Mizpá
27 Fight All Your Fears
Notas iniciais
Eu sei que era pra eu ter postado ontem, que foi quinta, mas..
Desculpa ♥
Let's go to the capítulo por que eu não tenho mais o que falar. ÇS~]AÇAÇ
Os dias passaram; alguns se arrastando de forma quase perturbadora e outros, passando tão rápido que nem se percebia. Eu fiquei no hospital por alguns dias, minha mãe acabou descobrindo que eu estava faltando à psicóloga e por isso, eu recebia algumas consultas no hospital, já que eu não poderia sair de lá mesmo e dona Mei já havia dito que eu a receberia em casa. Certo dia, meus pais decidiram que precisavam conversar comigo, não que isso seja algo ruim, mas provavelmente, não seria bom.
– Sebastian, você entendeu porque está aqui, não entendeu? – minha mãe começou.
– Sim mãe e serei sincero em dizer que não aguento mais ficar aqui – cocei o nariz e meu pai torceu o nariz.
– Não adianta nós querermos que você fique bem, mas você não se esforça, Sebastian – meu pai disse rapidamente – a psicóloga disse que você não parece pronto para encarar isso, mas meu filho... – ele fez uma leve pausa e respirou – você não sabe o quanto foi desesperador ver tudo o que me restou, desmaiado ao pé da escada.
Aqui no hospital me davam analgésicos sem que eu percebesse e quando eu via, já estava dormindo. Diferente de quando estava em casa, aqui eu não sonhava, apenas dormia, meu corpo relaxava e só; meu pai disse que por mais incrível que pareça, minha aparência havia melhorado e soltou até uma piadinha dizendo que meu cabelo parecia estar mais azul.
Só que eles tinham razão; eu não estava me esforçando o suficiente. Não precisava ser um gênio para perceber que eles estavam tentando a acostumar meu corpo a dormir e como eu estava dormindo tranquilamente, eles estavam achando que estava dando certo, mas como eu poderia saber qual soro está com o medicamento ou não?
Eu preferi deixar como estava, talvez esse medo que eu havia desenvolvido sem necessidade fosse embora e eu poderia ter uma vida normal, ou quase, tanto faz.
– No dia que eu vim pra cá, sonhei com ela – os dois se entreolharam – ela é meio psicopata, se querem saber.
– Como assim, filho?! – minha mãe disse espantada – por que não nos contou que os sonhos voltaram?
– Porque eles nunca foram – pisquei tranquilamente, observando suas expressões confusas – ela nunca se foi e nunca irá, ela já me disse isso, eu apenas parei de me assustar com ela, quero dizer, às vezes ela me pega de total surpresa, mas com o tempo ela acaba se tornando uma parte de você e não se torna mais um incômodo. – fiquei em silêncio algum tempo, esperando que absorvessem toda aquela informação – ela disse que ia me levar pra lá, que seria apenas eu e ela e o nosso... hã... “amor” – fiz aspas com os dedos.
Meus pais ficaram espantados, não esperavam aquilo dela. Depois dessa, pude sair do hospital e ir para casa, foi uma chuva de psicoterapeutas e o inferno a quatro, como se eu fosse uma criança violentada – apesar de estar mais para violentador – e todos eles mantendo o foco na minha Somnifobia.
E com isso, mais e mais dias foram passando e decidiram fazer o primeiro teste; eu não iria dormir sedado, deitaria e esperaria o sono vir naturalmente, sem que me tornasse um viciado em rivotril.
– Quando ela disse dormir, tenho certeza que era em sua cama, Sebastian – novamente meu pai tentava me despachar para a minha cama, mas eu realmente não estava pronto pra isso – Xô, sai fora.
– Deixe-o Aaron, é a primeira vez dele em anos – ela me abraçou novamente e me apertou em seu peito, dei a lingua para o meu pai, que me olhou repreensivo – depois ele vai pra cama dele, agora deixe-o aqui.
– Ele é um homem de vinte e um anos e um metro e oitenta e seis de altura, Mei! Fica realmente difícil ficar confortável quando eu mesmo já tenho um e oitenta e quatro.
Minha mãe fez uma cara engraçada.
– Eu não sinto incômodo e eu nem sou baixa – deu os ombros, realmente, meus pais eram relativamente altos.
– Se você tinha planos Senhor Aaron, é bom esquecê-los – gargalhei e ele me tacou um travesseiro.
Novamente, aquele sentimento de amor incondicional emanava dos dois, os risos angelicais da minha mãe e os carinhos que eu finalmente havia conseguido reconquistar do meu pai havia feito que eu sentisse a mesma sensação mágica de quando eu estive naquela arvore rósea. E depois de anos, eu pude dormir, em paz.
E não era para sempre.
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– Senhora Kluivert – eu podia ouvir a voz alterada dela vindo do andar de baixo – não minta, por favor.
– Ele apenas não quer atendê-la, oras – minha mãe disse tranquila – pode tentar ir ao quarto dele, se quiser.
Eu não ouvi mais nada, apenas passos raivosos indo em direção a minha porta, fechei meu navegador onde estava jogando Battlefield 3 já que não iria, nem tão cedo, voltar a jogar por causa do furacão que estava por vir. Ouvi três batidas relativamente altas na porta de madeira escura e me importei em levantar.
– Sebastian, pode fazer o favor de abrir essa porra dessa porta? – me mantive calado – Vai ficar que nem uma garotinha a essa altura do campeonato? Eu realmente preciso falar com você, droga!
