Missão Rank-S: Se Apaixonar Pelo Kazekage
4 A Reunião
Local: Salão Redondo de Conselhos de Suna
Horário: Início da noite.
As tochas foram acesas com precisão ritual, lançando sombras dançantes nas paredes curvas do salão. Do lado de fora, o deserto não dorme — ele brilha. A areia reflete a luz da lua como se fosse feita de pó de diamante espalhado pelos deuses antigos.
No centro do salão, uma mesa circular de pedra clara com veios de cobre repousa como o olho calmo de uma tempestade silenciosa. Ao redor dela, os anciãos de Suna, médicos seniores e alguns representantes diplomáticos de Konoha compõem um quadro de importância tensa. Cada um carrega seu próprio peso político, suas próprias intenções veladas.
E ali, entre eles, quase deslocada pela leveza proposital com que se porta, está Akari.
Pés cruzados sob a cadeira.
Postura relaxada, mas olhos... atentos.
Ela não se curva. Ela observa.
Seu jaleco de médica está aberto, revelando o uniforme prático por baixo. O símbolo de Konoha repousa no ombro como um lembrete sutil de que ela não pertence àquela areia — mas, mesmo assim, caminha sobre ela como quem já entendeu seus segredos.
Do outro lado da mesa, Gaara está de pé.
Sereno. Inabalável.
Com um pergaminho aberto à sua frente — manuscrito por ele próprio.
Gaara (voz firme, olhos fixos no conteúdo, mas mente mirando além):
— A proposta prevê três ciclos anuais de troca médica.
Foco em técnicas regenerativas, respostas emergenciais em ambientes extremos e protocolo de suporte psicológico em campo.
(Agora, ele levanta os olhos. E mira direto nela.)
— Supervisionado pela medinin-chefe enviada de Konoha.
Akari não disfarça a sobrancelha que arqueia, nem a ironia leve que escorre com naturalidade.
Akari (inclinando a cabeça com um meio-sorriso):
— Não sabia que fui promovida a “chefe”.
Meu salário vai acompanhar esse título, ou é só um brinde da casa?
Um leve murmúrio atravessa a mesa. Os mais formais franzem o cenho. Outros trocam olhares de “ela falou isso mesmo?”. Mas Gaara... não pisca.
Gaara (sem perder o tom neutro, mas com uma pausa precisa demais pra ser inocente):
— Posso providenciar um bônus em areia magnética.
E então...
O silêncio.
Aquele tipo de silêncio que paira entre o diplomático e o desconcertante.
Ninguém sabe se foi uma piada.
Ninguém sabe se ele sabe que foi uma piada.
Kankuro, ali perto, se engasga com o chá — de novo.
Alguém dá uma cotovelada nele, como quem diz “se controla”.
Akari, porém, apenas sorri.
Não grande. Não debochado.
É um sorriso que dura pouco, mas revela muito.
Akari (pensando, enquanto tamborila a unha na prancheta):
"Ele tá... brincando? Kazekages brincam? Isso é um protocolo secreto de flerte desértico? Ou ele acabou de me pedir em casamento no dialeto das dunas e ninguém percebeu?"
Ela o encara.
Ele a encara de volta.
O salão volta a se mover — mas o tempo, entre eles, parece suspenso.
Como se cada um tivesse falado mil coisas sem usar uma palavra.
Fale com o autor