Modified - Interativa.
27 Mísseis robôs
Notas iniciais
Luke e Maison ainda estavam no carro quando aquilo aconteceu.
– Nós já deveríamos ter chegado. Não deveríamos? — Perguntou Maison.
– Calma patricinha. Eu quero estacionar o mais longe possível da estrada. — Luke respondeu.
– Não me chama de patricinha. — Ela reclamou. — Meu nome é Maison Isabelle.
– Ok, Izzy. — Ele sorriu, com os olhos pregados nas árvores à frente.
– Pra você é Maison. — Ela protestou.
– Ok.
Luke continuou dirigindo calmamente o carro. Não queria se apressar, queria aproveitar a primeira vez que ele e Maison estavam em um lugar juntos sem querer se estrangular.
Por isso ele não viu nem ouviu coisa nenhuma quando um projétil apareceu do nada como um míssil e bateu no banco traseiro da lateral direita do carro. Os vidros se estilhaçaram e o carro capotou para o lado esquerdo, ficando de ponta cabeça.
– Luke! — Maison se soltou do cinto de segurança e quase caiu de cabeça no chão. Luke estava tentando se soltar do cinto, com dificuldade já que seu braço sangrava.
– Merda. — Ele praguejou.
– Olha a boca suja. — Ela o repreendeu, abrindo o cinto dele com as mãos sujas de sangue.
– Minha perna. — Ele resmungou, engolindo o choro. A perna dele batera com tudo na porta, que foi esmagada antes do carro virar de ponta cabeça. — Você tá bem?
– Os vidros me cortaram, e o impacto me fez me jogar de cabeça contra o teto do carro, mas sim. — Ela respondeu, tentando destruir o vidro da porta dela a chutes. — Queria ter vindo com minha bota.
– Por quê?
– Aquilo quebraria o vidro fácil, é uma bota Prada original com salto de sete centímetros. — Ela deu um chute com toda a força no vidro finalmente o quebrando. — Consegui. Ai deus, acho que desloquei minha perna.
Ela se arrastou até conseguir sair da cabine, estirada na grama. Com um arquejo de dor se levantou e colocou os braços e cabeça pra dentro pra puxar Luke.
– Era pra eu estar salvando você, e não o contrário. — Ele reclamou, sendo puxado com dificuldade para fora.
– Você já fez muito por mim hoje. — Ela sorriu, o cabelo caindo em mechas no rosto.
Um assobio cortou o ar como uma adaga e ela virou para trás e viu outro projétil se aproximando de mais ou menos 200 metros deles.
– Merda. — Ela praguejou, não se controlando. Com um puxão final ela tirou Luke do carro e o arrastou. Tentou parar o projétil com telecinese, mas não conseguiu. O míssil atingiu o carro como uma bomba, o fazendo derrapar de ponta cabeça sobre as árvores, mas não o incendiando, e a pressão do ar fez Luke e Maison voar longe. Cada projétil só servia como um chute, não uma bomba. Maison rolou de encontro com uma árvore enquanto que Luke se arrastava no outro lado.
– Maison! — Ele berrou, tossindo poeira.
– Eu tô bem. — Ela respondeu, esperando que alto o suficiente para ele ouvir.
– Graças a deus. — Ele agradeceu. — Onde você...
Eles fizeram silêncio ao ouvir o "tap tap tap" de passos que vinham em sua direção. Maison já estava até se preparando para usar a telecinesia. Até uma voz a assustar a ponto de ela pular.
– Que porra é essa? — Catherine berrou, encontrando os amigos no chão.
– Catherine! — Maison sorriu. — Salvem Luke!
– Quê salvem Luke que nada! — Luke berrou. — Salvem a Maison!
– Cala a boca seu idiota, tô tentando te salvar aqui! — Ela gritou.
– Decidam-se, por favor! — Hugo rolou os olhos.
– Ah, esquece. — Clary sabia que a amiga era teimosa. Correu na direção de Maison e a encontrou jogada no chão, com as roupas rasgadas e com poeira no rosto.
– Era pra salvar Luke. — Maison teimou.
– David, vá ajudar Luke! — Clary gritou para o garoto atrás dela, enquanto tentava ajudar Maison.
