Mirrors

19 Weak And Powerless


Notas iniciais
Quero agradecer as várias ameaças de morte que recebi nos comentários, msg privadas, twitter e wtp... kkkk Algumas foram tão engraçadas que tive crise de riso. E como foi pedido tão carinhosamente a postagem desse cap, aqui estou. Antes de terem um ataque... Eu tinha em mente a faixa etária da fic ao escrever, ok? E a titulo de curiosidade, esse cap foi a primeira coisa escrita para essa fic, a segunda coisa escrita foi o final. Boa leitura e já tomaram calmante hj? Ah! Em defesa da Jane, eu faria o mesmo que ela faz no final



Estacionamos atrás do carro de Korsak, e só tínhamos dado dois passos quando Marlon abriu a porta.

— Por onde você andou?— ele perguntou a Jane

— Tive aula de ioga e depois fui a um shopping comprar sapatos. - Jane respondeu passando por ele, indo em direção a Korsak e Deborah que nos esperava na porta de sua quitinete.

— Entrem— Deborah disse, olhando em volta e segurando a porta como se pensasse que fosse voar. Ela parecia muito assustada.

Entramos na quitinete, e pensei estar entrando no camarim da Lady Gaga com direito a pôster e tudo mais. Duas paredes eram vermelho escarlate, e o teto e as outras duas paredes brancas. Marlon sentou no sofá que combinava com a parede vermelha, Jane sentou no cantinho minúsculo que sobrou, ficando metade dela para o lado de fora. Korsak sentou em uma poltrona lilás em forma de sapato de salto, e eu fiquei em pé admirando a decoração.

Deborah encontrou uma cadeira de armar quase quebrada em algum lugar e abriu-a ao lado da mesa de centro para mim. Fiquei tão comovida com esse gesto de hospitalidade que arrisquei o corpo e a alma sentando-me naquela coisa caindo aos pedaços.

— Há quanto tempo ele está desaparecido? – Jane começou ao cruzar as pernas na tentativa de conseguir sentar no sofá

— Quando voltei ao hotel ele não estava. Suas chaves, carteira e celular estavam lá. — Marlon balançava as pernas com ansiedade, ele estava muito nervoso.

— Não é possível que tenha ido a algum outro lugar?— perguntei, e não me orgulho disso, mas admito que soou otimista. E todos me olharam como se eu tivesse dado a ideia de dançarmos nus.

— O cara o sequestrou, Rizzoli. Temos de encontrá-lo antes...— Ele mordeu o lábio e olhou para longe pensativo. Ele não era o tipo de pessoa que mostrava as emoções, a menos que a irritação fosse uma emoção. - Merda. Tudo que sabemos é que a gang pegou o Shark. – Ele respirou com um som áspero.

De qualquer forma – Korsak pigarreou e falou— Entrei em contato com o pessoal de Vegas. Infelizmente é tudo que podia fazer. – Parecia desolado. – Estão mandando alguém que chega em no máximo duas horas.

Tudo bem, então – falei, esperançosa. – Vamos só aguardar e torcer para dar tudo certo.

O quarto não tinha muitas coisas. Havia apenas algumas prateleiras imundas, uma mesa empoeirada em um canto e uma porta, uma única porta em todo o quarto. Uma porta que permitia a entrada, e mais importante... A saída, e o guarda estava entre ela e minha fuga.

— Vamos conversar em outro lugar, por favor. – Senti minhas mãos tremerem.

— Qual o problema com esse lugar? – ele disse apontando ao redor — É muito simples para uma realeza como você? Pessoas como você me irritam, sabe? Gente que se acha superior a todos só por ter nascido em berço de ouro – Alguém o chamou no rádio, a estática era muito alta, mas pude entender que o alarme era para todos se abrigarem devido a grande e forte chuva. E depois perguntaram onde ele estava e se estava com alguém.

— Estou na estufa, sozinho – Mentiu, por algum motivo não quis dizer que estava no quartinho comigo. — Já olhei o depósito exterior e está vazio. Assim que a chuva amenizar eu volto, não precisam vir a minha procura. – Não esta vazio, estamos aqui! Tentei gritar, mas minha boca não mexeu

A pessoa do rádio riu sarcasticamente e disse que apenas um louco sairia naquela chuva. O guarda-mal-humor olhou para mim mostrando seus dentes em um sorriso assustador e se despediu.

