Miss You Love

5 Chapter 5: Words


Notas iniciais
Ei, pessoal. Mais um capítulo novo chegando, e como de praxe gostaria de agradecer a todos vocês pelo retorno que estou tendo nessa fanfic. Isso é muito importante pra mim. De agora em diante tentarei postar todos os dias um capítulo novo, ou ao menos um a cada dois/três dias. E como de costume vamos a trilha sonora do capítulo: Don't You Remember - Adele: https://www.youtube.com/watch?v=kWakZcEGB38 Sparks Fly - Taylor Swift: https://www.youtube.com/watch?v=oKar-tF__ac

– Zé? – balbucia Maria Marta sem acreditar que finalmente o via na sua frente, vivo como sonhou que ele ainda estaria. Mas passando o momento do choque e felicidade por ele estar vivo veio a raiva por tudo que ele fez seus filhos e até ela mesmo passar – Como você pode? Como você teve coragem de fazer uma coisa dessas? – perguntou ela indignada.

– Você tem que entender que tudo o que eu fiz foi para o bem de todos e... – ele foi interrompido por um tapa de Maria Marta, vê-lo ali tentando explicar sua falsa morte como se fosse um contrato qualquer da Império a fez ferver de raiva.

– Você não vale nada, não vale nada Zé. Como você pode pensar que fazer não só eu, mas como meus filhos pensarem que você estava morto foi o melhor? – dizia ela distribuindo tapas no marido que antes acreditava estar morto. Zé, por sua vez tentava esquivar-se e proteger-se dos tapas.

– Nossos filhos! – exclamou ele desviando do último tabefe antes de prender as mãos dela em uma tentativa de cessar a fúria da Imperatriz – Você realmente acha que eu queria fazer isso? Ficar aqui escondido como um rato, um bicho do mato longe da minha família e longe da minha empresa? – questionou retoricamente com a voz elevada e logo desviando os olhos do seus para olhar para os lados.

Maria Marta seguiu seu olhar e pode ver alguns vizinhos saindo nas janelas para ver o escândalo que estava acontecendo ali, em um pedido mudo para que o seguisse Zé entrou no bar de Manoel sendo seguido por Maria Marta.

– Marta, eu quero que você entenda que tudo o que eu fiz foi pelo bem de todos. Para proteger o patrimônio dos nossos filhos que você tanto defende – diz Zé um pouco mais calmo assim que chega ao seu quartinho ao lado de Maria Marta e trancar a porta.

– E pra fazer isso você teve que fazer todo mundo sofrer com a sua morte? – questiona Maria Marta tentando manter o controle da voz e não partir para cima de Zé, ela observa o quartinho de cima a baixo tentando não encarar José Alfredo.

– Eu não poderia fazer isso da cadeia não é? Pois era pra lá que eu ia se eu não armasse todo esse circo. Quando á vocês... Bem, vocês tinham que acreditar na minha morte. Do contrário surgiriam suspeitas – explica ele da melhor forma que pode, ele ainda desconfiava de Maria Marta. Mas ao mesmo que desconfiava dela se lembrava de tudo o que os dois já fizeram juntos. Ainda assim ele teria de ter certeza.

– Você ao menos podia ter falado pra mim, afinal eu sempre fui sua parceira. Sempre que tinha problemas costumávamos resolver tudo juntos – diz Marta o encarando pela primeira vez desde que entraram naquele quartinho.

– E você sabe muito bem que já faz um tempo que as coisas mudaram entre nós dois, desde que você... – neste momento ele é interrompido pela esposa.

– Desde que eu tentei dar um golpe na empresa, é isso? Você não tem um discurso ou desculpa melhor não? É sempre a mesma coisa “você me traiu, você tentou tomar todo o controle” – dizia Maria Marta de forma engraçada fazendo aspas com a mão e tentando imitar Zé em uma tentativa frustrada com resultado icônico. Fazendo um sorriso de lado discreto brincar nos lábios do Comendador.

