Miss You Love

6 Chapter 6: Not Sure


Notas iniciais
Ei, pessoal. Eu andei tendo alguns problemas ao longo da semana e foi por isso que demorei tanto para postar mesmo tendo esse capítulo pronto já faz tempinho. O próximo também já está pronto, tentarei postar amanhã ou no mais tardar na terça feira. Esse capítulo não vai ter trilha sonora pois algumas pessoas vieram me avisar que atrapalha na leitura, então este capítulo vai ser um teste para ver se volto com a trilha ou não, isso depende de vocês. Outra coisa que vieram me avisar era que ficaria melhor se eu diminuísse as cenas de personagens secundários, como os irmãos Medeiros. Então eu tentei diminuir, mas não tanto pois eu não sei como continuar a fanfic sem eles. Sei que não estou focando tanto assim em malfred mas é necessário para o desenvolvimento da história, prometo que mais para frente eles terão mais destaque. A fanfic passou das 4 mil visualizações, estou muito feliz mesmo com o retorno que eu estou tendo. Cada favorito, cada comentário me deixa muito feliz e me estimula muito á não abandonar. Mas agora vamos ao capítulo, nos vemos nas notas finais.

– Então quer dizer que você veio até aqui para tentar salvar a empresa do seu pai? – questionou Maria Fernanda após José Pedro lhe contar toda a história.

– É mais ou menos isso. Essa empresa era a vida do meu pai, não quero nem pensar como seria se a gente a perdesse. Ainda mais agora que ele se foi, eu sinto que temos a obrigação de salvar o que ele passou a vida toda construindo. – explicou Pedro, na verdade ele nem sabia o porquê de estar se abrindo dessa forma para uma completa desconhecida, mas Nanda conseguia o passar uma confiança que chegava a ser assustadora para ele.

– É eu sei como é isso. – comentou Nanda.

– O quê? Ter o seu dinheiro misteriosamente roubado? – questionou ele fazendo graça com o jeito dela falar.

– Não seja bobo, não é engraçado – repreende ela tentando não rir, o que é inevitável. – É feio rir dos outros sabia? Mas eu me refiro á querer fazer alguém sentir orgulho de você.

– Não foi isso o que eu... – começa ele.

– De uma maneira ou de outra você quer que o seu pai se orgulhe de você, mesmo agora que ele morreu você continua achando uma forma de ele aprovar alguma coisa que você faça. É ou não é? – perguntou ela arqueando as sobrancelhas e conseguiu o ver assentir após ponderar por alguns segundos – A minha mãe morreu quando eu era criança e eu nunca conheci o meu pai, eu entendo essa coisa de perder alguém. É normal que você queira honrar o seu pai, ainda mais agora que vocês estão passando por isso.

– Tem horas de que eu duvido disso, eu não sou como os meus irmãos. A Maria Clara sempre foi criativa e talentosa, a princesinha do meu pai. Já o João Lucas sempre foi o rebelde, mas mesmo assim ele não tinha medo de falar o que pensava e fazia o que ele queria. E tem a Cristina agora, mesmo à gente implicando e batendo de frente toda hora, eu tenho que admitir que ela até que leva jeito para os negócios, ela é corajosa e não liga para o que os outros vão pensar. E eu... – ele é interrompido novamente por Fernanda.

– Você é o filho que tá sempre tentando se provar, se mostrar útil e mostrar que tem valor. Você quer que o seu pai te admire do jeito que você admira ele. Você não quer ser visto só como o filho do dono, você quer mostrar que tem tanta capacidade como qualquer outro. – Ela completou após analisar os fatos. – Eu juro que não tirei isso de um livro de auto-ajuda ou daqueles documentários de filhos rejeitados, não que tenha um documentário para isso... Pelo menos eu acho que não tem. E eu também não quero dizer que você é rejeitado, longe disso. Droga! – resmungou ela se atrapalhando novamente, tinha perdido a conta de quantas vezes havia feito isso – Eu tenho que parar de fazer isso, eu acabo assustando as pessoas.

