Mizpá
24 Circus
Notas iniciais
She's back, she's back, she's back, she's baaaaaaaaaaack -n
Deixando minha recente obsessão por INFINITE esses dias, é só pra avisar que Gaeul está de volta nas paradas de sucesso /sqn/ e não sei por quanto tempo, mas enquanto der, eu venho postar. ♥
Caaaaaaara, eu sou apaixonada por esse capítulo. Eu choro três rios São Francisco, no MÍNIMO, por que Connor não merece esse sofrimento todo.
Vamos ler? *-*
Recomenda-se ler o sonho com: http://www.youtube.com/watch?v=YA2UI36wYwc
Eu estava em um lugar pouco iluminado, onde somente era visto o preto e o branco; As pessoas que estavam ali estavam fantasiadas, eram palhaços, mágicos, malabaristas, bailarinas, domadores, e mais um bocado de gente que eu sinceramente não prestei atenção. Três holofotes se acenderam, dando início à uma música, parecia clássica, era tão agoniante quanto. A música me deixava num êxtase estranho, mexendo com meus sentidos, e fazendo-me reparar no lugar à minha volta. Mais uma cor era adicionada àquele cenário: o vinho. Agora eu via detalhadamente as roupas deles; Eram preto-e-branco com pequenos detalhes em vinho, todos tinham o rosto pintado de branco, e uma lágrima pintada abaixo do olho esquerdo, todos tinham expressões de medo e pavor – assim como a minha – e descendo mais o olhar, vi cada um com uma fita em vermelho sangue no pulso, que pelo visto, foi amarrada com uma enorme força. Além da música que me deixava num estado de agonia intenso, sussurros como “Tire-me daqui” e “Me salva” eram constantemente ouvidos, fazendo-me olhar desnorteado para todos ali, principalmente para a figura ajoelhada no centro do circo, encolhido, com a cabeça baixa e lágrimas vermelhas descendo de seus olhos, talvez, fizeram algo à aquele pierrot, que tinha um semblante tão triste que me comoveu. Comecei a andar na direção do tão sofrido pierrot, algo em mim dizia que ele estava a ponto de entrar em uma depressão ou algo do tipo e eu teria que ajudá-lo. O circo estava em completo silêncio assim que comecei a andar, o que deixava os barulhos dos meus passos e do choro do pierrot mais altos. Assim que estava mais perto, o pierrot levantou a cabeça, e pelo seu olhar dava pra sentir o ódio que ele mesmo sentia.
Me perdoe, Connor.
E mesmo com o rosto pintado de branco, e o rosto manchado com suas lágrimas de sangue, a vontade de abraçá-lo e pedir perdão, pedir perdão quantas vezes fosse preciso era enorme, mas algo me impedia. Mãos estavam envoltas em minha cintura, prendendo também meus braços. Não me preocupei e reconhecer quem seria, apenas me debatia pra alcançar meu tão amado pierrot. “Esqueça-o”, “Você não pode tê-lo, tocá-lo ou alcançá-lo agora”, “Finalmente você é meu, Sebastian.” Senti um arrepio tão forte percorrendo todo o meu corpo, seguido de um puxão, que me fez cair pra trás.
Acordei.
– NÃO! Não me leva! – Acordei me debatendo na cama, senti mãos segurarem meus braços. –
– Tá louco, Sebastian? – Jolene sacudia meus ombros, fazendo-me abrir totalmente os olhos. Passei um tempo calado, tentando formular uma frase. –
– Ela sabe que eu odeio circos.
– E o que isso tem a ver? – Ela me fitava confusa. – Quer saber? Esquece. O que pretende fazer agora, garanhão?
– Não brinca, Jolene. Tenho de contar pra Connor.
– Então é isso que você vai fazer.
Jolene antes mesmo de terminar a própria frase segurou no meu pulso fortemente e me arrastou pela casa; Minha mãe, que estava na sala assustou-se com a cena.
– Está sequestrando meu filho, Jolene? – Minha mãe riu, mas assim que viu a cara feia que Jolene fazia entendeu a situação. – Boa sorte, Sebastian.
E assim, querendo ou não, eu seria arrastado até Connor.
...............................................................................................
Fazia uns quinze minutos que eu estava parado em frente à porta do quarto de Connor, procurando algo que tinha fugido de mim quinze minutos atrás: coragem.