– Você sabe o que você fez... – novamente ele é interrompido.

– Ah, faça-me o favor. A culpa disso tudo sempre foi sua, se você não tivesse arrumado aquela dúzia de amantes eu não teria feito isso... – desta vez é ela quem é interrompida.

– Agora a culpa é minha isso? É bem típico de você jogar a culpa nos outros. Eu não sou homem de ficar saindo com uma e outra por aí – ele é cortado por uma risada de deboche de Maria Marta e sente seu sangue ferver, havia se esquecido de como era brigar com Marta.

– Não?! Você quer que eu faça uma lista com todas as suas ninfetas é isso? Vamos contar então: tem a sua franguinha ruiva “sweet child” sem sal nem açúcar, tinha aquela balconista farofeira de Genéve e também tinha aquela sua ex-secretária desclassificada golpista... – enquanto falava Maria Marta ia fazendo uma conta nos dedos deixando Zé ainda mais irritado, ele passa a mão em seu bigode em um sinal claro de nervosismo.

– Ah, faça-me o favor Marta. Eu não tinha nada com a Gisele, e você ainda demitiu a pobre moça que não tinha feito nada. – interrompe Zé.

– O nome dela era Gisele? Até o nome era de golpista, só você não viu que ela queria dar um golpe do baú... – implica Maria Marta.

– Você não veio aqui para discutir a relação não é Marta? – diz ele sarcástico com um olhar malicioso.

– MAS É CLARO QUE NÃO! E não vem que foi você que começou com esse assunto, típico de você fugir assim – responde ela de imediato.

– Opa, opa, opa que eu não fujo – diz ele zangado dando dois passos para a frente enquanto a Imperatriz o olhava desafiadoramente, se tinha uma coisa que nenhum deles faria era recuar. – Se tem uma coisa que eu não sou é homem de fugir da raia – diz ele apontando com o dedo.

– E você ta fazendo o quê aqui mesmo? Ah é, fugindo da polícia – diz ela fingindo estar pensativa e dando ênfase no ‘fugindo’. – E abaixa esse dedo que eu não sou um dos seus colegas.

– Maria Marta, olhe bem... – dispara o Comendador já perdendo a paciência.

(Dê o play na música)

When will I see you again?
You left with no goodbye, not a single word was said
No final kiss to seal any sins
I had no idea of the state we were in

(Quando eu vou te ver de novo?
Você foi embora sem dizer adeus, nem uma palavra sequer foi dita
Nenhum beijo final para selar algum pecado
Eu não fazia ideia de onde estávamos)

– Não! Agora quem vai falar sou eu. Você se fingiu de morto, fez todo mundo chorar e sofrer por você. Eu sofri por você igual uma desgraçada. E até aquela sua franguinha ruiva também se você quer saber – diz ela apontando o dedo para a cara de Zé.

I know I have a fickle heart and bitterness
And a wandering eye, and a heaviness in my head

(Eu sei que eu tenho um coração inconstante e amargo
E um olho errante, e um peso em minha cabeça)

– A nossa empresa ficou zerada e os meus filhos tiveram que arcar com todas as conseqüências, inclusive com os seus processos – o homem de preto já iria corrigi-la quando ela levanta as mãos em um sinal para que ele se cale.

But don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before
Baby, please remember me once more

(Mas você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes
Amor, por favor lembre-se de mim mais uma vez)

– Nós não tivemos outra opção a não ser aceitar a ajuda do nojento do Maurílio e eu já estava indo para o holocausto e me casando com ele para proteger a nossa empresa, o patrimônio dos nossos filhos – diz ela já com a voz elevada e com os olhos começando a marejar.


