Mistérios da Lua - O Retorno da Magia
15 Nada é o que parece ser
Notas iniciais
POV'S ED
– Obrigada, mesmo assim. — Agradeceu Anne, enquanto eu desenhava linhas de fogo na sua testa febril.
– Você precisa de cuidados. — Falei. — É meu dever.
– Você não tem o dever de cuidar de mim. — Ela retrucou. Perde todo o poder, mas não perde a vontade de dizer o que está na telha.
– Também é meu direito. — Retruquei, com um meio sorriso. — E além de tudo, uma promessa.
– Promessa? — Repetiu ela, confusa.
– Eu sou seu Protetor, não esqueça disso. — Afirmei. Raffael havia confiado Anne a mim, e eu iria honrar essa promessa.
– Ah, é, quase esqueci. — Admitiu Anne.
– Nunca mais esqueça que é meu dever cuidar de você. — Me levantei da cama dela que estava sentado e dei um beijo na testa dela e dei as costas.
– Ed... — Ela me chamou. Eu me virei pra falar com ela. — Você acha que Josh ainda pode ser salvo?
– Eu sei que isso é o que você quer, Anne. — Dei um suspiro. — Mas não tenho certeza. Ele tentou me matar e quase matou Millena em um gesto impensável. Imagina se ele realmente quisesse matá-la?
Eu sabia que Anne queria mais do que tudo no mundo que Josh pudesse ser salvo. Ele estava afogado em Trevas, eu não sabia nem como salvá-lo.
– Posso te perguntar uma coisa? — Pedi, a tirando dos seus devaneios.
– Claro. — Ela se endireitou na cama, preparada para a bomba.
– Quem foi que te deu esse anel? — Perguntei, apontando para a mão dela.
– Era da minha mãe. — Anne olhou com um carinho imenso para o anel. É, eu também tinha saudade de Miranda. Depois de tanto sofrer, ela não merecia aquela morte.
– Isso é um anel de compromisso. — Arregalei os olhos ao olhar com mais atenção para o anel.
– O quê?
– Sugiro que tire isso o quanto pode. — A apressei. Era um anel de casamento, e anéis de compromisso não saiam do dedo. — Coloque numa corrente de recordação, guarde, enterre, faça qualquer coisa, mas tire da sua mão.
Ela arrancou o anel da mão com uma pequena dificuldade e um gemido de dor. Parecia que estava grudado no dedo. Ela então pôs as mãos na nuca e abriu a corrente do medalhão que eu havia dado a ela. Anne colocou o anel junto na corrente, fechou a corrente com cuidado e pôs o medalhão de novo. Ela levantou a cabeça pra me encarar e eu percebi que tinha uma expressão abobalhada no rosto.
– Você nunca tira o medalhão, não é? — Indaguei.
– Nunca. — Respondeu ela, sincera. Percebi que era uma pergunta meio estúpida. Eu realmente nunca tinha a visto sem o colar.
– Você já viu o que tem dentro? — Eu quis saber, agora um pouco mais animado.
– Tem alguma coisa escrita? — Ela pareceu alarmada. Acho que nunca havia aberto o pingente.
– Tem. — Eu ri da cara abobalhada dela. — Abra.
Ela pegou o pingente e o abriu. Dentro tinha um bilhetinho. Anne o pegou com cuidado e o leu.
Enquanto as estrelas estiverem no céu, eu sempre irei amar você.
Do sempre seu, Ed Dellarge.
Anne pôs o papelzinho dentro do medalhão de novo. O fechou com cuidado e respirou fundo para não chorar.
– Isso é... lindo. — Sorriu ela, com os olhos brilhando. — Obrigada, Ed. Eu nunca pensei que... bem, isso questiona a sua heterossexualidade, mas é lindo. Eu... de um jeito louco e maluco, eu te amo também. Mas eu vou mentir se eu disser que só tenho sentimentos por você.
Murchei como um balão de aniversário. Abri a boca pra falar alguma coisa, do tipo humilhado e pisado, mas então a fechei e comecei a pensar.
– Eu gosto de desafios. — Falei, por final. — E estou me desafiando e te desafiando agora mesmo. Temos três meses pra impedir uma coisa enorme de acontecer. Até lá, você vai me chamar de docinho de coco.
– Odeio coco. — Resistiu ela. — Mas é uma boa ideia. Vou provar pra você o quanto enlouqueceu só por gostar de mim.
– Eu sei que estou maluco, só por viver minha vida pensando em você. — Discursei, filosoficamente. — Então acho que o seu plano não vai adiantar muita coisa. Boa noite, Anne.
