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Notas iniciais
EXPERIENCE X-078
STATUS: WAITING FOR LOCATION.
Assim que o ônibus parou no estacionamento do enorme Colégio Anaximander, Daphne Vladesco foi a primeira a saltar dele. Lilah Zendaya, que estava entretida em uma conversa com os gêmeos Mills, foi uma das ultimas a sair, logo depois de Andrômeda Alves e Pietro Kennedy, que ainda discutiam sobre games. Uma Ferrari preta estacionou na frente do portão da escola e todos viram quando Maison Isabelle saiu do carro. Logo depois um Camaro vermelho com listras douradas em desenhos de raios parou atrás da Ferrari e Luke desceu. Uma moto parou e Hugo saltou dela, com uma enorme mochila. Clary James, que vinha a pé finalmente chegou, meio esbaforida. Quando outro ônibus estacionou, Catherine Jones que estava vestida como se estivesse indo a praia, e não ao mato, pulou o último degrau e aterrissou como um pássaro. Connor Haynes desceu, após Aaron Blackbird, que logo prendeu a atenção das meninas ao seu redor. Um Impala estacionou e Calebe di Cássio desceu, com cara de nojo. Oliver Sonenclar saiu de detrás de uma árvore e continuou andando, enquanto uma limusine chegava, atraindo todas as atenções. Grim Kinuyt, segurando uma mala com rodinhas. Outro carro estacionou e Charlie Rowley saiu, acenando para o pai. Uma SUV parou também e desceu Rafael Williams, que logo andou na direção de Hugo Bennett. Mais pessoas de vários outros lugares, de carros, motos, a pé, chegavam.
– Aí eu disse: sai pra lá, vagabundo! – Zendaya contava a Diana e David, que gargalhavam.
– Ai caramba, Lilah! – Diana quase chorava dando risada. – Mas, sério, nem chega perto da vez que eu fiz o David correr ao redor da piscina publica completamente pelado!
– Aquilo não foi engraçado, eu fiquei trancado em casa até pararem de compartilhar vídeos meus no facebook. – David bufou, ouvindo a irmã e Lilah rirem. – Foi ainda mais engraçado quando eu troquei o seu shampoo por tinta amarela no dia do seu aniversário.
– Era meu aniversário de 15 anos, eu queria te matar! – Diana riu.
– Deve ser legal ter irmãos. – Lilah sorriu.
– Na maior parte do tempo não é, pode acreditar. – David deu risada. – Mas imagina se a gente fosse separado e de repente descobrisse que tínhamos um irmão gêmeo? Ia ser louco!
– Como assim “se fossem separados”? – Repetiu Lilah.
– Somos adotados. – Respondeu Diana.
– Eu também. – Disse a loira, surpresa. – Nossa, já são os segundos que eu descubro serem adotados que eu conheço hoje.
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Enquanto isso, Charlotte, que havia resgatado a câmera de dentro da mochila, tirava fotos dos canteiros de flores, enquanto Andrômeda gravava o dia e papeava sobre Call of Duty com Pietro. Olliver estava sentado na sombra do outro lado do canteiro de flores em que Charlie estava. Maison ria junto de um grupo em que Clary conversava animadamente. Hugo parecia estar brigando com Rafael.
– Sério, que você fez isso, Rafael? – Ele perguntava, furioso.
– Você não teria vindo se eu não tivesse dito aquilo! – Rafael tentava se defender, sem muito sucesso.
– Quando eu vi o Jeremiah com a Sarah, sabe com que cara eu fiquei? Nenhuma! Porque eu fiquei pasmo, vermelho, confuso e logo depois queria socar você.
– Mas sabe por que você não vai fazer isso? – Rafael sorriu. – Aquele é bom motivo.
Rafael apontou para o lado em que estavam mais da metade das garotas que haviam vindo para o Acampamento. Sorte dele que todas eram bonitas.
– Sabe o que caras héteros como eu fazem em Acampamentos como esse? — Perguntou Rafael, em um tom de obviedade. – Invadem o lado feminino das barracas de madrugada.
Hugo olhou fixamente para o amigo, se perguntando como diabos haviam se conhecido.
– Você é tarado.
Aaron conversava com os motoqueiros do outro lado do Colégio Anaximander enquanto Catherine Jones discutia com Connor Haynes.
– Se atirar de pontes no meio da noite é loucura. – Connor dizia.
– Loucura é essa sua sobrancelha! Sabia que existe uma coisa chamada “pinça” meu querido? – Catherine rebatia, sempre no mesmo nível. Era uma discussão que havia começado sobre bandas de rock. Infelizmente Connor havia perguntado sobre o que Cath mais gostava, e a resposta fora curta e rápida, coisa que Connor achou completamente sem nexo.
– Retire o que disse! – Connor se irritou.
– Não retiro nada! – Catherine, já completamente furiosa, levantou a mão para dar um tapa na cara do moreno, mas a única coisa que conseguiu fazer foi um suspiro de incredulidade quando seu braço de repente baixou sozinho. Sem palavras, Connor deu meia volta, com os olhos arregalados.
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Alheias a esses fatos, Daphne e Grim conversavam calmamente sobre artes. Grim descobrira que Daphne tocava violino e ficara encantada. Eram poucas as pessoas que mantinham a atenção de Grim por tanto tempo. Mas Grim era tão calma quanto a ruiva.
– Gostei muito do seu cabelo, Grim. – Elogiou Daphne.
– Obrigada. – Grim tocou uma mecha. – O seu também é muito bonito. Eu acho o ruivo uma cor muito legal.
– Às vezes é meio incômodo, porque as pessoas associam a cor a pessoas de “atitude” ou outra coisa. E eu sou apenas calma. – Daphne sorriu. Era interessante conversar com Grim, ela tinha muito interesse em artes, de todos os tipos.