— Agora... Onde estávamos? — Ele veio em minha direção. Fui andando para trás, a porta estava longe demais, e seu corpo grande a bloqueando apenas piorava a situação.

Entrei na sala de espera de uma clinica psiquiatra para detentos, com Jane. Calma! Não estou necessitando disso, bom... Ainda não. Uma pista nos levou a esse lugar. Ela conversou com a atendente. Olhei para as cadeiras que pareciam tão confortáveis, fui em direção a elas, então um médico abriu a porta, olhou para Jane e sua grande arma na cintura ao lado de seu distintivo, e olhou para mim com minha tornozeleira piscando... Posso dizer que a cara que ele fez era no mínimo de confusão.

Jane foi em sua direção se apresentando e eu já previ o que aconteceria. Dois assaltos de frases duras, ela se recusaria a dizer algo a ele, pois era assunto policial, e ele se recusaria a deixar que ela visse seus registros, pois a lei garante a confidencialidade médico paciente. Então eles iriam para a frente e para trás até as cartas pesadas serem jogadas e enquanto isso, eu teria que ficar olhando e imaginando porque não vamos direto ao assunto e depois poderemos fazer uma pausa para um lanche.

Eu estava quase pegando uma cadeira e me ajeitando com uma Golf Digest para ler quando Jane me surpreendeu, ela respirou fundo e disse

— Doutor, tenho um parceiro desaparecido e a única pista que tenho é um vídeo com uma placa clonada. Um carro com a mesma placa e descrição esteve aqui mais cedo. Preciso ver sua lista de clientes de hoje e ver qual bate com o horário da gravação — Ela respirou fundo de novo e segurou o olhar. — Por favor, preciso da sua ajuda.

Se o teto tivesse derretido e revelado um coro de anjos cantando Iron Maiden ou Kiss eu não teria ficado mais surpresa. A ideia de Jane se abrir e parecer vulnerável daquele jeito era algo nunca visto antes e imaginei se deveria ajudá-la a procurar ajuda profissional. O doutor pareceu estar pensando a mesma coisa também. E apenas virou para seu assistente liberando a lista.


Ele cruzou os braços no peito e me encarou

— Por favor, preciso ir. Ruby já deve estar preocupada.

— Esta chovendo e você vai ficar aqui comigo! - Ele gritou, dando um passo dentro do meu espaço pessoal — Ou ela também é sua namoradinha e não pode ficar sem você? — Cuspiu ameaçadoramente.

— Não

— Não o que detenta?

— Ele é só minha amiga

Ele riu em zombaria — Sério? Ela é até bonita se não fosse tão idiota!

— Eu não acho que ela é idiota.

Você não acha?!— Ele gritou tão alto que abafou o som do trovão — Esse é o problema sangue azul, quando alguém como você ou como ela começa a pensar.

Ele deu dois passos para trás e virou de costas passando a mão nos cabelos molhados, e eu não tinha ideia de quais eram suas intenções, mas algo dentro de mim não dizia que era bom. Ele retirou a jaqueta e corri em direção a porta.

Quando estava quase a alcançando ele entrou em minha frente, então percebi que eu mal tinha dado quatro passos. Ele avançou em minha direção, minhas mãos espalmadas em seu peito. O impulso foi meia boca, principalmente porque foi por instinto, mas o guarda olhou para seu peito como se tivesse sido queimado. "Cadela" murmurou.

— Me deixa ir, por favor, eu só quero vol...

Ele não me deu tempo de continuar, agarrou minha nuca com uma mão apertando com força, me levando ao canto oposto do quarto.

Tentei me livrar, mas ele apertou com mais força, fazendo perder um passo e tropeçar nos meus próprio pés. Ele me jogou em uma parede. Bati de frente, então me virei rápido, indo em direção ao outro canto.

— Você acha que sou estúpido sangue azul? Você acha que sou tão idiota que não vejo o que esta acontecendo ao meu redor?

— Eu nunca disse que você é.

— Eu não gosto de você sangue azul. Você se acha especial demais. E aquela vadia da sua namoradinha esta fazendo de tudo pra me tirar daqui. Você vai me pagar por isso.

