Mizpá

19 Words Thrown In Fan


Notas iniciais
Desculpa não ter postado ontem, estava muito depressiva por não ir no show do UKISS D:
Enfim, Mizpá ta aí. ♥

Minha vida estava completamente dividida; Dias de semana para Connor e Jolene, e finais de semana para meus pais. Pra falar a verdade, minha mãe. Aaron trabalha em duas horas o que Deus trabalha em seis dias, então eu quase não o via. E hoje era sexta, último dia de Connor. E o dia em que eu mais ouço drama e manha. Mas o que posso fazer? Connor era mais manhoso do que um garoto de três anos. Assim que abri a porta do quarto em que ele estava, fui recebido com um abraço mais apertado do que as câmaras de gás da época da Segunda Guerra, mesmo Connor sendo mais leve do que uma pena, perdi meu equilíbrio e cambaleei até a cama dele, sentando-me ali, e finalmente soltando Connor no chão.


– Já pensou se eu caio com você no meu colo, bato a cabeça no chão e mor... – Antes que eu pudesse terminar minha frase, Connor estava sentado no meu colo, passando suas mãos frias por debaixo de minha blusa, provocando arrepios. Rodeou minha cintura com suas pernas, grudando seu corpo no meu, e me calou dando-me um beijo.

– Não pense em uma coisa dessas, seu doido! Não vai acontecer, tá? – Suas unhas curtas passeavam por minhas costas, formando linhas imaginárias e arrancando de mim suspiros baixos –

– Você é insaciável, criança. – Ri baixo. Connor, você não cansa, seu ninfomaníaco? –

– Olha quem fala. – Ele parou e me encarou por um tempo – Você não se sente um pedófilo falando assim não? – Ele riu e eu tive de rir com ele –

– Não. Deveria?

– Não, eu até que gosto. – As mãos ágeis de Connor passaram a brincar com o cós da minha calça, ameaçando abri-las e voltando a arranhar minhas costas. Assustei-me a ouvir alguém tendo uma crise no corredor, os gritos eram incessantes, e Connor continuava o que fazia sem ao menos se importar. – Eu sei que você vai deixar esse ataque qualquer pra lá e me fazer seu. – Ele levou suas mãos até minha nuca, puxando meus cabelos azuis e mordendo meu pescoço – Por que eu sei que você não resiste ao seu Connor.

Connor realmente gostava de uma provocação. Seus olhos castanhos fitavam os meus de uma forma que não pude decifrar. E agora que ele já tinha me provocado, por que não ir até o fim? Joguei-o deitado na cama e investi em seu pescoço, arrancando arrepios e suspiros baixos dele.


Eu realmente não resisto à Connor.

(...)


– Waisenkind? – Chamei Connor, me arrependendo logo após de tê-lo chamado daquela forma, não era um apelido adequado à ele – Tenho que ir.

– Waisenwhat? – É, falei besteira – Mas Seb...

– Sem “mas”, nem manhas, bicos, birras, fofura extrema e blá-blá-blá;

– Okay – Bufou, encarando-me com o típico bico de “fique mais tempo pro seu ninfomaníaco, por favor” e eu tive que rir. Encarei-o por um tempo, até que do nada ele por um pulo sentou-se na cama, olhando fixamente pra porta. – Tá ouvindo, Sebby?

– O quê? – Olhei para a porta também, mas só o que eu conseguia ver... Era uma porta normal. –

– Passos... – Eu iria falar, mas ele mesmo de costas levantou a mão direita, fazendo um sinal pra eu ficar calado – Parou.
– Não precisa se preocupar, ainda estou aqui. – O puxei de volta, fazendo-o deitar ao meu lado novamente. Conversamos por um tempo até perceber que ele havia dormido nos meus braços – literalmente – que a essa altura já estavam dormentes, levantei com cuidado, deixando quase todas as cobertas existentes no quarto em cima de Connor, a neve ainda caía forte lá fora, me vesti novamente e peguei um caderno pequeno com um lápis preso no espiral que Connor guardava debaixo da cama. Naquele caderno havia de tudo, desenhos, notas, trechos de música, poesias escritas por ele mesmo e tantas outras coisas escritas que o sono, a letra pequena de Connor e o cheiro de sexo que empesteava o quarto não me deixavam prestar atenção. Arranquei um pedaço de uma das poucas folhas em branco, e com a minha letra tão linda quanto à de Mei – só que não –, deixei poucas palavras ali. Ok, até que estava bem legível:


“Dear Child,

Muito obrigado por ter deixado meu braço dormente. Você estava dormindo de uma forma tão infantil que tive que te deixar dormir, e aproveitei e fui pra casa, a neve me castigaria se eu demorasse mais e queria evitar suas manhas. Não me entenda mal.

Até segunda, my little plush.

Sebby.”

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Estava tudo frio demais, ainda não havia anoitecido, mas isso não queria dizer que não poderia ficar escuro. A neve tinha dado uma calma, mas os ventos que pareciam terem vindo direto do pólo norte congelavam meu nariz, me causando uma leve dor de cabeça, anunciando a ilustre chegada da minha sinusite.


