Mistérios da Lua - O Retorno da Magia
9 Amigos são o que precisamos
Notas iniciais
POV'S JOE
– Ela deve estar na varanda. Ela sempre fica lá quando está triste. — Falei. Percebi Ed tenso um pouco atrás de mim.
– Só me leve até ela. — Genevieve pareceu decidida.
– Ok. — Murmurei. Abri a janela e a peguei pela mão. — Que tal dar uma voadinha básica?
Genevieve praguejou em francês, mas assentiu.
– Tudo bem. — Ela confirmou, pegando minha mão. Pulei pela janela, a puxando comigo. Por um momento ela gritou, mas logo se calou. Os ventos batiam no meu rosto, mas era fácil pra mim controlá-los. Dei a volta pelo telhado e lá estava Anne, deitada na colcha estendida.
Chegamos perto dela, e de repente, não consegui passar. Apertei os olhos o suficiente para eu ver o que me impedia de chegar em frente.
– Acho que você não vai conseguir passar desta barreira, Joe. — Genevieve falou. — Anne deve ter criado sem querer, mas é feita de Trevas.
– Ah, tá. — Não consegui esconder minha insatisfação na voz. Coloquei Genevieve no teto acima de Anne, e ela escorregou até cair ao lado da amiga.
Me escondi do outro lado do telhado de Anne, e fiquei abaixado, tentando ouvir alguma coisa. Seja o que foi que Anne fez, eu não ouvi nada. Levantei a cabeça para ver algo e vi as duas olhando pra mim com a expressão de "Joe!" Anne acenou com a mão, me chamando. Genevieve falou algo, rindo. Anne deu um tapa na própria cabeça, e estalou os dedos.
– Pode vir. — Chamou Genevieve. Voei até elas. Anne ainda chorava.
– Você sabia daquilo? — Perguntou ela. Eu sacudi a cabeça, negando.
– Só quando Ed falou. — Respondi. Anne apertou os olhos, e quando os abriu, eles estavam negros como túneis.
– Assim que ele falou, eu me lembrei.
– Eu não acredito que Ed disse aquilo com tamanha ironia. — Genevieve disse, e o sotaque dela ficou ainda mais forte no "ironia".
– Ele não sabia que ela se lembrava. — Dei de ombros. — Vocês viram a cara de desolado que ele fez?
– Josh quase o matou. — Genevieve contou. — Aquele feitiço, é muito poderoso. As Sombras se alimentam da vida que existe nos feiticeiros da Luz. Aquilo o mataria.
– Josh é um feiticeiro das Trevas. — Falei, como se isso fosse óbvio. Genevieve me olhou, indignada, junto com Anne.
– Nem todos os Feiticeiros das Trevas estão loucos para arrancar seu couro fora e usar de estofado, Joe. — Anne disse.
– Mas pode apostar que uma está. — Genevieve ameaçou.
– Tá, desculpa. — Pedi. Genevieve não parecia gostar de mim, e eu não queria dar mais um motivo.
– Mas como Josh não matou Ed? Ele parou antes que fizesse besteira? — Perguntou Anne, com uma pontinha de esperança na voz. Fiquei triste em destruir aquela esperança, mas não tinha jeito.
– Genevieve deu um estalo ninja e as Sombras se aquietaram. — Despejei. — Desculpa Anne, mas a cara que ele fez quando tentou matar Ed disse muito bem que se Genn não tivesse o parado, ele o mataria.
– Meu nome é Genevieve. — A francesa murmurou, mas eu nem liguei.
– Se ele tivesse dois tijolos, ele atiraria os dois na cabeça de Ed. Sem dó. — Continuei. — Se ele tivesse uma "wrecking ball", ele a atiraria na cabeça de Ed. Sem pena. Se ele tivesse...
– Já chega, Joe. — Genevieve mandou. — Nós entendemos.
– Você entendeu que se ele tivesse o martelo do Thor, ele jogaria um raio naquele cabelinho do Ed, né?
– Joe! — Anne riu. É, eu admito. Eu estava fazendo aquilo só pra ela rir. E pelo jeito, consegui.