– Eu entendi o que você quis dizer, não se preocupe. Não me assusta, eu acho até que engraçado – riu Pedro sendo acompanhado por Maria Fernanda.

– Bom, já deu a minha hora. – disse ela olhando para o relógio, nem havia visto o tempo passar. – Eu ainda tenho que visitar a minha avó, ela não anda bem de saúde nesses últimos tempos e costuma dormir cedo. – explicou ela terminando de tomar o café e pegando sua bolsa junto com as pastas e os papéis que havia derrubado mais cedo. – Muito obrigada pelo café e tudo mais, e... Tomara que você consiga salvar a sua empresa junto com os seus irmãos.

– Obrigado, eu acho que vou precisar. E boa sorte com a sua reunião e melhoras para a sua avó. – disse ele se lembrando da conversa que teve mais cedo sobre ela. Eles se despediram com um abraço meio desajeitado por conta dos papéis e pastas que ela carregava.

***

Logo após os meninos saírem em viagem Maria Marta ficou ali brincando com Martinha e Alfredinho na sala por um tempo, até que pediu a ajuda de uma das babás para levá-los até o quarto, pois os gêmeos estavam exaustos de tantas brincadeiras com a vovó coruja.

Maria Marta ficou ali velando o sono dos dois, decidiu que não iria à empresa, pois não queria ter um encontro desagradável com Maurílio que havia ganhado um cargo na empresa a contragosto de todos e vivia por lá se sentindo o imperador. Mal sabia ele que o verdadeiro imperador estava vivo e perto, logo tratou de espantar esses pensamentos para longe.

Não queria mais pensar em José Alfredo, não naquele dia. Ficou pensando nele durante todos os dias dos oito meses em que ele estava “morto” apenas para descobrir que ele havia enganado á todos e os feito passar por um verdadeiro inferno por nada. Mas seu coração era traiçoeiro e volte e meia ela já pensava novamente nele, queria ter o poder de tirá-lo completamente de sua vida, queria ter o controle de sua vida e seus sentimentos novamente. No entanto era impossível, impossível uma vez em que certo nordestino cangaceiro lhe roubou o coração e até mesmo sua razão.

Naquele momento ouvir seu telefone tocar e o amaldiçoou baixinho com medo de acordar os gêmeos que finalmente dormiam feito anjos. Saiu do quarto com cuidado para não fazer barulho e se encaminhou para o seu, chegando lá olhou para a tela do celular e se deparou com um número privado. E então resolveu atender.

– Alô? – disse ela na linha. Alguns segundos se passaram e ela não obteve uma resposta. – Alô? – repetiu e a linha continuou em silêncio, ela observou novamente a tela para ter certeza de que a ligação não havia caído e resolveu tentar uma última vez. – Tem alguém aí?

– Marta?! – disse uma voz do outro lado da linha um pouco incerta, uma voz que ela conhecia muito bem. Era a voz de seu marido, Zé.

– Zé? – murmurou ela espantada se dirigindo imediatamente até a porta e a trancando a chave para não ter perigo de alguém entrar ali e ouví-la falando ao telefone com alguém que tecnicamente estava morto e enterrado. – O que você quer? – disse ela bruscamente lembrando-se de que estava com raiva dele.

– Nós precisamos conversar, venha até aqui em uma hora. – disse o homem de preto do outro lado da linha, logo tratando de desligar o telefone na cara da mulher.

– Quem aquele jagunço acha que é para desligar o telefone assim na minha cara? E ainda mais me dar ordens... Mas ele vai ver só se eu volto naquele lugar xexelento, vai ter que esperar sentado. – falava ela indignada andando de um lado para o outro no quarto. Mas afinal, o que o Comendador queria com ela?

***

– Irmãozinho... Aonde você tava até essa hora? Arrumou uma namorada foi? Tá com a maior cara de bobo, não que você tenha uma diferente, mas agora tá mais bobo ainda. – perguntou João Lucas fazendo graça assim que José Pedro entrou no apartamento sendo acompanhado pelas risadas de Maria Clara e Du.

