Mizpá
18 God Won't Listen
Notas iniciais
Nesse tempinho, quem postava era a Duality gatíssima, por que eu tava (estou) um pouco (muito) enrolada com trabalhos escolares, chega o último bimestre, parece que as coisas ficam piores, só agora consegui começar o trabalho de Química, e como senti saudade, vim postar. :3
Fantasminhas, apareçam, hm? Se tiver algum. G_G
Hmmm, se você for ~seguidor de Deus~ talvez não goste muito do conteúdo aqui desse capítulo, fica a critério do leitor, ok?
Boa leitura, :3
“Oh Ouji, você é o único que pode parar com a minha dor”
Estava sozinho em casa. Eu poderia ir visitar Connor, mas a neve não deixava ninguém sair de casa, até mesmo meus pais, que precisaram andar até o metrô para ir a algum lugar do mundo, no qual eu não sabia onde era, já que estava impossível para qualquer um. Suspirei entediado, não tinha nada pra fazer, não tinha nenhum jogo para se zerar ou até mesmo pra baixar, eu poderia jogar tetris até o tédio acabar, mas eu estava com fome e eu não pensava direito com fome.
Tirei o notebook do meu colo e fui até a cozinha; na geladeira havia milhares de coisas, nos armários também havia todo o tipo de coisa, porém nada que me agradasse. Peguei farinha de trigo, o chocolate, ovos, açúcar, leite, manteiga e o fermento. Lembro que minha mãe havia me ensinado a cozinhar e eu era realmente bom nisso, porém com os anos “parado” provavelmente me faria queimar ou solar o bolo, mas como eu quem iria comer, ninguém poderia reclamar.
Eu não me lembrava muito da ordem das coisas, taquei tudo dentro de uma vasilha e liguei a batedeira com cuidado para não voar massa para todos os lugares. Depois de tudo pronto, fui pegar o tabuleiro redondo e a manteiga, para passar nele, mas graças ao santo desastre, acabei derrubando metade de um pacote de farinha de trigo no chão.
– Isso mesmo Sebastian – suspirei – suje a cozinha inteira e sua mãe nunca mais te deixa sozinho em casa.
Virei-me, levantando o pacote de farinha para que não derrubasse mais no chão, afastei os outros ingredientes para que não corresse risco que eles derrubassem também. Abri uma gaveta, retirando um pano de lá para limpar a bancada, jogando os resíduos todos no chão; já tava tudo sujo mesmo, não poderia piorar. Enquanto limpava, de relance acabei olhando para o chão, onde na farinha derramada, marcas de pés, pequenos, delicados e descalços, e uma mão, tão pequena quanto o pé e a letra inconfundivelmente redonda.
Sebastian );
Afastei-me levemente, outra marca de pé se formou na farinha, como se ela tivesse dado um passo.
– Olá Iullia. – cocei o nariz, aquela farinha espalhada me causaria espirros depois. Outra marca de pé se formou ao lado da mais recente e rapidamente as letras redondas apareceram logo abaixo do meu nome.
O que você está... Sentindo? Digo, em relação a tudo, antes que faça piadas.
– Pra falar a verdade eu estou sentindo fome – não pude deixar de rir quando o “¬¬” apareceu na farinha – Eu não sei o que sentir Iullia, eu jamais pensaria que você sentia isso tudo. Mas você me acompanha desde sua morte Iullia, você sabe que eu não sou essa perfeição toda que você achava quando mais nova.
Descobrir que você é um sujo e depravado, só me mostrou que até mesmo a perfeição,
precisa de um lado escuro e acredite isso o deixa ainda mais atraente.
– Assim nem mesmo água benta irá salvar você, Iullia. – sentei na bancada e cruzei os braços, observando a farinha rabiscada. – Apesar de que o Éden era um suruba do caralho, Deus não gosta de incesto, querida.
Deus parou de ouvir a minhas preces há muito tempo Sebastian...
Talvez seja esse um dos motivos de você não poder mais me ver,
O motivo de você está conversando com uma farinha derramada,
Por que Deus não me deu a salvação, como fez com os outros?
Ainda de braços cruzados e ri sem humor algum, nossos pais são físicos, ela quer mesmo falar de Deus pra mim?
– Depende muito Iullia – Balancei as pernas – Você quer a tão famosa luz ou quer ser dona dos meus sorrisos, como você mesma disse em seu diário? – ela colocou “...” na farinha – Você já não está mais aqui Ai, então siga o que é melhor para você.
Você é tudo o que há de melhor para mim.
– Resposta errada, Ai.
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Eu estava com o meu melhor sorriso, mas a cara da minha mãe era muito melhor que o meu sorriso e eu não sabia se ria pelo fato de que iria levar uma puta bronca aos vinte e um anos ou que eu estava com tanta preguiça que esqueci de tirar toda aquela farinha do chão. Meu pai me olhava paciente, a cozinha inteira estava com marcas de pés.
– Não sei se isso te interessa, mas esse piso custou um pouco mais que a sua coleção de videogames.
– Mas eu fiz bolo – sorri novamente, meu pai continuou me olhando – Vai dizer que ele não ta com uma cara linda?
Apesar de que jamais ganharia meu pai, vencer minha mãe já era noventa por cento do caminho andado, já que no final, a opinião dela era a que contava. Ela cortou uma suculenta fatia do bolo com cobertura de chocolate e no seu bule de porcelana, pegou um pouco do chá que eu mesmo havia feito. Até agora eu não havia morrido de intoxicação alimentar, então não haveria chances do meu pai jogar piadinhas de que aquele bolo era uma bomba nuclear.
Não tardaria para a empregada voltar de sabe-se lá onde ela estava e limparia aquilo tudo. Meu pai também pegou um pedaço do bolo e um pouco de chá, indo em direção à sala de jantar, junto com minha mãe e eu apenas os segui, já que eu havia comido bolo a tarde toda.
– Sebastian – Aaron falou rapidamente e eu olhei para ele – Achou o que tanto queria?
– O que é que eu queria? – pisquei rapidamente, confuso.
– No quarto de Iullia – Desviei meu olhar do dele – Você disse que queria saber se foi um bom irmão para ela...
– E não fui – suspirei – quero dizer, não sei se fui um bom irmão, mas deu pra entender que ela se espelhava em mim...
O silêncio tomou conta da sala de jantar.
– Entretanto – minha mãe resolveu quebrar o silencio – O que tinha escrito lá?
– Como assim? – meu coração bateu mais forte, meus pais não gostariam de ler aquilo.
– No diário dela... Ela sempre disse que eu nunca mais olharia pra ela se eu lesse seu diário.
– Então é melhor não ler, não acha?
Meus pais olharam pra mim ao mesmo tempo, senti minha garganta se fechar.
– Sebastian, não sei se você sabe, mas eu não a vejo mais... Que diferença faria ler agora?
– Mudaria seus conceitos sobre ela e... Talvez ela não queira isso.
Meus pais não sabiam da minha bissexualidade, eu jamais diria isso, principalmente para o Senhor Aaron Kluivert, que provavelmente me comeria vivo se isso acontecesse. Talvez minha mãe aceitasse, ela nunca teve muitos problemas, até porque, ela amava meu cabelo azul, já meu pai é louco para passar a máquina zero na minha cabeça. Apesar de desconfiados, eles falaram nada mais e a única coisa que foi ouvida fora o som dos talheres.
Notas finais
Tá péssimo? Review.
Tava horrível? Review.
Te deu câncer de tão ruim? Review.
Tá uma coisa aceitável? Review.
Até quinta~ ♥
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