Mirrors

1 I knew you where trouble


“Percebo que a culpa é minha
Porque eu sabia que você era problema quando você apareceu.
Que vergonha de mim agora!
Me levou a tantos lugares que eu jamais teria ido...”


— Vem cá Maur! – