Moira
12 O Fio Entre Nós (Parte 2)
Notas iniciais
O sábado amanheceu com aquele típico frio do início do inverno, o tipo de manhã em que o quarto continua escuro por mais tempo e sair debaixo do cobertor parece uma decisão de vida, mas infelizmente Prim não compartilhava da mesma opinião.
Acordei cedo demais com minha irmã pulando animada na cama dizendo que precisávamos “aproveitar Atenas”, o que sinceramente me pareceu um argumento extremamente fraco para existir antes das sete da manhã.
Na noite anterior Peeta e eu acabamos ficando mais tempo do que eu pretendia no terraço do hotel. Ele me acompanhou até a porta do quarto depois e se despediu com um selinho rápido antes de voltar para o próprio quarto no final do corredor.
Mags ainda estava acordada quando entrei, mas ela apenas sorriu daquele jeito tranquilo que parecia enxergar coisas demais sem precisar perguntar nada antes de desejar boa noite e apagar o abajur ao lado da cama.
Mas eu demorei muito para dormir. Fiquei deitada olhando o teto enquanto revivia mentalmente tudo que tinha acontecido naquela noite.
O beijo.
A conversa.
O jeito sincero como Peeta falava sobre a família e talvez justamente por isso tenha sido quase impossível ignorar o peso da culpa apertando meu peito outra vez.
Ainda assim, depois de várias tentativas insistentes de Prim para me arrancar da cama, acabei cedendo e cerca de uma hora depois nós três descemos para o restaurante do hotel onde o café da manhã já estava sendo servido.
O salão era elegante sem parecer exagerado. As enormes janelas de vidro davam vista para uma avenida movimentada mesmo naquela manhã fria de sábado enquanto garçons atravessavam o ambiente carregando bandejas de café, frutas e pães.
Peeta já estava sentado com Haymitch em uma mesa próxima a janela. Assim que nos viu, levantou e puxou a cadeira ao lado da dele para mim. O gesto foi tão natural que demorei alguns segundos para perceber. Effie surgiu exatamente naquele instante segurando o celular em uma mão e um envelope na outra.
“Ótimas notícias.” Ela anunciou animada. “A inauguração de ontem recebeu críticas excelentes.” Entregou o celular para o marido sem nem esperar resposta antes de voltar a atenção para mim . “E vocês dois estão na revista de Thalessi.” Quase engasguei com o suco.
“Como?”
“Mãe.” Peeta suspirou ao meu lado. “O que você fez?”
“Eu não fiz absolutamente nada.” Ela respondeu ofendida enquanto me entregava o envelope pardo. “Só corrigi uma injustiça social.” Retirei a revista de dentro dele, era uma revista que praticamente todas as mulheres da cidade ainda liam religiosamente apesar da internet existir há anos. Effie claramente parecia orgulhosa de si mesma. “Aquela nota horrível no jornal anunciando o noivado de vocês parecia uma fusão empresarial.” Continuou indignada se servindo de um pouco de café. “Nem os nomes de vocês apareciam. Era só Snow pra cá, Mellark pra lá.”
“Mellark é literalmente o seu sobrenome, sabe disso não é?” Haymitch comentou sem tirar os olhos do celular.
“E eu o carrego com muito orgulho, querido, mas aquilo parecia um contrato comercial.” Peeta soltou uma risada baixa ao meu lado. “A revista ainda nem chegou nas bancas.” Effie continuou satisfeita. “Mas o editor me mandou a prévia ontem à noite.” Folheei algumas páginas até encontrar a coluna social com os casamentos anunciados para janeiro.
E então vi a fotografia, uma das fotos do ensaio, onde estávamos abraçados perto do jardim. E abaixo uma nota simples.
Peeta Mellark e Katniss Everdeen celebrarão seu matrimônio no início do próximo ano em cerimônia religiosa na matriz de Thalessi, cidade natal da noiva.
O enlace reunirá familiares e amigos próximos para a celebração da união das famílias.
Os noivos escolheram os jardins do Casarão de Afrodite como cenário para o ensaio fotográfico pré-casamento, local onde também acontecerá a recepção após a cerimônia.
Aos noivos, votos de felicidade e uma vida próspera juntos.
“Vocês ficaram lindos.” Prim comentou se inclinando sobre a mesa para olhar melhor.
Nos primeiros segundos odiei a ideia, mas então pensei no meu avô. No quanto ele ficaria irritado ao perceber que seu nome não aparecia em nenhum momento da nota, em como ele odiaria ver o sobrenome do meu pai naquela matéria e não o dele.
E honestamente... Aquilo melhorou bastante minha opinião sobre a publicação. Como voltaríamos para Thalessi apenas na segunda-feira, acabamos começando uma conversa sobre o que faríamos naquele dia.
Haymitch alegou conhecer Atenas “bem o suficiente para sobreviver sem mais um dia de roteiro turístico”.
“O que você pretende fazer exatamente?” Effie perguntou desconfiada.
“Vou encontrar dois amigos e depois assistir televisão no quarto e fingir que não existo pelo resto do dia.”
“Finalmente uma programação a sua cara.” Peeta comentou divertido.
“Ótimo.” Effie respondeu satisfeita. “Então eu vou passear e turistar com eles.”
Pouco depois saímos do hotel com a recomendação de usar um casaco quente e sapatos confortáveis porque, segundo Peeta, “Atenas parece plana até você perceber que passou o dia inteiro subindo colinas.”
A cidade parecia completamente diferente sob a luz do dia. As avenidas estavam cheias de gente indo de um lado para o outro, lojas movimentadas e turistas espalhados por toda parte.
Nossa primeira parada foi a Praça Sintagma. Ficamos em frente ao Parlamento observando a troca da guarda.
“Isso é muito legal.” Prim não tirava os olhos dos soldados. “E agora eles ficam parados o resto do dia?”
“Até a próxima troca, que acontece de hora em hora.” Peeta sorriu. “Parece fácil, mas não é. Eles passam muito tempo completamente imóveis, mesmo com pessoas tirando fotos a poucos centímetros deles. Faça chuva, faça sol, eles continuam ali.”
“Nossa...”
“Também tem troca da guarda em frente à Mansão Presidencial”, ele continuou. “Mas aqui costuma ser mais animado. Principalmente aos domingos. A cerimônia é maior, tem a banda militar e a praça fica lotada.”
“A gente pode ver amanhã?”
“Prim...” Ela me olhou como se o pedido fosse a coisa mais natural do mundo, enquanto Peeta ria.
“Vamos ver. Quem sabe?”
Satisfeita com a resposta, ela voltou a olhar o fim da cerimônia. Só então seguimos para o Museu da Acrópole.
E honestamente... Aquilo sozinho já teria valido a viagem inteira.
O prédio moderno era o contraste perfeito das esculturas antigas espalhadas pelos enormes salões iluminados. Colunas parcialmente destruídas pelo tempo. Estátuas históricas, fragmentos de templos preservados há séculos.
E acima de tudo existia a vista, as paredes de vidro permitiam ver a Acrópole no alto da colina praticamente o tempo inteiro enquanto caminhávamos pelo museu. Era impossível esquecer onde estávamos.
Prim observava tudo impressionada enquanto Effie comentava sobre a arquitetura do prédio com Mags. Mas eu mal conseguia desviar os olhos das peças expostas, em determinado momento paramos diante de uma enorme representação do Parthenon, construída exatamente nas mesmas proporções do monumento real do lado de fora.
“Eu li uma vez que as colunas foram construídas com pequenas inclinações porque linhas perfeitamente retas parecem distorcidas quando vistas à distância.” Comentei enquanto observava a estrutura. Peeta virou o rosto na minha direção com um sorriso.
“Você realmente gosta disso.”
“Essa é uma das construções mais importantes da história.”
“Acho que isso responde minha pergunta.” Ignorei o sorriso satisfeito dele e segui observando tudo com atenção.
Depois do museu seguimos para a Acrópole, lá em cima a cidade parecia distante, enquanto um outro mundo estava ali sobre ruínas do passado.
Mesmo Effie comentando que o movimento estava “bem tranquilo aquele dia”, achei o lugar cheio.
Turistas, guias falando em diferentes idiomas, câmeras e celulares por toda parte. Mas ainda assim existia alguma coisa silenciosa naquele lugar.
Algo antigo demais.
Como se Atenas inteira continuasse girando ao redor daquelas ruínas. Minha irmã praticamente tinha confiscado meu celular naquele ponto e não parava de tirar fotos.
Do Parthenon.
Das colunas.
De mim.
“Prim, para.”
“Você está linda.” Ela respondeu antes de tirar outra foto.
Passamos também pelo templo de Erecteion e pelas famosas cariátides observando a estrutura belíssima.
“Então essas estátuas literalmente seguram o teto?” Peeta perguntou olhando para as figuras de pedra.
“Sim.” Respondi. “Mas aquelas não são as originais. As verdadeiras estão preservadas no museu. Passamos por elas.”
“Existe alguma história sobre isso, não existe?”
“Quase tudo na Grécia tem uma história.” Prim comentou enquanto tirava mais uma sequência de fotos e acabei sorrindo.
“Na verdade o mito diz que essa foi a punição para as mulheres de Caria depois da cidade se aliar aos persas.” Expliquei enquanto observava as figuras esculpidas. “Os homens foram mortos e as mulheres escravizadas, condenadas a carregar o peso dos edifícios para sempre.”
Peeta permaneceu olhando para as cariátides por alguns segundos em silêncio.
“Ninguém pode dizer que os gregos não sabiam transformar tragédia em arquitetura.” Sorri com sinceridade e não demoramos a descer pela antiga Ágora.
Aquilo talvez tenha me impressionado tanto quanto a própria Acrópole, porque não parecia apenas um monumento.
Parecia uma cidade que um dia realmente tinha vida, as ruínas da antiga área pública ainda estava ali com ruas inteiras entre colunas quebradas e árvores baixas enquanto ao longe o Templo de Hefesto permanecia praticamente intacto lá no alto.
Em algum momento Prim correu na frente atrás de Mags para mostrar alguma coisa e acabei diminuindo o ritmo sem perceber.
Mais tarde caminhamos por ruas estreitas cheias de pequenas lojas e paramos para um almoço já bem mais tarde do que planejávamos em um restaurante agradável com uma bela vista.
Depois disso Peeta anunciou que atravessaríamos parte da cidade de metrô porque, segundo ele, “dirigir no centro num sábado era uma péssima ideia e turistas que pesquisam antes usavam o metrô.”
E sinceramente, aquilo acabou sendo mais interessante do que eu esperava. Se eu estivesse sozinha provavelmente teria me perdido em menos de dez minutos.
Mas isso dificilmente aconteceria, porque Peeta segurava minha mão enquanto caminhávamos pela estação movimentada como se aquilo já tivesse se tornado natural entre nós naquele dia.
Não faço ideia em qual estação descemos exatamente, mas percebi que aquela parte da cidade tinha uma energia diferente do restante da cidade.
A plataforma estava cheia de jovens falando alto, muitos carregando mochilas, livros ou copos de café enquanto músicos tocavam próximos à saída principal.
Subimos as escadas rolantes e assim que alcançamos a avenida o vento frio atingiu meu rosto. Livrarias abertas e pequenos bares começando a encher mesmo ainda sendo meio da tarde.
Grupos de jovens espalhados pelas calçadas como se ninguém tivesse muita pressa de ir embora. Peeta apontou discretamente para o outro lado da avenida.
“Ali fica parte da Universidade de Atenas.” Segui o olhar dele sem nem pensar.
