Mizpá

16 Blitzkrieg Bop


Notas iniciais
Capitulo não revisado por preguiça :3, mas qualquer erro... Boa leitura ♥ ~

“21 de Agosto de 2005

Hoje eu estou feliz, pois eu ganhei você, querido diário. Sabe, uma vez, o Ouji estava lendo um livro, onde a menina deu nome ao seu diário, então eu acho que irei imitá-la. O nome do diário dela era Kitty* se eu não me engano, mas o seu será Tsuki*, já que eu te ganhei agora de noite haha. Ah, eu costumo usar algumas palavras em japonês, minha mãe é japonesa sabia? Ela morava lá em Fukushima e fez faculdade em Harvard, onde conheceu o papai. Mamãe e papai são físicos, exatamente como Einstein e Newton. Ah Tsuki, eu nem sequer me apresentei, meu nome é Iullia Ai, Iullia é variação de Yule, que significa Nascida no Natal e Ai é amor em japonês, meus pais são bem criativos, sem sombra de dúvidas.

Com carinho, Iullia.”

Passei rapidamente as folhas do grosso diário, ela normalmente narrava seus dias, o que havia feito e essas coisas. Eu não me lembro dela ter me citado no diário, sempre fala dos nossos pais, seus amigos de escola, cursos e esportes, mas eu jamais fui citado. Pude perceber que ela tinha certo amor pelo tal de Ouji, mas parecia ser bem platônico, já que ela sempre reclamava da falta de atenção dele com ela.


“12 de Abril de 2006

Tsuki, hoje estou morrendo de tristeza.

Hoje foi a maratona de matemática/xadrez, participei das duas e fiquei em primeiro lugar nas duas. Todos me prestigiaram, me deram abraços e presentes, me pagaram até sorvete e recebi as medalhas na frente da escola inteira, mostrando a todos como eu era capaz. Porém, Ouji nem sequer me prestigiou, me olhou como aquilo fosse a coisa com menos importância do mundo e não ficou para o final da comemoração, me deixando com toda a minha tristeza e solidão, já que sem ele lá, era a mesma coisa que está sozinha.

Um dia ele olhará para mim, Tsuki? Eu acho que não.

Com carinho, Iullia.”

Ao passar as folhas, os dias, meses e anos foram passando junto. Ela narrava que o amor por Ouji estava ficando cada dia mais avassalador, entretanto era impossível tocá-lo. Ela normalmente o descrevia como Adônis, dono de uma beleza desumana e sempre se lamentava por não ser Perséfone ou Afrodite, de preferência Afrodite, já que era a real amada de Adônis. Passei as folhas até ir quase ao final, onde estávamos no ano de 2009, época de sua morte, aos dezesseis anos. Na época eu tinha dezoito e foi apenas dois meses depois de sua morte que eu fui para K. London Psychiatry. Eu passei as folhas rapidamente e nos inícios do maldito ano, senti minha respiração parar junto com os batimentos do meu coração, todos os pontos estavam ligados.


“16 de Janeiro de 2009

Tsuki, eu quero lhe dizer adeus.

Eu não estou exagerando, desde o início eu sempre lhe contei sobre o Ouji e como era difícil meu convívio com ele, já que ele sequer lembrava que eu existia. O aniversário do Ouji está chegando e como sempre um primo meu veio pra cá, já que os dois eram infinitamente amigos, mas enfim, meu primo estava aqui, no quarto do Ouji, eu nunca lhe falei que Ouji tinha um quarto aqui na minha casa, né? Mas é claro que ele tem, ele é meu irmão mais velho.

Tsuki, não me julgue, lhe imploro.

Eu o amo com todas as minhas forças Tsuki. Eu já lhe contei o quanto é insuportável o que eu sinto por ele, é tão forte que dói, eu sinto meu coração parar de bater todas as vezes que ele se lembra de mim e vem ficar um pouco comigo, me faz cócegas ou me senta no colo dele, na maioria das vezes me ninando. Ele é meu Ouji. Sebastian é o meu anjo, minha salvação, ele é tudo o que eu quero, é lógico que um incesto não daria muito certo, mas talvez se ele me tratasse melhor, já seria o suficiente para mim, mas não acontece Tsuki. Eu já me tornei uma pessoa insuportável apenas para vê o que ele fazia, isso apenas o afastou de mim mais e mais. Tsuki, se não houver a possibilidade dele ser meu, pelo menos um pouquinho meu, eu não quero mais nada.

E eu sei que ele não será meu, já que eu voltei do curso de alemão agora pouco, não tinha ninguém em casa e subi para deixar a mochila aqui no quarto, mas nem os empregados estavam e eu lembrei que quando meus pais estão viajando, fica apenas uma empregada aqui. Subi as escadas tediosamente e vi a porta do quarto do Ouji e pude ouvir alguns barulhos estranhos. Olhei pelo pequeno espaço da porta e eu vi.

Meu puro e lindo Ouji... Transando com o impuro do Oliver.