– Ah não enche Lucas, e vocês dois aproveitaram à tarde? Cuidado que não estou preparado para ser tio pela terceira vez, hein... Ou quarta, vai que são gêmeos de novo, né? – Retruca José Pedro fazendo todos rirem e vendo Du ficar da cor dos cabelos por conta da piada.

– Não Pedro, dessa vez pode ser trigêmeos poxa. Já imaginou como seria? Um sobrinho para cada um de nós mimarmos. – entrou na brincadeira Clara arrancando ainda mais risadas e piorando a situação de Lucas e Du.

– Tá bom, a gente entendeu tá? Não precisa exagerar também, não estou em condições de ser pai de novo. Pelo menos não agora, depois a gente pensa nisso, né Du? – cutucou João Lucas rindo da esposa.

– Agora falando de coisa séria, amanhã a gente tem que ir naquele banco não é? Então bora dormir cedo e vocês pensam nessa coisa de filhos depois que a gente salvar a empresa. Afinal, vocês têm todo o tempo do mundo para ter dois, três, quatro, sete filhos se quiserem. – Diz Cristina entrando na brincadeira e recebendo uma almofada na cara de João Lucas.

– Cara, até você? Era só o que me faltava ser o zoado da família. – dramatiza João Lucas ao ver os irmãos rindo. – E você, lek? Não vai defender o maridão não?! – questiona João Lucas.

– Te vira aí lek, que eu vou tomar banho. Fui! – diz Du levantando do sofá e se dirigindo para um dos quartos.

***

Assim que o Comendador desliga o telefone ele logo trata de se recriminar, afinal o que lhe dera na cabeça para ligar para Maria Marta? Nem ele mesmo sabia, quando viu o telefone já estava chamando e ela havia atendido. Shit, disse ele mentalmente.

Não devia ter feito isso, ao menos não agora. Conhecia Maria Marta o suficiente para saber que ela estava fervendo de raiva dele, com o orgulho ferido e principalmente com a sua teimosia lá nas alturas e jamais iria concordar com o que for que ele pedisse por mais que fosse o certo. Ela jamais daria o braço a torcer.

Ele deixa o celular em uma mesinha que havia ali no quartinho e se joga na cama, ele definitivamente estava entediado. Ser morto era terrível, ainda mais para uma pessoa tão animada e agitada como ele. Olhou para o teto e repassou o que havia acontecido com ele naquele dia, afinal foram muitas emoções:

– Nenhum dos seus filhos sabe mais o que fazer para salvar os negócios da família e ainda temos que aturar aquele ridículo do Maurílio metendo o bedelho em tudo porque devemos á ele. Enquanto você fica aí brincando de morto-vivo, mas sabe qual é a verdade Zé? Você não passa de um covarde, um frouxo. Maldito foi o dia... – Naquele momento Maria Marta que descarregava toda a sua fúria e frustração em José Alfredo é interrompida pelo mesmo que a segura pelos braços, obrigando-a parar de batê-lo.

– JÁ CHEGA! É agora que eu vou te mostrar quem é o frouxo aqui... – diz o homem a empurrando até a parede do quarto de forma que a aristocrata ficaria presa entre a parede e ele, totalmente sem saída.

Naquele momento os seus olhares se cruzam e ficam ali se olhando fixamente, ambos com raiva e mágoa emanando dentro de si. Maria Marta e José Alfredo passam a respirar com dificuldade devida á exaltação de segundos atrás, e aos poucos vão se acalmando.

Porém, seus olhos continuam fixos um no outro, como se eles estivessem hipnotizados de alguma forma. E então, naquele momento tudo o que antes os repeliam, acaba os atraindo.

Sem poder controlar o seu próprio extinto Zé passa a olhar para os lábios da mulher a sua frente e assusta-se com a vontade repentina que sente em beijá-la. Não, era mais do que beijar, naquele momento Zé queria fazê-la sua como costumava antes. E a mulher a sua frente por mais que não quisesse admitir não pensava em outra coisa.

