Mirrors

13 Un-Break My Heart


Notas iniciais
Geeente! Desculpas! Mil perdões! empolguei e o cap saiu enorme, mais de 3 mil palavras(além do limite dessa fic). Porém esse é o último flash back, no próximo cap em diante será APENAS no tempo atual e focado na reconstrução da relação entre Jane e Maura. Já tô com saudades da Ruby, é sério... e preparem que ela vira com tudo! E como alguns perceberam, a Maura aqui é um pouco diferente, ela é exagerada e engraçada, mas apenas no pensamento, nas atitudes é igual a Maura que estamos acostumados. Anya Uraki , obrigada pela recomendação e vou até o final sim! Promessa de dedinho mindinho.

Conserte meu coração
Diga que me amará novamente
Desfaça essa dor que você provocou
Quando você saiu por aquela porta
E saiu de minha vida
Enxugue as lágrimas
Que chorei tantas noites
Refaça meu coração



O caminho até o restaurante Thailândes estava sendo tranquilo, mas com Jane dirigindo, isso queria dizer que ninguém tinha se ferido ainda durante o trajeto. Ela estava com pressa e era uma policial que tinha aprendido a dirigir como uma policial. Ou seja, ela acreditava que o tráfego era fluido por natureza e por isso ela cortava os outros carros como faca quente na manteiga, entrando em espaços que não existiam e deixando claro para os outros veículos que ou eles saíam da frente ou morriam.

Pegamos trafego e como eu não precisava mais gastar todo o meu fôlego evitando gritos de terror, tentei saber de Jane o que exatamente estava acontecendo. Então Jane não parava mais de falar sobre as várias vítimas e de como eles só tinham provas circunstanciais e uma "maldita placa de carro". E fiquei maravilhada em como ela conseguia continuar falando mesmo quando tiramos uma fina de um cara de duzentos quilos em uma moto pequena.

— Mas como pode 3 detetives e uma grande equipe de perícia serem enganados por uns caras filhinhos de papai que se acham donos de Vegas?— falou, apertando a buzina e
se desviando do tráfego meio parado da pista à frente e pegando a pista contrária.

Ela foi em direção a um ônibus, pisou fundo e foi costurando o trânsito por uns cinquenta metros até passarmos pelo problema. Concentrei-me em lembrar de como respirar e fiquei pensando que todos vamos morrer um dia, então não importava muito se Jane nos matasse agora. Não era muito reconfortante, mas evitou que eu gritasse e pulasse pela janela até que Jane voltasse à via correta já bem à frente.

— Uma garota foi dada como desaparecida e temos certeza que está com eles. Onde estamos errando?

Como resposta a própria pergunta, Jane fez uma curva repentina, entrou no estacionamento e parou como um foguete na vaga bem em frente ao restaurante, fazendo um homem dar um grito de susto bem alto que lembrava muito a Madonna cantando "Like a virgen".

— Chegamos — falou e pulou do carro como se estivesse fugindo de um ninho de formigas carnívoras.

— Estou tendo uma ideia - falei para Jane, e o jeito que ela virou rapidamente a cabeça faria qualquer um pensar que eu tinha falado que ela estava pisando em uma cobra venenosa.´

— Desembucha!

— Já parou pra pensar que eles são só cachorrinhos obedecendo um dono? Ao invés de se preocuparem com os vários homens daquela lista interminável que vocês fizeram, se concentrem em apenas um. Usem a isca que vocês tem que ele aparecerá.

— Você arrasou Maura! Você é muito melhor que Marlon! Como não pensei nisso?! Deve ser o calor desse maldito lugar- pegou o celular, digitou alguns números e o colocou na orelha.

— Jane, o que é suas isca?

Ela me sorriu— Eu. Sou a policial de fora que veio chutar a bunda deles. A isca perfeita.... Que droga, Shark não atende.

— Deve estar ocupado passando fio dental nos dentes perfeitos.

— Você não gosta dele né. Olha Maura - ela pegou em meu braço me virando para ela— Eu e ele não temos nada e nem iremos ter. Ele pode ser lindo e perfeito, mas não balançou nem um pouco meu coração.

— Alguém tem o balançado ultimamente?

— As coisas estão um pouco confusas no momento para eu te dar uma resposta certa sobre isso.

— O meu está balançado. Jane eu...

