Miss Atomic Bomb

4 Capítulo 4 - You shall pass


Notas iniciais
Enjoy.

A casa da Lola era linda, de um jeito hippie, mas muito bonita.

Pintada de lilás, verde e branco. Cheia de plantas, com muitas mesmo, a casa tinha dois andares.

Quando estavamos indo para a casa quatro cachorros apareceram.

_Oi meu bebês, oi meus lindos, sentiram minha falta? Eu sei que sim. Bran esses são Sr. Moustache – disse ela apontando para um Husky – Pineaple – disse ela apontando para um cachorro grande marrom – esse é o Pikachu – esse era um daqueles pequenos mas ferozes (Pikachu?) — esse é o Chewbacca – ela apontou para um cachorro super peludo, fez sentindo o nome – e esse é o Spock – e o Spock não tinha uma pata, e metade do rabo não estava lá.

_O Sr. Moustache é o único de raça pura, o resto é tudo combinação e o Spock achamos ele na bera da rodovia três meses atras, alguém o atropelou e deixou ele para morrer, por sorte o achamos. — disse ela acariciando o Spock. — okay, vamos! Babicka deve estar nos esperando.

_Ba o quê?

_Babicka, é avó em tcheco.

_Você é tcheca?

_Não, sou descendente, pode não parecer e tals, é porque meu pai é moreno e os genes dele são fortes, ou seja, eu sou a preta da família.

E fomos em direção a casa dela. E estava bem nervoso, ou seja, minha bunda suando, nada legal.

Quando chegamos na porta Lola gritou:

_BABICKA CHEGAMOS!

_TIREM A PORRA DOS SEUS CALÇADOS, E NADA DE ENERGIA NEGATIVA DENTRO DA MINHA CASA! SE EU ENCONTRAR ALGUMA ENERGIA NEGATIVA VINDO DE ALGUM DE VOCÊS VOU MANDAR MEUS GNOMOS ATRÁS!

Gnomos, não vou com a cara deles.

_Ela é bem meiga. — disse Lola rindo da minha cara.

_Lola, como eu tiro energias negativas? — perguntei desesperado. A ideia de gnomos a noite no meu quarto me fez me mijar de medo.

_Só medita, pensa em coisas boas e relaxa, ninguém vai te morder aqui não, a não ser eu.

A casa por dentro era mais bonita ainda, cheia de estátuas, amuletos, plantas, e fotos da Lola.

E vó dela apareceu, uma senhora de 50 anos no máximo, muito bem conversada, de cabelos louros brancos e olhos azul piscina mato de inveja a todos. Ela não se parecia com a Lola fisicamente, mas pude perceber semelhanças no sorriso, nos olhos, enfim, em tudo.

_Oh você é o Bran, Lola me falou muito de você ontem. — disse ela vindo me abraçar.

Ela cheirava a canela, como Lola, alias, toda a casa cheirava a canela.

_Falou, foi? — perguntei sem conseguir esconder um sorriso.

_Sim, ela gostou dos seus olhos, ela os descreveu como irresistivelmente trivial. — sussurrou a vó de Lola em meu ouvido. — oh, me chame de Katarina e nada de senhora!

Lola riu e me pegou pela mão.

_Vou mostrar meu quarto pra ele.

Imaginandoobscenindadesimaginandoobscenindadesimaginandoobscenindadesimaginandoobscenindadesimaginandoobscenindadesimaginandoobscenindadesimaginandoobscenindadesimaginandoobscenindades.

_Não demorem o Knedlik esta quase pronto!

_Ok! — gritou Lola em resposta.

Que macumba era essa Knedlik ?

Lola devia ter visto minha cara de “que porra é essa?”

_É um molho para acompanhar carnes.

Subimos a escada e mais estátuas e amuletos, alguns pareciam indigenas.

_Alguns desses amuletos são Cherokee, e outros de algumas tribos africanos que minha babicka visitou quando foi para Suazilândia.

Paramos em frente uma porta que estava escrito “You shall not pass”. Aquele definitivamente era o quarto dela. Ela abriu a porta e se jogou em uma poltrona que ficava ao lado da entrada.

_Bem vindo ao refugio dos brinquedos defeituosos. — disse ela enquanto ficava de cabeça para baixo na poltrona.

O quarto dela era todo lápis-lazúli e cheio de fotografias, dela, de pessoas bonitas parecidas com a vó dela, de paisagens que presumir ser na República Tcheca, e tinha desenhos, e tinha um desenho inacabado dos meus olhos. Tirei o desenho que estava pregado na parede e mostrei para ela.

