Mister D

15 Capítulo 15


Era uma tarde chuvosa, e eu estava passando o dia com Thiago. Ele como sempre era um amor, mas eu não estava com muita vontade para carinhos no momento. Só conseguia pensar na noite de ontem e em tudo que aconteceu. Provavelmente eu nunca mais veria Dante, eu não sei nem se eu quero vê-lo, talvez eu queira, não sei entender meus sentimentos nesse momento, mas isso não quer dizer que desisti da minha história, eu ainda a escreveria e ainda pagaria Dante, nem que eu deixasse o dinheiro com Leonardo e mandasse entregar a ele. Eu era uma mulher de palavra, Dante teria seu dinheiro, só não sei se teria a minha presença novamente.

— Você parece triste… — Thiago disse levando sua mão a meu cabelo. — O que houve?

— Não é nada, só cansaço mesmo. — Tentei sorrir enquanto ele acariciava meu cabelo, saiu um pouco falso, mas fiz o máximo que pude.

— Tem certeza? Você parece triste, não cansada…

— Discuti com Dante, acho que nunca mais nos falaremos.

— O garoto de programa?

— Sim… Talvez ele nunca mais apareça...

— E você se importa muito com isso?

— Sim, mais uma pessoa que vai embora da minha vida. E eu não sei porque… mas não era pra ele ir embora.

— Para de se lamentar por não fazer ninguém ficar, só fica quem quer. Todo mundo sabe disso.

— Sim, isso é verdade.

Eu havia chorado a noite inteira no dia anterior, eu não sabia ao certo pelo que eu estava chorando, por tudo que Dante tinha dito ou por ser ele quem havia dito. Não consegui entender meus sentimentos naquele momento, eu senti algo tão estranho quando vi Dante com aquela mulher, eles pareciam ter tanta intimidade, será que eu gostava de Dante? Não, não, claro que não, não era possível. Eu não podia ter um sentimento maior do que amizade por ele, pois tenho certeza que mesmo que nós não tivéssemos tido a discussão de ontem, não nos falaríamos muito depois da minha história ser lançada. Como eu sempre disse, Dante era de um mundo diferente do meu, ele não se encaixava na minha realidade, não tinha nada a ver. Mas por que quando ele aparece é como se eu esquecesse disso tudo?

Depois de passar a manhã e a tarde na casa de Thiago, optei por voltar pra casa de Leonardo. O tempo não estava bom, e enquanto eu estava no táxi a caminho de casa começou a chover. O motorista parou no sinal e eu pude reparar cada gota da chuva cair sobre o vidro do carro, uma chuva que começou fraca e foi ficando cada vez mais forte. Em um momento me comparei com a chuva, eu que era tão fraca, tão indefesa, havia melhorado bastante. Eu ainda era fraca, o mundo inteiro pode perceber isso. Mas quem não é? Quem não fica fraco em um momento da vida? A força não é não chorar, ser forte não é não querer morrer e nem gritar, ser forte é ter isso tudo, se desesperar, querer se jogar de um prédio alto e mesmo assim, no dia seguinte, ou até mesmo na semana seguinte, ser capaz de levantar do chão que você está caída e dizer “não vida, não vai ser dessa vez”. Essa é a definição de ser forte pra mim. As pessoas comentam sempre que o tempo é o melhor remédio para curar feridas, mas o tempo não trabalha sozinho, ele precisa de apoio, você mesma é o apoio. Em um momento da vida você entende que você é o seu apoio, e quando entende isso, você passa a perceber que vai sofrer muito, é claro que vai, mas você vai superar, porque já aconteceu outras vezes e agora você já sabe o que fazer.

Quando cheguei na casa de Leonardo, paguei o motorista e saí do carro, enquanto a chuva caía incessantemente em meu corpo me deixando completamente molhada, procurava a chave extra que Leonardo havia me dado. Quando a encontrei e levantei minha cabeça para olhar a porta de entrada da casa de Leonardo, me assustei ao ver uma presença conhecida parada em frente a entrada. Ele estava completamente encharcado, parecia que estava tomando aquela chuva há muito tempo parado ali.

— Dante…

— Eu preciso te falar algo…

— Está chovendo muito, estou com frio, preciso entrar. — Eu ainda estava com raiva de tudo o que ele havia dito, então preferi ignorar o que ele tinha pra dizer. — Pode me dar licença?

— Não, você vai ficar e ouvir o que eu tenho pra te dizer… — Ele deu uma pausa, olhou para o céu enquanto a chuva caía em seu rosto e continuou. — Eu te amo. Te amo desde que te conheci, tentei negar de todas as formas pra mim mesmo, nós somos muito diferentes, você mais do que ninguém sabe disso, mas eu percebi depois que aprendi muito com você e me mudou completamente.

— Dante…

— Espere. Não fala nada, eu trouxe isso pra você… — Dante me mostrou um cartaz que estava segurando, era uma folha de cartolina branca, mas estava molhada, fazendo com que não desse para identificar o que estava escrito. — Quando eu cheguei ainda não estava chovendo, você não estava em casa, Leonardo disso que estava com Thiago… eu não quis ir embora, começou a chover e molhou tudo.