— Eu sei. Temos que conversar sobre isso. Mas agora não, hoje à noite tudo bem? Vamos naquele restaurante francês que você tanto falou e conversamos sobre isso.

Jane e eu saímos do restaurante um pouco mais alegres, de barriga cheia e com a língua queimando por causa da pimenta extra que não sabíamos que tinha nos pratos. Havia esquecido que o sabor apimentado é uma das marcas da culinária tailandesa. E que marca!!

Um Toyota Avalon branco saiu devagarzinho de onde estava estacionado e continuou nessa velocidade com uma insolência preguiçosa que cortou minha preocupação gustativa e me espetou fundo com um jorro de terror.

Alguém naquele carro estava nos observando. Me virei para Jane e ela estava digitando uma mensagem no celular. Encostei em seu braço e disse "aquele carro estava nos vigiando".

A vi piscar os olhos e vi o carro começar a se afastar de nós.

— São eles! É aquela placa merda! Ainda podemos resgatar a garota- me jogou a chave e foi em direção ao carro dando ordem para que ele parasse. Sem pensar duas vezes desliguei o alarme do nosso carro e pulei para dentro dele dando partida, poucos segundos depois vi Jane abrir a porta de passageiro e nosso carro cantava pneu.

— Mais rápido Maura! Vamos perder ele de vista!

— Sabia que podemos perder a vida em minutos?

— O restaurante ficou a muitos minutos pra trás e ainda nem chegamos perto do carro.

Talvez tenha sido a total falta de respeito e cuidado no comportamento do Toyota, ou talvez tudo o que eu precisasse fosse um jorro de adrenalina para complementar o almoço que ainda estava queimando em minha língua. O que quer que tenha sido, me preencheu com um grande sentimento de indignação e antes que pudesse decidir o que fazer eu já estava fazendo, acelerei fazendo alguns pedestres pularem para a calçada desesperados.

Ignorei a placa de pare e acelerei em direção à rua seguinte, avistando o carro quando ele virava à direita alguns quarteirões à frente. Andei muito mais rápido do que deveria e o vi virando à direita na direção da U.S. Diminuí a distância entre nós e acelerei, louca para pegá-lo antes que ele escapasse no meio da hora do rush do almoço.

Estava havia apenas um quarteirão dele quando o carro virou na U.S. em direção ao Norte e eu o segui, ignorando as freadas e buzinadas musicais defensivas vindas dos outros motoristas. O Toyota estava agora a apenas uns dez carros na minha frente e usei todas as minhas habilidades de motorista para me aproximar, me concentrando apenas na estrada e ignorando as linhas que separavam as pistas, e até deixando de apreciar Jane agarrada ao painel do carro com uma cara de terror comovente.

Estava havia meio quarteirão dele quando o motorista do Toyota percebeu minha presença e acelerou na hora, entrando em um espaço à esquerda tão apertado que o carro de trás teve que frear bruscamente e derrapou.
Dois carros que vinham atrás acertaram a lateral dele e um enorme barulho de freadas e buzinas preencheu o ambiente. Encontrei espaço suficiente à direita para enfiar meu carro e
escapar da batida e depois voltar para a esquerda que agora estava livre. O Toyota estava um quarteirão à frente e acelerando, mas eu pisei fundo e fui atrás.

Durante algum tempo a distância entre nós permaneceu a mesma, até que o Toyota pegou um pouco de trânsito e consegui me aproximar, até ficar a apenas dois carros dele. Ele virou a esquerda bruscamente, fiz o mesmo tirando fino de um carrinho de comida mexicana e entrei na rodovia 45 me perguntando "qual o nome do prato mais famoso do México."

Quando costurei para ultrapassar o veículo que estava perto de seu para-choque, ele virou repentinamente a direção para a esquerda e pude ver que era um senhor de no máximo 40 anos, a armação de seu óculos era pesada. Ele passou por cima da divisória do meio das pistas e entrando no sentido contrário. Passei por ele antes de poder reagir.

"Guaca mole", lembrei feliz o nome do famoso prato mexicano, fazendo uma nota mental de pesquisar depois pra quê me serviria essa informação.