Oh Ouji... Por favor, diga que eu sou a coisa que você mais odeia no mundo e mate esse coração despedaçado, por mim, por você e por nós dois.

Adeus... Tsuki. “


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Eu estava sendo bombardeado; Aquele capitulo de seu diário havia sido um tiro certeiro para mim e naquele momento eu não sabia o que fazer. Eu peguei minhas chaves e fui do jeito que estava à King London, eu precisava desabar na frente de alguém e na frente dos meus pais não poderia. Connor lia o capitulo inteiro com calma e atenção, enquanto Jolene estava com a unha na boca, lendo um pouco mais tensa. Diferente de mim, Connor e Jolene leu todo o diário, do inicio ao fim.


Eu estava na cama de Connor, com os joelhos cobrindo o rosto e com um cigarro entre os dedos, por um momento os sedativos haviam me feito falta. Connor fechou o livro e virou calmamente para mim, esperando que eu lhe dissesse se alguma coisa.


– Assim... É um pouco perturbador, né? – Um pouco Jolene? – Assim... Ela escreveu todas as vontades que tinha com esse tal de Ouji e no final fala que é você... Até filhos ela queria véi! Isso é um pouco...

– Talvez repulsivo – Connor disse calmo – Então você já entendeu o motivo de vê-la, não é Sebby?


Eu levantei um pouco a cabeça, olhando para os dois.


– O que essa garota quer que eu faça? Comece namorar um fantasma?!

– Sebby... – ele engatinhou até a mim e me deu um cascudo – Que história é essa de transar com seu primo?

– Connor, foi há muito tempo. Depois que eu vim pra cá eu nunca mais o vi – suspirei – preciso de ajuda...


Jolene pegou o cigarro da minha mão, tragou e soltou as fumaças pelos lábios calmamente, como se estivesse pensando. Seus olhos estreitaram pela fumaça e ela tragou novamente, finalmente me entregando o cigarro.


– Aqui tem um paciente sensitivo... Ele é altamente violento, mas é sensitivo.

– Poderia trazê-lo aqui? Ou vamos ter de ir lá? – Connor me puxou para mais perto, me abraçando levemente.

– Teremos de ir lá, vamos aproveitar que estão trocando de turno e dar uma passada lá; ele é meio porra loca, mas é super gente boa, sabe como é.


Saímos do quarto de Connor e fomos até o quarto 458, deixando o cigarro no quarto do meu pequeno. Connor não soltou a minha mão o caminho inteiro, o que me tranqüilizava um pouco, já que como Iullia, eu só queria a presença de Connor e ele, a minha. Jolene pegou um prontuário que estava em uma mesa no canto do corredor, pegou as chaves e abriu de leve a porta de ferro do quarto 458; ela pediu para entrar primeiro e assim que abriu a porta, demos de cara com o paciente.


– Finalmente você apareceu – o rapaz esguio e branco suspirou – Tem alguém realmente triste perto de você.

– Como? – arqueei a sobrancelha, Jolene fechou a porta.

– Você não é o Ouji? – ele arqueou a sobrancelha junto comigo – Vish...


O rapaz esguio, branco, de cabelos pretos e camisa de força me era reconhecível; ele era o rapaz que havia feito um escândalo quando entrou aqui, ocasionando o ataque de Connor.


– Sou Sebastian, para falar a verdade – torci o nariz – Ouji é como Iullia me chamava... Misteriosamente.

– O nome dela é Iullia? Enfim, ela ta chorando demais e repetindo umas palavras em.... japonês – fez uma cara engraçada – Eu não consigo dormir por causa dela desde cedo, já que ela ta perto de mim desde que cheguei aqui. Aí ela acha que isso aqui é a mãe Joana e pede pra ficar dando recadinho pra você, sou branco, mas não sou pombo correio. – bufou irritado.

– O que ela diz Jason? – Jolene perguntou, sentando na cama dele.


Jason, como Jolene havia o chamado, já que ele não havia se apresentado, saiu perto de nós e foi ao lado de Jolene, onde ele olhou fixamente, como tentasse captar as palavras que ela dizia. Ao perceber que estava sentada ao lado de Iullia, Jolene levantou rapidamente e foi para o meu lado, olhando tudo aquilo assustada.


– Hãã... Não duvide de nada que você leu naquele diário, mas eu só estou assim porque eu jamais achei que meu pai daria o conselho de procurar algum diário meu... Pare de soluçar Iullia – disse impaciente – Enfim, ela disse Aishiteru Ouji... Gome.. Gomene... Gomenasai, eu acho. Aishiteru Gomenasai Ouji


Não Iullia... Você não poderia me amar.




Notas finais
Blitzkrieg Bop - "Blitzkrieg" é um termo alemão para guerra relâmpago, só coloquei o "bop" por causa da música do Ramones mesmo e para significar ~ataque relâmpago ~.
Ouji - Príncipe em japonês.
Referencia ao livro O Diário de Anne Frank ~
Tsuki - Lua.
Aishiteru - Eu te amo
Gomenasai - desculpe-me