Continuei olhando para porta sem pretensão de abri-la; olhei para o notebook e vi a proteção de tela, que era uma foto minha com seus pais, que havia tirado um dia desses aí, depois de ter dormido com eles. Ouvi alguns ruídos raivosos vindo do lado oposto da porta, poderia jurar que Jolene viraria o Hulk.
– Porra Sebastian! – a voz dela apesar de alta, estava relativamente fina – Você sumiu por quase um mês e meio, eu quem deveria estar morta de raiva de você! Não atende minhas ligações, não me atende quando eu venho aqui, você é um monstro, Sebastian!
Pude ouvir um soluço que falhamente tentou ser impedido e levantei da cama, abrindo a porta rapidamente e dando de cara com Jolene; ela estava mais magra do que me lembrava, tinha olheiras, seus cabelos estavam presos ao um improvisado rabo de cavalo e ao redor de seus olhos mel estavam avermelhados, denunciando que ela estava chorando há muito tempo.
Ela me encarou, ainda chorando silenciosamente e me abraçou com desespero; ela realmente parecia estar sentindo a minha falta e precisando do meu apoio. Jô se agarrou a minha camisa, me puxando contra seu corpo e escondendo seu rosto em meu peito, abafando todos os seus soluços.
– Aah Sebby – soluçou – eu preciso tanto que você vá lá! Eu não consigo mais trabalhar, nem chegar perto daquele corredor por... – soluçou novamente – que é tão doloroso, tão doloroso, eu não consigo ser forte por mim e por ele – ela se engasgou com o próprio choro – como você fazia.
Ela continuou dizendo mais algumas coisas que seu choro não me permitiu decifrar, eu apenas lacei meus braços em sua cintura e a apertei mais, tentando confortá-la.
– O que está acontecendo, Jô? – apoiei meu queixo no topo de sua cabeça.
– Você precisa... ver para... entender.
Apesar de estar tentando acalmá-la, sabia que ela estava falando de Connor e sabia que, para Jolene, minha tão amada dama de ferro estar chorando, era algo que não era realmente do controle dela e isso me desesperava; Jolene segurava as pontas em todos os momentos e quando eu digo todos, são todos mesmo.
– Ok Jô, nós vamos lá, posso trocar de roupa? – ela me soltou e entrou no quarto – é bem rápido.
Deixei Jolene na cama e fui rapidamente para o closet, tirando a calça de moletom preta e troquei por uma jeans, continuei com a blusa de mangas compridas e coloquei um tênis. Fui ao banheiro e escovei os dentes, quando voltei ao quarto, percebi que Jolene não chorava mais, apenas olhava algumas coisas no meu computador e não me importei.
– Cuidado pra não achar os pornôs, Jô – ela gargalhou e me senti mais aliviado ao ver seu sorriso.
– Em que pasta está? Algo tipo “documentos importantes” ou na pasta Temp do Windows?
– Só eu uso isso, tá escrito “pornô” mesmo – ela riu mais ainda – seu sorriso está me deixando feliz também Jô, vam’bora.
Saímos de casa e pedi para o motorista me levar até a King London. Como estava na cara que Jolene queria perguntar algo, um clima um tanto desconfortável se instalou no ambiente, eu percebi que ela estava tentando pensar nas palavras em que devia usar, perguntei primeiro.
– Diga o que quer Jolene.
– Por que você sumiu Sebastian? – ela foi muito mais direta do que eu – Deixou de gostar de nós ou... ficou envergonhado com o episódio?
Para falar a verdade, eu preferi me cuidar a ter que me preocupar com Connor, mas não acho que ela interpretaria de boa forma.
– Aconteceu “n” coisas Jolene – olhei para o retrovisor, vendo o motorista dirigir tranquilo – eu precisei me afastar, eu torturei meus pais demais e eu precisei, às vezes até mesmo sem ter vontade, de me cuidar. Eu comecei a dormir sozinho, sabia?
Os olhos mel de Jolene brilharam de admiração e surpresa.
– Isso é tão... Nossa Sebastian! – ela sorriu radiante.
– Minha mãe teve a mesma reação, mas não é sempre que eu consigo dormir, mas consigo.
– Ela parou de aparecer?
Realmente, agora que Jolene havia dito não me lembrava de ter visto Iullia e aquilo fazia um tempo. Continuamos conversando até que o motorista parou e saímos. Durante todo o percurso, não falamos nada; fui até o andar de Connor, Jolene continuou calada, bati quatro vezes na porta e percebi que não havia som algum e Jolene continuou calada e dessa vez, de cabeça baixa.
O que estava acontecendo?
– Aqui – ela entregou a chave do quarto, senti minhas pernas tremerem, aquilo não era comum, não mesmo.
Peguei a chave de sua mão e a coloquei na fechadura; ouvi outro soluço de Jolene e tirei a mão da porta como um reflexo, tentando imaginar como encontraria Connor, se é que eu o encontraria. Suspirei fundo, percebi que minhas mãos tremiam intensamente, expire e inspire Sebastian, mas aquele mantra, obviamente, não estava funcionando.
Botei a mão na porta novamente e girei a maçaneta; eu ainda não havia visto nada, mas mesmo assim, minha mente gritava dizendo que havia algo errado, que eu não deveria entrar naquele quarto, que deveria virar as costas e ir pro meu Battlefield, mas meu coração palpitava só de imaginar em ver meu pequeno Connor novamente.
O medo rodopiava a minha mente, eu estava com a porta apenas entreaberta, sem condições alguma de abri-la totalmente. Jolene tampou os olhos como não tivesse condição psicológica nenhuma em ver a cena a seguir e aquilo foi basicamente a injeção de adrenalina que eu precisava ou... não.
Notas finais
Eu também u_u, mas segunda vocês saberão o que se trata.
Até~
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