Me recusei a deixá-lo escapar. Não era porque, pegando aquele carro, teríamos respostas, apesar de também ser verdade. E nem mesmo estava pensando em justiça ou qualquer um desses conceitos abstratos. Não, isso era a pura raiva advinda da indignação, crescendo de alguma parte desocupada do meu ser e fluindo diretamente para o meu cérebro e depois descendo para os meus punhos. O que eu queria realmente era arrancar aquele cara de seu carro e cobri-lo de porrada. Era uma sensação completamente nova para mim, a ideia de infligir danos físicos a alguém em meio a um acesso de raiva, e aquilo era intoxicante, forte o suficiente para apagar qualquer impulso lógico que pudesse ter sobrado em mim e me fazer também cruzar a pista para continuar a perseguição.

Meu carro fez um barulho terrível ao pular e cruzar a pequena calçada que separava as duas pistas e descer do outro lado, antes que um enorme caminhão de cimento me acertasse por centímetros, mas já estava acelerando de novo, perseguindo o Toyota no tráfego mais leve da pista sul. Bem lá na frente eu podia ver vários pontos brancos se movendo, e um deles poderia ser o meu alvo. Pisei fundo mais uma vez e fui atrás.

Passei tranquilamente por vários carros por um bom tempo até alcançar o primeiro farol vermelho. Vários automóveis se enfileiravam obedientemente em cada pista da intersecção e não havia como eu desviar — a menos que eu repetisse meu momento de loucura e subisse na calçada do meio.- E foi o que fiz.

Saí dela para a intersecção bem a tempo de atrapalhar bastante um Mustang vermelho que burramente vinha tentando usar as pistas da forma correta. Ele deu uma guinada louca e quase conseguiu evitar a colisão; houve apenas um barulho leve quando acertei o para-choque dianteiro dele, ricochetei em direção à intersecção e continuei em frente, seguido por outra explosão de buzinas e xingamentos.

Diminuí a velocidade por um momento, e pelo canto do olho eu vi o Toyota fazendo a curva atrás de um supermercado, no estacionamento de uma cadeia de lojas à minha direita. Meu pé afundou no acelerador e cortei as duas pistas com trânsito e consegui entrar no mesmo estacionamento. O motorista do outro carro me viu; ele acelerou e pegou a rua perpendicular à U.S., correndo em direção leste o mais rápido que conseguiu. Atravessei o estacionamento e fui atrás.

Ele me levou por uma área residencial por uns três ou quatro quilômetros e virou a esquerda.

Parei o carro bruscamente, atingindo em cheio o canteiro bonito e florido na minha frente. Xinguei um "merda" e Jane me olhou como se eu tivesse atirado no papa. Não pude deixar de perceber que ela estava branca, branca papel ofício e estava ali PARADA, isso me revoltou.

— TÁ AÍ PARADA POR QUE? — gritei

— Tô esperando

— ESPERANDO O QUE?

— Meus órgãos chegarem. Acho que eles ficaram perdidos a três curvas atrás.

— Você não vai entrar?! O carro tá parado logo ali na esquina.

— Aqui é área residencial, vistoriei esse lugar com Shark ontem. Visitamos aquela mesma casa que o carro está parado em frente, era um dos caras da nossa lista.

— Isso não faz nenhum sentido, sabia? — falei para ela. — Como vocês vieram até aqui e não descobriram nada?

Jane bufou e bateu o canto da mão no painel.— Nem me fale - disse.— Estávamos procurando a esmo sem focar em nada. Somos idiotas!

— E por que você é a isca? E se nossa presença aqui não for apenas uma coincidência?

— Nem mesmo você poderia acreditar nisso - Jane retrucou.

Jane tirou o cinto e pegou o rádio, após mais duas tentativas falhas de tentar falar com Shark

— Estou fora da minha jurisdição e estou sozinha. Preciso de reforços e autorização pra entrar. Toma — me entregou o radio — dê nossas coordenadas e a situação. Nosso código 4115 (perseguição de indivíduo perigoso possivelmente armado, civis em perigo). Vou dar uma volta no quarteirão para verificar o perímetro, fica aqui e não sai do carro, qualquer coisa você me liga.

Os minutos passaram e tudo que eu sabia era que os reforços iriam demorar apenas um pouco, no minimo vinte minutos.

Saí do carro e olhei meu pobre hummer alugado com vários amassos e arranhões na lateral e já imaginei a dor de cabeça que isso iria me dar ao me lembrar dos acidentes que causei.

Olhei em volta, e mesmo sem ser um detetive atrás de pistas, notei de cara que havia algo errado com a cena. Os reforços demorando e eu sabia que Jane logo iria entrar naquela casa, e sendo uma policial juramentada, poderia ir para a prisão por invasão, ao passo que eu provavelmente pagaria a pena com serviços comunitários, recolhendo lixo no parque ou ensinando crianças a tricotar.