When was the last time you thought of me?
Or have you completely erased me from your memory?
I often think about where I went wrong
The more I do, the less I know

(Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Ou você me apagou completamente da sua memória?
Eu frequentemente penso sobre onde eu errei
E quanto mais eu faço, menos eu sei)

– Enquanto eu tentava impedir que a nossa família desmoronasse, o José Pedro teve de responder por todas as suas acusações. Ele quase foi preso por isso! E ainda tivemos que aumentar a nossa dívida com o Maurílio por causa disso – continua a Imperatriz tentando manter-se firme diante de seu Imperador.

But I know I have a fickle heart and bitterness
And a wandering eye, and a heaviness in my head

(Mas eu sei que eu tenho um coração inconstante e amargo
E um olho errante, e um peso em minha cabeça)

– A Maria Clara ficou um tempão trancada criando uma nova coleção inteira e tendo que jogar o diploma dela no lixo para desenhar anel de formatura e abnegar da vida dela, caso você não saiba ela e o Vicente estão por um fio. E tudo bem que eu não sou muito a favor de um cozinheiro na família mas se ela gosta o que eu posso fazer? – Marta gesticula com as mãos e evita olhar para os olhos de seu marido.

But don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before
Baby, please remember me once more

(Mas você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes?
Amor, por favor lembre-se de mim mais uma vez)

– O João Lucas assim como o resto dos seus filhos fica horas e horas dentro daquela empresa e você sabe o quanto ele odeia isso – fala Marta lembrando-se do quanto o filho odiava até mesmo passar pela empresa e do quanto o mesmo tirava sarro dos 'engomadinhos' que trabalhavam lá.– Sabe quem ele tá parecendo? Ele tá parecendo você nos primeiros anos da Império, trancafiado naquele escritório e perdendo o crescimento dos seus filhos.

– E ainda tem a Cristina que está segurando as pontas da empresa pra ela não afundar de vez e tendo que enfrentar todo o conselho e os funcionários da Império. Todos eles já não sabem mais o que faz para salvar os negócios da família e ainda temos que aturar aquele cachorro do Maurílio metendo o bedelho em tudo porque devemos á ele. – desabafa a mulher e passa a encarar o teto para impedir que as lágrimas que estava segurando caíssem.

Gave you the space so you could breathe
I kept my distance so you would be free
And hope that you find the missing piece
To bring you back to me

(Eu te dei espaço para que você pudesse respirar
Eu me afastei para que você pudesse ser livre
E espero que você encontre a peça que falta
Para trazer você de volta para mim)

– Tudo isso enquanto você fica aí brincando de morto-vivo, mas sabe qual é a verdade Zé? Você não passa de um covarde, um frouxo. Maldito foi o... – Maria Marta que descarregava toda sua fúria e frustração em Zé é interrompida pelo mesmo que segura os braços da esposa que o batia enquanto falava a obrigando parar.

– JÁ CHEGA! Agora eu vou te mostrar quem é o frouxo aqui... – diz ele alto a empurrando até a parede do quarto de forma que a aristocrata ficava presa entre a parede e ele, sem saída.

Why don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before
Baby, please remember me once more

(Por que você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes?
Amor, por favor lembre-se de mim mais uma vez)

Neste momento os dois se olham fixamente, ambos com raiva e mágoa emanando dentro de si. Maria Marta e José Alfredo respiram com dificuldade devido á exaltação de segundos atrás, aos poucos eles vão se acalmando. Porém, os olhos continuam fixos um no outro, como se estivessem hipnotizados de alguma forma.

E então naquele momento tudo que antes os repeliam um do outro, acaba os atraindo. Sem poder controlar seu próprio extinto Zé passa a olhar para os lábios da mulher e assunta-se com a vontade que sente de beijá-la, mas do que beijar ele naquele momento queria fazê-la sua como antes. E a mulher a sua frente não pensava diferente.

