Mizpá

4 Daddy and Mommy


Notas iniciais
Olá queridos ~
capitulo revisado, mas se algo passou, perdoe-nos ): .

- Como assim, ficar mais um tempo? – minha mãe estava com uma expressão confusa.

- É mãe – disse folheando uma revista qualquer – Connor ainda não está bem, só até ele ficar melhor.

- E quem diabos é esse Connor? – meu pai arqueou a sobrancelha – Você já teve alta, Sebastian.

Suspirei e joguei a revista na poltrona, eu nem sequer sabia do que ela se tratava.

- Connor é meu amigo pai – disse entediado – como ele teve ataque ontem, ele não ta falando... Mas quando ele começar a ficar mais “consciente” – fiz aspas com os dedos – Eu converso com ele que estou saindo, só pra ele não ficar chateado.

Meu pai de longe era uma pessoa que se importava com as outras ao seu redor; egoísta que só ele, ele jamais entenderia que Connor era especial para mim de certa forma, não porque nos envolvíamos de formas sexuais várias vezes durante a minha estadia por aqui, mas sim porque ele era o único que sempre estava ao meu lado, independente de qualquer coisa.

- Ele tem mãe e aqui tem enfermeiras Sebastian. – disse ríspido.

- Diferente de vocês, ele nunca me abandonou por ser considerado um louco, Aaron.

Minha mãe me olhou espantada e imediatamente uma lágrima solitária rolou dos seus olhos, meu pai estreitou os olhos, me repreendendo por falar algo como aquilo, já que aquilo sempre foi um assunto delicado.

- Não saio daqui sem falar com ele e acabou. – ignorei os dois.

- Nós nunca lhe abandonamos – minha mãe disse segurando o choro – você precisava de ajuda Sebastian!

- Vocês me culparam por um acidente, cacete! – alterei minha voz e minha mãe soluçou.

- Tenha pena de sua mãe, Sebastian! – Aaron foi até Mei e a afagou – Tudo bem! Quando seu amiguinho ficar melhor, nós voltaremos e buscamos você.

Eles saíram do meu quarto, me deixando sozinho com a minha própria fúria. Eu sinceramente não sabia se estava querendo voltar para casa, não que seja uma má idéia, mas o clima ruim que ocorreria em determinadas situações, como na hora do jantar ou coisa parecida, seria praticamente insuportável. Mesmo sendo praticamente dez horas da manhã, ouvi risadas femininas pelo quarto, aquela porra daquela garota já estava me irritando.

- Já está feliz, sua vagabunda?! – olhei pelo quarto, tentando achar onde ela estava, mas ela parecia ter ficado ofendida com o meu leve adjetivo, já que eu nunca a tratei daquela forma – Já não basta à falta da sua presença, agora você vai ficar me infernizando em pleno dia? Como se você já não fizesse... Você é uma carente e presepeira, já era assim viva e ficou infinitamente mais agora morta!

Peguei a revista que estava na poltrona e a joguei com tudo na parede; minha mente parecia que ia fritar e sentia o sangue fervendo correndo pelas veias, aquela sensação de que seu corpo inteiro estava pegando fogo era o que estava acontecendo.

O que me deixava louco é que invés de meus pais colocarem uma pedra em cima de todos aqueles problemas, eles fugiam, apenas acumulando mais e mais e faziam de conta que nada estava acontecendo, quando algo realmente estava acontecendo. Eu precisava esvaziar e imediatamente, não poderia gritar, pois se não poderiam dizer que eu estava tento um ataque e isso me manteria mais tempo aqui, na falta das opções, depositei toda a raiva que sentia no punho esquerdo e soquei a parede, sentindo minha pele rasgar e arder, soquei-a novamente, sentindo o ardor aumentar e a pele rasgar ainda mais, deixando a pele dos meus dedos mais ralados e avermelhados.

- Talvez eu realmente esteja ficando louco... – sorri e coloquei as mãos na nuca. Os passos voltaram e o meu pequeno espelho redondo, que estava pendurado na parede, se espatifou no chão, espalhando pedaços de vidro para todos os lados.

Suspirei impaciente e fui até onde estava a maior concentração dos cacos de vidro, abaixei para pega-los e vi o rosto dela nitidamente; choroso e raivoso ao mesmo tempo e pude perceber que não teria paz tão cedo. A mão dela se esticou, parecendo que ia me tocar e eu me assustei, jogando o pedaço de vidro no chão e por descuido, me cortando.

- Puta que pariu...

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- Oh, ele vai ficar bem triste com a noticia, meu amor.

- Eu sei, por isso que eu prefiro explicar.

Jolene estava com uma pequena pinça, tirando os pequenos cacos de vidro que tinha no meu corte. Obviamente Jolene como enfermeira, sabia qual era o meu problema e eu não precisava ficar se fazendo de estabanado e ficar dizendo “apenas caiu” ou “eu esbarrei”, porém dessa vez eu disse para ela que tive um desentendimento com meus pais e por raiva, soquei o espelho.

- Você vai fazer falta, benzinho – ela molhou o algodão em alguma coisa e limpou o ferimento – Connor com toda a certeza vai ficar bem pior quando souber que você vai embora...

- E você acha que as cantorias dele não vão me fazer falta? – sorri de canto – Ele é todo inesquecível, assim como você – fiz um biquinho, pedindo um selinho, ela riu e me deu um.

Como os dedos estavam ralados e o corte – relativamente grande — era na palma da mão, ela precisou enfaixar apenas pra não ficar expostas a aquela poeira toda e que uns dois dias ou amanhã de noite mesmo já poderia tirar. Me levantei da pequena maca que tinha na enfermaria e fui em direção a porta, quando senti meu braço ser puxado.

- Vá ficar um pouco com ele Sebby. – ela disse – Não sei se ele já te falou, mas ele gosta bastante de você e ninguém conseguiria acalmá-lo daquela forma como você fez ontem... Mesmo ele estando calado... Fique com ele.

Aquela declaração parecia me aquecer por dentro; Dei um beijo em sua testa e fui até o quarto de Connor, onde o encontrei sentado no chão, abraçando os joelhos e imóvel, nem sequer piscava. Eu me agachei e fui engatinhado até ele, como ele sempre fazia quando queria alguma coisa, toquei os seus cabelos e mordi levemente suas maçãs faciais, que eram as coisas mais gostosas de serem mordidas no mundo.

- É uma pena que essa pode ser a última vez que toco você... – o abracei por trás, ficando assim durante o resto do dia.

Notas finais
Reviews? ;3