– Não faça a cara "like a boss", você não tem jeito pra coisa. — Genevieve avisou, e se juntou as risadas.
Ficamos rindo, e depois Genevieve fez sanduíches aparecerem do nada, e nós ficamos comendo, aproveitando o sol de novembro.
– Eu tenho que ir pra casa. — Genevieve disse. — Já são quatro horas.
– Tudo bem. — Anne abriu a janela do quarto. — Não liguem pra decoração, tá?
Quando entramos, vimos o quarto estar uma bagunça colorida. E tinham fotos pintadas nas paredes. O Palácio da Luz, reluzindo em várias cores, e o Castelo das Trevas, brilhando em cinza. Em uma das paredes, aparecia uma foto de uma mulher muito parecida com Anne, sentada em um Jardim, cabisbaixa. O Rei Raffael, abraçando uma pequena menina, que reconheci como Lorrie. Josh, parado de pé em uma esquina. Ed, todo pomposo em uma roupa de gala, a mão estendida, como se a convidando para dançar. Eu também estava lá, sentado com ela na noite em que fiquei trancado no lado de fora de casa. Genevieve também — embora elas tivessem se conhecido não fazia nem oito horas -, sentada em uma sala de aula.
Havia muito mais momentos, retratando uma Anne que eu nem conhecia. Ed e Josh na maioria. O medalhão de Anne estava pintado, nas mãos de Ed. Josh estava sorrindo em uma foto.
– Você se lembrou disso tudo? — Perguntei.
– Nem 10% do que realmente é. — Ela disse. — Bem, eu disse: "não reparem". Não fiquem encarando.
Eu e Genevieve viramos o rosto ao mesmo tempo. Anne nos tirou do seu quarto, e descemos as escadas. Guiamos Genevieve para fora da porta.
– Bem, tchau. — Anne deu um abraço em Genevieve. — Até depois de amanhã.
No outro dia não teríamos aula, por causa das circunstâncias misteriosas do assassinato de Rick. Encontraram o corpo ao lado de uma faca. A faca era enfeitiçada com Magia Negra. Descobriram rastros de um tipo de magia antiga. A faca se enfiava em um lugar do corpo e o atravessava. Feiticeiros das Trevas usavam isso desde muito tempo.
– Tchau. — Genevieve acenou, andando até a esquina e desaparecendo em um estalar de dedos (teletransporte, claro).
– Vamos entrar? — Perguntei a Anne. Ela assentiu.
– Joe, falando sério, por que você está aqui? — Perguntou ela.
– O quê?
– Corta essa, eu sei que não está aqui só pra descobrir que "não estamos o levando para a morte". — Ela fez aspas com as mãos.
– Ah, então você descobriu o meu tesão indescutível no único Dellarge deste mundo, o amor da minha vida, que se chama Ed. — Brinquei. Anne caiu na gargalhada, mas parou quando ouvimos um pigarro atrás de nós.
– Isso sempre foi muito claro pra mim, Joe. Você sempre quis meu corpo nu. — Ed disse. — Mas eu só tenho olhos para uma garota, e nenhum garotinho, mesmo bonitinho como você vai mudar minha opinião hétera.
Com isso, tanto eu quanto Anne começamos a rir. Ed tocou a mão de Anne.
– Eu preciso falar com você. — Murmurou ele, com uma cara preocupada.
– Tudo bem. — Anne assentiu, com a expressão de confusão. Então virou pra mim, com os olhos semi-cerrados. — Meia noite. Telhado. — Avisou ela, se afastando com Ed.
Eles entraram na casa e Anne deixou a porta aberta para mim entrar. Ela olhou pra mim com um aviso claro nos olhos, mesmo de longe. Um simples movimento com a mão e eu entendi: vem junto. Assenti e esperei um pouquinho. Convoquei os ventos e voei acima da casa, tentando ver pelas janelas do corredor. Anne e Ed estavam andando em direção ao quarto dela. Contornei a casa em direção ao telhado do quarto de Anne.
Fosse o que fosse que Anne queria que eu ouvisse, eu iria ouvir.
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