Miss Atomic Bomb

5 Capítulo 5 - A lunática da vizinhança


Notas iniciais
Nota da Lizzie: O Alabama é o único lugar que realmente existe, o resto é tudo fictício, por isso ignorem o nome das ruas e da cidade (Waterfall of tears) não nasci para dar nome as ruas.

Bran estremeceu diante do notebook, não esperava escrever tudo aquilo em um período curto de tempo, mas ele lembrava de tudo relacionado a ela, com uma nitidez sobrenatural, cheiro, sorriso, abraço, beijo, mordidas, suspiros e tudo. Olhou para a caneca de chocolate com canela inerte ali na escrivaninha, soltando vapores de melancolia, e exalando um cheiro de saudade.

Ele estava doente de saudade, e ir ao médico não adiantaria, e nem ir a farmácia e isso era a parte mais frustrante!

Ele pegou o celular e discou o seu número e imediatamente caiu na caixa postal:

_Ahoy, aqui é a Lola, ou um ciclope imitando minha voz, deixe seu recado após o irritante bip, vida longa e prospera.

Suspirou, só de ouvi a voz dela a sensação de que nunca mais iria ser feliz foi embora, e deixou apenas a saudade. Decidiu voltar a escrever, pois ocuparia a mente cheia de saudade, esperança e ilusão.

“Lola respirava lentamente, sua boca fazendo um leve bico enquanto expirava, tão meiga.

Desvencilhei-me dela e comecei a andar pelo seu quarto, as fotografias dela diziam muito sobre sua personalidade por exemplo: ela adorava lobos, tinha fotos deles por toda a parte, ela adorava os amigos, tinha foto de todos, mas tinha mais fotos da Maya, ela era bem fotogênica, e tinha bastante da família. Ruivos, loiros e loiros esbranquiçado, é ela era a preta da família, olhando para a foto de seus familiares parecia que os Targaryens, Malfoys e Weasleys em um clã só. Ela tinha mapas espalhados por todo o quarto, origamis, nuvens de algodão no teto, filtro dos sonhos tinhas uns 5, e tinha muitos livros. Olhando sua coleção deu para perceber que ela tinha um gosto bem diversificado, ia de Harry Potter, Percy Jackson e Jogos Vorazes até Nietzsche, Platão e Einstein.

_Bran. — chamou Katarina – Lola dormiu?

Olhei para Lola adoravelmente dormindo e respondi que sim.

_Oh graças aos deuses, faz 3 dias que essa menina não dorme mais que duas horas, estava ficando preocupada. Seus pais virão te buscar?

_Não, eu vou a pé eu acho, a senhora sabe me informar onde fica a rua da Serpente vermelha?

_Ah umas quatro quadras daqui, você poderia ir a pé, mas está fazendo muito frio, venha criança eu te levo.

Ela passou o braço ao redor dos meus ombros e me levou até o carro fora da casa.

Realmente estava frio e agradável.

Frio e agradável o bastante para dormir agarrado a Lola, encaixar minhas mãos em sua cintura, acariciar seus ombros desnudos, e beijar sua testa, suas pálpebras, suas bochechas para enfim chegar ao pote de ouro, sua obscena e deliciosa boca.

_Bran! Bran! Bran! — Katarina me sacudia – Menino, larga as ervas, ficou uns 5 minutos olhando para o nada, andando demais com a Lola.

Não.

Pensando demais na Lola.

Entrei no carro e senti o calor me envolvendo, Katarina tinha razão, estava frio pra caralho, teria congelado antes mesmo de chegar na esquina.

Ela colocou uma música calma, inebriante, o tipo de música que Lola escutaria.

_É uma música celta. — disse Katarina como se estivesse lendo meus pensamentos. — Lola gosta de você.

_Eu também gosto muito dela, ela é tipo de pessoa que não tem como não gostar, ela me faz sentir vivo. — disse sem pensar.

Ela riu, mas não de deboche, mais de compreensão.

