Mirrors

2 Wish you where here


Notas iniciais
Voltei, mas cedo que o previsto só porque sou legal, mas a fic será atualizada semanalmente, prometo. Promesa de dedinho mindinho. Confesso que amei escrever esse cap e ri igual uma retardada ao imaginar uma cena ai. Desejo que se divirtam. Beijos molhadinhos

“Você sempre está lá, você está em todo lugar.
Mas agora eu gostaria de você aqui.
Amo o jeito que você é. É quem sou, não preciso forçar.
Droga! O que eu faria para ter você aqui.”


– Jane você acha que eu emagreci? – falei me aproximando dela na sala.

– Nunca te achei gorda.

– Sua grossa!

– O que foi?!

– Não pode sentar nesse sofá que fica insensível!

– Paciência...

– O quê?!

– Disse que você emagreceu, sim.

– Mas me pesei agora pouco e não perdi nenhum quilo.

– Então, POR QUE PERGUNTOU se achei que você emagreceu?


– Porque não sei com qual roupa irei à comemoração da promoção do Korsak, estou me achando gorda.


– Vai de vestido, você sempre arrasa neles. Sabe que ainda nem acredito que agora o Korsak é tenente. – disse com os olhos perdidos no nada – Ele falou que não queria chegar à aposentadoria atrás de uma mesa, e agora ele ficará atrás de uma.

– Depois de quase ter morrido naquela emboscada, é normal mudar de ideia assim. E Frank? Já aceitou que vamos a Las Vegas e ele não? – Jane levantou-se vindo em minha direção, não pude deixar de me aproximar e arrumar sua blusa torta.


– Ele ainda tá nervoso, reclamando que só nós duas temos sorte, mas já falei, se ele quiser vir com a gente é só pagar do bolso dele.

– Então seremos só nós duas em Las Vegas Jane.

– Sim, seremos. – disse soltando a frase com o ar, depois um meio sorriso se formou em sua boca e me olhou intensamente, e havia um brilho, sim! Um brilho que não vi ali antes.



Entrei na sala em que estava escrito “enfermaria”, por Deus! Como podem chamar aquilo de enfermaria? Um calabouço do século XIV seria mais apresentável!

Parede faltando reboco, teto com severas infiltrações e rachaduras, janela com vidros quebrados, chão cheio de fendas e cerâmica em frangalhos, ferrugem em tudo que é canto,E OS MOVEIS!!! Vou nem comentar para não ter um ataque cardíaco agora. Entrei e um rapaz alto e moreno mandou eu me sentar EM UMA MESA! Nem cadeiras decentes havia naquele lugar, na verdade não havia cadeira nenhuma!

Sentei-me um pouco aliviada por sair da poça de água no chão, e sem encostar em nada com medo de pegar algum tétano ou algo pior, coloquei as mãos em meu colo. Assim que eu me instalar vou mandar algumas cartas para o diretor, ele precisa urgente saber o estado decadente em que esse lugar se encontra. O enfermeiro sorridente, sorridente até demais com os aparelhos azuis, pegou uma amostra do meu sangue, e começou a fazer milhares de perguntas, e em cada uma eu revirava os olhos, realmente peguei essa mania da Jane.

Meu Deus! Acho que vi uma barata subindo na parede! Pensei em correr mas o moreno-dos-aparelhos insistia em uma conversa.

– Você é muito bonita! — disse maravilhado, tirando a minha atenção da parede – Linda mesmo! E então? Foi o que? Crime do colarinho branco?

– Não.


– Drogas?


– Não.


– Roubo?


– Não.


– Você vai responder alguma das minhas perguntas com outra coisa além de “Não”?


– Não.

Ele sorriu sem humor, aparentemente frustrado. O brilho do aparelho de dente dele reluzindo Será que minha feição séria não tá mostrando que não estou afim de conversa, não?

Essa barata está vindo em minha direção, já posso começar a gritar agora?!

Saí da enfermaria rápido, sem olhar para trás. Implorando para alguma força superior que eu não tenha pegado nenhuma doença contagiosa, ou alguma bactéria mortal naquele lugar horrendo. O guarda-mal-humor me levou até onde eu deveria pegar minhas roupas de cama e pessoais. Se é que chamam aqueles trapos velhos e cheirando a mofo disso e depois me levou até meu dormitório. Perguntei sobre meus produtos higiênicos e ele riu... RIU DA MINHA CARA!

–Vai ter que comprar sangue azul.


–Por que eu teria que comprar algo que eu deveria receber gratuitamente? É higiene básica! –Senti a veia na minha testa pulsar quando o guarda-mal-humor riu ironicamente.

–Vou escrever uma carta ao diretor. Não! Ao governador reclamando disso!


–Boa sorte. – Ele disse com tom de deboche ao fechar minha cela – Amanhã você terá uma reunião com o seu orientador e depois será encaminhada para o local de serviço que tiver uma vaga sobrando.

Quem precisa ter orientador dentro de uma prisão? Orientar o que? Como entrar na cela ou a melhor forma de não pegar tétano? O governo não tem como gastar mais dinheiro atoa. Como assim onde tiver vaga?! Eu fui clara quando aceitei o acordo que eu queria trabalhar na biblioteca. Ah! Mas esse lugar vai me ouvir.

