Mirrors
11 Naughty Girl
Notas iniciais
“Eu estou me sentindo sexy,
Eu quero ouvir você dizer meu nome...
Essa noite eu serei sua garota travessa...
Eu sei que você quer meu corpo.
— Oi Maura! Finalmente me ligou!
— Oi Korsak. Desculpe não ter ligado antes.
— Eu sei Maura, sei que isso é um pouco difícil pra você. – ouvi vozes atrás dele, como se alguém estivesse pedindo algo a ele.— Hã... Maura? Como você está? Leu os novos livros que deixei aí?- Sim. Já li três, gostei muito deles. E estou bem sim, obrigada por perguntar.
— Hã... – novamente alguém falava com ele — Hã, Maura, você... hã... Leu o pijama do menino listrado?
— Menino do pijama listrado - sorri, quem estava com ele certamente revirou os olhos agora. — Sim li. Na verdade foi o primeiro que li e eu vi o recado lá. Mas eu queria te pedir um favor.
— Sim. Quantos quiser!
— Você poderia me dar o número da oficial novata. Hã... Deborah?
— Sim, oficial Deborah. Claro que dou sim. Vou procurar aqui, só um momento...
— Ela converteu mais alguém em fãs de músicas teen?
— Até onde eu saiba ninguém foi convertido até hoje, graças a Deus
— Jane foi.
— Com certeza não foi. Jane odeia quando Deborah começa a cantar Lady Gaga.
— Mas Jane sabia todos as músicas de có das cantoras de adolescente.
— Todos do departamento sabem de tanto que a Deborah canta, parece um rádio ambulante.
— Então era um pegadinha é isso? Cai em mais uma pegadinha da Jane.
Korsak gargalhava descaradamente — Caiu sim Maura – E gargalhava mais e quem estava com ele ria também, porém mais contido, por alguns instantes pensei ser Jane — Tem papel e caneta pra anotar o número ai?
Beyoncé — Naughty Girl
— Afinal estamos em Vegas baby! – Jane deu uma tragada funda no cigarro em sua mão e pela forma que ela fez... Já me aproximei sabendo a crise de tosse que seguiria.Jane colocou a mão no peito e começou a tossir como um tuberculoso. Tentei segurar o sorriso que teimava em meus lábios enquanto passava a mão nas costas dela, na tentativa de acalma-la, isso que dar inventar coisas que não sabe fazer.
— Parece... tão.. mais fá... fácil nos... fil..mes. – disse puxando o ar após o acesso de tosse.
— Você tá fazendo errado Jane – gargalhei e peguei o cigarro em meus dedos, dando um longo trago sentindo o gosto de menta suave que ele tinha, me senti bem. Espiei pelo canto dos olhos ela com a boca um pouco aberta olhando pra mim, ela estava realmente surpresa, e então sua feição mudou e seus olhos... Ah seus olhos, eles estavam diferentes, tinha um brilho de predador neles, respirei fundo com a cena. Voltei a mexer meus quadris devagar, dentro do ritmo daquela batida sensual.
— Não sabia que você fumava – disse ela, passando sensualmente a língua nos lábios me causando um incomodo no meu ventre. Se quer jogar Jane... não jogo pra perder.
— Eu não fumo, faz mal a saúde - afirmei ao me aproximar mais daquela morena — Mas em Londres isso é chique!
— Sempre Londres. – disse em um tom de deboche que não entendi o motivo.
Aproximei-me, tirando sua blusa social molhada, deixando-a apenas com a camiseta branca... Está usando roupas demais. Peguei a garrafa de sua mão e dando mais um gole sem parar meus quadris, não sentia mais a queimação do líquido, agora seu gosto era prazeroso, e sentia os olhos de Jane queimando em mim, olhos negros de leopardo. Dei mais uma tragada em meu cigarro amentolado e me aproximei de Jane, colocando meu braço que segurava a garrafa em seu pescoço, me aproximando perigosamente de seu rosto, ela não se afastou, apenas acelerou a respiração e colocou suas mãos em minha cintura, acompanhando meu ritmo,gostei disso — Você é tão sexy, essa noite eu sou toda sua — sussurrei a canção que tocava, ela deu um sorriso malicioso.
Continuamos a dançar devagar, apenas leves movimentos dos quadris. Sentia o hálito quente com aroma de Jack Daniel’s em minha bochecha, isso me aqueceu, voltando àquela leve dor prazerosa em meu ventre, sei bem o que isso significa... E agora não estou me importando mais, o que acontece em Vegas fica em Vegas, certo? Não é isso que os idiotas dizem? Quero ser essa idiota só por uma noite, ser livre.
— Você tem que puxar devagar – expliquei, minha voz saiu baixa e rouca, enquanto colocava o cigarro em meus lábios, o rosto dela sendo iluminado pela brasa enquanto eu sentia o sabor amentolado de novo, desejando sentir outro sabor. Ela não olhava a ponta acesa, olhava minha boca, de novo ela passou a língua nos lábios, dessa vez mais lentamente, me contive para não soltar um gemido. Alguém manda ela parar de fazer isso por favor! Tá me enlouquecendo.