– Tô indo. — Ele respondeu, se movimentando na direção de Luke.
– Ué. — Maison franziu a testa. — Desde quando são amigos? Ele é da turma do Camaro.
– Longa história. — Clary sorriu, sabendo do que amiga estava falando.
– Envolve o quê? — Maison insistiu.
– Motos, água, fogo e um carro no meio da floresta. — Clary respondeu, o mais breve possível. — Consegue andar?
– Eu sou Maison Isabelle Drummond. Eu não desisto só por causa de um míssil. — Maison esticou as pernas e se levantou, mancando. — Se alguma outra bomba for parar aqui eu não vou conseguir pará-la, não sei o que aconteceu com minha telecinese.
– Aja como uma patricinha e se preocupe com você e não conosco, nós sabemos nos virar. — Clary sorriu, pondo o braço de Maison no seu pescoço e a ajudando a andar.
– Se eu morrer diga pra minha irmã que hoje foi o dia mais louco da minha vida. — Maison pediu, mordendo o lábio de dor.
– Você não vai morrer. Não vai ser um míssil que vai parar Maison Isabelle Drummond. — Clary rolou os olhos, finalmente chegando onde os amigos estavam.
– Acho que ela vai precisar de alguém que a carregue. — Grim analisou a situação. — Vai você, Hugo. Se precisarem fugir vocês ficam invisíveis.
– Eu não vou fugir. — Maison bateu o pé no chão, e mesmo que tenha doido como uma facada ela não mudou a expressão. Grim pensou se era uma boa ideia manter Maison ali, a garota era corajosa, mas sua teimosia podia custar a vida de pessoas.
– Tudo bem. — Já Cath sorriu. Gostava de pessoas corajosas, e Maison, por mais fresca que fosse, era uma. — Mas se precisar você se joga no chão porque eu tô com minha metralhadora aqui atrás, e ainda não controlo bem minha pontaria.
Ela riu. Oliver se materializou ao lado dela, com o rosto sombrio e parecendo doente.
– O que aconteceu com os outros enquanto estávamos fora, Oliver? — Perguntou Grim.
– Daphne acabou de dar um tapa na cara de Calebe. — Ele disse, com uma ponta de diversão. — Parece que ela ficou irritada com o que Calebe fez com você.
Ele olhou para Grim esperando uma resposta, que não veio, enquanto ela desviava os olhos.
– Diana ameaçou que se não vierem logo ela vem até aqui. Andrômeda e Charlotte estão tentando arrancar mais alguma coisa de Mariana, e não querem contar o que conseguiram. Allec está limpando e colocando mais munição nas armas.
– Nossa, detalhador você, hein? — Rafael assobiou baixinho. Oliver ia dar uma resposta bem dada à ele, mas outra coisa chamou sua atenção.
– Se agachem! — Berrou Oliver, se jogando no chão.
– Mas o quê? — Rafael ficou confuso.
Grim se agachou e rolou para o outro lado; Catherine se jogou encima de Clary e Maison; Hugo empurrou Rafael, que caiu de perna pra cima no chão e saiu rolando um pequeno barranco feito um boneco enquanto que o amigo aterrissava seguramente no outro lado.
O projétil que vinha em sua direção era diferente dos outros dois que Maison vira. Era cinza, e não branco. Porém tinha o mesmo molde que os outros, como um pequeno foguete espacial achatado. E claramente o que aquele projétil fazia era bem diferente dos últimos. Não era uma bomba, e sim uma espécie de campo magnético. O metal se despadaçou no meio do vôo, parando no exato local onde eles estavam antes.
– Mas que droga cara! — Rafael se levantou do chão, subindo o barranco em direção de Hugo e cuspindo folhas.
– Isso foi por ter me arrancado de casa pra vir a esse acampamento louco. — Hugo resmungou, se levantando.
– Ai meu braço, Catherine! — Clary reclamou.
– Desculpa. — Catherine se levantou de cima das duas. Maison estava toda dolorida, mas mesmo assim se levantou, com a ajuda de Grim, que lhe ofereceu uma mão.
– Era só um mini foguete. — Rafael se abaixou e estendeu a mão para tocar o metal.