_Que foi? Ninguém nunca desenhou seus olhos antes de deixou pregado na parede do seu quarto? — perguntou ela como se fosse a coisa mais normal do mundo.

_Não, na verdade nunca.

Ela riu de mim e pegou as fotos das minhas mãos e ficou acariciando.

_Nem terminei ainda, quando eu terminar te mostro como eu realmente vejo seus olhos.

A vó dela apareceu no vão da porta, parecia ansiosa.

_Drahý, sinto lhe informar mas semana que vem seu pai estará aqui, e nem tente sair ou fugir, e o jantar está pronto.

Nós dois ficamos ali um encarando o outro até que a vó de Lola grita:

_DESCAM AGORA!

E corremos escada abaixo. Ajudamos Katarina a arrumar a mesa enquanto ela foi na horta (?) pegar umas verduras para a salada.

_Vocês tem uma horta? — perguntei para Lola.

_Sim, bem grande alias, babicka gosta de estar em contanto com plantas e todas as formas de vida que os capitalistas sanguinários consideram inferiores.

A campainha tocou e era a cambada.

_ESTOU MORTO DE FOME. — disse Roni correndo em direção a Katarina e a abraçando. — como senti sua falta!

_Oh drahý, também senti sua falta, e de vocês também. — disse ela se referindo a Maya e Akash. — Eu fiz um Vepro Knedlo Zelo e caprichei no Knedlik!

Chuta que é macumba.

_Vepro Knedlo Zelo é um prato típico, é basicamente suíno, naquele dia no restaurante mexicano te vi devorar uma enchillada de carne, acho que você vai gostar desse. — sussurrou Lola para mim.

Sentamos na mesa e Katarina começou a fazer uma prece:

_Minha querida deusa, agradeço pelo pão de cada dia, pelas pessoas maravilhosas em minha vida e que nunca falte alegria em minha vida e nas pessoas ao meu redor, obrigada deuses, querida mãe e ao querido deus consorte, abençoada seja.

E atacamos.

Roni parecia uma Lhama comendo, sério, do que ele tinha de esportista ele tinha de lhama.

Akash estava reservado.

Maya estava observando Lola, que estava branca como um fantasma, será se era por causa do pai?

Por conta do silêncio de Lola, eu acho, o pessoal foi embora cedo.

Recolhemos a louça, lavamos, secamos e guardamos, tudo em silencio. Quando terminamos ela me levou para o quarto dela e simplesmente deitou na cama, e eu inseguro entrei em pânico!

MEU THOR O QUE EU FAÇO? DEITO COM ELA? ANDO PELO QUARTO? SAIO CORRENDO GRITANDO? TENTO TIRAR MINHAS CALÇAS PELA CABEÇA?

Resolvi andar pelo quarto, e uma foto me chamou a atenção, uma mulher, linda, ruiva, e definitivamente mãe da Lola.

_Sua mãe né? — perguntei mostrando a foto para ela.

Ela suspirou.

_Linda, não?

_Belíssima, você parece muito com ela. Tem fotos do seu pai?

_Não, queimei tudo semana passada, meu humor não estava legal.

_Eles são casados ainda?

_Não, se separam quando nasci.

_O que aconteceu?

_Bom, a escolha do meu nome foi o ápice para o termino, os dois não concordaram em nenhum, ai meu pai decidiu largar a maconha e ir assumir a empresa do meu avô, mas minha mãe continuo sendo a hippie que sempre foi, ai minha vó resolveu me criar. E agora meu pai é um homem rico que vive viajando e minha mãe uma hippie morando em um trailer em um acampamento hippie com um cara chamado Alastair.

_Como eles chegaram a Lola?

_Meu nome na verdade não é Lola, fui eu que decidi colocar esse, na verdade o nome que está nos meus documentos foi o que minha mãe escolheu, mas cada um deles usa o nome que quer.

_E qual o nome que sua mãe te escolheu?

_Não é da sua conta. Chega de falar de mim, fale um pouco sobre você.

_Pais separados e vim morar com meu irmão, voltando para você.

_Estou cansada de tudo.

Ela suspirou e bateu na cama do lado dela para que eu me deitasse. Aconcheguei-me ao seu lado sentido o leve cheiro de canela que estava em tudo que é lugar, e eu amava aquilo, o fato do cheiro de canela, o fato de ela ter se deitado no meu peito, o fato de ela acariciar meus cabelos, fato de que naquele momento nada mais importava, nada de pais, nomes, divorcio, eu, ela, e suspiros.

Notas finais
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