Miss you love
10 Capítulo 10
Notas iniciais
POV'S Du
– Acho que já deu minha hora, cara. — Digo meio constrangida —
– Mas a gente mal chegou aqui. — Michel sorriu fraco — Foi por causa daquele cara?
– Quê? Não. — Pego em sua mão — É que eu estou indisposta.
– Você não parecia indisposta até aquele seu amigo Lucas chegar.
– Michel, não foi nada com ele. E se fosse, eu diria. — Revirei os olhos —
– Ok. Eu não vou mais te encher com isso, tá?
Michel é um cara extremamente inseguro e ás vezes imaturo, o que causou inúmeras discussões várias vezes entre nós dois. Confesso que gosto sim dele, mas ele torna-se pegajoso na maioria das vezes depois de sairmos. Por isso me afasto sempre. Fomos ao cinema assistir um filme qualquer e depois fomos ao parque. Quando estávamos no maior amasso num banco debaixo de uma árvore qualquer, parti o beijo e vi uma figura conhecida. Era Lucas. Fiquei muito sem graça, pois minha relação com ele é apenas amizade, mas nunca apresentei ficantes meus para ele. Ele parecia apressado e saiu rapidamente sem dizer quase nada.
– Eduarda, podemos nos ver na outra semana?
– Eu te ligo. — Dei um beijo na bochecha de Michel, que sorriu, e saí do carro. —
**
Cheguei em casa e Davi estava na sala fazendo o dever de casa, com minha mãe o auxiliando.
– Oi. — Falei sorrindo para o pequeno. —
– Du! — Ele correu para meu encontro. — Estava com saudades de você. Tenho um novo jogo para jogar com você.
Minha mãe subiu o olhar para mim. Parecia triste. Seus olhos estavam inchados, indicando que chorou. Resolvi conversar com ela. Com certeza foi Alberto.
– Querido, já que terminou seu dever, vai ajeitando o videogame que eu subo já.
O pequeno correu rumo ás escadas e desapareu em segundos.
– Quer conversar? — Tirei a bolsa do ombro e fitei minha mãe —
– Se você estiver disposta a escutar. — Ela sorriu fraco. —
– Eu sempre estou. — Sentei ao seu lado — O que foi que ele fez?
– Ele me traiu.
– Conta uma novidade, mãe. — Sorri zombando —
– E eu pedi o divórcio.
Aquilo realmente me espantou, embora fosse uma coisa realmente boa.
– Ah, que bom. Finalmente tomou uma decisão que preste. — Falei animada e a abracei. —
– Você não entende. Ele ameaçou tomar o Davi de mim. — Ela soluçou ainda me abraçando — Ele disse que se eu pedir o divórcio, toma o meu filho de mim.
– Ei. Ele não pode fazer isso. — Falei mais para mim mesma do que para ela, querendo acreditar nas palavras — Ele não pode. E se tentar, eu estou aqui com vocês.
– Eu fui cega o tempo todo. Sempre soube das traições, mas cansei. Queria pôr um ponto final nisso. Eu deveria ter te ouvido.
– Nunca é tarde para reparar um erro. E você reparou.
– Duuu! — Ouço uma vozinha vinda lá de cima —
– Bom, vou indo jogar. Depois a gente conversa mais.
– Obrigada. — Ela me dirige um olhar de gratidão. —
Eu assinto e saio da sala.
**
Passei o tempo todo pensando sobre as atitudes de Alberto. E no tanto que elas interferiam na vida de um garoto de cinco anos. Claro que ele está pouco se lixando para o próprio filho, mas faz aquilo pelo prazer de ver o sofrimento da minha mãe. Ele é horrível. Uma pessoa horrível.
Não vi a hora em que ele chegou. Mas ouvi um barulho meio alto, no que se pareciam gritos. Eram gritos de Theo e de Alberto. Abri a porta do quarto para escutar melhor e vejo a discussão que se passa no corredor.
– Eu cansei de encobrir suas mentiras. De ser o filhinho perfeito! Pensei que você fosse capaz de mudar depois daquele flagra que eu e Eduarda te demos. Mas não, continua a mesma pessoa mesquinha e traíra de sempre.
– Olha aqui, seu petulante, me respeita que sou seu pai! Já basta aquela garota arrogante, agora você também? O que está acontecendo com você?
– Eu não aguento mais ver minha mãe sofrer e fingir que está tudo bem quando não está! Você mente, manipula todos e sempre teve meu aval. Mas agora eu cansei!
– O que você vai fazer? Me processar por traição? — ele riu com escárnio — Nem sua mãe liga, por que você há de ligar?
– Não. Não vou te processar por nada. Vou mandar os papéis para a polícia. Os papéis das suas falcatruas.
– Você não seria capaz de fazer isso, moleque! — Alberto parte para cima dele —
– Ei! — intervenho antes que aconteça o pior — Que história é essa de falcatrua?
– Vai para seu quarto agora, Eduarda! — Alberto me pega pelo braço e me desvencilho. —
– Me solta! — Grito entre dentes — Você é um monstro! Eu te odeio!
Procuro por minha mãe, que está no final do corredor, olhando-nos com lágrimas nos olhos. Entro no quarto, pego minha bolsa e saio correndo por entre eles dois.
– Desculpa, mas eu não posso ficar aqui. — Olho para minha mãe, que assente e vai ao encontro de Alberto —
– Por favor, vocês vão assustar o Davi. Pare de briga, querido. — Ela passa as mãos nas costas dele e sinto ânsia de vômito. — Theo, vá para seu quarto.
Saio sem olhar para trás e limpo uma lágrima que corre por minha face.
**
– Oi, Du. O que houve com você? — Lucas abre a porta do quarto e me fita com preocupação —
– Posso dormir aqui?
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