Mizpá

15 The Sad Secret World Of Iullia


Notas iniciais
Argh, só matando a Gaeul DD: culpem a pelo atraso, eu mandei ela postar ontem... Enfim, boa leitura (:

Eu estava no “lado escuro” da casa, um lugar onde ninguém sequer pensava em entrar; o quarto de Iullia. Por toda a sinceridade do mundo, eu nunca havia reparado no quarto dela, nem mesmo a cor das paredes que eu sempre jurei ser um tom qualquer de rosa, mas percebi que era creme, com os moveis pretos e tinha algumas frases que foram formadas com letras em adesivo, já que minha mãe jamais deixaria escrever nas paredes e a única coisa que eu sabia dela era que odiava a sua caligrafia.


Você é um ótimo irmão Sebastian, só que não.


Eu passei os olhos pelas paredes, reconhecendo todos os trechos que estavam nas paredes, de Marilyn Manson à Queen, Jimi Hendrix, Red Hot Chili Peppers e A Perfect Circle; como nós tínhamos o gosto musical tão igual e eu nunca havia percebido? Até mesmo meus ataques de músicas asiáticas estavam em sua parede, boa parte delas eram perguntas e outros eram apenas frases. Me sentei na cama e li todas as frases com atenção e senti que todas as frases eram para mim.

“Why don’t you Love me? Tell me baby ):”

“Will not stop, even if I cry. It will not stop, even though I pray. :/”
“You became the light on the dark side of me.”

“I know you'll be a star in somebody else's sky, but why, can't it be, can't it be mine?”

Tudo aquilo era processado lentamente em minha mente, por que ela gostava tanto de mim mesmo? Lembro que alguns amigos do colégio colocavam seus irmãos em cúpulas de diamante de tão adorados que eram, mas eu mesmo às vezes nem sequer lembrava que ela existia. Iullia nunca mudou nada na minha vida, nada mesmo e talvez ela tentasse mudar alguma coisa, apenas eu que não deixava.


Mas isso agora era algo que ficaria sem resposta.


– Sebastian? – ouvi a voz suave do meu pai me chamar, me tirando dos meus pensamentos.


Olhei para trás e sorri levemente, ele fechou a porta e veio a minha direção, com a sobrancelha levantada, só pelo seu olhar dava para entender o que ele queria me perguntar. Diferente de mim, ele não se sentou, apenas parou na minha frente e cruzou os braços, exatamente quando eu era criança e fazia algo que não devia. Meus pais haviam deixado o quarto de Iullia exatamente como ela havia o deixado à anos atrás, antes de viajar.


– Por que não se senta? – ele fez uma expressão engraçada – Eu não devia estar sentado, né?

– De fato – colocou as mãos nos quadris – O que você está fazendo aqui?


Eu suspirei e me joguei na cama, deixando minhas costas baterem no colchão confortável.


– Eu fui um bom irmão para ela? – ele riu.

– Eu sou seu pai, não seu irmão. Só ela poderia responder isso.

– Realmente – fechei os olhos e senti o colchão afundar perto de mim, senti o cheiro amadeirado do meu pai infestar minhas narinas – Mas... Você acha que eu fiz bem a ela?


Senti seus dedos nos meus cabelos, aquele tipo de afeto eu recebi praticamente todos os dias, tanto dele quanto de Mei.


– Não sei filho, você acha que fez bem a ela? Pense você mesmo e veja...

– Ah pai! Pra mim não existe isso de “reveja você mesmo”. Eu normalmente não era carinhoso com ela, nunca fui e nunca pensei ser, mas agora...


Abri os olhos e o vi sentado perto de mim, mexendo nos meus cabelos azuis.


– Ela era uma menina Sebastian, provavelmente há outra forma de você descobrir isso.

∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙

– SEBASTIAN KLUIVERT – minha mãe estava muito mais que “irada” – O que você está fazendo?

– Nada mãe – revirei a caixa azul turquesa cheia de corações e não achei o que eu queria.

– Você sabe as regras sobre esse quarto Sebastian!


Tampei a caixa e a coloquei no lugar, indo pegar uma preta de detalhes dourados, o único problema dela era que tinha que ter uma chave para abri-la. Provavelmente o que eu queria estava dentro daquela caixa. Mei estava com os braços cruzados, batendo o pé sem parar, esperando uma explicação para estar revirando o closet de Iullia. Sorri para ela da forma mais fofa possível, já que eu tinha certeza que ela saberia onde estaria a chave, ela apenas estreitou os olhos.


– Que foi? – respondeu seca, ela sabia o que eu tava querendo.

– Mamããe... – precisei ser manhoso, Connor estava me afetando... – Por favor – fiz bico.

– Um homem de vinte e um anos fazendo manha? – continuei com o bico e ela suspirou – embaixo da cama. Você é muito sujo sabia?

– Sabia – inflei as bochechas e joguei a cabeça para o lado, minha mãe riu e beijou meu rosto.

– Pare de ser fofo criatura! Enfim, o que você está procurando?


Com os olhos ela acompanhou todos os meus movimentos, levantei o colchão e na armação da cama estava uma chave dourada, com um chaveiro com as letras IAK, suas iniciais. Peguei a chave e soltei o colchão, fazendo um leve estrondo e desarrumando a cama, minha mãe me olhou torto novamente.


– Isto!


Abri a caixa e tinha várias coisas lá, mas a única coisa que me chamou atenção foi um caderno de camurça preto com as letras prateadas, na capa estava escrito; The Sad Secret World Of Iullia e não pensei duas vezes para abri-lo.


Era um caderno sem linhas para apoiar, mas mesmo assim a escrita estava perfeita, não estava torto ou bagunçado, eu nunca entendi muito bem por que ela não gostava de sua caligrafia suave e redonda, parecia que foi escrito com uma pena. Na contra capa estava alguns desenhos abstratos e no centro da folha estava escrito.


“Eu nunca vou esquecer

As palavras que você usou para me enganar

Até o dia da minha morte

Você vai sofrer por isso, eu juro (eu juro)”

Notas finais
Trecho usado no final: Emilie Autumn - I Want My Innocence Back
Até segunda (;