Missão Rank-S: Se Apaixonar Pelo Kazekage

2 Iniciativas Estratégicas (ou quase)


Local: Escritório do Kazekage – Vila Oculta da Areia

Horário: Final de tarde.

O céu se desfaz num tom de laranja queimado que tinge tudo ao redor com um dourado melancólico. A luz atravessa as cortinas leves do gabinete e se espalha em faixas diagonais pela sala, como se até o sol estivesse pedindo licença para olhar Gaara de perto. A areia do deserto dança atrás das janelas, num balé hipnótico e silencioso.

O silêncio é quase absoluto. Só há o leve arranhar do pincel no papel, o som contido do pensamento estratégico, e duas xícaras de chá... intactas. Esquecidas.

Gaara está sentado à sua mesa de pedra maciça. Os olhos deslizam pelas palavras no pergaminho, mas o olhar não foca só no conteúdo — foca no que virá depois. Cada caractere selado ali é parte de um plano maior. Calculado. Disfarçado.

Só que disfarçar sentimentos nunca foi o forte de quem já teve o coração selado por areia.

A porta se abre sem cerimônia.

Temari entra com a confiança de quem viu Gaara ensanguentado, exausto, criança. E de quem aprendeu a reconhecer quando o irmão está tramando algo com a mesma intensidade com que controla a areia.

Temari (arquear de sobrancelha, braços cruzados, sarcasmo afiado como vento de deserto):

— Então você tá mesmo levando isso adiante?

Gaara (sem levantar os olhos do documento, voz calma, neutra, mas firme):

— Preciso de reforço médico permanente. O clima daqui exige uma abordagem mais precisa, mais... cuidadosa.

Temari (aproxima-se, para do outro lado da mesa, e não poupa ironia):

— Cuidadosa tipo "mando só a medinin Uzumaki e mais ninguém"?

(pausa dramática)

— Ou tipo "faço relatórios mensais com selo carinhosamente pessoal"?

Ele ergue os olhos. Devagar. Como se soubesse que não adianta fugir — Temari vê através dele desde sempre.

O rosto está impassível, mas o brilho nos olhos entrega. Por um milésimo de segundo. E ele sabe disso. Só não se importa mais em esconder.

Gaara (tom contido, mas com aquele traço quase imperceptível de quem sente demais por dentro):

— Ela é a melhor na regeneração de tecidos com chakra híbrido.

(pausa)

— E sabe lidar com... crianças teimosas.

Outra pausa. Ele levanta o olhar com mais intensidade agora.

— Como os aspirantes de Suna.

Temari (inclina o rosto, um sorriso enviesado surgindo):

— A-ham. E você, o novo paciente. Diagnóstico: Encantamento diplomático em estágio avançado.

Ele a encara por um segundo a mais do que o necessário. Não responde de imediato. Em vez disso, fecha o pergaminho com um selo de areia e desliza-o para o lado. Depois finalmente fala.

Gaara:

— Incurável?

Temari (ri baixo, já se virando em direção à porta):

— Terminal, se ela descobrir.

E sai, deixando a porta entreaberta.

Do lado de fora, a areia continua seu balé alucinado. Do lado de dentro, Gaara encara as duas xícaras por mais um instante.

Uma é dele. Intocada. A outra... ele pretende servir pessoalmente.

E, pela primeira vez em muito tempo, ele sorri.

De leve.

Como quem finalmente aceita que certos sentimentos não são tempestades para controlar, mas brisas que se escolhe deixar entrar.