Os prédios neoclássicos se destacavam no meio da avenida movimentada com colunas claras e grandes escadarias. Ali haviam estudado filósofos, arquitetos, políticos e algumas das figuras mais influentes da história moderna grega.
“Direito funciona naquele prédio.” Continuou. “Uma pena estar fechado hoje. Mas mesmo sábado sempre tem gente por aqui.” E realmente tinha.
Alguns estudantes sentados nos degraus revisavam anotações enquanto outros simplesmente conversavam entre si.
Prim girou lentamente observando tudo ao redor.
“Isso parece cenário de filme.” Effie concordou enquanto ajeitava o cachecol.
“Atenas tem essa arrogância estética natural.” Comentou. “Até os estudantes parecem artisticamente cansados.” Acabei rindo baixo.
“Imagino você na época da faculdade.” Peeta comentou olhando para a mãe com um sorriso divertido. “Aquelas fotos antigas definitivamente não devem fazer justiça ao que foi de verdade.”
“Claro que não. E não fale antiga desse jeito.” Ela respondeu imediatamente. “Eu aproveitei cada canto dessa cidade.” Sorriu de um jeito nostálgico. “Minha turma formou os advogados mais descolados da Grécia.”
“Os mais humildes também.” Peeta completou.
“Não existe humildade quando se consegue entrar em uma das universidades públicas mais prestigiadas do mundo, meu querido.”
“Ei, eu também entrei.”
“Não sendo uma mulher no final dos anos oitenta.” Ele levantou as mãos em rendição.
“Você tem um ponto. Mas os anos noventa foram praticamente a revolução feminina dessa universidade.”
“Verdade.” Effie concordou. “Foi quando começamos a ganhar espaço de verdade nesses prédios, principalmente em cursos que durante muito tempo eram vistos como exclusivamente masculinos.”
“Você estudou aqui?” Prim perguntou animada. Pude ver Effie sorrir enquanto concordava.
“Ah, sim. Eu, Peeta, meu pai… na verdade gerações da minha família estudaram nesses prédios.” Ela respondeu olhando rapidamente para a universidade. “Mas fui a primeira mulher da família a entrar em direito aqui.”
Havia orgulho na voz dela, um orgulho discreto, mas impossível de esconder.
“Meu avô ainda conta essa história como se tivesse acontecido semana passada.” Peeta comentou divertido.
“Porque foi um escândalo maravilhoso na família. Minha avó quase desmaiou quando anunciei que seguiria os passos do meu pai e entraria em direito aqui.” Soltou uma pequena risada. “Mas vou deixar essa parte para o meu pai contar quando conhecer vocês.” Continuou ajeitando o cabelo bagunçado pelo vento. “Não quero parecer convencida… embora ele tenha bastante orgulho disso. Principalmente porque alguns dos meus primos não conseguiram entrar.”
“Meu avô conta exatamente assim.” Peeta acrescentou divertido. “‘Os homens da família Trinket tentaram duas vezes e não passaram, enquanto a filha da estrangeira entrou de primeira aos dezoito anos.” Ela sorriu. “E ele ainda acrescenta aqueles moleques tinham mais ego do que vontade de estudar.”
Prim riu alto.
“Que legal.” Comentou antes de olhar pra mim. “Katniss também estuda na mesma faculdade que nossa mãe estudou.” Então acrescentou com naturalidade. “Mas ela não se formou porque se casou com meu pai.” Observei Effie sorrir suavemente.
“Sim.” Ela respondeu tranquila. “E teve vocês, o que é extraordinário também.” Sorri de leve com a fala enquanto continuávamos caminhando devagar pela avenida.
“Então sua mãe realmente é formada em Direito?” Perguntei enquanto caminhávamos.
“Sim.” Ele respondeu divertido. “Não parece muito, eu sei.”
“Peeta.” Effie reclamou. “Posso te ouvir.”
