Modified - Interativa.
28 A-382
Notas iniciais
– Mariana é... É um verdadeiro zoológico. — Andrômeda disse.
– Zoológico? — Pietro repetiu, sem entender.
– A mente dela é completamente complicada. Ela está mostrando maior resistência ao meu poder sendo que a duas horas atrás eu era a única que consegui controlá-la. Não sei como isso é possível. — Andy respondeu. — É como se fosse a mente de um animal selvagem, e considerando o poder dela, isso é bem óbvio.
– É tão difícil assim fazê-la falar? — Pietro perguntou.
– Antes eu consegui, mas eu não sei o que aconteceu. — Andrômeda parecia irritada. — Aquela garota é um labirinto. Daphne está tentando decifrá-la a meia hora e não consegue também.
– Será que um soco a faz falar? — Sugeriu Pietro, rindo. A cara que Andrômeda fez foi o bastante pra ele parar de rir por cinco meses.
– Dá pra parar? Eu tô tentando me concentrar aqui. — Andrômeda colocou as mãos na cabeça.
– Ok.
– Ficar deitada não tá ajudando. — Andy balançou a cabeça. — Nem você tá me ajudando.
– Ok, desculpa. — Pietro rolou os olhos.
Os dois estavam sentados no carro de Maison, com as poltronas reclinadas. Era mais ou menos confortável.
– Aquela garota é estranha. Parece que ela está aqui por que quer e nem parece irritada com a corda que a prende, só quando Allec a puxa. E mesmo assim é só pra irritá-la. — Andy fechou os olhos por um momento. — Acho que um soco a faria falar mesmo.
– Eu te disse. — Pietro tinha uma ponta de alegria na voz. Andrômeda abriu um dos olhos e o observou sorrindo. Pietro era um bom amigo, sem dúvida.
– Mas não de você. Você pode quebrar a cabeça da garota. — Andrômeda disse.
– Não é pra tanto assim. — Pietro pousou a mão na tranca automática da porta do carro e quebrou. — Tá bom, só um pouquinho.
Andrômeda se limitou a dar risada.
– Maison vai te estrangular. — Ela previu.
– Provavelmente se conseguir. — Pietro deu de ombros e tentou colocou a tranca no lugar.
– Não é tão difícil te dar um tapa. Você provavelmente nem sente dor. O problema é se você resolver revidar. Vem, vou te mostrar, só não revide. — Andy deu um tapa com tudo na cara dele, fazendo a cara do garoto ficar vermelha e os óculos voarem longe.
As lágrimas subiram nos olhos de Pietro, mas ele se convenceu a não largá-las. Suspirou profundamente engoliu a dor e abriu a boca pra falar a única coisa que vinha na sua cabeça.
– Eu sinto dor.
– Ai meu deus, desculpa! Pensei que com esse negócio de super força você não sentisse dor. — Andy ficou desesperada. — Tá doendo?
– Você quase arrancou a pele do meu crânio. — Pietro respondeu. — Da próxima vez me avise, ou dê um tapa em Aaron, ele tá precisando.
– Desculpa, desculpa, desculpa. — Andrômeda estava mais vermelha que seus cabelos. — Quando casar sara, pode deixar.
– O que quer dizer nunca na vida. — Pietro esfregou a bochecha.
– Deixa de ser fresco. — Andy tascou um beijo na bochecha de Pietro, que deixou escorregar os óculos.
– Opa. — Ele recolocou os óculos, desajeitado.
– Se vocês estiverem se pegando aqui, é melhor que não estejam pelados pelo amor de deus. — Diana bateu na janela do carro. Andrômeda baixou o vidro. — Ah que ótimo, poupou meus olhos de uma visão pavorosa, obrigada.
– Não estamos nos pegando. — Pietro afirmou, com as duas bochechas vermelhas, uma de vergonha e a outra do tapa que levara de Andrômeda.
– E daí, eu não tenho nada a ver com a vida de vocês. — Diana entrou no banco traseiro do carro e se jogou no banco. — Allec precisa de você Pietro, parece que o senhor e a senhora Finnigan estão quebrados.
– Maison e Luke? — Andy perguntou. — Como assim quebrados?