— Sim, eu estava com ele. — Dei uma pausa vendo a reação de Dante, sua face demonstrou tristeza ao ouvir o que eu tinha dito. — O que estava escrito no cartaz?

— Estava escrito que eu tentei, mas não tinha como eu não me apaixonar por você. Eu desabafei ontem, eu fiquei com raiva por você ter me rejeitado, justo você. Então falei tudo de cabeça quente, me desculpa por aquilo. Eu até queria deixar como estar, sem vir aqui falar com você, mas sua falta me destrói tanto, é meio louco eu sei… — Dante soltou uma risada sem jeito, como se estivesse nervoso. — Mas aconteceu.

— Eu estou confusa Dante, eu não quero que você saia da minha vida, mas eu estou com tanta raiva…

— Sasha…

Dante ficou alguns segundos em silêncio me observando, como se pensasse em algo, então se aproximou de mim lentamente. Fiquei sem me mexer, apenas olhando cada passo lento dele. Quando ficou bem perto de mim, ele segurou meu rosto com suas duas mãos e encarou meus olhos fixamente por alguns segundos, algumas vezes desviava seu olhar para minha boca, fazendo com que meu coração acelerasse. Eu podia sentir sua respiração em meu rosto e seu desejo também, aquilo me deixava com o mesmo desejo. A chuva caia sobre nós e eu só pensava no clichê dos cinemas, o beijo na chuva. Não consegui segurar minha vontade, não sei o que aconteceu comigo naquele momento, mas eu queria beijá-lo, Deus, como eu queria beijá-lo.

— Diga que você me quer... – Dante sussurrou ainda com o rosto muito próximo do meu. — Porque eu te quero também.

— Eu… — Não conseguia falar, encarei os lábios dele, como eles eram lindos, Dante era todo lindo, não sabia mais quem eu era naquela situação.

— Quero que me ouça de novo. Eu estou apaixonado. Pode chegar e arrombar todas as portas que tiver, quebra as janelas se for complicado entrar pelas portas e me arrancar o sossego se quiser. Sinta-se a vontade para bagunçar a minha vida inteira, acho que você já fez isso. Me foda, na cama, na mente e na alma. Eu não me importo, eu quero você pra mim. Quero teus gemidos só pra mim. Quero todos os seus orgasmos, quero safadeza com você, mas não só isso, quero acordar contigo, quero ser aquele quem você diz que não aguenta mais, ai eu te abraço e digo que estarei com você até quando você perder a fé em si mesma. Eu terei fé em você, eu acreditarei em você. Porque eu quero ser o único e mais importante homem da sua vida. — Ele sorriu demonstrando sinceridade em tudo que falou. — Sasha... Eu não posso prometer que não vou te machucar, não posso prometer que você vai sorrir todos os dias, mas eu posso prometer que vou tentar ao máximo, posso prometer que nunca vou te deixar. Tudo que te disse ontem não foi verdade, sei que você já sofreu, eu também sofreria no seu lugar, e te digo, se a vida quiser fazer mal a você de novo, ela terá que passar por mim primeiro.

Naquele momento uma lágrima desceu do meu rosto se misturando com as gotas da chuva. Meu coração estava apertado e meu corpo não respondia mais por mim. Aquelas palavras de Dante eram sinceras, eu podia sentir, ninguém nunca havia feito com que eu sentisse tanto sentimento como naquele momento. Era um sentimento bom, era amor. Dante realmente me amava e meu coração era capaz de ter certeza disso. Ele batia rapidamente, desejando que eu obedecesse meu corpo e agarrasse Dante naquele momento. Eu queria, queria muito. Mas não consegui me mexer, não consegui ter reação alguma, nem ao menos falar, aquilo tudo era novo pra mim, eu queria Dante, querer ele era loucura, mas quem disse que eu não posso ser louca?

— Escuta, eu vou deixar você entrar… não quero que me diga nada agora, só vim porque não quero te perder e porque você precisa saber como me sinto. Você não precisa me responder… eu vou embora, espero te ver em breve.

— Dante… — Comecei a falar mas ele colocou o dedo em minha boca me interrompendo.

Dante sorriu em seguida e se afastou de mim, caminhou até a rua sem olhar para trás e foi embora. Vendo ele ir e desaparecer do meu olhar algum tempo depois, fez com que meu coração apertasse, era o desejo dele de querer ir até Dante. Eu devia ter seguido meu coração e corrido em direção a ele. Mas eu estava precisando entender tudo aquilo, entender tudo o que Dante havia me dito e minha reação quanto a isso. Precisava de um tempo para mim para tentar entender o que eu sentia pelo Dante, hoje tive a prova de que não era mais amizade, com certeza aquilo não era amizade, mas o que era? Um simples desejo pelo novo talvez? Experimentar uma aventura e um perigo já que agora eu mandava em minha própria vida? Ou era algo mais? Será que eu tinha algum sentimento por Dante parecido com o que ele tinha por mim? Por que eu não consigo definir o que eu sinto? Nunca passei por isso, nunca fiquei tão confusa com meus sentimentos como eu estava agora. Mas eu não podia me culpar, desde que conheci Dante sabia que o sobrenome dele era confusão.