_É preciso ter paciência com a minha drahý, ela é especial, mas muito – ela hesitou procurando uma palavra – confusa, ou quebrada. Eu amo aquela menina, lembro como se fosse hoje ela trançando meus cabelos dizendo que eu era a sua rainha, ela falando com as árvores, todas aquelas árvores tem nomes! Lembro nitidamente de ter chegado em casa depois de um longo dia de trabalho e ela lá com dois gatos que tinha achado na rua, e com medo de eu rejeitá-los preparou um banquete para me mimar! Mas como tinha apenas 4 anos a minha janta foi cereal com leite quente, misto quente com granolas e achocolatado com canela. Foi tão simples mas feito com tanto amor que não me importei com o fato do cereal vencido. — ela riu – quando os gatinhos morreram dois anos atras foi terrível, ela chorou, muito, desolada minha pobre drahý, mas depois percebeu que talvez foram para um lugar melhor e em homenagem a eles fizemos misto quente com granola, cereal com leite e achocolatado com canela. Bem chegamos, foi muito bom te conhecer, e espero que você faça bem a minha pequena Lolita, depois do último menino em sua vida ela disse que iria virar monge mas você apareceu e ontem ela disse para mim que desistiu da ideia! Minha pequena Lolita.

_Foi um prazer te conhecer Katarina, e eu vou tentar fazer ela feliz assim como ela me faz. — com um leve aceno e fui em direção a minha casa. — ROB CHEGUEI, OU SEJA, PAROU O SEXO!

_Do que você está falando Bran? — perguntou Lia que estava sentada na mesa lendo alguma coisa.

EITACARALHO.

_Ahn nada Lia, só estou bagunçando com o Rob, alias, cadê o Rob?

_Dormindo.

_Okay, vou dormir, boa noite – e sai de fininho.

Tomei um banho com receio de que o cheiro da Lola saísse de mim, vesti meus pijamas e fui olhar meu celular. Tinha muitas mensagens dos meus amigos, respondi sem nenhum entusiasmo, apesar de realmente gostar deles a ideia de recomeçar aqui, em Waterfall of Tears, me deixou entusiasmado, sai daquela casa cheia de brigas e desavenças foi a segunda melhor coisa que aconteceu comigo, a primeira foi conhecer Lola.

Ela me fez mudar.

Só isso.

Em suspiros de cenas de nós dois nos beijando, acariciando, rindo um para o outro cai no mundo de Morfeu, e sonhei com um mundo cheio de possibilidades.

_ACORDA BRAN! — gritou Rob na minha porta.

_ROB VAI VER SE ESTOU EM WINTERFELL? — gritei de volta.

Sábado é um dia sagrado para mim, dormir até mais tarde, não pensar em na...

_TEM UMA MENINA CHAMADA LOLA AQUI.

Levantei-me e corri lá para baixo.

_Oi. — me cumprimentou uma sorridente Lola.

Nem a cumprimentei de volta, apenas lhe peguei pelos pulsos e levei de volta para meu quarto.

_Bom te ver também. — disse ela sarcasticamente quando fechei a porta.

_Desculpa por isso tudo, eu não raciocinei muito bem.

_Tudo bem, raciocinar é superestimado.

Seu sorriso zombeteiro deu lugar a um desafiador, seus cabelos presos em um coque mal feito dava um ar de menina danada, seu shorts largos com uma regata bege demonstrava o qual despojada estava, mas obscenamente sexy.

_Eu vou tomar banho – com água bem gelada de preferência pensei – e você fique aqui me esperando.

_Mandão você. — disse ela rindo – seu cabelo está todo bagunçado. — disse ela chegando perto para bagunçar mais – e é infalivelmente sexy. Vai tomar banho, vamos sair hoje, eba!

A ideia de sair com ela me acordou da inercia em que me encontrava depois do “infalivelmente sexy”.

Tomei banho apressadamente, escovei os dentes e vesti uma cueca e uma calça jeans e sai do banheiro para ir ao meu closet atrás de camisa. Lola estava lendo algum manual de instruções que Rob tinha deixado em minha mesa, quando ouvi o som da porta do meu banheiro ela abaixou o manual e quando me viu sem camisa murmurou:

_Deleitoso.

_O quê você disse? — perguntei na esperança em que repetisse novamente a palavra e me dissesse o que significava pois eu não sabia, mas pelo modo em que falou acho que estava mais para um elogio.

_Nada, apenas pensando com os meus gnomos.

