Mistérios da Lua - O Retorno da Magia
14 Não vá embora, por favor
Notas iniciais
POV'S ANNE
Eu queria saber onde eu estava quando abri os olhos. Um quarto meio frio, com a janela aberta. A única coisa que eu sei é que Josh estava lá comigo. Quando me levantei ele estava lá, sentado em uma cadeira de espaldar alto, me observando.
– Josh? — Engasguei. — Onde...
– Num lugar seguro.
– Quando...
– Você ficou dormindo por um dia inteiro.
– Então como...
– Poupe suas acusações. — Ele levantou um braço. — Eu salvei sua vida.
– Mas não tinha nada do que me salvar. — Insisti.
– Eu a protegi de si mesma, Anne. — Disse ele. — Você liberou a metade Luz do seu poder. Teria ficado só com Trevas. E isso eu não poderia permitir.
– Por quê? — Indaguei, querendo realmente saber o objetivo por trás de tudo.
– Porque ter só Trevas é horrível. É como um buraco negro que te puxa pra baixo. Você só consegue ver a Escuridão. — Josh tinha lágrimas nos olhos. — Eu não quero que isso aconteça com você.
Ele soava tão amargurado que comecei a chorar.
– Eu te trouxe aqui pra me despedir. Eu preciso ir embora. — Avisou ele, secando o rosto.
– Não! — Gritei, desesperada. Eu estava chorando ainda mais. Abracei Josh com força, como costumava fazer quando eu ficava triste. — Eu não vou deixar você sozinho. Lembra quando Ed me trouxe para o Vale da Luz? Você veio junto comigo. Eu perdi tudo, não posso te perder também.
– Você nunca vai me perder. — Ele me acalmou, acariciando meu cabelo. — Eu vou te ver quando menos esperar.
– Não vá embora, por favor. -Implorei. Notei o quanto Josh estava tenso.
– Eu tenho que ir. — Ele ficou firme, afastando meu rosto do ombro dele. — Olha Anne. Eu perdi minha conexão com você. Eu preciso que você vá, antes que seja tarde demais. Mas... eu posso te pedir uma coisa?
– Qualquer coisa. — Chorei. Josh apertou os olhos fortemente, deixando algumas lágrimas livres para correr.
– Tome. — Ele tirou do bolso da capa negra um anel. Um anel duplo, lilás e cinza escuro. — Esse anel era da sua mãe. Meu pai me entregou para que eu pudesse dar pra garota que eu... que eu...
– Não diga nada. — Me inclinei e o beijei. Eu não pensei em coelhinhos, ursinhos cor de rosa nem nada assim, apenas em não perdê-lo. Foi como despertar de um sonho direto pra realidade. Tinha gosto de hortelã. Mas Josh parou o beijo antes mesmo que eu sentisse a falta do ar.
– Isso não é justo comigo. — Protestou ele.
– Você vai embora de casa, me deixando sozinha, volta em um estado chocante, tenta pular a janela e me leva pra este lugar e eu é que não estou sendo justa? — Perguntei, com uma leve irritação na voz.
– Você sabe disso.
– Eu realmente sei? — Ironizei.
– Você é impossível. Vou sentir falta disso. — Ele sorriu, triste.
– Josh, por favor. — Implorei novamente.
– Nunca vou te esquecer. — Ele aproximou a mão da minha testa e a tocou. Senti minhas pernas fraquejarem e minhas pálpebras fecharem. — Vou estar observando quando você menos esperar, eu prometo.
POV'S ED
Um dia. Um dia e eu não conseguia respirar sem sentir uma agulha no meu peito.
– Ed, ela vai voltar. — Joe tentou me acalmar. Mas ele também roía as unhas de nervoso.
– Josh quase matou Millena, Anne liberou o poder e os dois sumiram. — Falei, contando o que havia acontecido nos dedos.
– Anne é forte, vai conseguir. — Millena sorriu. Ela havia quase sido aspirada por Josh. "Aspirada" é uma expressão dos feiticeiros das Trevas quando "aspiram" a luz dos seus oponentes. Ele estava roubando a magia de Millena, se fortalecendo. Eu não tinha a mínima ideia de como o garotinho que segurara o braço de Anne pra protegê-la, tentou me matar.
– Eu sei. — Respirei. Ainda estava anormal. — Eu vou subir pra ver se o Josh deixou alguma pista.
Mentira. Eu ía era subir para o quarto da Anne, me jogar na cama e chorar como um bebêzinho. É, isso é muito másculo. Mas não posso evitar. Andei até o quarto dela e quando ia abrir a porta, ouvi passos lá dentro.
– Eu te amo, minha Anne. — A voz era indiscutivelmente de Josh. Abri a porta com um estrondo. Josh colocava Anne para dormir, a deitando na sua cama. A capa negra ondulava. Ele se virou para mim, segurando a mão de Anne. — Frederick Dellarge, seu mundinho vai acabar.
– Não ouse me ameaçar. — Levantei a voz.
– Faço isso e muito mais. — Josh sorriu. E de repente, sumiu.
Corri para Anne, que estava deitada. Ela parecia bem. A pele pálida, mas ela sempre fora assim. A única coisa diferente era que em seu dedo estava um anel lilás e cinza, as duas pedras entrelaçadas. Eu conhecia um anel de casamento quando via um.
– Joe! — Berrei. — Millena!
Os dois chegaram correndo para ver. Joe engasgou quando viu Anne e Millena tropeçou para trás.
– Como? — Perguntou Joe, meio engasgado.
– Nem me pergunte. — Respondi.
– Nós precisamos avisar o Conselho, avisar alguém! — Millena soava desesperada. — Josh tentou me matar. Vai saber o que ele pode fazer com a Anne também? Ele está se transformando em um monstro... e não tem ideia de que está.
– Millena, Anne nunca vai nos perdoar se fizermos algo com Josh. — Joe disse, tirando as palavras da minha boca. — Seja o que for que Josh é agora, Anne ainda pensa nele como o garotinho que ela conhecia. Não podemos fazer isso com ela.
– Ele vai voltar. Vai voltar por ela. — Millena disse, convencida disso.
– Eu sei. — Falei. — E não vou ficar longe dela nem por um segundo. Nem que eu precise acampar na janela dela, Josh não vai tocar em nenhum fio do cabelo dela.
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