Abri a porta e me vi que a casa estava escura, a única luz que tinha no local era a da lareira e pude perceber que minha mãe estava sentada na poltrona que normalmente era ocupada por Aaron. Tirei o sobretudo, as luvas e a touca, indo em direção ao seu corpo pequeno e quente, abraçando-a por trás. Seu corpo se arrepiou por causa do susto e pelo choque das temperaturas, já que mesmo com as luvas, minhas mãos não estavam quentes como deveria.


– Que susto meu bem... – ela disse baixinho e pegou a minha mão – você está tão gelado, vai ficar doente...

– Pior que vou mesmo – massageei a testa, tentando pressionar a dor de cabeça – já to com tudo doendo.


Ela apertou a mão que segurava e a beijou; senti uma pequena gota quente molhar as costas da minha mão e com a mão que ela não segurava, puxei seu queixo, vendo os desenhados olhos negros marejados e vermelhos, como se chorasse desde cedo. Me agachei e limpei suas lágrimas cristalinas com meus polegares, não existia coisa pior que ver minha mãe chorar.


– Mãe, o que houve? – segurando seu rosto, beijei seu rosto inteiro, coisa que ela normalmente fazia comigo.

– Ah meu anjo... Por que nunca contou? – mais lágrimas desceram do seu rosto.

– Nunca contei o que, mamãe?


Antes que ela pudesse responder, senti algo duro e com cheiro do perfume da minha mãe no meu rosto; meu rosto inteiro ardeu e senti meu nariz formigar. Por causa do imprevisto, eu me afastei da minha mãe, ficando perto demais da lareira, acabei queimando minha mão. Olhei para o chão, procurando o que me atingiu e o livro de camurça com as letras por causa do reflexo do fogo agora laranjas escrito: The Sad Secret World Of Iullia.


Não acredito que eles haviam lido.


– Isso que aconteceu Sebastian! – a voz do meu pai tomou conta do local e minha mãe veio me socorrer.

– Você está louco Aaron?! Você o machucou! – minha mãe gritou, passando sua mão na minha.

– Nada que outro homem não tenha feito – ele praticamente rosnou – Que discórdia Sebastian.


Meu rosto ardia demais, minha mãe tentava desesperadamente esfriar a queimadura; se levantou e me puxou pelo pulso, até a cozinha, mas no meio do caminho fui impedido pelo fortíssimo tapa do meu pai, no meu rosto, fazendo meu rosto arder ainda mais.


– Um miserável! Você, assim como a imunda da Iullia não deveriam ter nascido. – levantou a mão novamente.

– Nunca mais repita isso – minha mãe segurou sua mão, entrando na minha frente, gritando desesperada – Nunca!

– Saia da frente Mei! Eu não acredito que gerei duas aberrações!

– Meu filho é perfeito! – as palavras da minha mãe reviraram meu estômago – Se você ameaçar tocar na minha criança novamente pode ter certeza de que quem vai apanhar vai ser você e não duvide disso!


Minha mãe me puxou novamente até a cozinha, dessa vez sem interrupções e colocou a minha mão debaixo da água geladíssima, fazendo meu corpo inteiro arrepiar. Ela deixou a minha mão lá, pegou um pano em algumas das gavetas, molhou na mesma água congelante e colocou no meu rosto que provavelmente estava avermelhado.


Aaron entrou na cozinha, encostou-se ao arco da porta e ficou me olhando de forma repulsiva. Minha mãe olhou para ele e voltou a dar atenção aos meus “ferimentos”. Depois de muito tempo debaixo d’água, comecei não sentir mais meus dedos e ela desligou a água, apenas mantendo meu rosto com o pano molhado.


– Você, senta – ela se dirigiu a Aaron, que fingiu que não estava ouvindo – Não se faça de surdo!


Eu me sentei à mesa junto com ela, Aaron também se sentou, porém não conseguia olhar para mim.


– Pai olha... – tentei começar.

– Olhar o que Sebastian? Meu Deus, o que acontecia nessa casa? Eu... não sei onde... o que... aaah... – suspirou.

– Pai, eu jamais fiz algo para envergonhar você... Era só uma... Vontade. Sei lá, minha companhia constante era Oliver, então aconteceu com ele, não que isso aconteça até hoje, quero dizer, com ele.


Minha mãe pegou a minha mão e sorriu.


– É o Connor, não é? – sorriu ainda mais, apenas abaixei a cabeça – Ora, eu sou sua mãe Sebastian...

– Não estamos falando de uma garota Mei, estamos falando de um rapaz, que tem a mesma coisa que ele!

– E daí? Faz o meu filho feliz, fez o meu filho mudar, faz meu filho se sentir completo. – ela apertou minha mão.


Meu pai balançou a cabeça negativamente e encarou o nada. Eu não sabia muito bem o que sentir, mas mesmo ele tendo me agredido, eu jamais conseguiria seguir em frente, sem meu pai.


– Você vai me deserdar? Se quiser... Tudo bem... Quero dizer... Eu acho que entendo...

– Eu não conseguiria – meu pai não me olhou – só... Dê-me um tempo.


Ele se levantou, me deixando com minha mãe.


Notas finais
Waisenkind - Criança órfã, em alemão. Retirado do livro "A Mala de Hanna"
Gostaram? Tá horrível? Morreu com a minha tentativa MUITO falha de fazer um início de lemon? Realmente, Duality é melhor que eu pra isso. Merecemos reviews?