Mistérios da Lua - O Retorno da Magia
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Notas iniciais
POV'S JOE
O clima na casa continuou muito tenso depois da partida da Milly. Belinda passava dias e noites no quarto, Anne quase não falava, Ed andava pela casa como um fantasma e eu estava super-abatido. Eu sentia que o humor de todos estava sombrio. Anne deixava a casa cinza opaco, com neblina no caro tapete persa.
– Anne. — Chamei a atenção dela, enquanto andávamos para a Escola. — Josh está bem. Você não contou o que ele disse? Então.
– Eu sinto que alguma coisa rompeu dentro de mim... Como uma corda. — Ela apertou o peito. — Eu não consigo sentir Josh.
– Você o sentia antes? — Perguntei.
– Sim, sempre. — Ela respondeu, encarando o chão. Eu comecei a pensar nisso, mas Anne andava rápido, então fiquei para trás. Apertei o passo e vi uma coisa na nuca dela. Anne deu um gritinho quando toquei a tatuagem no pescoço dela.
– O que é isso? — Questionei.
– Isso o quê? — Rebateu ela, tocando a nuca.
– Se eu bem conheço tatuagens, eu diria que essa é uma. — Semicerrei os olhos para ver se ela mentia, mas ela estava tão consternada quanto eu.
– Isso é impossível. Eu me lembraria de se tivesse ido a um tatuador. — Anne tocava o pescoço. — Com o que se parece? Sempre quis tatuar um corvo.
Afastei o cabelo da nuca dela e vi a tatuagem. Era de lilás opaco, um risco semelhante a uma mola esticada, meio que com um "i" torto.
– Se parece com uma minhoca contorcionista. — Contei.
– Será que foi Josh que tatuou esse negócio? – Ela supôs.
– Eu acho que Josh não teria paciência pra fazer isso. — Descartei a ideia. — Bem, vamos andando, duas faltas na escola e vão achar que a princesa sumiu.
– Como vamos explicar o negócio do Josh pro Lorde Gabriel? — Anne parecia cansada, com olheiras nos olhos, que agora estavam permanentemente negros.
– O bastardo está a solto. — Bufei. Vi o olhar de Anne me perfurar como finas adagas de gelo.
– Não o chame de bastardo. — Ela avisou. Rolei os olhos e continuamos andando para a escola.
POV’S ANNE
– Anne, eu vou ali ao banheiro rapidinho, hein? – Pediu Joe, assim que cruzamos o portão. Resmunguei alguma coisa e assenti, e ele saiu correndo. Andando pelos corredores percebi que os burburinhos ainda me seguiam ah, agora eu sei como o Harry Potter se sentia.
Segui andando até avistar a pessoa que eu não queria, de jeito nenhum, conversar. Suzanne Williams.
– E aí, princesinha? – Ela disse. Segui andando, tentando a todo custo pensar em outra coisa. – Meu avô me disse que você não tem nenhuma chance aqui nesse colégio. Sabe como é, ser criada como uma Ignorante dá nisso.
– Então tadinha de você, não é? – Retruquei, tentando passar pelo corredor em que estavam as três garotas, mas elas ficavam na minha frente, não importava que direção eu seguisse.
– Descobri que agora você tá andando com a Genevieve. – Suzanne apertou os olhos azuis.
– Isso não é da sua conta, ela é só sua cunhada.
– Você não entende, não é? Ela só quer a grana do meu irmão. Genevieve é só é mais uma francesinha vadia neste colégio. – Disse Suzanne, com sarcasmo pingando em sua voz. Meu temperamento inflamou tanto que eu mergulhei em sua direção, sentando minha mão na cara dela, agarrando seus cabelos lisos de chapinha e aplicando um chute nas canelas, que a fez cair com tudo no chão, como uma boneca.
– Nunca mais diga nada que ofenda a mim ou a meus amigos. Ou eu vou sentar a minha mão na sua cara de novo. – Me virei e deixei Stella e Iris cuidando da líder, que tinha uma marca roxa nas canelas e uma marca vermelha nas bochechas. Seu cabelo, arruinado.
– Annelise! Você vai me pagar! – Gritou ela.
– Eu sou a princesa, sabe? – Pela segunda vez eu usava minha grande vantagem sobre ela, mostrar como não importasse a posição dela, eu sempre estaria acima, e nada que ela fizesse podia me acertar. – E se tentar algo contra mim, vai ver como você ficará linda como minha criada especial no Castelo. Agora é guerra.
Ouvi-a grunhir de frustração. Eu sabia que aquela ameaça não a faria desistir, e era por isso que agora era guerra de verdade. Andei rapidamente até minha sala.
– Com licença, professor, eu posso entrar? – Eu sabia a resposta, mas a educação em primeiro lugar.
– Claro, princesa. – Ele assentiu com a cabeça.
– Obrigada. – Sorri como se não tivesse participado de uma briga há dois minutos e entrei na sala rapidamente, para sentar na frente de Genevieve.
– Onde é que você estava? – Perguntou ela.
– Ensinando a Suzanne o quanto dói um tabefe na cara. – Respondi. Genevieve praguejou em francês, mas sorriu. – Ela te chamou de vadia.
– Ela que é uma vadia. Anne, eu não me importo, mas você tem que parar de tentar lutar minhas guerras por mim. Eu preciso ser forte. – Afirmou ela, me surpreendendo.
