Mizpá

9 After The Storm


Notas iniciais
Oh, perdoem-nos pelo atraso. Tanto eu (Duality) quanto a Gaeul estivemos um tanto ocupadas. E sim, preciso postar pelo perfil dela já que por problemas estranhos do Nyah, não sou adicionada como co-autora.
Enfim, espero que gostem do capitulo ~

Connor observava todos os meus movimentos sorrindo de forma boba enquanto me arrumava. Já era tarde da noite e Jolene que estava segurando as pontas para que eu ficasse lá mais um pouco, entretanto já havia catorze ligações da Senhora Kluivert. Quando peguei as chaves em cima da cômoda, ele praticamente ronronou e inflou as bochechas, fazendo um imenso bico por eu já ter de ir embora.

- Eu fiquei o dia todo com você, senhor manhoso – seu bico ficou infinitamente mais fofo – Connor...

- Fica mais um pouquinho Sebby – falou mais manhoso ainda – por favor...

- Estou aqui desde cedo, você não cansa? – ele negou com a cabeça – Percebi

- Prefiro me cansar de você estando ao meu lado do que você estando longe.

Sorri e fui a sua direção, beijando sua bochecha. Uma leve chuva caia lá fora, mas nada comparado a de quando cheguei à psiquiatria; o meu celular vibrou em cima da mesma cômoda que estavam às chaves, assustando-o, “Mãe” aparecia na tela, com uma foto dela com a boca cheia de marshmallow.

- Sim mãezinha – Connor me olhou curioso – Eu já estou indo... Sim, ele está comigo... Ok... Beijos.

- Estou começando a ficar com ciúmes da sua mãe – torceu o nariz.

- Eu não faço com ela o que eu fiz hoje com você, mas ela me deu a vida, então vocês estão empatados – ele gargalhou e eu me sentei na cama, olhando nos seus olhos brilhantes – Promete que vai ficar bem?

Ele jogou suas pernas em cima de mim, pousando-as em cima das minhas, passou os braços na minha cintura e se aconchegou no meu peito. Connor tinha mania de me fazer de travesseiro, em todos os momentos.

- Se você voltar em poucos dias, sim. – fechou os olhos, me puxando para mais perto.

- Não posso fazer isso meu bem – ele me apertou – Meu pai vai reclamar até não agüentar mais...

- Deixa ele falar! Você não vai me abandonar, né?

Chantagem emocional era o segundo nome de Connor, apesar de saber que eu jamais o deixaria, ele sempre conseguia fazer com que minha consciência pesasse mil elefantes, apenas para ter certeza que o que ele quer, aconteça realmente. Jolene sofria mais isso do que eu, já que ela era mais coração mole, porém eu não ficava muito atrás.

- Perto do rio, pelos barcos, é onde todo mundo vai estar sozinho e eu posso dizer nos teus olhos que você nunca esteve à beira do rio – cantei a música que ele tinha uma certa mania de cantar e beijei seus cabelos macios – Agora eu preciso ir...

Tirei suas pernas de cima das minhas e me levantei, botando as chaves e o celular no bolso. Ouvi o som da cama ranger, provavelmente ele havia se levantado também, entretanto eu já estava mais a frente a ele, girando a maçaneta.

- Sebby... – ele disse com uma voz infantil e depravada, me virei querendo saber o que ele queria e me arrependi.

Ele mordia os lábios de forma assanhada, com um sorriso infinitamente malandro no rosto e com seu olhar mais felino impossível. Ele estava em pé, nu, passando seus longos dedos brancos pelo seu abdômen levemente arranhado; na mão esquerda seu indicador foi até a virilha e voltou para o peito e com a direita ele pôs a ponta do dedão na boca, mordendo-o.

- Me veste?

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- Você foi atropelado? – minha mãe me olhou de forma engraçada.

- Hã? – joguei as chaves na mesa de centro – Atropelado? Claro que não.

Não necessariamente por um carro, lógico.

- Que roupa amassada é essa, meu filho? – pôs as mãos na cintura, cheguei perto dela e beijei sua testa.

- Peguei chuva e fui esmagado por Jolene e Connor, impossível a roupa não ficar amassada.

Minha mãe gargalhou e me abraçou forte, mexendo nos meus cabelos úmidos pela chuva. Ela me soltou e cruzou os braços de forma ameaçadora por estar molhado e na cabeça dela isso significava que eu poderia ter câncer. Subi as escadas e fui até o meu quarto, que eu ainda estava tentando me acostumar a chamar de “meu”. Ficar longe de um lugar por quase quatro anos, era difícil falar que aquela era a minha cama, meu closet, computador e essas coisas, eu me sentia uma criança adotada.

Tirei toda a vestimenta molhada e me olhei no espelho; Connor havia exagerado de forma visível – não que ele esteja em um estado melhor, claro – nos arranhões e chupões. Aquela brincadeira de vestir foi muito mais divertida do que eu esperava e quase o seu objetivo foi atingido, que no caso era não voltar para casa.

- Só espero que ele fique bem... – falei sozinho e fui em direção ao banheiro, tentando tirar todo aquele cheiro de sexo que estava impregnado no meu corpo. Liguei o chuveiro e senti a água escaldante escorrer pelo meu corpo e relaxar todos os meus músculos e sinceramente eu realmente precisava daquilo, anos em uma psiquiatria não faziam bem a ninguém.

Ouvi o barulho de alguma coisa cair no meu quarto e desliguei o chuveiro, enrolando a toalha na cintura e correndo até o quarto, para ver o que estava acontecendo; minhas coleções de CD’s que eu paguei fortuna estavam no chão, algumas capas abriram com o impacto e outras ficaram intactas. Ouvi algumas batidas na porta e com a voz de uma das empregadas da casa disse serenamente.

- Senhor Sebastian, aconteceu alguma coisa? Sua mãe está preocupada...

- Eu tropecei – respondi, andando até o closet e peguei uma blusa, antes que minha mãe arrombasse a porta – Pode ficar tranquila e diga para ela que já estou descendo para jantar.

Ela disse um rápido “sim senhor” e saiu da porta. Sequei-me com a toalha e me vesti, voltando para o quarto onde dei de cara com Iullia, meu fantasma particular; Ela me olhava de forma estranha e estava de braços cruzados.

Continuamos nos olhando por alguns minutos antes que ela misteriosamente sumisse como fumaça. Suspirei cansado, me perguntando até quando duraria aquele pequeno inferno.