But don't you remember?
Don't you remember?
The reason you loved me before
Baby, please remember me once more

(Mas você não se lembra?
Você não se lembra?
A razão pela qual me amou antes?
Amor, por favor lembre-se de mim mais uma vez)

– Me solta?! – murmura ela em um fio de voz, suas palavras saem confusas, tão confusas quanto ela própria. José Alfredo após alguns segundos parece acordar de um transe e solta dos braços da mulher que ainda segurava e levanta as mãos para cima em um sinal de rendição e fecha os olhos.

Maria Marta imediatamente sai de perto do homem e pega a bolsa que em algum momento ela havia deixado em cima da cama e rapidamente olha para trás onde Zé ainda estava parado e estático.

– Nos falamos depois que agora eu tenho que ir para casa cuidar dos meus filhos – avisa-o e bate a porta, mas não sem antes escutar o homem de preto gritar um “nossos filhos” de dentro do quarto.

When will I see you again?

(Quando eu vou te ver de novo?)

***

Após a discussão e o momento de mais cedo Maria Marta retorna para casa um pouco mais calma e dá de cara com José Pedro, João Lucas, Maria Clara, Cristina, Du, Silviano e os netos todos na sala a esperando.

Ela olha para todos com curiosidade e então nota que ao lado deles tem malas, muitas malas, ela franze a testa para a cena e então os filhos parecem notar a sua presença e logo ficam de pé.

– Gente, mas o que é isso? Tem alguém de mudança? Pelo amor de Deus não diga que estamos sendo despejados – diz ela levantando as mãos para cima.

– Não, mãe! Claro que não, não fala isso nem de brincadeira – diz Maria Clara levantando as mãos também como se pedisse aos céus para isso nunca acontecer.

– Mas então o que é todas essas malas? – questiona ela descendo os degraus e ficando de frente para os filhos.

– Então, coroa. É por isso que a gente tava esperando você – diz Lucas que logo recebe uma cotovelada de Du depois de Marta fazer careta ao ouvir o ‘coroa’.

– Então mãe, a gente resolveu fazer uma viagem é... Uma viagem... – José Pedro se atrapalha todo; antes tinham combinado de mentir sobre o destino da viagem para que não alertassem Maurílio ou qualquer outra pessoa. No entanto não haviam combinado para onde supostamente estariam indo, e depois Pedro nunca foi bom em mentir para a mãe.

– Nós estamos indo para o Monte Roraima – diz Cristina ao notar que Zé Pedro não iria conseguir inventar uma boa desculpa e iria estragar o plano todo.

– No monte? Mas o que vocês vão fazer naquele lugar, meu deus do céu? – pergunta a Imperatriz confusa.

– Deixa que eu explico! – diz Maria Clara ao notar que seu irmão mais velho iria começar a falar. – Então mãe, a senhora sabe como o pai gostava tanto daquele lugar. Ele sempre dizia que lá ele recarregava as forças e tudo mais, e a gente começou a pensar que talvez indo lá a gente encontre uma forma de salvar a Império – explica Maria Clara da forma mais convincente possível, assustando até mesmo os irmãos que ficaram chocados com a atuação dela. Quem visse pensaria que ela estava falando a verdade e jamais desconfiaria.

– E eu posso saber como ir naquele morro iria ajudar a empresa? – pergunta Marta não querendo dar o braço a torcer.

– Qualé mãe é uma tentativa poxa, e além do mais a gente vai se sentir mais perto do coroa né? Vai que ele resolve mandar uma luz? – diz Lucas entrando no jogo de Maria Clara e fazendo a cara mais triste possível – E você sabe né mãe que quando a gente sente falta quer estar perto. E ele considerava aquele lugar sagrado e vivia prometendo que ia levar a gente lá... – o caçula da família Medeiros faz a maior cara de cachorrinho, um truque que ele usava na infância para conseguir o que queria com os pais. Depois de apelar para o sentimentalismo, é claro. – Ele nunca pode levar... – Ele então começa a simular um choro e Du que ainda estava do seu lado dá outra cotovelada seguida de um beliscão bem discreto o obrigando a parar com o show que ele estava dando e estragando tudo com o exagero. Os outros que estavam na sala exceto Silviano e Marta seguram o riso com o jeito de Lucas.