E eu percebi o que sinto por ela, mesmo sendo uma descoberta ainda recente, e era demais para que eu a deixasse correr qualquer tipo de risco, o que eu tenho certeza de que era uma parte dos cálculos dela. Portanto, o negócio era Maura ser o reforço e entrar pela janela e pronto.

Se houver algum problema ou se eu vir algo ruim, sei lá, ou tiver um guarda, ligarei 911 e sairei logo de lá. O que poderia dar errado quando se invade o ninho de criminosos que já sequestraram e mataram várias pessoas? Deve ser algo simples. Não tão simples quanto ficar sentada no carro... Melhor não me arriscar. Entrei no carro novamente.

"- Ela sempre me ajuda a resolver alguns casos.

— Como? Com o microscópio? Agora em Boston prende bandido com bisturi? E prende aonde, num saquinho de provas?"

As palavras de Marlon me atingiram em cheio novamente me fazendo abrir a porta do carro e indo em direção a rua. Não tenho arma, mas estou com o meu celular. Se me pegarem, eu posso ameaçá-los com mensagens de texto. Como sou otária. Voltei, abri o porta malas e peguei uma chave de roda

Muito bem. Quando as coisas ficam difíceis a ajuda surge.

Coloquei as mãos nos bolsos junto com a chave e a camuflei com meu casaco e comecei a andar pela rua como se não tivesse aonde ir e estivesse apenas caminhando desajeitadamente. Nossa, olhe essa árvores! Não tem nada assim de onde eu venho. Meus Deus! Sou muito otária.

Cheguei ao final da rua observando sem fazer mais nada a não ser andar e parecer estúpida. Até onde vi, ninguém pareceu se importar com minha representação incrivelmente de turista inocente, mas não custava nada ser cuidadosa, então me fingi de turista por mais cinco minutos.

Aquela casa era enorme e caminhei pelo lado dela. O ponto vulnerável era óbvio: no beco curto e estreito perto da cerca viva muito alta que dividia as casas, havia uma lixeira. Ela ficava ao lado de uma janela. A janela não ficava à vista a menos que alguém ficasse parado bem na entrada do quintal. Resisti a tentação de seguir o beco indo em direção a parte de trás da casa.

Olhei pela janela ao ouvir algo, estava escuro lá dentro, mas não havia silêncio. Ouvi uma pancada surda vinda de algum lugar no interior, logo seguida por um gemido ritmado e um soluço ocasional. Não parecia o tipo de ruído que alguém faria se estivesse preparando uma emboscada mortal. Pelo contrário, era o som de alguém que estivesse amarrado e tentando escapar.

Esperei meus olhos se acostumarem com a visão escura lá dentro, e vi que um espelho ocupava a parede oposta. Vi uma mesa e algo se debatendo furiosamente sobre ela, e mesmo a distância, parecia ser humano. Pulei a janela e arrastei-me junto à parede, só por precaução.

— Aqui, por favor. Socorro! Ajude-me!

Atravessei a sala e me ajoelhei ao lado da mesa onde uma mulher se debatia, com certeza a garota que estava desaparecida. Seus braços e pernas estavam amarrados, seus olhos vendados. Bem em frente de onde eu estava, uma porta de tela dava para fora da casa, com certeza por onde quem estava lá escapara.

Enquanto eu tentava desamarrar as cordas escutava, sem ouvir de fato o constante choramingo de “Oh, graças a Deus, oh, por favor, me solte, depressa, depressa, pelo amor de Deus. Oh, Deus, por que demorou tanto?

— Quem mais está com você? — a mulher me perguntou.

— Minha amiga está em algum lugar por ai.

— Oh – ela disse, e fungou de novo, um longo som úmido que ecoou em algum lugar dentro de mim. Então, deu uma olhada para trás e se esforçou para se levantar. – É melhor sairmos daqui. Eles podem voltar.

Não tinha me ocorrido que eles poderiam voltar, mas era verdade. Era um truque antigo do predador fugir e em seguida voltar para ver quem estaria seguindo seu rastro. Se fizessem isso, encontraria dois alvos fáceis. Sou uma otária!

— Por favor. Pelo menos segure sua arma.