Dei um passo para trás, eu não podia o deixar perceber que aquelas palavras haviam me afetado.

— Sabe que é uma pena, sangue azul.— Cada passo que ele dava a frente eu dava para trás. — É uma pena realmente... Que desperdício de uma menina tão bonita.

— Pare— Não era mais que um sussurro, meu cérebro me gritava para recuar para a segurança que não existia lá. Então minha mente se transportou e eu me sentia vulnerável, sozinha, como no dia em que vi meu pai com outra mulher, no dia em que fui obrigada a mentir por medo.

— Você é linda sangue azul, e você sabe disso.— ele disse quando tentou pegar uma mecha do meu cabelo, dei mais um passo para trás, sentindo uma mesa solitária tocando a lateral do meu quadril. — Você sabe o quão bonita é, e mesmo assim desperdiça com aquela policial metida a homem.

— Não!— encontrei minha voz, ela estava trêmula e ameaçando fugir, mas estava lá — Não.

— Não?— ele repetiu enquanto tirava seu cassetete e jogava em um canto qualquer.

— Afaste-se— meus dedos tocaram a borda da mesa.

— Eu não recebo ordens de você sangue azul, na verdade é ao contrário.— ele disse em um rosnado baixo.

Tentei contornar a mesa, dei alguns passos, mas ele agarrou meu braço e cintura, me jogando para cima da mesa. Minhas costas bateram forte contra a madeira grossa, a dor subindo por minha espinha. Gritei de dor e surpresa, mas o instinto assumiu e usei minha mão livre para bater em seu rosto, deixando marcas de unha em sua bochecha.

— Solte!— gritei, mas sua mandíbula mal se moveu, e por um segundo me arrependi da minha decisão de atacar.

A forma como ele ainda apertava minha cintura e o sorriso sinistro lentamente formando em seu rosto me davam claros sinais para fugir dali.

— Me solta!— Tentei me livrar daquela mão que apertava forte meu braço. Então um punho cerrado bateu em meu rosto, quando os nós dos dedos encontrou minha bochecha, a dor disparou em linha reta como um trem de carga. Meus olhos não puderam deixar de encher de lágrima, e apesar da nebulosidade eu revidei. Dei um soco em seu rosto, não foi tão forte como planejei, mas quando o punho dele bateu em meu estomago, me dobrei de dor, e senti dedos em meu cabelo, me puxando para ficar ereta. Meu grito ecoou pelo quarto vazio enquanto instintivamente segurei a mão em meus cabelos. Mexia minhas pernas em tentativas de chutes, até que uma delas encontrou a canela dele. Ele hesitou por um momento, e com um rosnado bateu minha cabeça contra a mesa.

Vi estrelas na hora do impacto, e apenas quando vi a poça de fluído viscoso em volta do meu rosto que percebi que eu estava sangrando.

— Olha o que você me fez fazer!— Ele gritou

Levantei e na minha pressa de fugir tropecei "Não faça isso!" gritei

— Eu não fiz nada. Você fez isso pra você mesma. Escorregou e bateu à cabeça na mesa, eu estava aqui e vi tudo.

Dei um soco que atingiu seu queixo, e talvez os rumores que ele seja feito de aço seja verdade, pois ele continuou avançando em minha direção. Segurou-me pelos ombros, seu corpo pressionando o meu contra a mesa. Tentei novamente outro soco na desesperada tentativa de atingir seus olhos, mas tudo que consegui foi sua bochecha antes de sentir um joelho em meu quadril.

"Não" minha mente gritava de dor. Tentei dar uma tapa novamente, mas ele foi mais rápido e segurou minha mão, apertando sua palma, me fazendo gritar.

Ele me jogou com força contra a mesa, fazendo meu rosto bater novamente contra a madeira.

Ele me pressionava com seu peso, e eu pude sentir sua respiração em meu ouvido.

Vou te ensinar a respeitar uma autoridade sangue azul. — Gelo correu por minhas veias. Em um rápido movimento me virou de bruços. Sua mão pressionando minha cabeça contra a madeira. Tentei empurra-lo.

— Sai fora!

— Oh, pode deixar que vou

Tentei mais uma vez me levantar, mas o peso sobre mim era muito maior que meus braços poderiam suportar, eu queria vomitar, lágrimas vieram a minha mente me fazendo ter dificuldades de enxergar. Mais uma vez ele bateu minha cabeça na madeira e eu vi estrelas dançando a minha frente.

