Mizpá

23 Peokigayo


Notas iniciais
[Duality]
Todo ato tem sua consequência, Sebastian irá descobrir isso now HAUISHIUA. Peokigayo é uma palavra coreana, significa arrebatado, que pode significar precipitado e blábláblá.

Oliver era uma rampeira e como todas elas, adorava ver o circo pegar fogo, mesmo estando dentro dele. Ele deu seu sorriso mais cínico e esticou sua mão para meus pais, os cumprimentado e eles como eram infinitamente educados, cumprimentaram o sobrinho com seus melhores sorrisos.

- Quanto tempo Oliver – minha mãe olhava tanto para mim, quanto para ele – Está tão diferente!

- Que isso tia! A senhora que parece que rejuvenesceu. – minha mãe sorriu constrangida.

Oliver mesmo querendo ir embora, meus pais acabaram pedindo que ficasse mais um tempo, já que não o viam tanto tempo quanto eu. Ele disse tudo que havia dito para mim, que havia ficado em Berlim e tudo mais, meu pai conversou com ele sobre o irmão que também não via a tanto tempo e como estava a mãe dele.

Quando meu pai falava, minha mãe me olhava implorando uma explicação do que havia acontecido naquela casa e quando minha mãe falava, a mesma coisa meu pai fazia. Aquilo estava ficando completamente desconfortável e Oliver como sempre...

Era uma rampeira.

- Bom, acho que o clima está um pouco estranho, não é mesmo?

Ele sorriu maligno, eu conhecia aquele sorriso diabólico, normalmente ele me enfiava em confusões.

- O que você quer dizer com isso, querido? – minha mãe perguntou.

- Sebastian me contou que vocês descobriram que brincávamos de casinha – me encolhi na cadeira, adeus vida – espero que nossa relação de tios-sobrinho não mude, já que eu apenas tenho vocês a quem contar.

Meus pais se entreolharam, isso ia sobrar pra mim, claro. Minha mãe sorriu e meu pai apenas olhou para Oliver, como que se tentasse de uma forma falha aceitar que o seu filho estava transando com seu sobrinho. Meus pais falaram algumas lorotas, dizendo que tudo já estava explicado e que ele não precisava se preocupar e que qualquer coisa poderia contar com eles.

- Bom, acho que o mal entendido já foi resolvido – se levantou – o papo estava ótimo, mas preciso ir.

- Oh querido, está cedo! – Oliver riu e olhou no relógio, eram 19h já – Volte outro dia.

- Voltarei sim, assim que vocês estarem disponíveis, lógico. Nunca vi pessoas tão ocupadas!

Eles riram e se levantaram, mas eu permaneci no meu lugar e Oliver reparou nisso.

- Ora Sebastian, você já foi mais educado – pôs as mãos na cintura – me acompanhe até a porta.

- Daqui fica mais fácil correr pro meu quarto quando você for embora.

Oliver deu uma risada cabulosa, meus pais apenas me metralharam com o olhar.

- Deixe de asneiras Sebastian! – meu pai disse rapidamente – acompanhe-o até a porta.

- Eu não – eu realmente não tava a fim, pois sabia que assim que a porta se fechasse, o inferno começaria e Oliver também, aquele vadio sabia muito bem como por fogo no circo e sair ileso.

- Deixe-o – sorriu para mim, deu a volta na mesa e me puxou para um abraço forte e peculiar – senti saudades de você Sebastian, que bom que você finalmente saiu daquele lugar asqueroso.

Ele me soltou, foi em direção a porta junto com meus pais. Eles conversaram um tempo ainda na porta e quando eu ouvi o som dela ser fechada, já estava na porta do meu quarto, porém o grito da minha mãe me pegou muito mais rápido, entrei no quarto e bati a porta, eu realmente não estava afim.

- Sebastian Kluivert – ela gritou meu nome pelos quatro cantos da casa – Desça agora!

- To ocupado mãe – a luz do meu celular piscou e o toque de mensagem tocou; o nome Oliver apareceu na tela junto com uma foto que parecia ter sido tirada recentemente, já que até a duas horas atrás eu não tinha o número dele. Toquei na tela e a mensagem abriu.

“Haha, fique bem benzinho, eu realmente espero que seus pais não lhe matem, pois você tem algo interessante demais para ser desperdiçado s2.”

Cretino.

“É bom você começar a orar para que eles não me matem mesmo, Oliver. O que você aprontou?”

Botei o celular no bolso, esperando uma resposta. A porta foi aberta e minha mãe me olhou, ela parecia tão magoada e esgotada que eu quase me senti culpado. Quase.

- Sebastian... – ela suspirou – Não me esconda nada... ok?

- O que eu tenho de esconder? – o celular tocou, ela olhou para o meu bolso.

- Droga Sebastian! – minha mãe bateu a porta, me assustando – Vocês transaram como sempre, não foi?! Você não tem a mínima consideração pelo garoto naquele centro psiquiátrico que você jurou jamais abandonar e amar por toda vida?! Ele precisa de você mais do que qualquer coisa Sebastian, pra ele pode tirar todos os remédios, pode haver passos por todos os lados, mas contando que não tirem você, Sebastian, ele pode ficar bem, ele pode... viver. E você me faz uma coisa dessas?!

Minha mãe havia basicamente me esfaqueado. Os sorrisos e manhas de Connor passaram na minha mente de imediato, a culpa começou a pesar, tarde de mais, na minha consciência.

- Você está fazendo com Connor, exatamente o que fez com Iullia.

- Não! Isso não! Como eu poderia amar Iullia mãe?! Ela era minha irmã! Com Connor é diferente.

- Se fosse diferente você não esmagaria os sentimentos dele por uma tarde de sexo.