— Você fica muito... Sensual fumando, bebendo whisky e dançando desse jeito- disse aproximando seu nariz de meu pescoço, todos os pelos loiros do meu braço se arrepiaram como resposta.
— Fico? – Traguei mais uma vez e me virei para ela, roçando nossos narizes. Senti ela prendendo a respiração. Levantei meu rosto em direção ao teto e ela segurou minha cintura, acabando com o espaço entre nossos corpos. Sorri e soltei a fumaça no ar.
Desci lentamente meu rosto, nossos narizes roçando de novo, minha atenção estava naquela boca rosada, respiração descompassada. Suas mãos seguraram com mais posse minha cintura,colando mais ainda nossos corpos, continuei o movimento do quadril, apenas eu dançava agora.
Desci o braço de seu pescoço e ela pegou a garrafa da minha mão, me virei de costas enquanto ela bebia no gargalo, sem tirar os olhos de mim. Colei nossos corpos de novo e desci rebolando até o chão devagar, levantei mais lentamente ainda e senti que meu vestido vermelho havia subido um pouco, deixando minhas coxas ainda molhadas totalmente a mostra. Me estiquei em direção a mesa, sem descolar nossos corpos, dando uma última tragada e apagando o cigarro no cinzeiro.
A ouvi colocando a garrafa em algum canto, talvez em algum móvel, não me importei, mas soltei um baixo gemido de satisfação quando senti ambas as mãos em meus quadris.
Aquelas mãos me puxavam de encontro ao corpo quente, havia desejo ali, e eu estava gostando muito disso.Levantei meus braços e levei minhas mãos pra cima, jogando-as para trás de encontro ao cabelo negro, emaranhando-as ali, expondo meu pescoço, local onde ela depositou um beijo molhado, apertei minhas pernas, meu corpo respondendo de imediato.
— Não faz essas coisas... Estamos bêbadas. – Ela sussurrou em meu ouvido, não antes de mordiscar a ponta de minha orelha.
— E daí?
— E daí que vamos nos arrepender amanhã.
— Não me importo. – falei ao soltar os cabelos dela e colocar minhas mãos por cima das mãos dela.— Quero sentir isso Jane, quero saber como é.
—Maura... - Ela deu outro beijo molhado em meu pescoço— Amanhã quando a bebedeira passar— Ela apertou mais as mãos em mim, me colando mais àquele corpo em chamas.— você não irá pensar assim.
— Amanhã culparemos a bebida, culparemos Vegas... — Ela mordeu de leve meu pescoço, a gentileza cedendo lugar à luxúria.
—Amanhã nos culparemos Maura.
—Posso conviver com isso. – afirmei ao me virar, minha boca procurando pela dela.
Nossos lábios sedentos se encontraram, agora não havia mais volta. Minhas mãos se perderam naquele cabelo selvagem.
Selvagem, a palavra que descreve Jane. Seu beijo é selvagem, seu toque é selvagem, e sou sua presa. Penso ao senti-la chupar minha língua, me causando uma sensação que nunca experimentei antes, quero mais disso, quero muito mais.Suas mãos pequenas estavam agora em minha nuca, seus lábios tão macios. Tão diferentes dos lábios que já beijei. Garota má bêbada as 4:00, beijando os lábios da melhor amiga.
Quando percebi, estava sendo pressionada na parede, suas mãos vagueavam meu corpo, explorando cada pedaço, me deixando pronta.
Os beijos intensificaram fazendo o ar ficar rarefeito. Então separamos nossas bocas, ela mordeu de leve meu queixo, me fazendo sorrir, então desceu as mordidas, indo para meu pescoço, não contive o gemido ao sentir aquela avidez, realmente ela estava me levando à loucura com coisas tão simples... Acho que não tão simples assim.
Ouvimos o barulho de vidro no chão, a garrafa de whisky não se quebrou, mas foi o suficiente para nos trazer a realidade. Separamos nossos corpos bruscamente e Jane passou a mão nos cabelos apreensiva, ela não me olhou nos olhos, fiquei preocupada.
— Vou... vou tomar banho. – sua voz saiu abalada.—Tirar essas roupas molhadas.
— Jane espera. – senti as lágrimas ardendo em meus olhos — Por favor Jane vamos conversar.
— Não Maura, depois a gente conversa. Estamos bêbadas e... sei lá
— Não. Tem que ser agora. Tem que ser agora porque eu ainda tenho coragem - Jane olhava o tapete no chão.— Não é só carnal Jane. Não é o álcool falando por mim.
— Eu sei. – Foi tudo que me respondeu. Ela saiu da sala, me deixando lá, pegando fogo e me sentindo culpada por isso.
Retirei meus sapatos e me sentei no sofá, deitando logo em seguida nele.
— Maldito Jack Daniel´s!!!! – resmunguei.
— Maura? – senti alguém acariciar meu rosto
— Maura? Acorda.
— Oi? – abri apenas um olho e vi Jane me olhando preocupada.
— Você dormiu no sofá Maur. Ainda está toda molhada. – abri meu outro olho e olhei para mim. Sim, eu ainda estava com meu vestido ensopado.
