuar na CIA tinha propósitos bem objetivos: encontrar Roman e Jane. Bem, Jane estava de volta e Patterson também, isso aguçava sua vontade de voltar ao FBI. Mas as novas tatoos abriram perspectivas e sua atuação fazendo a ponte entre as informações das duas agências seria muito importante nesse momento.

Qual será o envolvimento de Roman nisso tudo?

Há anos que Roman povoava grande parte de seus pensamentos.

O inigmático irmão de Jane...

Após a queda da Sandstorm, ela estava decidida a capturá-lo. Sua liberdade representava para Zapata um perigo iminente ao país – pois ele poderia reativar a organização – e aos seus amigos, especialmente Jane. Patterson dizia que ela estava obcecada com a ideia e que isso poderia magoar Jane, mas ela acreditava que era a única pessoa que estava agindo racionalmente ali.

“Jane... Acho que hoje é um ótimo dia pra colocar a conversa ela”_ e teclou algumas mensagens de texto sem resposta._”Todo esse tempo isolada do mundo só aumentou o descaso dela com o celular. Vou sem receber resposta mesmo.”

Enquanto dirigia para o apart-hotel onde Jane estava hospedada, Zapata recordou acontecimentos de anos atrás...

Na busca frenética pelo paradeiro de Roman, ela rompeu os protocolos de segurança e foi sozinha se encontrar com um novo contato. Acabou refém de traficantes de crianças. Aqueles caras não estavam de brincadeira, só não a mataram imediatamente porque ela estava sem as credenciais do FBI. Ela realmente pensou que sua vida tinha chegado ao final quando Roman chegou no galpão. Ele se aproximou e a examinou friamente. Depois se dirigiu aos traficantes:

—Quem é ela?

—Alguém que estava bisbilhotando na vizinhança. Ainda estamos decidindo que fim dar nela.

“Como assim, ele não vai contar quem sou eu?”_ seu coração não sabia mais se dispara ou parava de vez.

A conversa entre os homens pareceu demorar horas. A negociação da “carga” foi difícil. Roman discutiu várias vezes com os traficantes. A distância em que Tasha se encontrava não lhe permitia ouvir claramente a conversa. Quando tudo ficou acertado, Roman se dirigiu ao local onde ela estava e voltou a examiná-la. O pânico tomou conta dela quando ele se abaixou e abriu os botões de sua camisa, olhando seus seios.

—Eu gostei da bisbilhoteira. Ela está à venda? Eu gostaria de passar algumas horas com ela antes da “hora de dormir”.

Os traficantes riram animadamente.

—Bem, não tínhamos pensado em ganhar dinheiro com ela, mas se você se interessou, tudo é negociável, desde que você não esqueça que ela precisa “dormir” depois do sexo.

—Uma boa noite de sexo precisa ser fechada com chave de ouro! Vocês me conhecem bem.

Novos risos ressoaram pelo galpão.

—Pobre bisbilhoteira... Leve-a como um brinde pelas ótimas relações comerciais que temos, Roman.

— Agora estou sentindo que vale realmente a pena negociar com homens de visão como vocês. Querem algum pedaço como prova?

— Não é necessário. Leve logo seu brinde.

Tasha não conseguia se mover. Roman agarrou seu braço e a levantou com um só puxão. Seu olhar era sombrio. Ele a conduziu para fora do galpão e a colocou no porta-malas de seu carro.

Após rodarem por um tempo indefinido, o carro parou e ele retirou-a do porta-malas com a mesma violência. Olhou fundo nos seus olhos, virou-a de costas e cortou a corda que amarrava suas mãos. Ela continuava amordaçada. Puxou-a de volta pra ele e disse:

—A duas quadras daqui tem uma estação do metrô. Seja rápida, antes que eu me arrependa._ e colocou um bilhete de acesso no bolso de sua camisa.

Zapata saiu desnorteada. De volta ao NYO, deu informações básica sem incluir Roman em qualquer uma delas.

De volta ao presente, Tasha estacionou o carro em frente ao apart-hotel no momento em que Jane vinha chegando.

—Ei, Jane Doe, será que a vida nas montanhas acabou com suas habilidades no celular?

Jane olhou para Tasha e foi o que bastou para não suportar mais mais conter as lágrimas. Imediatamente Zapata a abraçou.

—Por Deus, Jane, o que aconteceu?

—Eu estava com Kurt... ele nunca vai me perdoar... acho que nem eu posso me perdoar, Tasha. Eu estou me sentindo um lixo.

—Calma, melhor a gente conversar, entra no meu carro.

Enquanto Tasha dirigia:

—Eu vim te chamar pra uma bebida, mas acho melhor optar por um lugar mais privado. Tudo bem se formos pra minha casa?

Jane concordou com a cabeça e se recostou no banco do carro, deixando as lágrimas correrem livremente. Tasha respeitou seu momento sem perguntas.

Chegando à sua casa, Tasha pegou uma garrafa de Pellegrino pois sabia que a amiga amava essa bebida e serviu:

—Jane, sei que está sendo difícil, mas você precisa entender que Kurt chegou ao fundo do poço com sua partida. Mas estou aqui, me conta qual foi o grande lance do jogo que te tirou daqui e agora provocou todo esse desencontro entre você e Weller?

—Tasha, eu estava grávida quando parti.

—Você estava grávida!

Tasha respirou fundo, pegou mais duas garrafas de bebida no armários, colocou sobre o balcão:

—É, Jane, é melhor você beber...