– Vai entrar aí ou eu terei que te empurrar?
– Dá um tempinho, Jolene.
– Dei quinze. – Ela abriu girou a maçaneta e me empurrou – literalmente – pra dentro do quarto. Connor se assustou com o barulho e virou rapidamente na minha direção, abrindo aquele sorriso infantil e correndo na minha direção pra me abraçar. Pela primeira vez, eu não sorri junto com ele.
– Sebby! Senti tanto sua falta! – Ele se afastou do abraço, e eu, continuava imóvel. Connor selou nossos lábios e passou a me encarar, com uma cara não tão boa. – Você está bem, Sebby? Está pálido! O que aconteceu? Sebby? Sebastian?
– Preciso te falar uma coisa. Senta aí. – Ele se sentou na cama, me olhava de uma forma preocupada e curiosa. – Não fala nada, só ouve, hm? – Balançou a cabeça positivamente, me olhando fixamente. Suspirei. – Connor, eu não sei como te contar isso. Mas, uma pessoa me visitou depois de muito tempo, e... – Connor me interrompeu. –
– Foi Oliver, não foi? – Aquela pergunta me pegou desprevenido. Os olhos de Connor estavam marejados, olhavam fixamente os meus procurando uma resposta. Por mais que ele prendesse o choro, eu sabia o que estava por vir. –
– Foi. – Ele ficou estático. Eu não sei o que se passava na cabeça dele, mas só de imaginar me dava uma tristeza profunda. Até que ele finalmente se levantou e se pôs a minha frente. Senti meu rosto arder, Connor pela primeira vez havia levantado a mão pra mim, o que me deixou num estado de choque, por assim dizer. Senti a ardência pela segunda vez. E pela terceira. A quarta viria, mas segurei seu braço. – Controle-se, Connor! Pára com isso!
– Controle-se? – Ele me olhava com raiva, seu rosto estava inundado de lágrimas. – CONTROLE-SE? Mais, Sebastian? Mais do que eu me controlei todos esses anos dentro de uma maldita clínica psiquiátrica? Eu poderia me entregar à morte, eu poderia ter morrido há tanto tempo, deixado a loucura tomar conta do meu corpo e mente. Por que você acha que eu aguentei todo esse tempo? – Ele gritava comigo, e as lágrimas caíam cada vez mais fortes. – Eu aguentei esses anos todos por você, Sebastian. Por que você me amava, e por que eu amo você. – A voz de Connor diminuía gradativamente, ele chorava silenciosamente agora. – Mas eu fui traído tão facilmente, achando realmente que o fraco aqui era eu, por ter tantas crises e não resistir com Bruce como você resiste com Iullia. – Seus olhos encontraram os meus – Mas o fraco aqui é você, Sebastian. Você ainda não tem a capacidade de amar alguém como eu amo você.
Connor soltou-se dos meus braços; Aquelas palavras doeram mais do que os tapas, o vi se afastar de mim e sentar no canto do quarto, de cabeça baixa. O que eu fiz com você, Connor? O que eu fiz com nós dois... Ele chorava baixo, estava imóvel, assim como eu. Tentei aproximar-me dele, mas algo me impedia, eu não conseguia me mover. Não chore, meu pierrot. Agora eu também estava chorando, ao ver o que eu fiz com o meu Connor.
– Connor, não fica assim. Me perdoa, Connor. Por favor, me perdoa! – Eu não conseguia me mover, Connor apenas parecia que não estava me ouvindo.
– Vai embora. Vai embora, Sebastian. E não volte mais.
Era isso. Eu havia magoado Connor de todas as formas possíveis, o que acabava me machucando por dentro também. Eu não aguentava mais ficar naquele lugar, vendo meu Connor do jeito que ele queria. Abri a porta, dei as costas pro seu choro e sua dor, ignorando a minha e passando reto por todos. Eu iria pra qualquer lugar, ignorando as grossas lágrimas que insistiam em sair, ignorando a dor em meu peito, e ignorando minha consciência. Connor estava certo, eu realmente sou um fraco.
Notas finais
- Eu tenho fobias de circo e o sonho foi inspirado num sonho que eu tive (que foi muito mais pesado por causa da música maldita de inspiração que eu ouvi pra escrever).
Até quinta~^^
Fale com o autor