– Me solta?! – murmura ela em um fio de voz, suas palavras saem confusas, tão confusas quanto ela própria. José Alfredo após alguns segundos parece acordar de um transe e solta dos braços da mulher que ainda segurava e levanta as mãos para cima em um sinal de rendição e fecha os olhos.

Maria Marta imediatamente sai de perto do homem e pega a bolsa que em algum momento ela havia deixado em cima da cama e rapidamente olha para trás onde Zé ainda estava parado e estático.”

– What the hell! O que deu em mim para fazer aquilo mais cedo? Isso não podia ter acontecido, não podia. – falava o Comendador para si mesmo ainda olhando para o teto do quartinho. – Será que eu estou em abstinência, é isso? Claro, essa seria a única explicação pra eu ter feito aquilo. Foi só isso. – dizia ele afirmando aquilo para si mesmo como se fosse um mantra que ele tentava memorizar. – By the way, porque eu to pensando nisso agora? Eu devo estar é ficando maluco, só pode.

***

Maria Marta estava em seu quarto e encarava o telefone, o seu grande dilema era: ir ou não ir? Na verdade ela não queria ir, não depois do nordestino ter desligado o telefone na sua cara e ainda pensar que tinha algum tipo de autoridade para lhe dar ordens.

No entanto, por outro lado ela estava morrendo de curiosidade para saber o que Zé queria com ela. Afinal, ela e os filhos dependiam dos planos que o homem de preto teria.

Ela já havia se arrumado para sair, mas não havia decidido se iria ou não de encontro com o Comendador. Torcia para que um dos gêmeos acordasse para que ela tivesse uma desculpa e não precisasse ir. Porém, parecia que o destino estava contra ela e os gêmeos pareciam que não iriam acordar tão cedo.

Após revirar os olhos ao ver sua curiosidade vencendo o seu orgulho ela pegou a bolsa e saiu do quarto, tomando cuidado para não ser vista desceu as escadas com todo o cuidado para não fazer barulho e se encaminhou para a porta.

– A madame vai sair? – questionou Silviano fazendo Maria Marta se assustar e bufar baixinho virando-se para encarar o mordomo. Não entendia como o mesmo a havia visto, tinha tomado todo o cuidado.

– Vou sim Silviano, eu vou... Conversar com a Helena – respondeu rapidamente arrumando uma desculpa. – Nós combinamos de nos encontrar, já faz tanto tempo que não conversamos – disse Marta, afinal não poderia revelar que estava indo encontrar seu marido ‘morto’ em um barzinho em Santa Tereza e não no cemitério, que é onde ele deveria estar em primeiro lugar.

– Mas, vocês marcaram de sair a essas horas? Não é muito perigoso? – questionou novamente estranhando o comportamento da patroa, já que ela não costumava sair muito tarde.

– Não precisa se preocupar Silviano. É coisa rápida, eu volto logo e qualquer coisa eu estou com o celular ligado. – Respondeu ela saindo pela porta.

***

– O Comendador precisa de mais alguma coisa? – perguntou Josué assim que o mesmo terminou de atualizar Zé sobre o que estava acontecendo lá fora e na empresa.

– Não Josué, você já pode ir. O jeito agora é esperar Cristina ligar e ver o que descobrimos sobre quem está por trás do impostor do Maurílio. – Josué apenas assentiu com a cabeça e virou-se para ir embora, ao abrir a porta o mesmo ficou estático. – O que houve? Tá parado aí desse jeito por quê? – questionou Zé Alfredo com seu característico sotaque nordestino. O Comendador se dirigiu até a porta e deparou-se com sua esposa ali.

– Mas é lógico que você também sabia não é? – disse a aristocrata empurrando Josué e entrando sem pedir licença. – Eu devia ter imaginado aqueles seus tititis com a Cristina, que eu aposto que sabia de tudo também. Acho que a questão é: quem não sabia? Porque parece que eu estou sendo a última á saber de tudo. – continuou Marta deixando a bolsa em cima de um sofá que havia ali no quarto.

