Mizpá
7 Three people, a heart
Notas iniciais
Meus pais já haviam chego e estavam conversando com Theo, Jolene estava abraçada comigo, com as expressões mais tristes que um dia eu poderia ver em uma pessoa, entretanto, a pessoa que eu queria ver mais que tudo – não estou menosprezando Jolene, muito pelo contrário – não havia conseguido levantar da cama de tanto chorar e para piorar a situação, eu não conseguia ter forças para vê-lo também. Minha mãe se virou para nós dois e sorriu docemente, Jô apertou mais o abraço.
– Pelo visto você fez ótimas amizades aqui Sebastian. – cruzou os braços e continuou sorrindo.
– Sebby é a melhor pessoa que pude conhecer um dia, Senhora Kluivert.
– Se...bby? – minha mãe gargalhou do apelido que ela havia me dado por preguiça de falar meu nome todo – Você realmente deve ser especial querida! Ele jamais deixou em nenhuma das hipóteses ser apelidado, como você pode perceber, eu mesma como mãe dele tenho que chamá-lo pelo nome, se não ele ficava bravo.
Nós três rimos juntos, aquilo era uma imensa verdade, eu nem sei por que eu aceitei ser chamado de Sebby, nem de querido eu aceitava ser chamado e hoje Connor e Jô me chamavam de tantas coisas, que já virou algo completamente habitual.
– Agora você já pode chamá-lo de lindo que ele até gosta, esse narcisista. – As duas riram.
– Bom... Então eu acho vamos avançar um pouco no nosso relacionamento, não é... Querido?
Ela estava receosa, entre nós – isso incluía meu pai – sempre houve um imenso abismo, até mesmo quando eu era mais novo esse abismo existia. Talvez fosse pelo fato que sempre fui tratado como um gênio e um ser independente e não uma criança que precisa dos pais para andar na rua ou chamá-los para ajudar no dever de casa e até hoje só acho que tive uma irmã para minha mãe por para fora esse sentimento de ser necessária para algo, já que eu mesmo com oito anos de idade já poderia morar sozinho e estar na faculdade, se a justiça permitisse.
– Sim mãe – sorri levemente para ela e ela retribuiu – É... Já temos de ir? – Jolene me apertou mais.
– Não sei querido, Theo e Aaron parecem que se esqueceram da vida – revirou os olhos impacientes.
Meu pai olhou para trás por ouvir seu nome ser mencionado e sorriu de canto, voltando a falar alguma coisa com Theo. Jolene me apertava tanto que eu só estava esperando o momento em que iria ouvir minhas costelas se quebrarem e minha mãe apenas nos admirava como se gostasse da amizade que via ali e posso afirmar que eu gostava demais de Jolene.
Meu pai pegou minha única bolsa e foi andando em direção a porta da saída, senti algo quente molhar minha blusa e pude ver que Jolene já chorava descontrolada, mas segurando seus soluços para não chamar muita atenção. A Mercedes já estava parada em frente ao prédio com o mesmo motorista de sempre, que sorriu por finalmente me ver saindo daquele lugar.
– Jolene – Theo a chamou, pois eu não conseguia mais andar por ela chorar e me apertar tanto – não faça ficar mais doloroso do que realmente precisa.
– Deixe-a Theo – minha mãe acariciou os cabelos mel de Jolene – Você poderá vê-lo quando quiser Jolene.
– NN-ãã-não é-é a mesma co-coi-coisa. – enfiou o seu rosto no meu peito e me apertou mais.
– Não brigue com ela, por favor – olhei para Theo, que apenas balançou a cabeça.
Aos poucos ela foi me soltando e eu a beijei na testa demoradamente, já que nem sequer o nosso selinho habitual eu poderia fazer com ela, não na frente de todos.
– Joleeeeeene I'm begging of you, please don't take my maaaaaaaan. – Alguém gritou.
Ouvimos a voz que tanto queríamos ouvir e olhamos para dentro do prédio; Connor estava correndo em nossa direção, com o rosto inchado, olhos e nariz vermelhos. Ele me abraçou como um foguete, quase me levando ao chão. O cheiro de criança que ele tinha tomou conta dos meus sentidos e quase tive vontade de levá-lo em minha mala. Ele olhou para mim e sorriu do jeito que eu tanto admirava; um sorriso doce, cheio de covinhas e maçãs faciais infladas, senti meu coração parar por pensar em não vê-lo mais.
– Eu te amo – disse baixinho, apenas para que nós dois ouvíssemos – Não me esqueça, por favor.
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“Se eu pudesse te abraçar apenas uma vez... Eu desejaria que você fosse meu amante por um momento.”
Me despedir de Connor e Jolene foram coisas difíceis, e que eu nunca gostaria de ter feito. Minha vida sem os dois seria totalmente sem cor. Principalmente, sem Connor. Mesmo com todas as luzes dos prédios que passavam rapidamente pela janela, que antes eu adorava ver me animavam. Agora tudo pra mim era preto-e-branco. Se antes eu resistia à ela, era por Connor e Jolene, que estavam comigo, de agora em diante, eu não tenho mais por que enfrentar meus medos, não tenho por que querer me curar disso e não tenho o por que de querer melhorar. Melhorar pra quê, por quem? Eles estavam longe de mim. Aaron não permitiria minha volta pra aquele lugar tão cedo, mas quem disse que o que ele falasse ou fizesse iria me impedir de vê-los? Passei anos naquele lugar, que já era tão comum, que sentia como se fosse minha casa. Não me importava de ver crises no meio do corredor, enfermeiros correndo pra lá e pra cá com seringas em mãos. Era rotina. Uma rotina chata e aterrorizante que eu daria qualquer coisa pra tê-la novamente.
Notas finais
Garanto que pra frente, a web fica boa. u_u
Contato: @JubsDolem, falem comigo. u_u
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