Mizpá

20 We Can Be Your Family


Notas iniciais
Oi gatos e gatas *w*
Gaeul is in da haus nnnn
Ai parei.
Vam ler, vam? :3

Minha mãe tentou da forma que podia amenizar as coisas, mas mesmo assim, meu final de semana foi um desastre total. Meu pai não dirigiu a palavra a mim, nem sequer um bom dia ou um sorriso, ele se manteve no escritório ou no quarto o tempo todo e não descia para nada. Me pergunto se ele conversaria com Simon, pai de Oliver, que aquele sim era preconceituoso, ao extremo.

Não, apesar daquilo tudo, meu pai não era preconceituoso. Ele era do tipo “viva conforme a sociedade manda” e tudo mais, esse era o motivo por não gostar como, por exemplo, do meu cabelo; talvez por sido tão reprimido quando mais novo, ele tinha esses limites de ver a normalidade de ser “diferente”, mas isso sinceramente não importava muito agora.

Já era quarta feira, eu não havia ido ver Connor, o que provavelmente o faria ficar uma fera, mas eu não queria... Não sei. Talvez meu pai não gostasse, ficasse chateado por não entender ou...

Está falando coisa com coisa Sebastian.

– Querido? – minha mãe chamou na porta, dei pause no videogame – Vamos sair?

– Nesse frio mãe? – olhei pra janela, era tanta neve que não me deixavam sequer raciocinar.

– Dez minutos para se agasalhar, querido. – saiu da porta e me deixou sozinho.

Bufei e tirei as três cobertas que me agasalhavam, minha mãe quando queria alguma coisa, não sei por que, conseguia e o pior; ela nem sequer precisava implorar. Troquei a calça de moletom por uma jeans escura, tênis, uma blusa roxa, outra blusa de mangas compridas e um casaco, a touca e as luvas. Peguei o DS que estava em cima da escrivaninha e desci, vendo minha mãe colocar o sobretudo preto e meu pai estava sentado na poltrona que até outro dia, minha mãe que ocupava.

– Tem certeza que não quer ir, querido? – ela perguntou rapidamente, ele negou com a cabeça – ok.

Ela deu um rápido beijo nele e me chamou com o dedo, indo em direção a porta.

– Até mais, pai.

Não houve resposta.

Entrei no carro no banco do passageiro e deixei minha mãe me guiar, enquanto me distraia com o DS. Ela não disse nada, apenas dirigiu calmamente até o destino, que eu sinceramente não sabia onde era, entretanto, eu não a enchia de perguntas que eu apenas pensava no meu pai, que provavelmente não quis ir ao destino por minha causa e isso sinceramente, me machucava.

– Meu bem, não fique tão chateado assim – ela parou no sinal.

– Como não ficar mãe? Ele é meu pai... – Não tirei a atenção do DS – Ele parece tão chateado.

– Eu conversei com ele – fez uma leve pausa e voltou a dirigir – Ele disse que ficou chateado sim, por você fazer algo pelas nossas costas, de não nos contar sobre a sua opção sexual...

Dei pause no DS e olhei para ela, incrédulo.

– Como assim, não contei? Eu tinha dezesseis anos quando comecei a sair com garotos, imagine o medo da reação de você quando descobrissem que o tão perfeito Sebastian era uma dualidade? E senti mais medo ainda quando Oliver disse que estava querendo alguma coisa, fiquei receoso, mas o que eu tinha a perder?

Minha mãe riu.

– É mesmo, até por que, até eu fiquei com algumas primas – arregalei meus olhos – Enfim chegamos.

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– Mas... O que é isso na sua testa? – Jolene me olhou assustada.

– Não fiz o dever de casa, minha mãe me espancou – Mei gargalhou – Onde está Connor?

– No quarto dele – disse ainda olhando pra minha testa – Ele está bem revoltado. Sumiu por quê?

– Problemas – Mei sorriu e piscou para Jolene – Vamos logo Sebastian, larga esse DS!

Botei o DS no bolso do casaco e fomos até o quarto do pequeno príncipe. Andando pelo corredor, minha mãe pegou na minha mão e a apertou. Olhei para ela e ela apenas sorriu, fazendo com que seus olhos sorrissem junto. Quando chegamos na porta de Connor, dava pra ouvir sua cantoria de lá, mas eu olhei para ela, querendo saber o significado disso tudo.

