Mirrors
22 Last Kiss
Notas iniciais
Saímos da casa de Ângela. Nosso jantar foi realmente maravilhoso.
Entrei no carro de Jane, a chuva começava cair um pouco mais forte.
Encostei a cabeça no vidro da janela. Quando eu poderia imaginar uma vida tão feliz assim?
Um momento perfeito para a garota perfeita, pensei ao olhar minha noiva. Alisei minha aliança de noivado e honestamente, não há nada de errado com a Jane? É claro que ela é tem defeitos, mas há tanta coisa boa nela. Como ela foi escolher logo a mim? Um ser tão comum e sem sal?
Jane pode ser hilariante, às vezes, e tem um grande senso de humor. Eu realmente rio de todas as piadas idiotas e inadequadas dela. E ela é tão inteligente e de mente aberta. Nunca conheci alguém assim. Alguém que me protegesse, e me fizesse sentir em casa, assim como alguém em quem confio para desbravar o mundo ao meu lado.
E, claro, ela é tão linda. Em sua própria maneira distinta. Poderia olhar para ela durante todo o dia e jamais me cansar.
— O que foi? – Jane sorriu e me olhou
— Nada. Só estou admirando a sorte que tenho.
— Sorte tenho eu de ter você.
Um trovão anunciou que a tempestade iria piorar.
— Vá mais devagar amor, a pista esta muito molhada. – falei receosa, a neblina atrapalhando a visão.
— Não estou correndo. Só um louco pra correr nessa tempestade. – senti tensão em sua voz, ela estava com medo.
Liguei o rádio, Sweet Dreams passava, quando percebi, cantávamos juntas.
Eurythmics — Sweet Dreams (Are Made Of This)

Mais um trovão, não parecia muito distante, ficamos alguns segundos em silêncio enquanto Jane tentava enxergar através da cortina hídrica. Outra música começou, mas ignoramos, a tensão era grande.
— Quero me casar na praia Jane. Bem longe de qualquer tempestade e com um lindo pôr do sol. — Falei na tentativa de acalma-la. Seus ombros tensos aliviaram um pouco e ela sorriu, sem tirar os olhos da estrada.
— Posso me casar com a camisa do Sox?
— Será um casamento na praia Jane, não em um campo de Baseball.
— Por que não pode ser num campo? Lá também da pra ver o pôr do sol.
— De cima de um vulcão também, mas estou fazendo um sacrifício. – Outro trovão cortou mais perto.
— Estarei casando com você, isso que importa. Caso até em Vegas com um cover gorducho do Elvis Presley como padre.
Rimos e minhas mãos começaram há soar um pouco. Outro trovão ainda mais próximo.
— Por favor, não fale em Vegas. Sinto a dor de cabeça da ressaca só de ouvir o nome.
— Nosso primeiro beijo foi lá. Temos história. – carro derrapou um pouco, mas Jane logo o controlou
— Mas foi aqui em Boston que eu falei que te amo. Então a história aqui é bem mais forte. – Segurei mais forte em meu cinto, e percebi que ele não estava muito bem preso. O soltei para coloca-lo de novo. Segurança em primeiro lugar.
— Eu sempre te amei Maur, só era idiota para não perceber e entender isso. – sorriu e sorri de volta enquanto recolocava meu cinto.
Um raio cortou no matagal a nossa esquerda, fazendo todos os postes apagarem como em um passe de mágica. A única luz que tínhamos era o farol alto do carro.
Desliguei a música que tocava no rádio e nos concentramos na estrada.
Nós saímos para namorar no carro do meu pai
Não fomos muito longe
Lá na estrada, bem lá na frente
Um carro estava parado, o motor estava morto
Não pude parar, então desviei pela direita
Nunca esquecerei o som daquela noite
Pneus cantando, os vidros estourando
O grito de dor que ouvi por último
Quando acordei, a chuva caía
Havia muita gente em volta
Algo quente escorreu pelos meus olhos
Mas, de alguma forma, encontrei meu amor naquela noite
Levantei sua cabeça, ela me olhou e disse:
"Me abrace, querido, só por um tempo"
Eu a abracei forte e a beijei — nosso último beijo
Encontrei o amor que sabia que havia perdido
Bem, agora ela se foi, mesmo tendo abraçado-a com força
Perdi meu amor, minha vida, naquela noite
Oh, onde? Onde estará o meu amor?
O Senhor tirou-a de mim
Ela foi pro céu, então eu tenho que ser bonzinho
Assim eu poderei ver o meu amor quando deixar este mundo
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