— Tá tudo rodando Jane. Me deixa aqui. – escutei a risada baixa da morena ao meu lado.
— Não vou insistir porque não quero ter que trocar o tapete às pressas. Mas você vai tirar essa roupa molhada. Não quero cuidar de uma médica doente.
— E ficarei nua? Não desfiz minhas malas ainda – notei um sorriso malicioso, aquele meio de lado.
— Vou te emprestar minha samba canção do bob esponja – boa ideia, isso mata qualquer libido, pior que isso só uma calcinha bege da vovó com marca de cloro no meio— E uma blusa do Red Sox, ok? – estarei extremamente sexy. Nossa!
— Vou me sentir você desse jeito. – ela levantou sorrindo meio cambaleando e depois voltou com as roupas exageradamente coloridas e um cobertor.
— Aqui – me estendeu — Tire essa roupa e vista isso.
— Tirar tudo?
— Do que adianta tirar o vestido e ficar com o lingerie molhada?
— Então vire. E não olhe. – ela se virou sorrindo enquanto eu me despia. Vesti aquela roupa que tinha o cheiro de Jane e me deitei.
— Jane? Agora pode virar. –
ela se virou sorrindo.
— Tem só um Doc Tre[remédio que cura ressaca americano] . Você toma ele. Realmente preciso de você 100% amanhã para aquelas autopsias.
— Apenas interesse... Olha que safada! – ela se sentou no sofá ao meu lado e me olhou séria.
— Não Maura. Não é isso. Eu prefiro que você fique bem. Me viro depois. – aquele olhar, havia tanto carinho ali. Ela sempre me protegendo, até em coisas simples assim.
— Jane, deita aqui comigo? – dei espaço no sofá atrás de mim – Fica comigo até eu dormir.Sem dizer nada ela se deitou. Eu beijei minha melhor amiga, amiga essa que está agora deitada atrás de mim, me aquecendo com seu calor. Puxei mais o coberto, até nossos ombros enquanto afastava o desejo de sentir aqueles lábios novamente.
— Maura, sobre o que aconteceu mais cedo... Hã... Eu...
— Não vamos falar disso agora. – notei o quanto ela estava nervosa e constrangida por isso.
— Deixe que o amanhã resolva isso. Vamos só curtir esse momento, tão bom? Adormeci nos braços dela. Garota má, bêbada as cinco. Não sou feliz quando ajo desse jeito.
— Jane! Acorda. – a balançava no sofá na quarta tentativa de acorda-la. Nas três primeiras fui gentil, se chegasse a um quinta eu apelaria para o velho água na cara.
— Jane, vamos nos atrasar para a reunião do caso.
— Só mais cinco minutos.
— Não podemos esperar mais cinco minutos. Toma esse remédio, vai diminuir o peso da sua cabeça.
— O peso da minha cabeça não é o pior dos meus problemas. – abriu um olho e me olhou — Já teve a sensação que um trem passou em cima de você e deu ré. Depois passou de novo, deu ré novamente completando com uma baliza?
— Não. — gargalhei
— Pois é. Parece que 4 trens tiraram carta de habilitação em mim.
— Toma esse remédio que vai ajudar.
— Só se for um sonífero derruba dragão. – Jane bebeu todo o copo que a entreguei em duas goladas. A olhei com o comprimido ainda EM MINHA MÃO!
— Jane! Agora terei que buscar outro copo de água!
— Aconselho trazer uma garrafa dois litros. Minha boca tá mais seca que o Saarah, minha cabeça tá matando por um analgésico e meu corpo implorando pela morte.
— Isso que da beber tanto.
— Tenho a impressão de ter falido a fábrica de álcool do pais. Bebi tanto assim?
— Você não lembra das coisas que fez ontem? – ela me olhou por alguns segundos como se estivesse pensando e desviou os olhos constrangida.
— Vou tomar banho.
Estávamos no carro indo para o DP Vegas enquanto carros passavam gritando por nós e confesso que fiquei admirada com a criatividade dos motoristas com palavrões. Jane pareceu nem notar, não trocamos nenhuma palavra e ela evitava me olhar nos olhos. Ela estava pensando e pensando, o que significava que sua testa estava toda enrugada em uma careta que me fazia querer avisá-la de que aquelas linhas se tornariam permanentes se ela continuasse daquele jeito. Mas experiências anteriores me ensinaram que interromper o processo de pensamento dela com esse tipo de observação afetuosa invariavelmente resultava em Maura sem café da manhã.Eu estava dirigindo a apenas 10 km/h acima da velocidade permitida enquanto tivemos nossa própria trilha sonora pelo caminho, formado de buzinas, xingamentos e dedos do meio graciosamente mostrados pelos outros motoristas que passavam pela gente como um bando de piranhas se desviando de uma pedra no rio.
— Jane, tá tudo bem? Você quer voltar pra casa, pra Boston?
Perguntei e acho que foi algo bem razoável, mas pela reação de Jane qualquer um pensaria que eu pedi a ela que raspasse a cabeça e a pintasse de azul.
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