– Tem certeza que o Comendador não vai precisar de mais nada? – insistiu Josué ainda abismado com a presença de Maria Marta ali. José Alfredo não havia lhe contado nada sobre ela ter descoberto o segredo dele.

– Tenho sim, pode ir. – responde o Comendador lhe dando um olhar que dizia que explicaria tudo mais tarde. Josué apenas assentiu e despediu-se do casal imperial logo fechando a porta atrás de si.

– E então, vai me dizer por que me chamou aqui? – questiona Marta após alguns segundos da saída de Josué.

– Você sabe que nós não terminamos aquela uhn... Conversa de mais cedo. – diz ele meio incerto e logo se senta na beirada de sua cama fazendo sinal para que ela sentasse também, deixando claro que o assunto iria demorar.

Após alguns minutos decidindo onde sentaria ela optou por sentar na poltrona que ficava de frente para a cama aonde havia largado sua bolsa, rejeitando o lugar oferecido ao lado do marido. Zé apenas revirou os olhos com a infantilidade da esposa e esperou que ela se acomodasse.

– Pode começar – disse ela.

– Você sabe que estamos falidos e que claramente eu não estou morto como todos pensam... – começou.

– Espera aí, você me trouxe até esse fim de mundo para falar de coisas que eu já sei? – questionou entediada.

– Quer fazer o favor de me deixar terminar? – a madame apenas assentiu e fez sinal para que ele prosseguisse – Como eu ia dizendo estamos sem nenhum tostão e eu não estou morto... – Maria Marta apenas revirou os olhos ao ouví-lo repetir –... Eu não sei quem roubou a nossa fortuna ainda, mas estou prestes a descobrir, então não se preocupe. E espero que você entenda que eu tenho que continuar morto para todos os efeitos. – termina.

– Pra você conseguir pegar o Maurílio?

– Pra pegar quem está por trás do “Maurílio”. – responde fazendo aspas com as mãos ao dizer o nome do individuo. – A verdade é que o Maurílio não é quem diz ser, o nome dele nem é Maurílio.

– Como é que é? – questiona incrédula.

– É exatamente isso, Marta. Aquele gigolô não é nada do que diz ser, ele faz parte de um esquema que é para acabar comigo. Para destruir o nosso Império e principalmente me destruir. Eu até aposto que esse dinheiro que ele tanto se orgulha de ter emprestado para vocês é o nosso próprio dinheiro – explica Zé pacientemente enquanto a mulher a sua frente ficava cada vez mais chocada.

– Mas se é isso... Meu deus, como eu não pude perceber? – diz ela levantando-se e andando pelo quarto.

– Ninguém percebeu Marta. Ele se infiltrou na nossa família e ninguém conseguiu prever quais eram as reais intenções daquele piece of shit. – diz o homem de preto.

– E o que o Comendador pretende fazer? – pergunta ela.

– O que você acha? Eu pretendo mostrar para aquele sujeitinho que ele mexeu com a pessoa errada, ele vai pagar por tudo o que está fazendo. E seja quem for que estiver por trás dele vai desejar nunca ter entrado no meu caminho. Eu vou retomar tudo o que é meu de volta, Marta. Absolutamente tudo. – discursa Zé e levanta da cama e caminha até ficar de frente para a esposa. – Mas para isso eu preciso da sua ajuda, Marta. Eu preciso que você esteja ao meu lado e não contra mim. – pede ele segurando as mãos da imperatriz sem nem ao menos se dar conta.

– Se é para salvar o patrimônio dos meus filhos, eu ajudo.

– Nossos filhos, Marta! – corrige Zé.

– É, nossos filhos. E por falar neles... – começa Marta.

– Eles não podem saber de nada, Maria Marta. – interrompe o Comendador.

– Mas como não? Se até a bastardinha de Santa Tereza sabe porque é que os seus filhos legítimos não podem saber? – questiona indignada.