Senti uma mão em meu ombro e logo me encolhi, encostando-me à grade. O coração acelerado.

– Você deve ser a doutora Maura Isles.

– Como sabe? Quem é você? – Fiquei apavorada com aquela moça que aparentava no máximo 20 anos a minha frente. Ela parecia uma versão jovem e não alcoólica da Amy whinehouse.

– Não se preocupe. Não vou te machucar Doc. – Disse a morena ao levantar as mãos, como se pedisse pra eu confiar nela. – Vou cuidar de você nesse lugar, uma amiga me pediu.

– Det. Jane? – Falei talvez um pouco empolgada demais. — Quer dizer, sargento

– Doc, tipo, não sei quem é essa Jane. Mas foi uma amiga quem me pediu, então to aqui cuidando de você.


Wish you were here – Avril Lavigne

– Então você é a Ruby. Mandaram-me procurar você. Como sabia que era eu?


– Primeiro, você xingou o Hoodis – Então o sobrenome do guarda-mal-humor é Hoodis? Já sei como começar minha carta agora – E tipo, ninguém nem levanta a voz com ele. Segundo, você é loira e bonitona, tem jeito de gente chique e tem nariz de gente rica. Terceiro e mais importante, o seu escândalo na enfermaria por causa de uma barata.


– Era uma barata grande. – tentei me justificar.


– Daqui alguns dias você verá o que realmente é uma barata grande, relax doc. – gelei com o pensamento, não quero ver não – Espera até você ver o Marco Túlio.


– Quem?! – Quem pergunta quer saber, mas eu realmente não queria saber, já previa quem ou o que era.

– Marco Túlio é tipo, um rato roliço que anda até devagar de tão obeso coitado. Depois ele das caras por aqui. Estamos tipo, fazendo apostas da data da morte dele.


– Apostas? – por que ainda estou aqui perguntando?


– Isso. Apostei que ele não passa dessa semana. – disse empolgada. Essas mulheres daqui são loucas.



– Ei Vince! – Jane abraçou empolgada o amigo e ex parceiro – Cara! Tô super feliz! Finalmente você será meu chefe cara! Cara!

– Eu já era seu superior esqueceu Jane? – Korsak fingiu uma cara de bravo, me fazendo rir com a cena. – E como você sabe, meu cargo de sargento ficará vago.

– Claro que sei. Só espero que você arrume alguém a sua altura. Vai ser tarefa brava heim. –

Jane sorria tanto, ela estava realmente feliz pelo amigo. “Ficar feliz pela felicidade dos outros”, isso é algo que aprendi convivendo com a família Rizzoli, convivendo com Jane.

– Eu já encontrei essa pessoa. – Korsak sorriu maliciosamente.

– Não é o Phelip da costumes não né?! Ele é um pé no saco.

– Quem eu já indiquei para meu superior também sabe ser um “pé no saco” às vezes, mas é a única pessoa que eu sei que poderia ser meu sargento.

– Já to com medo. Johnny dos entorpecentes? Ele tá doido pra vim pro nosso departamento.

– Não fique. É você Jane. Sgt Jane Rizzoli.

Korsak entregou o distintivo dourado para uma mulher que ficou estática sem acreditar no que acabou de ouvir. E eu não pude deixar de sorrir.

– Maaaauuuraaaa!!!! Você ouviu?! Você ouviu né?”! – Jane parecia uma criança de cinco anos quicando elétrica – Olha Maura! É dourado! Olha! Olha aqui!
Ela me mostrava o distintivo. – Olha meu número e sobrenome Maura! Olha aqui! Cara! Cara! Nossa cara! Olha! Olha aqui cara! É meu nome! MEU NOME! Cade minha mãe? Tenho que mostrar pra ela! – comecei a sorrir com a criança na minha frente – Cade o Frank! NOSSA! Frank vai se morder todo quando ver meu novo distintivo! Cara! Tá com meu nome cara! Cara!

– Já sei que está com seu nome Jane. E é muito bonito. Meu parabéns. – Abri meus braços e ela pulou em cima de mim, quase me derrubando no chão. Apenas não fui ao chão graças a salvadora parede que estava atrás de mim. Com o quase encontro ao chão, Jane também colocou as mãos na parede, e olhou nos meus olhossorrindo.

– Jane. Sei que você está feliz, mas precisa me derrubar no chão? Sgt Rizzoli. – ao ouvir o “sargento”, Jane abriu um sorriso maior que o rosto novamente e se jogou pra cima de mim, colocando os braços ao lado do meu pescoço, me fazendo quicar como ela.

– Tô muito feliz Maur, você não faz ideia o quanto. – disse em um ronronar manhoso, bem próximo ao meu rosto e então me beijou minha testa. – Obrigada por estar comigo nesse momento. – a abracei – Obrigada por estar comigo em todos os momentos.



Ruby

Notas finais
Amei Jane parecendo uma criança de cinco anos e fiquei curiosa nessa história de viagem e sargento ai. Se quiser saber mais assim como eu, deixe seu comentário aqui Spoiler: No próximo cap Maura conhece Marco Túlio