– Não sei, mas espero que a Daph não tenha lido as milhares de possibilidades impuras que eu pensei na hora que o Allec disse aquilo. — Diana se remexeu no banco. — Acho que uma ferrari só dá um ar de elegância, por que isso é super desconfortável. De qualquer jeito, vá lá Pietro, eu e Andy temos que conversar sobre o que faremos com Mariana. Charlie e Daphne estão quase arrancando os cabelos de frustração.
Pietro virou para Andy.
– Bem, até outra hora. — Ele foi dar um beijo na bochecha dela, mas os dois se mexeram juntos pro mesmo lado, depois foram para o outro e assim repetiram até darem risada.
– Que gay. — Diana rolou os olhos. Andy pegou a cabeça de Pietro e deu um beijo na testa dele. — Deu, conseguiu seu beijo, vaza Pietro.
– Já tô saindo. — Ele empurrou a porta delicadamente com medo de arrancá-la.
– Sabe que tá colocando ele numa friendzone legal, hein. — Diana riu.
– Diana... Fala o que você tem que falar antes que eu te mande se jogar no grand canion. — Andy rolou os olhos.
~~☆★~~
– Eu juro por todos os deuses que podem ou não existir, eu não peguei a porcaria da sua arma. — Cath dizia para Allec.
– Você tava secando ela que eu vi. — Allec cruzou os braços.
– É uma arma!
– É minha arma preferida! — Ele protestou. — O que faria se tivessem pegado sua metralhadora?
– Existiria um filho da mãe a menos no mundo. — Cath rolou os olhos. — Mas eu não peguei.
– Tá dizendo dessa aqui? — Mariana, sentada na pedra ergueu a mão direita, que segurava a arma de Allec.
– Como você pegou? Tava presa no meu cinto. — Allec tomou a arma dela com ferocidade.
– Tenho muita habilidade em tirar coisas dos cintos das pessoas. E, sim, isso vale pro lado impuro também. — Mariana sorriu. Os dentes dela eram muito brancos e um pouco afiados, as orelhas levemente pontudas e tinha olhos que certas vezes pareciam fendas verticais.
– Você é uma psicopata. — Cath percebeu. Mariana deu uma risada e tentou encontrar uma posição melhor na pedra que estava sentada.
– Me diga gatinha, quem foi que matou mais de 5 homens hoje? Tá, tudo bem, eu também, mas hoje você derramou sangue pela primeira vez. Como se sente? — Mariana pegou Cath pela ferida.
– Não é problema seu. Tente se concentrar em não morrer antes de David colocar fogo em você ou eu te dar um tiro. — A garota ameaçou.
– Eu tinha seis anos e meio quando ganhei minha primeira arma. Infelizmente o tiro que eu dei acabou acertando o meu instrutor. Foi horrível vê-lo morrer. — Ela falava com um tom soturno, como se realmente tivesse acontecido, o que deixou Cath e Allec confusos. — Ele era como um pai pra mim.
Então ela arregalou os olhos percebendo o que havia acabado de dizer.
– Droga.
– Você tem família? — Perguntou Cath, chocada.
– Não, eu nasci de um ovo. — Mariana rolou os olhos.
– Qual o nome da sua mãe? — Allec perguntou.
– A-382. — Mariana sorriu.
– Isso é um o quê? Um código? — Catherine perguntou.
– Não. — Allec sorriu, com um tom macabro na voz. Ele finalmente havia pegado ela no pulo.
– Você acha que eu não sei quem você é, Allec? Uriah te mandou aqui do mesmo jeito que Eva me mandou. — Mariana rosnou.
Allec empalideceu. Perdeu a voz e o equilíbrio.
– Allec! — Cath o segurou pelo braço. — Você tá bem?
– Sim. — Allec retomou a compostura e se levantou. — Amarra ela e a coloca no carro. Nós vamos ir embora daqui agora mesmo.
– Tem gente morrendo de sono aqui. — Cath o lembrou.
– Dirigimos até o hotel mais próximo e passamos a noite. Mas aqui não ficaremos mais. — Allec deu as costas à Catherine, pegou Mariana e a jogou no seu carro.
– Tá bom então. — Cath, sem palavras, disse aos amigos que eles estavam partindo dali agora mesmo.
– Eu não consigo dirigir com essa perna. — Luke reclamou. — David, você sabe?
– Sério mesmo? — David piscou, animado.
– Claro. — Luke jogou as chaves pra ele. — Maison você toparia ir no Camaro?