– Eu vejo. – Grim sorriu, grata por agora ter alguém com quem conversar. – Espero que possamos descansar na mesma barraca essa noite, eu não tenho ninguém para me fazer companhia.
– Nem eu. – Daphne riu, sua voz fina. – Acho que agora com uma amiga eu até possa aguentar dormir em uma barraca no mato.
– Somos duas então.
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– Área 51? – Repetiu Allec, com os olhos arregalados. A única coisa que sabia sobre a Área 51 era o que aparecia nos filmes. Allec nunca poderia pensar que a Área mais secreta dos EUA ficava em Nevada. – Pai...
– Allec, calado. – Seu pai ainda se mantinha na frente, agora entrando em uma espécie de saguão. Havia câmeras nas paredes, mas estavam cobertas de poeira. Os balcões estavam revirados, as janelas quebradas, com sol passando em certos pontos. O lugar cheirava a mofo. O pai parou na frente de uma porta de ferro que parecia a porta de um freezer. Então, colocou o dedo na tranca e clicou em vários pontos da porta, como se estivesse digitando algo. Allec abriu a boca para falar algo, ou talvez fugir dali, mas o pai permanecia imóvel. – Uriah Campbell. Visitante: Allec Campbell, Experience X-078, número 9. Ala: Mutações Genéticas.
Para o absoluto terror de Allec, a porta abriu devagar. Ele ficou paralisado no lugar.
– Vamos, Allec. – O pai pegou o braço do filho e o puxou para dentro da sala.
A escuridão detrás daquela porta era a coisa mais terrível que Allec já havia passado. Depois da morte do irmão mais velho, Louis. Antes que desse meia volta, a porta atrás de si se fechou e luzes vermelhas iluminaram as paredes. Não eram exatamente luzes. Eram buraquinhos vermelhos. Por um momento quase certo, Allec pensou que fossem raios laser, mas quando as luzes o encontraram, ele percebeu que estava mais para Raios-X. Quando ele começou a se mover para frente sem nem mexer s pernas, percebeu que estava encima de uma esteira que levava ele e o pai para frente. Naquele breu, ele nem conseguia ver o pai.
Quando não aguentava mais a claustrofobia, uma luz forte e brilhante o cegou. Atordoado, deu dois passos para trás, mas duas mãos fortes o seguraram.
– Ande, Allec. – Uriah empurrou o filho.
– Pai, onde estamos?
– Área 51. – Sorriu o homem. – Hoje eu vou lhe mostrar o meu trabalho.
– Seu... Seu trabalho? – Repetiu Allec, abismado. – Você trabalha aqui?
– Claro Allec. – Uriah abriu os braços, com um sorriso meio maníaco no rosto. – Venha, eu vou mostrar a ala que eu trabalho.
– Mutações genéticas? – Allec perguntou, lembrando-se do que o pai havia dito. – Experience X-078, certo?
– Certíssimo. – Uriah continuou andando pela sala com luzes fortes. Allec percebeu que a sala era redonda, com doze portas que pareciam exatamente iguais. Ao olhar para trás, percebeu que o túnel por onde haviam vindo havia se fechado. O pai seguiu confiante pelo lado esquerdo e escolheu a terceira porta. – Você primeiro, filho.
Allec tomou coragem e abriu a porta. Dentro da sala, não era bem uma sala. Parecia mais um enorme centro de pesquisas, cheio de pessoas com jalecos, computadores, maquinas e até mesmo robôs. Todos pareciam saber o que fazer, e ninguém estava parado.
– Aqui é a parte das pesquisas. – Uriah apontou para todas as pessoas, que nem pareciam ter se dado conta que tinham dois estranhos na sala. – E lá, naquela portinha, estão as nossas cobaias. E do outro lado, é onde nós controlamos nossas pesquisas. E é lá que eu trabalho. Vamos lá?
– Ahn... Claro. – Allec respondeu, ainda boquiaberto. Ele só podia estar num sonho. O seu pai, o pai que o criara desde criança trabalhava na Área 51? Ele estava esperando que alguma daquelas dezenas de pessoas pulasse e gritasse “Feliz aniversário, Allec!” ou alguma coisa assim, porque era muita loucura. A luta com o irmão mais novo parecia ter acontecido em outra vida. Mas Uriah parecia entusiasmado, porque praticamente correu até o “Controle de Pesquisas” como dizia a placa.
Assim que entrou na Sala, Allec sentiu o coração falhar uma batida. Era uma sala enorme, cheia de mesas, mas havia apenas umas cinco pessoas de jalecos em apenas algumas mesas. Havia fotos de várias pessoas fazendo coisas normais como ir até o Shopping, indo à praia, sentadas em suas casas. Era repugnante a falta de privacidade. Mais lá atrás, fotos de bebês. Crianças de olhos negros como tuneis, ou com olhos roxos. Até mesmo um bebezinho de olhos vermelhos como chamas.
– Pai, aquilo são...
– Não é pra aí que você tem que olhar, Allec. – Uriah repreendeu o filho. Mas Allec continuou olhando. Debaixo do mural de fotos dos bebês, havia uma mesa empoeirada, como se não estivesse sendo utilizada há muito tempo. E logo ali do lado de alguns cadernos, havia uma maquininha parecida com um relógio. Mas não havia números, havia vários círculos, como se fosse um rastreador. E uns 20 pontinhos de várias cores diferentes brilhavam, com força.
– Pai... – Allec chamou Uriah, que rapidamente veio ao encontro do filho. – Era pra essas luzes estarem brilhando?
Uriah chegou perto da mesa com uma expressão sombria.
– Theo. – Chamou ele. Um homem de jaleco e óculos se levantou da cadeira. – Acho que a Experience X-078 acabou de ser reativada.
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