— Bom dia, mãe — disse Alicia sentando ao lado da mãe na mesa.
— Bom dia, querida — disse Natasha dando um pequeno sorriso.
— Papai não vai tomar café conosco? — perguntou a garota, já com quinze anos.
— Ele teve que sair cedo — disse ela. — Mas acho que ele volta para o jantar.
— Tudo bem — disse a garota. — Hoje a tarde começam meus treinos com o Capitão.
— Tem certeza de que não quer que eu a treine? — perguntou Natasha na esperança que a filha mudasse de ideia.
— Mãe... Eu já pedi que não fosse mais o tio Clint a me treinar em luta corporal. Acha que eu vou trocar do tio Clint para você mãe? — a menina arqueou a sobrancelha. — Além do mais, você sempre me dá aulas extras e tio Clint me da aulas com o arco. Sem falar que padrinho Tony vive me ensinando a usar as armaduras.
— Tudo bem, você venceu — disse Natasha. A garota riu.
— Vou trocar de roupa e ir para a escola, okay? — disse a menina correndo escada acima.

A menina batucava as unhas na mesa em busca de algo mais interessante que as aulas insuportáveis de história.
— Pode responder a pergunta, senhorita Romanova? — disse professor Keepwick, um velho de cinquenta e poucos anos, de cara rabugenta e que adorava fazer os alunos passarem vergonha. Baixinho e parcialmente careca — tinha cabelos apenas dos lados -, o professor carregava sempre a cara de superioridade, reclamando de tudo e todos pelos quatro ventos.
— Romanoff — disse ela. — Meu nome é Alicia Romanoff.
— Essa não foi a pergunta — disse o velhote.
— Como se ela soubesse qual é a pergunta — disse Amanda, a garota que odiava Ally sem motivo algum. Alicia revirou os olhos. Em todas as escolas teriam Amandas e mais Amandas.
— Eu perguntei, senhorita Romanoff, se a senhorita poderia me dizer qual era o nome completo de Dom Pedro I — disse o Senhor Keepwick. O velho, de rosto enrugado, olhava para a garota por cima dos óculos quadrados. Alicia tentava pensar como uma careca podia refletir tanto a luz, mas então lembrou-se da pergunta.
— Ah, mas é…
— Com licença professor. Vim buscar a senhorita Romanoff — disse um ser de óculos escuros parado na porta. Em questão de segundos os alunos o reconheceram e logo os murmúrios começaram.
— Steve!" ela disse. — Pensei que só nós veríamos hoje a tarde.
— Mudança de planos. Já falei com a diretora e você vem comigo — disse ele.
A garota guardou os materiais e logo ouviu-se o professor gritar.
— Ela não vai sair até responder a pergunta!
— Tudo bem — disse Steve. — Qualquer pergunta que fizer ela pode responder.
— Bom, ela ainda não me respondeu o nome de Dom Pedro I — disse o professor rabugento.
— Fala logo, Ally — disse Steve. — Eu estou com pressa e você sabe a resposta, decorou isso aos cinco anos.
— Mas é muito grande — disse ela fazendo bico.
— Isso era fofo — disse Steve. — Quando você tinha cinco anos! Responde logo Ginger.
— Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança Bourbon — disse ela bufando em seguida.
— Pronto. Ela disse. Agora vamos — disse Steve indo para fora da sala com a garota em seu encalço.

— Começamos com o que? — perguntou ela.
— Luta corporal — disse Steve.
— Isso eu já sabia. É o nome do treinamento — disse ela revirando os olhos.
— Então por que perguntou? — ele disse com um sorriso de canto, entregando o capacete a ela.
— A modalidade? — perguntou ela colocando o capacete.
— Você verá — disse ele é logo depois acelerou em direção ao Triskelion, maior centro de operações da S.H.I.E.L.D..

Já faziam cinco anos que Alicia e a família tinham ido para os Estados Unidos. A doença que a pequena tivera aos nove anos precisava de cuidados constantes e todas as semanas ela tinha de tomar um soro, viscoso e ardido, de coloração azul, que Anthony Stark e companhia diziam que faria bem a ela.
O soro precisava ser tomado todas as semanas, sem falta, até que ela completasse dezesseis anos, o que seria naquela tarde.
Alicia não gostava de Aniversários e não os comemorava. Ela simplesmente soprava uma vela, às seis e cinqüenta e três da tarde, hora exata em que nascera.
Assim que pararam em frente a base da SHIELD, o capitão levou-a até a sala de treinamento.

— Tudo pronto, Banner? — perguntou Fury. — Stark?
— Quase — disseram juntos.
— Faltam apenas alguns ajustes — disse Banner.
— Seria mais rápido se Pepper estivesse aqui — disse Stark.
— Já disse que não. Andem o mais rápido possível — disse Fury.
— Acho que se quisesse velocidade teria procurado o garoto da super velocidade e não o cara mais inteligente do mundo, que por acaso construiu uma super armadura de ferro que é uma das melhores defesas que você tem, e o super cientista que tem uma dupla personalidade um tanto quanto perigosa — disse Tony. — Qual é mesmo o nome do garoto? Mercúrio? Vá em frente!
— Terminem isso — disse Nick saindo do laboratório aparentemente soltando fogo pelas ventas.
— Devia parar de fazer isso — disse Bruce.
— Relaxa verdão — disse Tony. — Eu sei que você também queria falar algo do gênero.
Os dois riram.
— Acha que estará pronto até às sete horas da noite? — perguntou Bruce.
— Acho que deixaremos o procedimento pronto até o meio dia — disse Tony.

— Acho melhor pararmos por hoje — disse Steve ofegante.
— Também acho — disse Alicia da mesma forma. Ambos riram. — Que horas são?
— D...Duas e vinte e três da tarde — disse Steve assustado.
— Nossa — disse ela. — Passou tanto tempo assim.
— Pois é — disse ele. — Tenho que ir para uma missão em meia hora.
— Então só vou te ver amanhã? — perguntou ela.
— É — disse ele. — Mas ante queria te dar uma coisa.
Steve chegou perto dela e encarou-a por alguns momentos, a surpreendendo com um abraço.
— Feliz aniversário — disse ele.
— Você sabe que eu não gosto de aniversários, Steve — disse Alicia.
— Eu sei — disse ele rindo. — Quero que fique com isso.
Steve depositou em sua mão uma pequena caixinha.
— Abra.
A garota o fez e sorriu ao ver o colar de prata com um pingente de escudo. O escudo do capitão.
— É lindo — disse ela animada. — Obrigada Steve!
— Não é nada demais. Somos família. Todos nós. E você é o nosso bebezinho — disse ele. — O Stark já lhe deu protótipos das armaduras. Banner já lhe deu muitas coisas legais. Fury já lhe deu todo o equipamento que precisava. Queria te dar algo meu também.
— Não precisava, Steve — disse ela o abraçando.
— Eu disse ao seu pai que seria um padrinho melhor que o deus nórdico, mas ele não quis confiar em mim — disse ele rindo.
— Ah, então é disso que se trata? — disse ela rindo. — Você não existe, Steve.
Ambos caíram na risada e foram em direção a porta, até que Alicia sentiu uma tontura e desabou.

Notas finais
Para adiantar lançamento do capítulo, precisamos atingir a meta de: • 100 acompanhamentos; ou • 100 favoritos; ou • 50 comentários; ou • 10 recomendações. Espero que gostem.