– Porque é muito perigoso, a gente nem sabe com quem é que a gente tá lidando. Cristina só sabe por que eu não tive outra opção, porque ela foi à única que eu pude confiar para cuidar da empresa e tentar salvá-la do buraco. E você... Bem, você só sabe por que você é você, não é? Sempre tentando dar um jeitinho, sempre se metendo onde não deve. – responde o Comendador de forma sarcástica a última parte.

– Poupe-me do seu sarcasmo. Então quer dizer que você confia na Crissstina, mas não confia nos seus próprios filhos? Ou em mim que sempre estive ao teu lado, que te ajudei a construir todo o seu Império? – pergunta incrédula.

– Mas é claro! Como eu poderia entregar a empresa nas mãos de vocês? Você sempre treinou o José Pedro pra tomar o meu lugar, Maria Clara não entende nada da administração da empresa, o João Lucas não quer nada com nada. Aquele lá é bem capaz de transformar a empresa em uma rave se deixar. E você Marta... Acho que nem preciso explicar todos os motivos pelo qual você não é qualificada, não é mesmo? – ironiza o homem.

– Mas agora eu quero saber, anda logo, fala. Porque eu não sou qualificada?

– Você é engraçada, Marta. Esses seus lapsos de memória... – ironiza José Alfredo rindo, será que ela não se dava conta do que havia lhe feito ou era apenas hipócrita ao fingir-se de desentendida? Será que ela não fazia conta do dano que havia lhe feito? – Mas já que você insiste eu posso citar aqui o golpe que você tentou dar na Império, todos esses anos que você tentou jogar os meus filhos contra mim... Esse seu ódio que você tem de mim, eu nunca vou me esquecer que você prometeu me destruir Maria Marta, nunca. Inclusive pode ser você esse meu inimigo que não tem nome e nem rosto. Me diga Maria Marta, é você? – acusa José Alfredo, parecia que ele estava ficando cada vez mais paranóico, afinal já tinha sofrido um atentado. E só de imaginar que Marta poderia ser seu inimigo fazia seu sangue ferver, ao mesmo tempo sentia dentro de si que ela jamais poderia fazer isso. Mas, naquele momento, ele estava cego pelo terror e pela loucura.

– Como é que é? É isso mesmo que você tá dizendo? Eu não tô acreditando Zé. Você tá insinuando que eu roubei todo o nosso dinheiro? – questiona desacreditada ao mesmo tempo em que indignada. – Você é patético Comendador Medeiros, patético! Você acha mesmo que eu iria passar por todo esse perrengue e iria aguentar todas essas humilhações do energúmeno do Maurílio porque eu quero? ISSO É RIDÍCULO. – diz a mulher perdendo a calma e elevando a voz, como José Alfredo poderia pensar aquilo dela? Justo dela que ficou ao lado dele por todos esses anos. Claro que ela cometeu alguns erros, mas daí a insinuar que ela é a responsável por toda a desgraça da família é demais – VOCÊ É UM RIDÍCULO, UM CANGACEIRO, UM JUMENTO. EU TE ODEIO ZÉ ALFREDO, TE ODEIO. VOCÊ É UM BRONCO, UM NOJENTO. SABE DE UMA COISA? EU NUNCA QUE DEVERIA TER ME CASADO COM VOCÊ, EU NUNCA QUE DEVERIA TER FICADO DO TEU LADO E MUITO MENOS AMADO VOCÊ. – neste momento ela já não mais falava e sim gritava para os quatro ventos e depositava alguns tapas no marido que se defendia deles com dificuldade. – VOCÊ DEVIA TER MORRIDO MESMO, SEU JAGUNÇO. ASSIM PELO MENOS VOCÊ NÃO TERIA O DESPLANTE DE ME FALAR ISSO, DESGRAÇADO.

