Missão Rank-S: Se Apaixonar Pelo Kazekage

3 Primeiro Dia no Hospital de Suna


Local: Nova ala médica de Suna

Horário: Meio-dia.

O sol do deserto reina absoluto no céu sem nuvens. As vidraças curvas da ala médica refletem a luz intensa e a transformam em sombras no chão — sombras que se alongam como folhas de cacto, desenhadas com perfeição sobre o piso recém-lavado.

O silêncio ali é quase clínico. Exceto pelo som ritmado dos passos de Akari, que ecoam nos corredores com uma elegância prática. Ela caminha com a postura de quem domina o próprio espaço — prancheta em mãos, jaleco branco impecável, o símbolo espiral de Konoha estampado no ombro como uma assinatura discreta de onde ela veio... e do que ela carrega.

Seus olhos dourados vasculham cada detalhe da estrutura — não por desconfiança, mas por hábito. São olhos que analisam antes mesmo que o pensamento formule a pergunta. Mas, por dentro, Akari é uma usina mental.

Silenciosa por fora. Ácida por dentro.

Akari (pensando):

“Arquitetura inteligente. Ventilação superior. Materiais absorventes de calor…

(pausa breve enquanto passa o dedo na beirada de um pilar)

...ou seja, eles realmente querem impressionar. Tomara que isso não envolva um jantar com escorpião flambado.”

Um som abrupto corta a análise interna. Um tropeço. Metal tinindo.

Ela gira o corpo no reflexo:

Um aprendiz, nitidamente novo, quase se esborracha no chão com uma bandeja cheia de equipamentos. O desastre iminente é interrompido por um único movimento.

Ela o segura com uma mão. A bandeja com a outra.

Tudo permanece no lugar. Exceto o ego do garoto, que já derreteu.

Aprendiz (ofegante, olhos arregalados):

— D-desculpa, mestra! Eu—!

Akari (entregando a bandeja com um sorriso que mistura leveza e sarcasmo cirúrgico):

— Relaxa. Se for desmaiar, avisa antes, que eu já deixo a maca pronta.

O garoto tenta rir, mas parece que vai desmaiar mesmo.

Ela vira as costas, pronta pra retomar seu percurso — mas então… sente.

Aquela presença.

Não é um som. Não é um cheiro. É uma mudança no ar. Como areia morna deslizando no peito, como se o próprio ambiente se curvasse, num silêncio reverente.

Gaara entra pela lateral do corredor.

Os passos dele não fazem barulho, mas fazem o tempo desacelerar.

A atmosfera inteira parece pausar. Como se Suna, o deserto, a luz e a sombra reconhecessem sua chegada. E Akari, apesar de não demonstrar, reconhece também.

Internamente, algo nela gira.

Gaara (voz baixa, densa, com aquele tom que parece tocar a pele por dentro):

— O corredor ficou mais... eficiente com sua presença.

Ela não pensa. Responde no mesmo tom que usa pra cortar diagnósticos errados.

Akari (devolvendo o olhar sem hesitar):

— Ou mais propenso a acidentes causados por nervosismo.

Ele a encara.

Por um segundo inteiro.

Ela não desvia.

E ele... sorri.

Não um sorriso escancarado — não é o estilo dele.

Mas um daqueles sorrisos pequenos, calculados.

Do tipo que só aparece quando algo, ou alguém, mexe por dentro.

Algo no olhar dele diz que aquele encontro não foi por acaso.

E algo nela… já sabia.