Moiras
10 Ausência
Kurt chegou ao NYO pouco antes das 6 am. Ele estava destruído, seus olhos não se fecharam sequer por um minuto naquela noite.
Jane grávida no Tibete, naquela montanha. Ela escondeu meu filho de mim. Deus, eu achando que era impossível ela causar uma confusão maior na minha vida... Por que ela faz esse tipo de coisa? O que mais aconteceu e ela não quer me contar? Será que ela não percebe que podia ter morrido com o bebê?_seu corpo todo estremeceu diante dessa possibilidade nefasta. Um relâmpago de gratidão o invadiu. Ela estava aqui e bem.
Nesse momento, ele percebeu Patterson caminhando em sua direção.
—Patterson? Bom dia, o que faz aqui tão cedo.
—Eu acordei com algumas ideias no meio da madrugada e resolvi correr pra cá pra colocar o algoritmo correndo o novo banco de dados das tatoos. Mas você está um lixo! O que aconteceu?
—Eu e Jane conversamos sobre tudo o que aconteceu ontem à noite...
—Ah, Kurt, eu queria tanto que tudo se acertasse pra vocês dois..._ e ela acariciou suavemente suas costas_ venha, você precisa desabafar, vamos ao meu laboratório.
Enquanto Kurt contava os pontos principais da conversa, Patterson sentia-se aflita imaginando o quanto os amigos estavam sofrendo com tudo aquilo. Quando ele contou o desfecho da situação, ela fez um esforço enorme para não disparar críticas por Jane ter terminado a noite sozinha depois de tudo aquilo.
—Kurt, eu não sei o que dizer... sei o quanto foi difícil pra você, mas tenta pensar nela lá sozinha quando o bebê morreu... Me desculpa, mas eu preciso falar com Jane pra saber como ela está. Isso tudo é forte demais.
Naquele exato instante, seu celular notificou uma mensagem de Tasha:
“Estou no SIOC com Jane. Por favor, venha pra cá o quanto antes.”
“Já estou aqui, e Kurt também. Estou indo ao seu encontro. Você não imagina meu alívio em saber que Jane não está sozinha.”
— Kurt, Tasha está aqui com Jane. Vou até o saguão encontrá-las. Por favor, você nos dá um minuto?
A expressão de alívio no rosto de Kurt por saber que Jane estava com Tasha era nítida.
—Claro, eu espero aqui.
Patterson se dirigiu ao saguão e Tasha veio ao seu encontro:
—É, o furacão Jane Doe está de volta às nossas vidas.
—Mas eu já tenho um plano...
—Fingir que não ficamos destruídas e tentar fazer os dois perceberem que só serão capazes de superar tudo isso juntos?
—Nossa, a CIA está te treinando bem!
—É elementar, minha cara Patterson.
As duas trocam um toque de mão.
Kurt entra apressadamente:
—Patterson, seu algoritmo está indicando algo.
—É claro que está. O que mais vai acontecer agora?
A tatto decifrada indicava problemas com uma das principais empresas de segurança privada de Nova York. O furacão emocional foi colocado de lado e o team iniciou sua rotina de detenções para averiguação e interrogatórios. Depois Weller se dirigiu à prefeitura para uma reunião com os responsáveis pelas licitações da empresa, enquanto Jane e Tasha foram investigar um dos prédios supeitos nos arredores da cidade. Pouco depois de chegarem ao local, Patterson perdeu completamente o contato com elas.
As meninas se separaram para cobrir uma área maior. A ala oeste do prédio, inspecionada por Tasha, tinha sido desocupada recentemente. Assim que terminou essa parte, ela resolveu ir ao encontro de Jane. A ala leste também estava vazia, completamente vazia. Nenhum sinal de Jane. Ela voltou para a frente do prédio na esperança de que a amiga tivesse retornado para lá também e nada.
“Hora de pedir ajuda”.
Os carros do FBI não demoraram a chegar, as equipes vasculharam toda a área sem sucesso. Voltaram para o SIOC completamente arrasados.
Dois dias se passaram numa rotina já conhecida pelo team: a rotina de busca pela Jane. Hospitais, necrotérios, troca de informações entre as agências. Jane simplesmente desapareceu... de novo.
No final da tarde, Nas chegou no SIOC e encontrou apenas o team. Todos estavam exaustos, mas a esperança de que ela trouxesse alguma pista concreta promoveu uma reunião espontânea na sala de Weller.
—Não esperava encontrá-los nesse estado. Vocês precisam descansar!
—Descansar como, Nas? Jane está nas mãos dessa gente._disse Reade
—Está?
—É claro que está, eu estava com ela no prédio.
—Você viu ela sendo levada?
Kurt ficou chocado:
—Nas, eu não estou entendendo onde você quer chegar...
—Estou sendo clara, Kurt: vocês não têm prova nenhuma de que ela foi sequestrada. Sabemos que ela gosta de desaparecer repentinamente.
—Não, Nas, peraí! Isso é completamente diferente. Ela estava em campo, à serviço. As situações são incomparáveis.
—Foi por isso que eu vim, Patterson. Quando se trata de Jane vocês perdem a noção da realidade. Nesse arquivo tem tudo sobre a Alice/Remi/Jane que levantei ao longo de anos de investigação na SNA. Ela é imprevisível! Se ela quer ir embora, ela vai e pronto!
—Nas, quando Jane partiu, ela encontrou uma forma de me dizer adeus. E ela só foi por que estava enfrentando graves problemas que eu ajudei a causar na vida dela.
—Eu queria saber o que ela faz com você durante o sexo pra que acredite nela dessa forma.
Kurt chegou no seu limite:
—Ela estava grávida e descobriu que a substância radioativa que VOCÊ injetou nela com a MINHA autorização iria matar o bebê!
—Céus, Kurt, você teve coragem de fazer um filho naquela mulher? Uma ex-terrorista que passou três meses num black site da CIA não serve pra ser mãe! Agradeça por essa criança ter morrido.
Kurt respirou fundo e se levantou:
—Essa ex-terrorista aceitou várias missões suicidas quando tudo o que fazíamos era odia-lá por erros que provavelmente nós mesmos cometeríamos se estivéssemos na situação dela. Essa ex-terrorista não aceitou me deixar morrer sozinho naquele caminhão com Shepherd em Washington. E sim, eu teria muitos filhos com essa mulher se fosse possível exatamente porque ela passou três meses num black site da CIA e saiu de lá mais forte e humana do que qualquer outra pessoa que conheço. Então, Nas, se você não está aqui por Jane, por favor se retire antes que eu mesmo te coloque pra fora!
—Eu vou deixar o arquivo. Tenho certeza que, depois de olhá-los, você vai pensar como eu. Boa noite.
Assim que Nas se retirou da sala, o team todo aplaudiu.
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