Maria Marta que ouvia as explicações amolece com os argumentos de Lucas, e sente-se culpada imediatamente e tentada a contar que o pai deles na verdade estava vivinho da silva em um quartinho de bar xexelento.

– Tá, ta. Vocês vão, mas tomem cuidado ouviu bem? Aquele lugar é perigoso e outra coisa, leve sempre uma lanterna reserva caso for sair pelo meio daquele mato – diz ela lembrando-se da vez em que a bateria do seu celular acabou e ela teve de voltar no escuro para o acampamento.

– Então... tá bom! – diz Cristina estranhando o conselho da mulher e pegando a sua mala e indo até o hall de entrada sendo seguida por Maria Clara e José Pedro. João Lucas então trata de se despedir dos filhos e de Du.

– Fiquem bem, ouviu? Obedeça a mamãe de vocês e se comportem. Papai volta logo, logo prometo. Trago até um presente pra vocês lá da... – João Lucas leva um leve tapa de Du no braço e logo percebe o que estava a ponto de falar – Lá da floresta, é. Papai traz um graveto ou uma pedra é, ele traz. – diz Lucas tentando concertar seu erro e Du revira os olhos para o melhor amigo/esposo/pai de seus filhos.

– E você se cuida também, lek. Juízo e eu tô de olho hein? – diz ele fazendo gracinha com as mãos fazendo a mulher de cabelos cor-de-fogo rir das idiotices do marido. De longe Maria Marta fica observando os dois e lembrando das vezes em que Zé a deixava para ir até aquele monte, a deixando em casa com os filhos. – Eu volto logo, tá? Eu prometo. – diz Lucas dando um beijo na mulher.

– Ô Lucas, você não vem? – chama Maria Clara da porta do apartamento.

– To indo, maninha. Eu vou morrer de saudade de você, de vocês – diz olhando para os filhos e beijando na testa os três amores de sua vida.

– Lucas, meu filho. Eu até entendo que é impossível levar seus filhos até aquele lugar medonho, mas nada te impede te levar a sua lek lek. – diz Marta sensibilizada e olhando para os dois.

– Ah, dona Marta mas e os lekinhos? Não tem como ir e deixar eles aqui sozinhos. – diz Du supresa com a sugestão da sogra.

– Que sozinhos, e eu? Eu não conto não? Vai, você igual o destrambelhado do meu filho tem cara de quem curte uma daquelas séries de aventura safári que passam na TV. – diz Marta gesticulando com as mãos – Vai com o seu marido e aproveitam e fazem uma lua-de-mel que vocês não fizeram aqui. Eu fico com os mini lek lek pra vocês. – diz ela pegando Alfredinho no colo.

– Sério mãe? – pergunta Lucas sorrindo

– Gente, vocês vão ou não vão? A gente vai perder o vôo... do helicóptero, é eles não vão esperar a gente para sempre. – diz José Pedro que volta pra casa chamar o irmão e agora a cunhada. Du então sobe correndo para o quarto fazer a sua mochila, enquanto Lucas aproveita para ficar um tempo mais com os filhos.

***

Eles chegaram ao aeroporto quase perdendo o avião e ainda tiveram que arrumar um lugar para Du ir também, por fim descobriram que o sobrenome Medeiros de Mendonça e Albuquerque ainda tinha algum prestígio e poderia abrir algumas portas ou no caso uma vaga no vôo para Genebra.

A maior parte do tempo Cristina, Maria Clara, José Pedro, João Lucas e Du foram dormindo até que finalmente chegaram ao destino. Dentro do táxi conseguiram rir um pouco das desculpas que deram á mãe lembrando-se dos tempos de infância quando viviam pregando peças nos pais.