"Por favor" engasguei, escutei um metal e um zíper sendo puxado, meu corpo se enrijeceu, fechei meus olhos com força, minha mente gritando de medo.

O peso das minhas costas desapareceu, ao registrar isso movi rapidamente para longe da mesa, tropeçando em mim e caindo em um tapete velho, rastejando para um quanto qualquer, ao chegar, bati minha cabeça na parede quando sentei, costas encostada no apoio.

Olhei para frente e através do brilho de um raio que entrou pela porta aberta, pude ver o guarda mal humor no chão, um sorriso no rosto e as mãos para cima defensivamente enquanto a guarda brasileira pairava em pé sobre ele, um rifle entre os olhos do homem. A guarda manteve a arma apontada e falou em seu walkie-talkie "Senhor, temos uma situação no depósito isolado" E mesmo assim o guarda mal humor sorria.

Ruby estava agachada a minha frente e falava comigo, mas eu não conseguia ouvir. Minha pele estava suando frio, meu coração disparado. Trouxe os meus joelhos contra o peito, e abracei-os. O sangue em meu queixo endurecido e seco e lágrimas silenciosas escorriam por meu rosto.

De repente Ruby estava mais próxima de mim, água gotejando dos seus cabelos enquanto ela tremia de frio e falava comigo. Com certeza ela havia chamado a guarda brasileira que hoje estava na torre, apenas os guardas que ficam na torre recebem armas.

Olhei outros guardas entrarem pela porta e levantarem o guarda mal humor do chão, seus olhos de asco olhando para o homem que ria, sua calça aberta e bem abaixo da cintura. Linhas vermelhas marcavam seu rosto, era a evidencia do que aconteceu. Então olhei a ponta dos meus dedos, sangue e carne sobre a unha, meu estomago se embrulhou novamente.

— Maura— Ruby tentou segurar meus ombros, mas eu a empurrei

— Não me toque!— exigi em um guincho

"Ok", ela cedeu suavemente, afastando com as mãos para cima. "Ok, está tudo bem. Você está bem"

Balancei a cabeça, agarrando meus cabelos e puxando as raízes. Escondi o rosto entre meus joelhos, onde as lágrimas caiam livremente. "Não faça isso" implorei e ela se ajoelhou novamente perto de mim e me abraçou.

Mesmo no conforto dos braços da menina que enfrentou uma tempestade para me salvar eu não me sentia segura, tudo que eu via era as estrelas dançando em minha frente quando o peso do guarda estava sobre mim.






Estava a alguns minutos observando Jane dar voltas e mais voltas na sala de autopsia enquanto puxava a ponta de seus cabelos e mordia a bochecha.

— Ela precisa se acalmar – Pensei alto

— Eu também acho. - Uma voz alegre falou atrás de mim e eu assustei tanto que quase atirei meu sapato.

— Deborah, você me assustou. – coloquei a mão no peito.

— A senhora deveria... Quem sabe, tipo assim. Ir lá e falar com ela, assim sabe. Como amigas e acalmar ela, assim sabe, tipo...

Apenas balancei minha cabeça e sai rápido de perto dela, puro medo de ser contagioso. Parei na porta da sala e falei na altura o suficiente para que Jane me ouvisse sem a assustar.

— Ficar dando voltas no laboratório não vai ajudar.

— Disso eu sei! Mas que mais devo fazer?

— Não sei – admiti.— O tenente de Vegas não iria chegar em duas horas?

— Não sabemos nada sobre ele. Só porque Shark é bom, não significa que esse sujeito também seja.

Aparentemente ela não lembrava que Shark não se mostrara tão bom assim, pelo menos em público. Ele na verdade não fizera nada, exceto se deixar apanhar. Mas não me pareceu boa política fazer esse comentário, de modo que disse apenas

— Bom, temos de presumir que o cara sabe algo que não sabemos. — Jane bufou.

— Isso não seria tão difícil – ela falou— volto aqui quando ele chegar.

E saiu da sala quase levando a porta junto, e me preparei para trabalhar no laboratório.



