Mizpá

5 Hear Fear Here


Notas iniciais
Yaaaay, capítulo novo. Espero que gostem. ♥

– Você precisa Sebastian, já faz cinco dias. – Jolene tentava ser paciente comigo.

– Não preciso não – sentia minha mente martelar só de pensar na possibilidade. – E se não acordar?

– Você vai – ela apenas não me chamou de nenhum apelido carinhoso porque Theo estava lá – Seu corpo precisa de descanso Sebastian.

Jolene chegou perto de mim com cautela e segurou o meu rosto, olhando nos meus olhos, também vi Theo sair de sua posição e chegar perto de mim, com uma seringa. Meu coração parecia que ia saltar pela boca, pra que precisamos dormir mesmo?! Pude sentir a mão de Theo pegar no meu braço e procurar minha veia, comecei a me desesperar.

– Eu não vou acordar Jolene! Eu vou ter pesadelos! – o pânico começou a atacar minha mente, o ar parecia não querer entrar em meus pulmões, meu coração estava rápido demais para que eu conseguisse me controlar.

Theo ejetou o maldito remédio para dormir em minha veia e eu sentia minha cabeça rodar com a possibilidade de dormir, eu estava com os olhos inquietos, tentando olhar para Theo e Jolene, praticamente ao mesmo tempo, meus olhos começaram a pesar e Jolene continuou segurando o meu rosto.

– Eu estarei aqui Sebastian, eu farei com que você acorde, agora tente respirar, devagar inspire pelo nariz e expire pela boca – não conseguia fazer aquilo – Você precisa se acalmar Sebastian...

Meus olhos foram ficando cada vez mais pesados, piscar estava começando a ficar impossível, eu odiava quando não conseguia controlar o meu corpo, quando era domado, para ser mais exato. A última coisa que eu vi foi Jolene falando alguma coisa, talvez tentando me acalmar com suas palavras dóceis, mas eu não conseguia ler nem sequer os seus lábios, de tão lesado que estava.

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Eu estava em um lugar escuro, sem objetos e parecia que também não tinha paredes; era apenas eu e meu consciente. Andei pelo nada até encontrar... Nada, tudo ali era vazio e eu nem sequer perdi tempo chamando por alguém, já que sinceramente aquilo era besteira. Andei, andei e andei, até que desisti e parei, sentando no chão e olhando ao redor, até finalmente achar uma pessoa... Será que ela estava atrás de mim? Pois não me lembro de tê-la visto.

– Você finalmente dormiu, Sebastian – ela sorriu sarcástica – pensei que nunca o faria.

– Isso estava nos meus planos, mas eles precisaram ser interrompidos.... Sabe como é não é? Pra não morrer de exaustão. – respondi irônico, ela estreitou os olhos e mordeu os lábios.

Era por causa daquele maldito sonho que eu evitava dormir, ela sempre aparecia independente do sonho, como isso para mim boa parte da minha vida sempre foi aterrorizador, comecei a ter a Somnifobia, para evitar vê-la. Mas a infeliz me fez o favor de virar alma penada.

– Eu até posso ser a carente presepeira, mas você é o medroso. – ela riu e me olhou de forma suspeita.

– E do que eu teria medo? Vejo uma pessoa morta que já devia ter seguido a luz faz tempo.

– O sobrenatural pode não te assustar tanto – ela sorriu – mas o medo é a sensação mais importante para os seres, assim como dormir, é claro.

– E do que eu teria medo? – me deitei e fechei os olhos, precisaria agüentá-la até os efeitos do remédio acabar.

Senti algo quente e pegajoso pingar no meu rosto e senti receio de abrir os olhos. Os pingos pareciam ficar mais grossos e mais constantes, passei a mão no rosto e senti o cheiro metálico se alastrar pelo ar, senti meu peito apertar e abri os olhos.

Vi os pés de Jolene balançar perante o meu rosto, o sangue que pingava no meu rosto vinha dela. Me levantei desesperado e segurei seus ombros; seus cabelos cacheados e que tinham um tom mel estavam levemente sujos com o sangue que estava saindo dos seus lábios, seus olhos também mel estavam perdidos, sem vida ou brilho. Ela estava com uma grossa corda no pescoço.

Eu não conseguia reagir perante aquilo; sim, eu morria de medo de um dia, perdê-los, assim como qualquer pessoa tem medo de perder a mãe ou a pessoa que ama. Isso não me fazia um medroso e sim uma pessoa comum.

“Ela está tentando te aterrorizar Sebastian, ela não gosta de ser contestada, lembra?”

– Ouça o medo, Sebastian. – Ela disse – Viu como você tem medo? Que tal... Aumentá-lo.

Atrás dela apareceu Connor, sentado me olhando. Sentia a raiva me dominar, ela não ia mexer com Connor. Fui a sua direção e segurei seu pescoço, ela me olhou assustada e surpresa, ela nunca pensou que eu a enfrentaria dessa forma.

– Você. não. tocará. em. Connor – Aproximei meu rosto do dela, olhando no fundo dos seus olhos mortos. Eu podia sentir a textura de sua pele, o calor dela, mas era como se eu estivesse segurando um vapor quente, ela parecia não estar ali e de certa forma, não estava.

– Eu lhe seguirei por toda a eternidade, Sebastian. Eu sempre seguirei o meu assassino.

– Faça como quiser. – Apertei mais o seu pescoço e ela abriu a boca levemente — e teu assassino meu cu, você morreu porque é uma estúpida, não soube respeitar o seu próprio limite.

Eu a tirei do chão e ela balançou suas pernas brancas no ar.

– Eu morri por amor a você.

– Mentira. Você nunca gostou de mim, nunca gostou de dividir a atenção dos nossos pais. Por isso fez o que fez.

– Eu farei com que volte a esse lugar! Seu lugar eterno será King’s London Psychiatry, eu o manterei lá.

– Não que isso seja um sacrifício – a joguei no chão com força e ela me olhou de forma ameaçadora.

A olhei jogada no chão com desprezo e ela colocou a mão no pescoço. No nosso pequeno ambiente vazio, começou a aparecer mais pessoas; Connor que apenas me olhava, apareceu com canivete, cortando os pulsos, Jolene continuava enforcada, minha mãe tomando milhares de antidepressivos, vários amigos meus e alguns da família, sempre tristes e tentando se matar, meu pai com uma amante talvez mais nova que eu.

– Se você tirou a minha vida, lhe tirarei a sanidade. – gritou.

Fui em direção a ela novamente, dessa vez a peguei pelos cabelos, todos sumiram novamente. O ambiente começou a mudar e tudo que era preto pegou forma, o teto se formou um céu cinza e sombrio, com nuvens negras carregadas e leves trovões, o vento fortíssimo praticamente me deixava surdo e então, estávamos no penhasco onde tudo começou. Meu coração palpitou, agora sim ela tinha me atingido, mas eu não poderia perder o controle agora, enfrentando-a.

– Não te matei na vida real, mas será um prazer fazer isso agora. – a arrastei pelos cabelos e a joguei do penhasco que ela tinha caído por conta própria quando mais nova. Ela não gritou, ela apenas caiu e sumiu no mar escuro e revolto.

Observei o mar um pouco, ela havia refeito a cena exatamente do dia do acidente e aquilo era um pouco perturbador. Me virei, dando de cara com ela novamente, como se nada tivesse acontecido, nem molhada ela estava.

– Você está precisando de um homem, garota. – suspirei cansado, aquilo seria um longo sono.

Notas finais
Não parece, mas prometo que a web ficará boa ao longo do tempo... Enfim, reviews, apareçam para me dar ânimo de continuar~!♥