Dei um rápido beijo na bochecha dela e saí do seu quarto.
Eu sentia o formigamento só de estar perto de Anne. Era comum. Ela era água, eu fogo, duas coisas que não combinam, mas são essenciais para viver. Calor e vida.
– E aí, como ela tá? — Perguntou Joe, assim que me viu descendo as escadas. Ele estava de pé, o peso jogado nos braços apoiados no sofá.
– Mal. — Respondi. — Ela não consegue acreditar. O humor dela não está muito bom, então é melhor você dar uma subida lá. Está maluca por ter faltado a escola hoje. Quem diria, né?
– Pois é. — Joe deu um suspiro. Percebi as olheiras nos seus olhos, os ombros caídos e a palidez no rosto.
– Joe, você está bem? — Indaguei. Ele fez um sim exausto com a cabeça.
– Diana não foi a escola hoje, minha mãe está no Hospital com ela. — Ele respondeu, cabisbaixo. — Passei o tempo todo falando com Oliver. Se há uma pessoa que fique mais louca do que eu nesse quesito este é Oliver. Ele tá surtando por causa dela.
– Se precisar de ajuda pra uma cura de fogo básica, é só me avisar. — Ofereci.
– Valeu, Ed. — Joe deu o sorriso mais verdadeiro que alguém na terra poderia dar. — Eu não sabia que gostava tanto de mim.
– E não gosto. Mas Diana é uma pessoa legal, e você é amigo da Anne. Você a faz ficar feliz, a faz rir. — Desabafei. — Ela te considera como o irmão que nunca teve e precisa de você agora. A gente precisa de pessoas para se apoiar. Se você aceitar ser o dela, eu aceito ser o seu.
– Você realmente faria tudo por ela, não é? — Joe tinha seu meio sorriso agora.
– Qualquer coisa. — Respondi. — Agora sobe, cara.
– Tô subindo! — Ele riu. Subiu as escadas quase... não, ele estava literalmente voando.
Duas horas depois, Millena desceu as escadas com uma mala verde.
– Millena aonde você vai? — Perguntei.
– Eu não posso ficar aqui, eu sinto muito, Ed. — Millena tinha um olhar tão angustiado.
– Por quê?
– Eu vou ficar bem, vou continuar voltando aqui, eu só preciso... esfriar a cabeça. — Ela esfregou os olhos. — Eu espero realmente voltar.
– E a Belinda? — Me desesperei.
– Ela vai continuar aqui, se você quiser. — Millena suspirou.
– Tudo bem. — Me acalmei. Eu não me lembrava de não ter Millena ao meu lado na minha vida. Como uma amiga, uma irmã. — Pra onde você vai?
– Não se preocupe, eu já dei um jeito. — Ela sorriu. Seus olhos verdes, antes tão brilhantes, agora pareciam que tinham uma teia de aranha tecida neles, ofuscando o brilho.
– Muito bem. Cuide-se então. — Dei um abraço meio desajeitado em Milly. Ela sorriu, cabisbaixa e saiu de casa, trancando a porta atrás dela e levando a mala.
POV'S MILLENA
Comecei a chorar como uma criança assim que atravessei a porta. Já havia um portal me esperando no portão. Respirei fundo e o atravessei.
O frio emanava da Grande Floresta quando cheguei. Ele estava lá, a capa negra ondulando. Uma coroa de prata adornava os cachos escuros. Ele sorriu pra mim.
– Finalmente. — Disse ele, se aproximando. Por mais sinistro que ele estivesse, meu coração pulava. Josh tomou o meu rosto com as mãos e me beijou, forte e intenso. Saborei o gosto de sal que tinha na boca dele. — Conseguiu enganar eles?
– Eu não gosto de mentir, Josh. — Reafirmei a ele. — Não estou gostando desse plano.
– Relaxa. — Ele pediu, sorrindo, terno como sempre. — Quando isso acabar, eu e você vamos subir ao Trono, e eu vou ter você como a minha Rainha para sempre.
– Eu irei aonde você for. — Falei, impressionada com a veracidade das minhas palavras.
– Sério? — Ele deu um sorriso malicioso. Deu um passo para o lado, revelando a pequena barraca em que ficaríamos. — Infelizmente só tem uma cama.
Sorri, tentada pela proposta irrecusável.
– Aceito a proposta. — Fiz um sinal de sim com a cabeça. Josh me puxou para perto dele com um puxão firme na cintura.
– Você primeiro, Milady.
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