– Eu sei. – Suspirei. – Mas é meu instinto proteger as pessoas oprimidas dos oprimidores.
– Isso eu percebi desde o começo. – Ela admitiu. – Mas é serio, é legal ser protegida, mas se nem o Daniel quis me proteger da própria irmã...
– O Daniel é um covarde. – Falei firme, porque lágrimas brotaram no rosto de Genevieve. – E não te merece. Se ele não consegue ver a garota incrível que você é, outros irão ver isso. Você é a melhor amiga que eu podia querer.
– Obrigada, Anne. – Ela limpou as lágrimas dos olhos, e sorriu.
Professor Usher se levantou, e falou alto.
– Hoje vamos testar as habilidades de vocês contra inimigos que usam os elementos.
O burburinho logo começou.
– Mas como, professor? – Zoe Ambers perguntou, de lá de trás. – Só tem dois elementais aqui nesta sala. E Joe nem está aqui.
– Zoe, eu vou ensinar vocês um truque muito antigo, mas muito poderoso. – Usher sorriu, vendo o interesse súbito dos alunos. – Os elementais são famosos porque além de controlar os elementos, eles os criam do nada, como a própria Anne pode dizer. Ao longo dos séculos, os elementais foram ficando escassos, e praticamente não há nenhum elemento com mais de um controlador. Apenas quatro elementais para quatro elementos. Annelise Raxel para água, Ed Dellarge para fogo, Millena Belutti para terra e Joe Kingston para ar. Anne tem histórico na família, seu pai foi o ultimo Elemental de água conhecido pelo nosso povo, e sua mãe controlava o ar, elemento em que Anne se dá muito bem. Os Dellarge são a única família em que o fogo sempre esteve presente, em todas as gerações. Sua irmã, Sophie, também era, mas agora ela está em um estado... Delicado. Millena é a primeira Elemental da sua família desde o seu tataravô. E Joe Kingston é tataraneto de John Kingston, um Elemental do Ar. Todos tem histórico em suas famílias. Talvez isso seja hereditário, ou talvez os Senhores se interessem mais por estas famílias. Isto é incrivelmente interessante.
– Mas o que isso tem haver com a nossa aula? – Perguntou Brenna.
– Que se algum de vocês tiver um odre de água, pode controlá-lo com total destreza. – Usher sorriu, vendo as expressões chocadas no rosto de muitos alunos. – Claro, que quando ela acabar ficarão indefesos, mas com certeza chocarão bastante o seu oponente. Anne pode fazer o favor de nos mostrar um pouco de seu dom?
– Claro professor. – Sorri, animada por voltar a controlar a água, meu elemento. O professor posicionou um copo de água vazio em sua mesa. Um pequeno movimento meu com a mão e o copo se encheu de água.
– Obrigado. – Ele pegou o copo na mão. – Como vocês sabem, eu não sou Elemental de água, mas posso controlá-la sem problemas. – Ele levantou a mão na altura no pescoço, fazendo a água se levantar também. Todos o encararam; encantados. A água, no entanto, começou a pingar no chão até sobrar nada. – Agora tentem vocês. – Na mesa de todos apareceu um copo de água vazio. – Anne, os encha, por favor. – Me concentrei e água encheu os copos até a borda. – Como todos sabem, eu não posso simplesmente lhes ensinar uma palavrinha mágica que vocês repetirão e farão a água subir, isso é trabalho para bruxos. Vocês tem que aceitar que a água é sua subordinada, a controlar com fervor. Vocês são mais que este simples copinho d’água, controlem isto.
Todos encararam a água, tentando a controlar. Nada aconteceu.
– Anne, pode me dar uma ajudinha? – Pediu Genevieve, sussurrando.
– Claro. – Sussurrei de volta. – Você não precisa “controlar a água”. Trabalhe com ela. Aceite que ela pode dar vida, mas trazer morte também. Isto é como uma dança, você não dança sozinha, precisa de um par. Sinta como se estivesse dentro desse copo, você anseia em sair.
Genevieve estava com os olhos fechados, assentindo com a cabeça. A água estava se revolvendo, em um pequeno tornado.
– Agora, sinta que está se levantando. Você é a água. – Continuei. – Seu corpo é água.
A água do copo de Genn subiu, flutuando pelo teto da sala.
– Isso mesmo, Genevieve! – Usher riu, fazendo Genn abrir os olhos e a água sumir. – Olhem, olhem como a menina é boa fazendo isso! Seguiu meus conselhos a risca, hein menina?
– Na verdade, acatei as sugestões da minha amiga Anne, professor. – Genn sorriu.
– Bem, o que importa é que conseguiu. – Usher sorriu orgulhoso. A água que estava no teto simplesmente desapareceu. – Um A+ para você.
– Obrigada. – Genn quase saltitava de felicidade. Ela se virou para mim e sussurrou: — Obrigada, nunca tirei um A+ na vida!
– Merece! – Rebati orgulhosa.
– Obrigada, amiga. – Genn corou. Era legal ter uma amiga de verdade, pra variar dos amigos que fugiam dizendo que gostavam de você. Então eu podia colocar ela na lista de amigos verdadeiros de Anne Watern: participantes: três. Joe Kingston, Ed Dellarge e Genevieve Bellcourt.
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