Notas iniciais
Oiiieee peoplezinhas! Bem, capítulo bomba aqui embaixo, hein? Vcs não vão entender muita coisa no final, mas garanto: É MUITO IMPORTANTE. É melhor se esconder debaixo das cobertas, pq o POV MILLENA vai ferver sábagaça aqui!

POV'S ED

– Obrigada, mesmo assim. — Agradeceu Anne, enquanto eu desenhava linhas de fogo na sua testa febril.

– Você precisa de cuidados. — Falei. — É meu dever.

– Você não tem o dever de cuidar de mim. — Ela retrucou. Perde todo o poder, mas não perde a vontade de dizer o que está na telha.

– Também é meu direito. — Retruquei, com um meio sorriso. — E além de tudo, uma promessa.

– Promessa? — Repetiu ela, confusa.

– Eu sou seu Protetor, não esqueça disso. — Afirmei. Raffael havia confiado Anne a mim, e eu iria honrar essa promessa.

– Ah, é, quase esqueci. — Admitiu Anne.

– Nunca mais esqueça que é meu dever cuidar de você. — Me levantei da cama dela que estava sentado e dei um beijo na testa dela e dei as costas.

– Ed... — Ela me chamou. Eu me virei pra falar com ela. — Você acha que Josh ainda pode ser salvo?

– Eu sei que isso é o que você quer, Anne. — Dei um suspiro. — Mas não tenho certeza. Ele tentou me matar e quase matou Millena em um gesto impensável. Imagina se ele realmente quisesse matá-la?

Eu sabia que Anne queria mais do que tudo no mundo que Josh pudesse ser salvo. Ele estava afogado em Trevas, eu não sabia nem como salvá-lo.

– Posso te perguntar uma coisa? — Pedi, a tirando dos seus devaneios.

– Claro. — Ela se endireitou na cama, preparada para a bomba.

– Quem foi que te deu esse anel? — Perguntei, apontando para a mão dela.

– Era da minha mãe. — Anne olhou com um carinho imenso para o anel. É, eu também tinha saudade de Miranda. Depois de tanto sofrer, ela não merecia aquela morte.

– Isso é um anel de compromisso. — Arregalei os olhos ao olhar com mais atenção para o anel.

– O quê?

– Sugiro que tire isso o quanto pode. — A apressei. Era um anel de casamento, e anéis de compromisso não saiam do dedo. — Coloque numa corrente de recordação, guarde, enterre, faça qualquer coisa, mas tire da sua mão.

Ela arrancou o anel da mão com uma pequena dificuldade e um gemido de dor. Parecia que estava grudado no dedo. Ela então pôs as mãos na nuca e abriu a corrente do medalhão que eu havia dado a ela. Anne colocou o anel junto na corrente, fechou a corrente com cuidado e pôs o medalhão de novo. Ela levantou a cabeça pra me encarar e eu percebi que tinha uma expressão abobalhada no rosto.

– Você nunca tira o medalhão, não é? — Indaguei.

– Nunca. — Respondeu ela, sincera. Percebi que era uma pergunta meio estúpida. Eu realmente nunca tinha a visto sem o colar.

– Você já viu o que tem dentro? — Eu quis saber, agora um pouco mais animado.

– Tem alguma coisa escrita? — Ela pareceu alarmada. Acho que nunca havia aberto o pingente.

– Tem. — Eu ri da cara abobalhada dela. — Abra.

Ela pegou o pingente e o abriu. Dentro tinha um bilhetinho. Anne o pegou com cuidado e o leu.

Enquanto as estrelas estiverem no céu, eu sempre irei amar você.

Do sempre seu, Ed Dellarge.

Anne pôs o papelzinho dentro do medalhão de novo. O fechou com cuidado e respirou fundo para não chorar.

– Isso é... lindo. — Sorriu ela, com os olhos brilhando. — Obrigada, Ed. Eu nunca pensei que... bem, isso questiona a sua heterossexualidade, mas é lindo. Eu... de um jeito louco e maluco, eu te amo também. Mas eu vou mentir se eu disser que só tenho sentimentos por você.

Murchei como um balão de aniversário. Abri a boca pra falar alguma coisa, do tipo humilhado e pisado, mas então a fechei e comecei a pensar.

– Eu gosto de desafios. — Falei, por final. — E estou me desafiando e te desafiando agora mesmo. Temos três meses pra impedir uma coisa enorme de acontecer. Até lá, você vai me chamar de docinho de coco.

– Odeio coco. — Resistiu ela. — Mas é uma boa ideia. Vou provar pra você o quanto enlouqueceu só por gostar de mim.