– Por que quer conhecê-lo? – não tínhamos soltado as nossas mãos.

– Tudo o que é especial para você, é para mim também, filho.

Sorrimos e eu bati na porta três vezes; a música Niggas in Paris dava para ser ouvida, arrancando pequenos risos da minha mãe. Que porra aquele garoto tava fazendo? Só pedindo pra Jolene trocar a medicação do dele, por que...

– What's Gucci my nigga? – cantou ao abrir a porta – Sebastian! – me abraçou forte, nem percebendo a minha mãe ao meu lado – Por onde você esteve seu cretino?! Aposto que...

Seus olhos se arregalaram ao encarar minha mãe; ele me soltou depressa e olhou perdido para todos os cantos, tentando não encará-la. Mei riu e acariciou os cabelos sedosos de Connor.

– Não precisa ficar assim – continuou sorrindo – Meu nome é Mei, você é o Connor, né?

– Prazer em conhecê-la, Senhora Kluivert – minha mãe fechou a cara – O que foi? – disse com medo.

– Nada de Dona, Senhora e qualquer coisa, Kluivert. Meu nome é Mei e você deve me chamar assim.

– Claro – ele sorriu e pude ver nos olhos dela que ela se tornou tão apaixonada por aquele sorriso infantil quanto eu.

Entramos no quarto e conversamos, conversamos, conversamos e conversamos. Connor parecia encantado com a minha mãe, dizendo que éramos muito parecidos, porém ela não tinha o costume de se fazer um enigma, como eu normalmente fazia; ela falava o que sentia e pronto. Dizia também que nossos olhos eram super parecidos e ficou revoltado quando minha mãe disse que ela era realmente japonesa e eu nunca havia lhe dito nada. Como uma criança, fez Mei de dicionário Japonês-Inglês e perguntou milhares de coisas pra ela, até mesmo como escrevia nossos nomes em kanji.

Minha mãe estava se divertindo; acho que em toda sua vida, jamais havia encontrado uma pessoa tão curiosa. Eu sempre me achei observador, entretanto minha mãe era infinitamente mais, pior que ela, somente Aaron, enfim, como uma boa observadora, percebeu que Connor era normal demais para estar naquele lugar.

– Connor querido... Posso lhe fazer uma pergunta que meu marido julgaria como indelicada?

– Você indelicada? Jamais, pode perguntar qualquer coisa. – sorriu – Cruzes, até a mania de sentar de pernas cruzadas vocês dois tem!

Automaticamente, descruzamos as pernas.

– Bom... Por que você, uma pessoa tão doce, está aqui?

– Mania de perseguição – respondeu calmamente, Mei apenas o observou – Eu apanhava demais quando criança, então se por um acaso eu ouvir barulhos constantes de passos ou se alguém abrir a porta sem bater antes, tenho uma crise, elas tem sumido bastante, mas as vezes eu tenho sem motivos algum.

A boca da minha mãe caiu imediatamente.

– Apanhava?! Mas e a sua mãe?

– Se por um acaso se metesse, apanhava junto, então ela preferia fingir que nada estava acontecendo.

– E como está hoje... Assim, em relação de ter vivido em um lugar tão ruim?

Ele sorriu mais abertamente.

– Apaguei tudo e coloquei Sebby e Jolene como minha família, eu só preciso deles, não de Bruce e Louise.

Minha mãe se levantou e abriu os braços, com um sorriso envergonhado. Ela provavelmente ficou tocada com a história de Connor e o fato de estar gostando dele só piorava o caso ainda mais.

– Posso ser a mãe que Louise não foi para você, Connor?

Connor se levantou e a abraçou forte. Ele estava chorando, mas dessa vez era de alegria. Tudo o que ele queria era um amor maternal, para protegê-lo de seus monstros particulares debaixo de sua cama.

Notas finais
E aí, estão gostando da história? Cês nem sabem o que espera Sebastian... Hahahaha, parando com spoiler aqui! ♥
Até quinta. :3