– Rafael, não... — Hugo tentou avisar o amigo, ao mesmo tempo em que Grim berrava:
– ISSO É UM RECONHECEDOR DE DNA!
Foi tarde demais. Assim que Rafael tocou no metal, o "mini foguete" abriu um círculo preto no meio instantaneamente, como o olho de um ciclope. Uma luz vermelha se formou no meio do círculo e de dentro do míssil uma espécie de mão, mais parecido com uma espátula, saiu e agarrou o braço de Rafael. O garoto berrou.
– Essa coisa me deu um choque! — Ele berrou, sacudindo o braço.
– O que diabos é um reconhecedor de DNA? — Hugo se aproximou. Uma outra mão saiu do metal e tentou agarrar Hugo, que deu um pulo gigante pra trás e ficou invisível na mesma hora.
– Nossa cara, que coragem, parabéns pra você. — Rafael rolou os olhos enquanto Hugo ficava novamente visível e parecendo envergonhado. — Tirem isso do meu braço!
Ele sacudiu o míssil, que agora estava mais para mini robô.
– Larga! — Rafael continuou sacudindo o míssil. Ele se deitou de bruços no chão e colocou os dois pés sobre o robô, tentando empurrá-lo com as pernas enquanto puxava a mão para trás. Era uma tentativa desesperada e os amigos estavam engolindo a risada, mas era válida. Quando ele finalmente desistiu, se levantou, com uma cara irritada. — É impossível.
Assim que ele pronunciou a palavra o robô abriu a mão e caiu no chão como um saco de areia.
– Era assim tão fácil? Dizer impossível? Quer saber, robô? Vá tomar no furébis. — Ele mostrou os dois dedos do meio para o robô. Os outros não aguentaram mais e soltaram gargalhadas, menos Grim, que estava mais interessada em saber o que exatamente um reconhecedor de DNA estava fazendo ali. — HA-HA, isso não é engraçado.
– Clary, cuidado! — Grim avisou.
O robô tomou vida novamente e abriu a mão, tentando pegar Clary. No meio do pulo, a coisa pegou fogo. Cath parou de rir, e com um movimento rápido pegou a metralhadora nas costas e acertou três tiros no que seria a cabeça do robô. Ele caiu no chão, mas conseguiu emitir um bip longo, como se estivesse enviando uma mensagem de texto, e finalmente apagou.
– De nada. — David disse, atrás dos amigos, atraindo a atenção de todos. Ele tinha Luke com um braço pendurado no seu pescoço. A perna de Luke não estava tão horrível, mas tinha cortes longos e profundos que jorravam sangue. David suava, mas estava com os olhos arregalados e com a mão em chamas.
– Obrigada. — Clary agradeceu, com os olhos verdes marejados.
– Não te acha porque quem matou foi eu, Mills. — Cath riu.
– Cala a boca, Jones. — David sorriu.
– Hello-ou! — Rafael estalou os dedos. — Olha o estado que a coisa deixou meu braço!
O pulso dele estava com um corte que parecia uma pulseira, mas bem mais grosso. Estava vermelho, e sangrava.
– Ele queria minha mão de lembrancinha, eu acho. — Rafael esfregou o pulso.
– Esquece isso Rafael. — Hugo disse. — Ele não arrancou sua mão, tá tudo muito bem.
– Ah, vamos indo de uma vez. — Ollie rolou os olhos.
– Olha o estado da perna dele. — Grim protestou. — Acho que não vai conseguir andar nem mais meio metro, e Maison também não.
Maison abriu a boca para protestar, mas Clary deu um beliscão no seu braço.
– Eu o teletransporto. — Ollie sugeriu. — Mas o máximo que vou conseguir ir é até os carros, e mesmo assim vou apagar.
– Tudo bem. — Cath tocou o ombro do amigo. — Levamos Maison daqui. Tenha cuidado Oliver. Não quero ver mais um amigo ferrado.
Oliver riu.
– Se isso for como nos filmes, é uma guerra. E nem todos saem vivos de guerras. — Ele disse, fazendo um arrepio passar pela coluna de todos ali. Ollie pegou Luke pela mão, que dirigiu um último olhar de preocupação à Maison e desapareceu.
– Vamos sair daqui antes que isso se torne verdade. — Grim sugeriu, andando na frente.
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