— Alô

— Jane, que bom ouvir sua voz – senti minha voz sair mais afetada do que eu esperava

— Que voz é essa Maura?! O que aconteceu pelo amor de Deus?

— Nada Jane. Estou bem

— Não mente pra mim. O que aconteceu?! Me fala ou eu baixo aí. Você sabe que sou bem capaz de fazer isso. Então me fala

— Jane... – Senti meus lábios tremerem e apertei mais o telefone em minha mão.

— Aconteceu alguma coisa com a Ruby?

— Não Jane. Ela esta bem. Eu só precisava ouvir sua voz. Só isso

— Então com a... Hun... Ursa? – falou hesitante

— Jane? – ouvi um barulho do outro lado da linha – O que você esta fazendo?

Indo pra ai. Se você não fala alguém vai falar. – Comecei a chorar, o soluço balançando todo meu corpo

— Maura, pelo amor de Deus, fala comigo.

— Eu... eu fugi da enfermagem pra te ligar e...

— O que aconteceu Maura?! Me fala pelo amor de Deus! Já estou apavorada aqui!

— O guarda mal humor vai ser transferido, então nã...

— O QUE AQUELE DESGRAÇADO FEZ???!!!

— Houve um incidente. Uh, ele fez algo...

— Fez algo pra quem?!

— Acho que você sabe quem...

— O QUE?! Você tá bem? Tá machucada? O que aquele desgraçado fez? !!

— Ele.. Jane, ele me... uh, ele me atacou.

— O QUE?!! Maura, pelo amor de Deus me fala a verdade! Você tá bem? Ele te machucou? ! Ai meu Deus! Você tá ferida?

— Eu es. .. Eu estou bem. Não se preocupe.

— Qual o nome e sobrenome daquele desgraçado!

— Não. O que você vai fazer?

— Vou destruí lo

— Ele não pode chegar perto de mim, já está resolvido Jane.

— Não por mim



Eu estava olhando uma osmose pelo microscópio quando uma vozinha familiar atrás de mim disse

— Ei! Você não gosta disso também né.

Só meus nervos de aço altamente treinados me impediram de bater a cabeça contra o ventilador de teto com o susto que levei. Era quase impossível me pegarem desprevenida, e no entanto não tinha ideia de que havia mais alguém na sala. Quando me voltei, lá estava

Deborah, me olhando com grandes olhos arregalados.

— Posso te ajudar Deborah?

— Jane quer falar com você na sala de reuniões. – Rumei à sala e Jane me olhava com uma cara de poucos amigos.

— Escuta isso. – Ela pegou o celular e ligou para caixa postal, me entregando o celular.

“Sargento... Rizzoli, certo? Aqui é Max Tindderwel, de... bem... De Las Vegas. O tenente Korsak me pediu que ligasse para você. Estou no aeroporto, acabei de desembarcar e ligo para nos reunirmos assim que chegar ao hotel, que é o...” – Ouviu-se um murmúrio e ele evidentemente afastou o celular da boca, porque sua voz ficou mais fraca: “O quê? Ah, sim, está bem. Obrigado”. Sua voz voltou a ficar mais alta.— “Acabei de encontrar seu motorista. Obrigado por mandar alguém me pegar. Ligo do hotel.”

— Você mandou alguém pra buscar ele? – perguntei e ela olhou para mim como se eu dissesse que azul é a cor mais quente.

— Minha limusine estava sem gasolina – Não sou fã de Jane sarcástica— Não mandei ninguém ao maldito aeroporto – ela explicou— E o Korsak com certeza também não. Você mandou alguém ao maldito aeroporto, Maura?

— Não sei nem qual é esse maldito aeroporto. – eu disse e ela passou as mãos pelo cabelo.

— Merda, então, danou-se – ela completou, e tive de concordar com a análise.

— E se pedirem para mandarem outra pessoa?

— Ótimo. Eles mandam outra pessoa, que talvez não chegue nem à esteira de bagagens.

— Deve haver alguma coisa que possam fazer. – Jane não se mexeu por um instante.

— Por que tenho a sensação de que já fizeram isso mandando Tindderwel? – ela perguntou.



Estava sentada no pátio, Ruby e Ursa estavam ao meu lado. Elas não desgrudavam de mim um segundo. O guarda mal humor não olhava em minha direção, talvez o tivessem advertido, infelizmente como foi uma “tentativa” ele não foi autuado e seria transferido em breve.

