Mizpá

26 Give Me All Your Luvin'


Notas iniciais
[Gaeul]
Nada que uma nota alta não faça. Cá estou eu com mais um capítulo de Mizpá - e meu pc de volta - pra alegria de todos!
Vamos ler? :3

Estava tão... frio. Eu não sabia onde eu estava, só sabia que era escuro, úmido e frio. Ao redor havia várias árvores altas e secas, com galhos pontiagudos e estrutura deformada. A grama estava úmida pelo orvalho, o céu era escuro e havia um leve nevoeiro.

– Espero não estar jogando Slender – me levantei do chão e olhei ao redor, não havia ninguém.

Decidi seguir em frente, provavelmente eu acharia alguma coisa. A floresta não parecia ter alguma coisa, assim eu espero, assim dizendo, entretanto, depois de alguns minutos andando, pude ver uma única árvore que não tinha folhas e sim flores, completamente rosa, no meio daquela floresta podre.

Naquela árvore de cerejeira era alta e extremamente linda, nela havia várias lanternas japonesas feitas de papel arroz, pequenas, redondas e de diversas cores, dando ainda mais magia a ela. Eu continuei andando até ela, onde uma das flores voou para mim, pousando na minha mão e voando novamente, em direção à parte escura da floresta.

Eu cheguei mais perto dela, vendo que também havia vários fios também coloridos com um bilhete enrolado na ponta. No tronco tinha um papel verde escrito “Devemos relembrar do passado?” que também voou logo em seguida.

Eu olhei para cima, encarando aqueles milhares de papéis amarrados e estiquei o braço, pegando um papel azul piscina que estava amarrado em uma fita prata. Desamarrei e desenrolei o papel e vi a minha caligrafia junto com a de Connor.

“– Sebastian é um nome bonito, sabia? O meu é Connor e essa é Jolene”

“– Seus nomes são bonitos também, espero que sejamos amigos”

Eu lembrava daquele dia, foi o dia em que os conheci, mais ou menos duas semanas depois de ter ido a psiquiatria, já que quando eu entrei lá, Connor tinha acabado de sair da solitária. Enrolei o papel novamente e o amarrei no meu pulso, para não perdê-lo. Peguei um branco com a fita vermelha e dessa vez, a caligrafia não era de Connor.

“– Parabéns irmão! Que você seja muito feliz hoje e sempre”

“– Obrigado, Iullia e obrigado pelo livro também, eu realmente o estava querendo.”

Eu fui pegando vários e vários papeis, todos com lembranças que às vezes, nem eu lembrava. Até porque, não é porque eu havia esquecido quer dizer que não havia acontecido e muitas das lembranças eu lembrei até de alguns conhecidos de infância, que eu jamais vi depois. Mas mesmo tendo pegado vários papéis, a árvore estava cheia.

Estava cansado e cheio de papéis de diversas cores amarrados no meu pulso, decidi parar, até por que, todas as lembranças que eu havia pegado até agora poderiam ser consideradas neutras ou positivas, nunca negativas. E eu não ficaria aqui para esperar achar as negativas.

Um vento forte balançou as luminárias e um som suave tomou conta do lugar, como se tivessem sinos dentro daquela forma redonda. As flores começaram a cair e se espalhar, sumindo às vezes no céu ou na floresta escura.

– Ele é realmente especial para você – a voz feminina disse recheada de ironia – tanto que o deixou ali, jogado como um brinquedo que não se quer mais.

Olhei ao redor e vi outra árvore de cerejeira, mas essa não havia toda a beleza quanto a minha; ela não tinha mais suas luminárias e tinha muita poucas flores e as que tinham, estavam quase mortas. Os galhos estavam secos e de baixo desses galhos estava Connor, que chorava compulsivamente, com um kimono vermelho sangue, com uma imensa fenda na frente.

Eu corri até Connor e Iullia observava tudo tranquila, como se soubesse o que aconteceria e quando eu alcancei Connor, joguei os joelhos no chão e abri os braços, na intenção de abraçá-lo, mas a única coisa que eu abracei foi o vento. Eu tocava em Connor, mas ele se tornava neblina e quando eu parava de tocá-lo, voltava a sua forma, como uma miragem.


– Pessoas mortas não podem tocar as vivas assim, Sebastian – ela disse tranquila.

– A única pessoa morta aqui é você! – gritei.

– Você não deve passar de alguns minutos, querido – ela andou até a mim, com um sorriso doce nos lábios – e então, eu poderei ter você, somente para mim e ninguém mais irá atrapalhar, tanto esse miserável quanto o encosto do Oliver.

Eu estava... morrendo? Impossível, eu estava com a minha mãe antes de vir para esse lugar escroto, Iullia provavelmente havia feito alguma coisa, não era possível.