– Eu tenho uma Ferrari, não preciso de um Camaro. — Maison sorriu, deixando Luke sem palavras. Jogando as chaves do carro para Pietro, ela se jogou no banco traseiro da Ferrari puxando Clary e Charlie pelas camisetas. Andrômeda se sentou ao lado de Pietro.
Daphne se enfiou no carro de Calebe junto com Grim, que estava sem a preciosa limusine. Cath se encaminhou para o carro de Allec junto com Connor para acalmar os ânimos do garoto.
Diana dispensou o Camaro e entrou no carro de Hugo com Oliver. No Camaro subiram David, Luke, Aaron e Lilah. Já Rafael ia de moto.
– Vamos pra onde? — Charlie perguntou.
– Sudoeste. — Allec respondeu. — Mas no momento vamos para um hotel.
A cara de Allec impedia qualquer um de fazer perguntas ou brincadeiras. Apenas dirigiram atrás do carro de Allec, quietos, sonolentos.
~~☆★~~
– Senhora, Mariana foi descoberta. — A assistente de Eva, gritou para ela, invadindo a sala de Eva.
Já eram três da manhã e Eva estava morta de cansaço. Uriah mandara um reconhecedor de DNA para os modificados, e pelo o que ela sabia, a máquina conseguira o sangue de um deles, o número 15.
– Mas como? — Ela perguntou, sem fôlego. Mariana era uma das joias da Área 51. Uma modificada, a única que sobrara depois de todos serem raptados. Ela sentia muito por aquela menina. Várias vezes tentara ser para ela a mãe que a menina não teve, já que foi criada para matar. Na verdade, no alto de seus 17 anos, Mariana era uma das melhores assassinas de aluguel que a Área 51 dispunha.
– Mariana revelou. — A assistente parecia tão cansada quanto ela. — Mas ela mentiu, dizendo que era sua filha. Acho que Uriah agora pensa que ela é sua filha, colocando a sua verdadeira menina em segurança.
Ao ouvir isso, Eva suspirou. Pelo menos isso.
– Mariana não vai aguentar tanto tempo. Ela chegou até eles da forma errada. Ela deveria se fazer confiável, não cortar a testa de um deles com uma faca de caça! — Eva resmungou. — Agora eles estão vindo para cá. Possivelmente para o laboratório de Uriah, e se ele tiver os Modificados, não poderei mudar a opinião do conselho. Todos ali, prontos para serem testados. Uriah não busca apenas satisfazer o ego. Ele busca redenção perante o conselho, e assim tomar o meu cargo.
– Ele não vai conseguir, senhora. — A garota negou, em fervorosa. — Nós acionamos as câmeras da casa de Uriah e todos os cientistas que debandaram daqui para junto dele estão lá agora mesmo. Tentamos sequestrar o filho mais novo dele, ou a esposa, em troca dos aparelhos em seu laboratório particular, mas a família também não saiu.
– Vocês pretendiam sequestrar uma criança? — Eva repetiu, furiosa. — Eu quero que Uriah caia, sim. Mas eu não quero por meio disso! Isso é jogar baixo, brincar com um menino de menos de 15 anos! Como puderam tomar essa decisão e não me constatar?
– Desculpe senhora. Pensamos que a senhora estava demasiado sobrecarregada com esses assuntos, queríamos pegar Uriah rapidamente. — Ela se desculpou, vermelha de vergonha.
– Que isso não mais se repita! — Eva disse. — Qualquer coisa que decidirem, façam o favor de avisar sua chefe. Estamos entendidas, Hanna?
Hanna ficou branca pela chefe a chamar pelo nome. Geralmente era apenas chamada de "h-087". Esse era o protocolo, ninguém poderia ter ligações na Área 51, por isso que lá dentro, além de não contarem nunca o que realmente faziam aos familiares, servindo o governo eles eram conhecidos por seu registro. Eva era A-382, para mostrar que era da mais alta patente, a letra A, e os números eram uma espécie de código para seu nome, Eva.
– Estamos entendidas, H-087? — Eva repetiu, desta vez chamando a garota de como deveria ser chamada.
– Claro, senhora. Isso não voltará a acontecer. — Hanna respondeu, e depois foi dispensada por Eva com um aceno de cabeça. Saindo da sala inspirou. Eva era uma das lendas da Área em que trabalhava. Ela era uma mulher forte o suficiente para abaixar qualquer um à sua vontade, e ela não era uma das exceções.
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