— Não estou armada – falei, e seus olhos se arregalaram

— Meu Deus! Que diabos você está pensando? Temos de sair daqui. – Ela estava à beira do pânico, como se fosse começar a chorar de novo a qualquer momento.

Ouvi uma tosse metálica atrás de mim e senti algo me cutucar nas costas. Virei-me e vi um senhor de óculos de aros grossos olhando para mim, era o senhor do carro e segurava uma seringa. Só tive tempo de me sentir indignada de vê-la apontada na minha direção quando alguém parecia ter me quebrado os ossos das pernas e despenquei no chão.

É engraçado como se ouve vários sons quando você acha que está sentada em absoluto silêncio e amarrada a um cano por uma algema extremamente apertada. Por exemplo, conseguia ouvir as batidas de meu coração em meus ouvidos, e, bem a meu lado, a moça que eu quase salvei respirou fundo lenta e longamente, e além disso havia um som metálico vindo do ventilador girando e jogando mais ar frio naquela casa gelada, e ouvi até mesmo algo se mexendo num pedaço de papel perto da cama de armar, o que provavelmente era um inseto ou algo assim.

— Abra os olhos, você está acordada. — Uma voz sussurrou perto de mim, era Jane, ela estava abrindo as minhas algemas com as chaves de algemas que ela tinha, vantagem de ser policial. Ouvi passos pesados se aproximando.

— Ei! O que você pensa que tá fazendo? — Um homem gritou, provavelmente ele tinha saído e retornado naquele momento. Não tinha certeza, o efeito do sedativo ainda estava em mim, odeio siringas!

— Calma amigo! Só vim buscar minha paciente. Ela tem problemas de cabeça e tava perdida. Só isso amigo. Calma.

— Quem é você caralho?!

— Sou apenas uma enfermeira. Vou sair com minha paciente, só isso. Eu não vi nada cara. Preciso levar ela antes que o psiquiatra perceba a fuga.

— Os reforços vão chegar em vinte minutos - sussurrei. Mas acho que o homem barbudo ouviu, pois deu um berro "O QUE?!" que as janelas até tremeram. E então entendi a expressão "até meus ossos gelaram". Por que eu estou só dando mancadas?

Um homem mais velho entrou pela porta e o reconheci, era o da seringa, e ele apenas acenou indiferente e disse "mate as duas".

Tudo aconteceu muito rápido, mas vi tudo em câmera lenta. A arma apontada para mim, me foquei nela e então Jane entrou na minha frente retirando a arma dela das costas, estava presa na calça atrás. Fechei Meus olhos ao ouvir o barulho estrondoso e senti um líquido quente bater em meu rosto.

Abri meu olhos a tempo de ver Jane tombando para trás e caindo próximo aos meus pés, em toda a minha vida sangue nunca havia me deixado tão em pânico como até aquele momento.

Toda a frieza profissional que treinei ao longo dos anos desapareceu por completo ao ver Jane segurando o peito com a mão ensanguentada.

Ainda em câmera lenta pude ouvir a respiração pesada do atirador e senti uma raiva que nunca antes havia experimentado. Quando dei por mim estava com a arma de Jane na mão e atirava. Não tinha noção de estar acertando ou não, eu apenas atirava.

Ouvi um som meio confuso que talvez pudesse ser sirenes, não conseguia discernir bem naquele momento. Então a câmera lenta se tornou flashes, lembro de um homem uniformizado de azul me pedindo calma, me pedindo a arma.

Depois um outro homem de terno perguntando meu nome e o que havia acontecido. Não conseguia dizer meu nome, acho que nem me lembrava como eu me chamava. A imagem de Jane tombando sobre mim voltou em minha mente e gritei, levantando e jogando uma manta que estava sobre mim longe, eu precisava ir atrás de Jane.

Senti algumas pessoas me segurando e alguém gritou algo como "ela precisa ser sedada". Ouvia muitos gritos, e quando senti a picada quente em meu braço percebi que os gritos eram meus. Meus olhos pesaram e olhei para minhas mãos ensanguentadas... Será que eu havia ajudado Jane?






Notas finais
Falei tanto no inicio que fiquei sem palavras aqui...aff Ah! Esse final aí meio confuso é porque estamos tendo a visão de uma vítima em estado de choque, então é meio confuso mesmo. Mas depois será suavemente explicado junto com a parte judiciária Comentem... No próximo cap teremos briga e Jane ao telefone com Maura (isso era eu sem palavras né, imagina eu tagarela)