– Você está louca! Eu vou voltar para casa e é agora! Eu estava com a minha mãe antes de vir pra cá.

– Mas você não dorme Sebastian – ela coçou o nariz – seu corpo não aguentou, ué.

– Nem venha com essa! Há pessoas do lado de lá que me querem lá.

– E há pessoas desse lado que o querem aqui. Este é o famoso “entre a vida e a morte”, não vai ficar aqui por muito tempo.

“Não importa o quanto machuque tudo bem

Porque eu vou te ver agora

Porque eu senti tanto a sua falta

Durante o tempo em que estivemos separados”

Os sinos tocaram novamente, dessa vez estavam acompanhados com o choro do Connor imaginário, eu me senti claustrofóbico por não saber o que fazer. Senti os braços finos dela passarem pela minha cintura, o seu corpo era quente e pequeno e para mim isso era desesperador, eu não deveria senti-la.

– Agora será apenas eu e você, otooto, eu, você e o nosso amor.

Eu não poderia estar morto, eu não poderia estar morto eu não poderia estar morto...

“Nem em meus sonhos

Eu consigo mudar seu coração

Quando eu serei capaz de te esquecer?”

................................................................................................

Uma luz branca e forte ofuscou meus olhos; eu tentava abri-los, mas eles estavam pesados e as inúmeras vozes e sons constantes latejavam a minha cabeça. Eu não sabia onde estava e quem eram aquelas pessoas, só sei que meus olhos fecharam novamente.


“Sob o céu deslumbrante, eu só quero que você venha

Eu caí em lágrimas e não pude sequer me levantar novamente

Assim como agora, eu estarei esperando por você aqui

Onde você não está presente”


Abri os olhos novamente, o ambiente ainda havia muita luz e meu corpo parecia que havia sido atropelado por um caminhão de no mínimo, trinta rodas. Eu não conseguia me mover, minha visão estava péssima, a única coisa que eu poderia confiar era a minha audição, que até o momento, estava intacta.


– Eu não vou aguentar Aaron... – um soluço baixo pode ser ouvido – meu filho, minha vida, olha como ele está...Oh Aaron, eu não aguentaria ter que enterrar mais um filho, por favor Aaron, diga que nosso filho vai ficar bem.


Os soluços voltaram a tomar conta da sala, aquilo estava me deixando agoniado, o que havia acontecido?


– Ele vai ficar bem, ele é teimoso demais para se deixar morrer agora, Mei. Ele ficará bem, agora vamos para casa.

– Não! E se ele acordar? Ele vai ficar desesperado, ficarei aqui o tempo que precisar.

– Da mesma forma que você precisa dele bem, ele precisa que você também fique, Mei. – Isso não era mentira – vá para casa então, eu fico, não deixarei que durma em uma cadeira de hospital.

Minha mãe tentava a todo custo dizer que estava bem, mas Aaron sabia que ela não estava. Ele estava quase conseguindo levá-la para casa, quando o meu corpo inútil resolveu me permitir controlá-lo, minha mãe já estava perto da porta.


– Hey – os dois viraram ao mesmo tempo e vieram rapidamente até a mim.

– Finalmente! – minha mãe passou os dedos no meu rosto, acariciando-o.


Pude perceber que ela estava com olheiras fundas e meu pai também. Ambos estavam pálidos e beirando a exaustão.


– O que... Houve? – tentei focar minha visão neles.

– Seu corpo não aguentou os dias não dormidos, mesmo você ter dormido dias atrás, não foi o suficiente. – meu pai disse rapidamente – você acabou desmaiando enquanto descia as escadas, ficou em coma por três dias.


Descendo as escadas?


– Eu não desci as escadas, eu estava com a minha mãe o tempo todo. – disse vagarosamente.

– Querido, seu telefone tocou e você foi buscá-lo, na sala – minha mãe piscou rapidamente.

– É comum que não lembre, você bateu a cabeça – meu pai bocejou – vou chamar o médico.


Meu pai saiu do quarto e minha mãe ficou comigo. Agora eu entendia porque Iullia estava me prendendo tanto, eu poderia ficar inconsciente por anos e ela poderia ficar me prendendo lá. Ela realmente estava disposta a querer o meu amor, mesmo sabendo que isso jamais poderia ocorrer.


Pensei em várias possibilidades, nenhuma o meu estômago suportaria, então, preferi decidir dar tempo ao tempo, pois ela com toda certeza, tentaria algo novamente.


Notas finais
Então, gostaaaaram? Essa Iullia vadia e dissimulada! Mas é só o início.
Estão gostando? Como está o desenrolar da história? Está boa? Espero que sim~^^
-
Contém trechos de "ANDANTE - Super Junior", "E.R. - Dalmatian" e "BABY STEPS - TaeTiSeo." ♥