– Eu sei que estou maluco, só por viver minha vida pensando em você. — Discursei, filosoficamente. — Então acho que o seu plano não vai adiantar muita coisa. Boa noite, Anne.

Dei um rápido beijo na bochecha dela e saí do seu quarto.

Eu sentia o formigamento só de estar perto de Anne. Era comum. Ela era água, eu fogo, duas coisas que não combinam, mas são essenciais para viver. Calor e vida.

– E aí, como ela tá? — Perguntou Joe, assim que me viu descendo as escadas. Ele estava de pé, o peso jogado nos braços apoiados no sofá.

– Mal. — Respondi. — Ela não consegue acreditar. O humor dela não está muito bom, então é melhor você dar uma subida lá. Está maluca por ter faltado a escola hoje. Quem diria, né?

– Pois é. — Joe deu um suspiro. Percebi as olheiras nos seus olhos, os ombros caídos e a palidez no rosto.

– Joe, você está bem? — Indaguei. Ele fez um sim exausto com a cabeça.

– Diana não foi a escola hoje, minha mãe está no Hospital com ela. — Ele respondeu, cabisbaixo. — Passei o tempo todo falando com Oliver. Se há uma pessoa que fique mais louca do que eu nesse quesito este é Oliver. Ele tá surtando por causa dela.

– Se precisar de ajuda pra uma cura de fogo básica, é só me avisar. — Ofereci.

– Valeu, Ed. — Joe deu o sorriso mais verdadeiro que alguém na terra poderia dar. — Eu não sabia que gostava tanto de mim.

– E não gosto. Mas Diana é uma pessoa legal, e você é amigo da Anne. Você a faz ficar feliz, a faz rir. — Desabafei. — Ela te considera como o irmão que nunca teve e precisa de você agora. A gente precisa de pessoas para se apoiar. Se você aceitar ser o dela, eu aceito ser o seu.

– Você realmente faria tudo por ela, não é? — Joe tinha seu meio sorriso agora.

– Qualquer coisa. — Respondi. — Agora sobe, cara.

– Tô subindo! — Ele riu. Subiu as escadas quase... não, ele estava literalmente voando.

Duas horas depois, Millena desceu as escadas com uma mala verde.

– Millena aonde você vai? — Perguntei.

– Eu não posso ficar aqui, eu sinto muito, Ed. — Millena tinha um olhar tão angustiado.

– Por quê?

– Eu vou ficar bem, vou continuar voltando aqui, eu só preciso... esfriar a cabeça. — Ela esfregou os olhos. — Eu espero realmente voltar.

– E a Belinda? — Me desesperei.

– Ela vai continuar aqui, se você quiser. — Millena suspirou.

– Tudo bem. — Me acalmei. Eu não me lembrava de não ter Millena ao meu lado na minha vida. Como uma amiga, uma irmã. — Pra onde você vai?

– Não se preocupe, eu já dei um jeito. — Ela sorriu. Seus olhos verdes, antes tão brilhantes, agora pareciam que tinham uma teia de aranha tecida neles, ofuscando o brilho.

– Muito bem. Cuide-se então. — Dei um abraço meio desajeitado em Milly. Ela sorriu, cabisbaixa e saiu de casa, trancando a porta atrás dela e levando a mala.

POV'S MILLENA

Comecei a chorar como uma criança assim que atravessei a porta. Já havia um portal me esperando no portão. Respirei fundo e o atravessei.

O frio emanava da Grande Floresta quando cheguei. Ele estava lá, a capa negra ondulando. Uma coroa de prata adornava os cachos escuros. Ele sorriu pra mim.

– Finalmente. — Disse ele, se aproximando. Por mais sinistro que ele estivesse, meu coração pulava. Josh tomou o meu rosto com as mãos e me beijou, forte e intenso. Saborei o gosto de sal que tinha na boca dele. — Conseguiu enganar eles?

– Eu não gosto de mentir, Josh. — Reafirmei a ele. — Não estou gostando desse plano.

– Relaxa. — Ele pediu, sorrindo, terno como sempre. — Quando isso acabar, eu e você vamos subir ao Trono, e eu vou ter você como a minha Rainha para sempre.

– Eu irei aonde você for. — Falei, impressionada com a veracidade das minhas palavras.

– Sério? — Ele deu um sorriso malicioso. Deu um passo para o lado, revelando a pequena barraca em que ficaríamos. — Infelizmente só tem uma cama.

Sorri, tentada pela proposta irrecusável.

– Aceito a proposta. — Fiz um sinal de sim com a cabeça. Josh me puxou para perto dele com um puxão firme na cintura.

– Você primeiro, Milady.

Notas finais
Se escondam pq a coisa tá preta!