Chegaram ao apartamento de Joshua, amigo de Pedro exaustos e decidiram então começar as buscas pelo dinheiro da empresa apenas no dia seguinte, Cristina e Clara foram descansar da viagem, Du e Lucas resolveram explorar a cidade e Pedro resolveu procurar algo para se entreter.

***

(Dê o play)

The way you move is like a full-on rainstorm
And I'm a house of cards
You're the kind of reckless that should send me running
But I kinda know that I won't get far

(O jeito que você se move é como uma completa tempestade
E eu sou um castelo de cartas
Você é o tipo de despreocupado que deveria me fazer sair correndo
Mas eu meio que sei que não iria chegar longe)

Após todos decidirem começar as buscas do dinheiro no dia seguinte, José Pedro resolveu conhecer o lugar melhor, já que nunca havia ido até Genebra. Apenas ouvia histórias de como seu pai e sua mãe haviam se conhecido e de como seu pai construiu sua fortuna, ele era o único filho que sabia a história completa além é claro de Cristina. Já que Clara e Lucas desconheciam a parte do contrabando de pedras preciosas. Distraído em seus pensamentos esbarrou com algo, ou melhor alguém. A moça na qual havia esbarrado desequilibrou e caiu no chão derrubando vários papéis junto. José Pedro imediatamente tratou de socorrê-la.

And you stood there in front of me
Just close enough to touch
Close enough to hope you couldn't see
What I was thinking of

(E você ficou ai em frente a mim
Apenas perto o suficiente para tocar
Perto o suficiente para esperar que você não visse
O que eu estava pensando)

– Désolé, je ne vous avais pas vu. – disse ele desculpando-se em francês e alegando que não a tinha visto por estar distraído.

– Droga, hoje não é o meu dia. – resmungou a moça levantando-se com a ajuda de José Pedro.– Ce est bon, ne vous inquiétez pas. – respondeu ela em português, dizendo que não era necessário se preocupar.

Drop everything now
Meet me in the pouring rain
Kiss me on the sidewalk
Take away the pain
'Cause I see sparks fly whenever you smile

(Largue tudo agora
Me encontre na chuva
Me beije na calçada
Leve pra longe a dor
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri)

– Você fala português – afirmou ele.

– É. Você também, isso é ótimo. Você é ótimo. – disse ela e sorriu, logo que pensou nas palavras que disse tratou de consertar – Não é isso que eu quis dizer, eu não estava te cantando quando disse que você era ótimo. Não que você seja de se jogar fora, longe disso... É, quer dizer – a moça sentiu suas bochechas ficarem vermelha com a confusão que havia feito, mas sempre que ficava nervosa acabava se atrapalhando com as palavras. – Só é ótimo que você também fale português! – disse ela por fim abaixando a cabeça para tentar esconder suas bochechas coradas.

Get me with those green eyes, baby
As the lights go down
Give me something that'll haunt me
When you're not around
'Cause I see sparks fly whenever you smile

(Me surpreenda com aqueles olhos verdes, amor
Enquanto as luzes se apagam
Me dê algo que irá me assombrar
Quando você não estiver por perto
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri)

– Que ótimo que você fala português também. – disse ele se esforçando para não rir da confusão da moça que estava na sua frente. – Eu acho que eu te atrapalhei. – a moça fez uma cara de confusão e de espanto ao mesmo tempo ao imaginar que ele leu seus pensamentos. – com os papéis – completou Pedro apontando para o chão onde os mesmos estavam espalhados.

My mind forgets to remind me
You're a bad idea
You touch me once and it's really something
You find I'm even better than you imagined I would be

(Minha mente esquece de me lembrar
Que você é uma má ideia
Você me tocou uma vez e isso foi realmente algo
Você descobriu que eu ainda sou melhor do que você pensou que eu fosse)

– Ah, claro. Você estava se referindo aos papéis, não que tenha outra coisa que você poderia se referir. É que... Eu acho melhor eu parar de falar – disse a moça envergonhada se abaixando ao mesmo tempo que José Pedro para juntas os papéis.