"Hey! Você!" Olhei para trás a tempo de ver Jane marchando em direção ao guarda-mal-humor. Seu punho cerrado foi em direção a forte mandíbula do guarda que foi ao chão por não esperar tal golpe. O baque de seu ombro batendo no chão assustou um grupo de mulheres que correu para longe.

Jane chutou o homem caído uma vez antes de se virar murmurando maldições enquanto olhava ao redor, provavelmente a minha procura. Nossos olhos se conectaram e um peso colidiu contra suas costas e suas mãos instintivamente se abriram para aparar a sua queda. O guarda tentava a segurar após se jogar em cima dela, e acredito que ela desconhecia a expressão comer terra até aquele momento. Ela se levantou cuspindo um bocado de lama e se arrastou para frente, para longe do corpo que tinha se chocado contra ela.

Se afastou o bastante para libertar uma perna e chutou o ombro do guarda com uma força que o fez gritar de dor. "Cadela" Ele gritou e agarrou ao tornozelo dela e puxou.

Eles ficaram lutando para ver qual ficaria em cima do outro, qual daria o soco mais forte e ninguém aparecia para acabar com aquilo, apenas observavam de longe, até os outros guardas olhavam e sorriam, pareciam satisfeitos com aquela luta. Socos mais fortes foram trocados, arma e cassetete atirados ao chão. Foi como assistir uma briga de escola e Jane era o garoto magricela pressionado pelo valentão.

O guarda subiu em cima dela, colocando suas duas mãos no pescoço dela, e apertou o suficiente para sufocar a minha Jane. Mas minha Jane era uma policial calejada, não seria um guarda de quinta que iria derruba-la.

Ela segurou o pulso direito dele, prendeu seu tornozelo em torno de sua perna e impulsionou o quadril para cima. Os olhos do guarda se arregalaram quando percebeu que perdeu o equilíbrio. E Jane aproveitou aquela distração e o acotovelou e depois deu uma cabeçada em seu nariz, o fazendo se agachar de dor. Jane se levantou e começou a chuta-lo.

"MotherFuck" pontapé. "Você" pontapé "Você porra". "Dick" sua bota pesada tinha destino certo na virilha já machucada, e ele gritava mais de dor.

Ouvi suspiros ofegantes passando por mim, indo ao encontro do homem que gemia e se contorcia no chão.

— Jane! — Um braço deu a volta por trás dela e ela foi atirada para o chão, e então vi que era Frank, os olhos dele estavam tempestuosos e severamente irritado. - Que porra você acha que está fazendo?

— Ele começou isso! — Jane cuspiu— Ele atacou Maura!

— Não interessa! Korsak não teve tanta dificuldade pra te trazer aqui pra você fazer isso! Você luta no time que põe caras como esse na cadeia e é isso que você tem que fazer porra!

Eu vi o quanto Jane queria discutir, queria gritar, mas ela segurou a língua e balançou a cabeça. Apertou a mandíbula e murmurou algo que não escutei. Então ela sentou, as costas da mão tentando limpar o sangue de sua boca.

Frank balançou a cabeça para ela e pegou a arma no chão e entregou a Jane "Vá a enfermaria daqui", ele disse suavemente antes de virar para o guarda mal humor que ainda estava choramingando agarrado a sua virilha e rolando no chão. "Levante-se idiota, sua conversa agora é com outro Rizzoli em um quartinho particular, afinal você gosta tanto deles né" Vi ele de punhos cerrados tentando controlar sua raiva por aquele homem no chão.

Corri até Jane e tentei limpar aquele sangue com minha blusa. Ursa apareceu e a ajudou a levantar.

— Maninha — Ursa falava animada com Jane— Me ensina aquele gancho de esquerda que preciso aprender urgente — Jane apenas sorriu e balançou a cabeça.

Olhei por cima do ombro e vi Frank com uma mão agarrada a nuca do guarda mal humor, enquanto o empurrava para longe dali, a guarda brasileira seguia dos dois, e pela fúria nos olhos dela...

Notas finais
Então é isso. Não deixarei spoiler do próximo cap porque virá com algumas novidades para Maura. E tenho que dizer que amo a Ruby, fofa salvando a amiga