– JÁ CHEGA, MARIA MARTA. JÁ CHEGA, ACABOU A PALHAÇADA, PARA DE FAZER ESCÂNDALO! – berra José Alfredo cansado das acusações e segurando os braços da Imperatriz a impedindo de continuar com os tapas. – Tudo bem, eu acredito em você. Essa história toda está me deixando louco, será que você não percebe isso? Lá fora tem uma pessoa que está disposta á fazer absolutamente tudo para destruir qualquer resquício que tenha sobrado de mim após minha morte. Isso porque ele não sabe que ainda estou vivo. – fala ele de uma forma mais calma e passando as mãos pelos fios de cabelo, um sinal claro de seu nervosismo. Maria Marta também se recompôs e tratou de acalmar-se também. – Me desculpe se eu ofendi você, mas tenta me entender, Marta. Eu espero que todos vocês me entendam, principalmente os nossos filhos. Eu também não quero brigar, mas parece que cada vez que a gente tá perto... Saí faísca e então é questão de tempo pra gente causar um incêndio. – Zé então, solta os braços que ainda segurava da mulher e se afasta, indo até a janela e olhando para o céu.

– Eu também não quero brigar, agora não é o momento para isso. – concorda Marta observando Zé de costas para ela e observando o luar, ela já havia se esquecido do quanto ele gostava de fazer isso. – Agora é hora de nos unirmos e concertar toda essa situação. E como eu tenho todo o tempo do mundo, acho melhor você me contar toda essa história direito. – José Alfredo então se vira para a esposa e prepara-se para contar tudo á ela.

***

Maria Marta lentamente abre os olhos e é cega por uma claridade, rapidamente trata de fechar os olhos. Mas será que o Silviano havia se esquecido de fechar as cortinas? Pensou ela. Tratou de abrir os olhos novamente, desta vez com mais cuidado e ao seu lado algo começou a se mover. Ainda sonolenta tentou levantar, mas logo percebeu que estava presa a algo, ou alguém. Rapidamente tratou abrir os olhos novamente tentando despertar e viu um local desconhecido e ficou alarmada.

Zé Alfredo acordou rapidamente ao notar uma movimentação ao seu lado direito, inicialmente tentou voltar a dormir, mas a insistência dos movimentos o fez despertar.

– Mas que shit, pare de se bater. Eu quero dormir mais um pouco, ainda é cedo. Sossegue aí. – resmungou ele apertando os braços com mais força em torno de algo que não podia identificar, mas que estava em torno de seus braços. A mulher ao seu lado se assustou ao ouvir aquela voz e deu uma cotovelada na tentativa de tentar se soltar o que acabou deixando o homem um pouco zangado – Será que você não ouviu que eu mandei parar de se mexer? – o homem então tratou de abrir os olhos e ver uma silhueta entre seus braços, uma silhueta que ele conhecia muito bem, diga-se de passagem. Rapidamente o mesmo se assustou e tratou de olhar ao redor do quarto, porém estava intacto como na noite anterior. Com a exceção de algumas garrafas vazias de bebida.

Zé retornou ao olhar para a mulher que estava em torno de seus braços e levou um tempo para tentar assimilar de quem era a silhueta tão familiar para ele. Já Maria Marta tratou de virar-se também na tentativa de entender o que estava aconteceu e os olhos se encontraram. E então veio o choque e o grito de ambos.

– MAS O QUE É QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI, SEU JAGUNÇO? – gritou Maria Marta ainda assustada o empurrando rapidamente para longe, quase o derrubando da cama.

– COMO É QUE É? ESSA CAMA É MINHA! QUEM TEM QUE SE EXPLICAR AQUI É VOCÊ, MARTA! – retrucou Zé também se segurando para não cair da cama observando a mulher a sua frente.

Os dois então tentaram se acalmar e analisar a situação com mais calma e então ligar os pontos. Zé Alfredo olhou novamente ao seu redor e não encontrou nenhuma roupa jogada no chão e então voltou á olhar para si e viu que estava completamente vestido. Deu um longo suspiro não sabendo bem se era alívio ou decepção, e então olhou para a mulher a sua frente e viu que ela fazia o mesmo.

Buscando as memórias da noite anterior lembrou que havia ligado para Maria Marta e pediu para que ela viesse o encontrar, assim que ela chegou, eles começaram a conversar e eventualmente a brigar até que ela pediu para que ele contasse a história toda e os planos para ela.