Minha mãe abriu a porta e me deixou sozinho. Minha mãe tinha razão, eu havia passado por cima dos sentimentos de Connor e eu não saberia se ele poderia me perdoar ou não. Para dizer a verdade, nem eu mesmo poderia dizer se eu me perdoaria por me fazer dono das lágrimas do meu Connor.

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- Seu filho da puta! – a voz do outro lado da linha gritava – como assim, Sebastian?!

- Jô, por favor... – eu me controlava para não chorar no telefone – pode vir aqui?

- Se você não tiver amor a sua vida, posso! Porra Sebastian, puta que pariu caralho, você só pode está brincando.

- Por favor, Jô...

- Chego aí em um instante, sem loucuras, seu puto!

Ela desligou o telefone na minha cara e eu apenas o joguei em cima da cama, esperando-a vir comer a minha cabeça; por um momento achei que seria bem mais fácil ter contado a Connor do que a ela. O notebook que estava perto de mim, entrou em modo descanso de tela, mostrando a foto de nós dois juntos, sorridentes, no jardim da King London.

Você precisava destruir tudo mesmo, não é, Sebastian?

- Senhor Kluivert? – Jude chamou na porta, com uma bandeja com um copo suco – sua mãe mandou trazer para você...

- Obrigada Jude – ela deixou na escrivaninha e saiu.

O toque de mensagem tocou novamente, eu havia até mesmo me esquecido que tinha a mensagem de Oliver para ler; com o pé, arrastei o celular até mais próximo de mim, clicando na tela, mostrando a mensagem.

“Fui um mau menino para poder ser castigado haha. Eu apenas contei que tinha uma boa recepção na casa dos físicos Kluivert, oras. Eu não poderia deixar você ir assim, Sebastian.”

Não pude acreditar, apertei no número dele, iniciando uma chamada.

- Alô? – ele me atendeu no segundo toque.

- Você não fez isso, Oliver! Você... Não poderia!

- Ouvir da sua boca que você prefere o coisinha a mim e ficar tranqüilo não é algo que eu faria.

- Droga Oliver, me esqueça! Eu já tenho problemas demais para você entrar na minha vida agora e bagunçar tudo. – suspirei – se não quiser uma relação saudável de primos, esqueça.

- Tenho uma boa memória Sebastian e eu sei que não fui eu quem começou com as nossas brincadeirinhas; você me quis, você me teve e ainda tem, mas eu não aceito ser jogado fora assim.

Me levantei da cama e comecei a andar pelo quarto. Nós dois nos mantivemos em silencio, para falar a verdade, Oliver esperava uma resposta minha; eu havia entrado no ciclo de Iullia novamente, ser amado e não amar, aquilo estava começando a me deixar louco.

- Eu jamais lhe jogaria fora... Mas outra pessoa entrou na minha vida, se tornou tão especial que...

- Eu nunca fui especial para você? — a voz suave estava se tornando baixa.

- Claro que foi, mas o que acontece com Connor chega a ser estranho de tão mágico...

Pude ouvir alguns ruídos vindos do outro lado da linha, fui até o suco que Jude havia-me trago e bebi, eu contaria para ele o que me deixava tão desesperado.

- Por favor, não sofra... Isso me faz com que eu prefira a morte...

- Você tem o seu coisinha, por que preferiria a morte? – fungou – Eu realmente achei que...

- Eu estou fazendo você sofrer, meus pais, meu Connor, Jolene... Fiz Iullia sofrer também.

- Iullia? Ela está morta criatura, por que ela estaria sofrendo?! – sua voz se tornou alta novamente.

- Você sabia que Iullia era apaixonada por mim?

O silencio tomou conta da linha novamente, mas ele começou a rir.

- Você está de putaria Sebastian! Como assim, apaixonada?!

- Da mesma forma ou então pior que você, com direito a desejos carnais e tudo.

Eu me virei e dei de cara com uma Jolene furiosa, apenas observando tudo.

- Explica essa porra direito, Sebastian.

- Eu realmente não posso agora, preciso desligar, até mais.

Assim que desliguei, Jolene veio praticamente em minha direção, com o punho fechado, tentando acertar meu rosto. Eu segurei seu punho sem muita dificuldade, joguei o celular na cama e quando ela tentou me chutar, segurei com a mão livre; Eu só não esperava que dela tentasse dar uma cabeçada, mas mesmo assim ela errou.

- Seu cretino! – ela era tão diferente sem a roupa de enfermeira.

- Jolene, se acalme ok? – soltei sua perna e seu punho com cautela – Eu posso explicar...

- Claro que pode! Você tem noção de como ele vai ficar Sebastian?!

Não sei por que, bocejei. Provavelmente aquele suco da minha mãe estava cheio de remédios, o que me deixou desesperado. Eu não poderia dormir.

- Não Jô... – meus olhos lagrimejaram – não me deixe dormir.

- Sebby? – sua expressão mudou quando ela viu minha expressão de terror – acalme Sebby

- Não posso dormir, eu não vou acordar e não vou poder contar para o Connor! Eu não posso traí-lo dessa forma! Preciso ser homem o suficiente e contar para ele que... – meu corpo pesou demais.

Jolene me guiou até a cama, meus olhos continuaram a lagrimejar e inesperadamente, comecei a me debater, mas ela segurou meus pulsos com força e se sentou sobre mim.

- Mesmo estando furiosa com você, ficarei aqui Sebby, seu cretino...

Eu apenas lembro-me de senti o corpo quente de Jolene, ainda sobre mim.

“Ride this dying carousel

Four rusted horses strangled by their own rope

Where children love are singing

We'll know that their tied hearts had broke”

Notas finais
Trecho usado: Marilyn Manson - Four Rusted Horses
Espero que tenham gostado, até mais ~