I'm on my guard for the rest of the world
But with you, I know it's no good
And I could wait patiently, but
I really wish you would

(Eu estou em guarda para o resto do mundo
Mas com você, eu sei que isso não é bom
E eu poderia esperar pacientemente, mas
Eu realmente gostaria que você)

– Aqui – disse ele entregando os papéis para ela, que os pegou imediatamente das mãos do rapaz. – Eu sou o José Pedro – apresentou-se ele.

Drop everything now
Meet me in the pouring rain
Kiss me on the sidewalk
Take away the pain
'Cause I see sparks fly whenever you smile

(Largasse tudo agora
Me encontre na chuva
Me beije na calçada
Leve pra longe a dor
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri)

– Maria Fernanda Braga – respondeu passando os papéis para a mão direita e logo estendendo a esquerda em um cumprimento.

Get me with those green eyes, baby
As the lights go down
Give me something that'll haunt me
When you're not around
'Cause I see sparks fly whenever you smile

(Me surpreenda com aqueles olhos verdes, amor
Enquanto as luzes se apagam
Me dê algo que irá me assombrar
Quando você não estiver por perto
Porque eu vejo faíscas voarem sempre que você sorri)

– Na verdade os meus amigos me chamam de Nanda, não que você seja meu amigo e é pra você me chamar assim. É que na verdade todo mundo que me conhece me chama assim e como eu tecnicamente acabei de te conhecer... – Maria Fernanda, ou Nanda como os amigos e conhecidos á chamavam passou a se atrapalhar novamente e murmurou um ‘droga’ novamente. Ela detestava ficar nervosa, certamente o rapaz a sua frente pensaria que ela tinha algum tipo de problema mental. Não que ela se preocupasse com que o tal José Pedro pensava sobre ela, não mesmo. – Eu tenho de parar de me atrapalhar desse jeito – riu ela e José Pedro viu-se obrigado a rir junto com ela e a garota se deu conta que gostava da risada dele.

I'll run my fingers through your hair
And watch the lights go wild
Just keep on keeping your eyes on me
It's just wrong enough to make it feel right
And lead me up the staircase
Won't you whisper soft and slow?
I'm captivated by you, baby
Like a fireworks show

(Eu vou passar meus dedos pelo seu cabelo
E ver as luzes desaparecerem
Só continue mantendo seus olhos em mim
Isso é apenas errado o suficiente para fazer parecer certo
Me leve para cima das escadas
Você não vai sussurrar suave e devagar?
Eu estou cativada por você, amor
Como um show de fogos de artifício)

– Então, Nanda. Eu acho que te devo um café por ter te derrubado no chão e amassado seus papéis – diz ele apontando para os papéis que antes estavam perfeitamente esticados e branco agora cheio de amassados e levemente empoeirados devido o contato com o chão. A moça apenas assentiu com a cabeça e seguiu Pedro até uma cafeteria do outro lado da rua.

And the sparks fly
Oh, baby, smile
And the sparks fly

(E as faíscas voam
Oh, amor, sorria
E as faíscas voam)

Notas finais
Bom gente é isso, eu já tinha esse capítulo quase pronto mas tive que praticamente reescrevê-lo e pegar várias coisas que tinha programado para ele e jogar para o próximo capítulo. Eu quero muito que vocês me contem o que acharam desse capítulo, pois é o meu favorito até agora (apesar de eu ter que jogar a cena do passeio Lucadu para o próximo) e também o que acharam da Maria Fernanda, espero que reparem bem nela pois ela será totalmente importante para a história da fic. Portanto comentem, é importantíssimo. Bom, espero que tenham gostado. Um beijo e até a próxima, @noveleiradaily.