Fui ao meu closet e procurei alguma camisa decente pois todas as minhas coisas ainda não havia chegado do Alabama. Lola devia ter notado minha frustração quanto a escolha da camisa pois ela veio em minha assistência. E escolheu uma regata simples do Hard Rock.

_Você tem belos braços, devia mostrá-los mais. — disse ela com aquele sorriso Lolita obsceno.

_Para onde esta me levando drahý?

Ela sorriu ao ouvir eu a chamando de drahý, o mesmo modo que sua avó chama.

_Eu vou te levar em uma lanchonete libanesa onde tem a melhor esfirra de todo o condado!

Antes de ela abrir a porta peguei seu pulso e puxei para mim e fiquei encarando aqueles doces olhos, me deleitando como aquele ser humano podia me tomar para si de uma forma incoerente.

_Sabe Bran, quando um menino pega uma menina assim, e de sua inteira obrigação beijá-la e não ficar apenas a encarando.

Aquele convite foi o bastante.

Meus lábios nos seus, seus lábios nos meus, quanta perfeição em um pequeno gesto. Nunca compreendi Shakespeare ou Austen, seus amores, suas frases, difusas demais para mim, mas naquele momento de “tocação de lábios” entendi tudo, apesar de ainda achar Julieta uma sonsa, ela desvencilhou de mim, me fazendo querer chorar, espernear e por fim prendê-la para poder beijá-la eternamente.

_Calma ai grandão, a pressa é a inimiga da perfeição. — murmurou ela para mim com as mãos em eu toráx.

_A pressa é sua inimiga então?

MEUDEUSSEMATABRANQUECANTADAPODRE!

Ela riu.

PORFAVORNÃOSAIACORRENDOPORFAVORNÃOSAIACORRENDOPORFAVORNÃOSAIACORRENDO.

_Pelo visto você aprendeu com o Bob, o construtor as suas cantadas também.

Pelo menos ela não saiu correndo.

Ela pegou pela mão e disse:

_Vamos ser livres hoje, como se não houvesse amanha, pais e regras – ela me abraçou e disse – vamos ser infinitos, pelos menos por um dia, que tal?

_Desde que eu seja infinito com você, rola até uma semana.

A sua risada foi doce, sensual, inebriante. Foi Lola.

_Acordou inspirado hoje não?

_Quando se sonha com a menina mais lunática da vizinhança, é o mínimo esperado.

_Sou eu?

_Sim.

_Gostei, a menina lunática da vizinhança. Vamos, estou com fome, ai vou desmaiar, você vai entrar em pânico e tenho medo de que você tenho tido aulas de primeiro socorros também com o Bob, o construtor.

_Tá muito engraçadinha hoje. — murmurei enquanto me aninhava em seu pescoço.

_Quando você vê um menino infalivelmente sexy na sua frente, é o mínimo esperado.

Ela sorriu, eu sorri, o mundo ao meu redor sorriu.

Ela me tirou do quarto, e fomos para baixo.

_Para onde estão indo? — perguntou Lia. E Rob ao seu lado sem conseguir disfarçar a cara de satisfação por eu estar com uma garota.

_Eu vou levar ele no Libanês se vocês não se importam.

O sorriso de Lola era tão acolhedor que até Lia se derreteu.

_Oh, tudo bem, divirtam-se!

Até o carro de Lola era infalivelmente sexy um Plymouth, 1964, preto!

_Seu carro é uma beleza. — comentei enquanto entravamos nele.

_Herança de babicka, ela estava velha demais para ela. Viúva Negra, Bran, e Bran, Viúva Negra. Pronto, são colegas agora.

Ela deu partida e começou a tocar “Sweet dreams” mas não era o Marilyn cantando. Lola devia ter percebido minha cara de sonso pois disse:

_É a Emily Browning cantando, daquele filme Sucker Punch.

_Nunca vi.

Ja havia virado rotina eu não saber nada perto da Lola.

_Devia ver, um ótimo filme. Já ouviu falar na palavra lúgubre?

_Não, o que significa?

_Eu nesses últimos dias. — e com um suspiro ela deu a partida. — lembre-se, hoje somos infinitos.

Infinito são os meus sentimentos por você. E agora pela viúva negra.

Notas finais
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