José Alfredo então havia começado a contar a história toda para ela e também suas desconfianças até que Maria Marta reclamou de sede e eles resolveram bisbilhotar o estoque de bebidas de Manoel.

– Maria Marta você acha mesmo que em um boteco desses vai ter vinho, champagne e todas aquelas outras bebidas cheia de frescura que você gosta? – perguntou Zé ironicamente ao ver a madame fazer careta pela terceira vez ao observar as garrafas que ali havia.

– Eu não tenho culpa se aqui só tem cachaça e essas outras bebidas baratas que VOCÊ gosta. – ela retruca, procurando alguma bebida mais ‘decente’ ali.

– É só você mesmo pra ter uma ideia dessas de vir assaltar a adega do Manoel. – comenta Zé balançando a cabeça em reprovação.

– Que adega? Isso aqui não é uma adega nem aqui e nem na Cochinchina. Tá mais para um depósito de bebida chinfrim feita pra ralé como você, por exemplo – alfineta ela. – E nem vem que você concordou.

– Até me arrependi de ter concordado com essa sua ideia, vai que alguém aparece aqui e me vê vivo? – questiona ele um pouco apreensivo.

– Ah, tá com medinho que alguém resolva aparecer por aqui a essas horas da noite, Comendador? – diz ela rindo dele que fecha a cara e bufa.

– Pois ande logo com isso. – diz ele então olhando de baixo do balcão e achando uma garrafa. – Olhe só o que eu achei aqui! – exclama Zé levantando-se com uma garrafa de cachaça na mão. – Pelo que eu bem me lembro você adorou essa daqui – fala ele rindo e entregando a garrafa na mão de Maria Marta.

– Bafo da Onça. – ela lê o título da garrafa e logo se lembra do dia em que teve de vir buscar Zé Alfredo no bar para o levar na festa da Império. – É pelo jeito vai ter que ser essa mesma, é o melhor que a gente vai encontrar aqui. – diz ela pegando dois copos e seguindo para o quarto.”

Logo depois daquilo eles começaram a beber até que a garrafa acabou e eles ficaram com sono e bêbados demais para assimilar qualquer coisa e acabaram dormindo ali mesmo.

Antes que eles consigam dizer alguma coisa o celular de José Alfredo começa á tocar insistentemente, ele vai até a cômoda aonde o aparelho estava.

– É a Cristina – avisa ele para a mulher a sua frente e ele logo atende. – O que houve, minha filha? – pergunta ele.

– Oi, pai. Eu não vou poder falar muito porque tem gente perto, mas eu e os meus irmãos acabamos de sair do banco e eu tenho que te dar essa informação o quanto antes. – respondeu Cristina do outro lado da linha falando em um tom mais baixo que o de costume, ao fundo era possível ouvir algumas vozes.

– O que é? Vocês conseguiram ter acesso ás câmeras? – perguntou Zé esperançoso, ao mesmo tempo Maria Marta se aproximou para tentar ouvir a ligação também.

– Não, eles não deixaram. – respondeu ela visivelmente frustrada com a situação – Eles começaram com muita burocracia, até parecia que não queriam que a gente chegasse a ver essas imagens. – explicou.

– Shit! Era só o que me faltava uma dessas agora, mas o que foi que vocês conseguiram? – questionou o homem alisando o seu bigode em um sinal de nervosismo.

– Uma das atendentes aqui do banco que é... Hm... Conhecida sua nos disse que sabia apenas o nome da pessoa que fez a trasferência... É um tal de – ela fez uma breve pausa – Fabrício Melgaço.

Notas finais
Eu reescrevi esse capítulo três vezes e sinceramente pra mim ainda não ficou bom, mas prometo compensar no próximo. Algumas pessoas vieram me perguntar se eu iria continuar postando agora que a novela acabou: podem ficar tranquilos, que eu vou continuar sim até a fanfic acabar! Não esqueçam de me dizer o que acharam do capítulo e se preferem ele sem música ou com. É isso, até o próximo capítulo, @noveleiradaily.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.