“Ela não exerce mais, embora possa.” Continuou ignorando completamente a mãe. “Ela ainda consegue discutir legislação melhor do que muita gente na ativa.” Fez uma pausa curta antes de completar. “Inclusive os primos dela, que se formaram, não aqui, mas se formaram.”
“Obrigada.” Effie respondeu satisfeita. “Finalmente algum reconhecimento.”
Enquanto caminhávamos, Peeta começou a apontar alguns lugares da região, falou sobre cafés onde costumava estudar durante a faculdade. Uma pequena praça onde universitários passavam horas durante as noites mais quentes.
E o prédio antigo onde morou durante os primeiros anos do curso e antes de se mudar para um apartamento mais próximo do estágio.
Era estranho perceber quantas lembranças dele existiam espalhadas por ali, como se aquela cidade guardasse versões dele que eu ainda não conhecia.
Fechamos o dia vendo o pôr do sol do alto do Monte Licabeto depois de uma subida rápida no pequeno bondinho que atravessava a colina. Lá em cima o vento era ainda mais frio.
Prim se encolheu dentro do casaco enquanto Effie reclamava que seus cabelos provavelmente precisariam de uma visita urgente ao salão depois de “sobreviverem ao vento”.
Mas a vista fazia tudo valer a pena, o céu lentamente assumia tons dourados e alaranjados enquanto a cidade começava a acender abaixo de nós.
E a Acrópole iluminada ao longe dominava a cidade como se ainda fosse o centro de tudo. Por alguns segundos ninguém falou nada.
Fiquei apoiada na mureta de pedra observando a cidade inteira se transformar diante dos meus olhos enquanto o frio atravessava minhas mãos. Peeta parou ao meu lado em silêncio.
“Bonito, não é?” perguntou mais baixo e assenti sem conseguir desviar os olhos da vista. “Tinha muita coisa que eu ainda queria mostrar pra vocês.” Comentou depois de alguns segundos. “Mas vamos precisar de mais tempo.” Sorriu de leve olhando novamente para a cidade. “Então acho que vai ficar pra uma próxima.” Olhei pra ele surpresa.
“Uma próxima?” Ele virou o rosto na minha direção como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
“Ontem você disse que vai se casar comigo.” Respondeu tranquilamente. “E embora a ideia seja Thalessi continuar sendo nossa residência fixa… principalmente nesses próximos anos enquanto você termina a faculdade…” Fez uma pequena pausa antes de continuar. “Eu vou precisar viajar algumas vezes por causa dos restaurantes. Não tanto agora, porque quase tudo já está encaminhado e consigo resolver muita coisa à distância.” O vento bagunçava discretamente o cabelo dele enquanto falava. “E eu falei sério quando disse que quero você ao meu lado nisso.” Continuou mais baixo. “Gostei de mostrar Atenas pra vocês hoje.” Sorriu olhando rapidamente para Prim alguns metros à frente tirando mais fotografias da cidade. “Sua irmã claramente adorou tudo isso.” Acabei sorrindo de leve também.
“Ela provavelmente se mudaria pra cá amanhã.”
“Talvez não amanhã.” Respondeu divertido. “Mas honestamente? Não seria impossível.” A ideia do internato surgiu imediatamente na minha cabeça. A distância, que ficaria dela. Prim crescendo longe de mim. Isso me apavorava. Tentei afastar o pensamento antes mesmo dele ganhar espaço suficiente na minha mente . “Mas acho que existem lugares que ela ainda vai gostar mais de conhecer e você também.” Sorriu de lado. “Sem contar as férias.”
“Férias?”
“Minha mãe praticamente considera obrigatório passar parte do verão nas ilhas, principalmente Santorini, ela e meu pai tem história naquele lugar já que foi lá que eles se conheceram.” Respondeu com naturalidade. “E existem alguns lugares onde temos filiais que acabam virando desculpa pra viagens em família. Lugares que quero muito que vocês conheçam.” Existia alguma coisa estranhamente tranquila naquele momento e consegui imaginar pequenas partes do futuro sem sentir apenas medo.


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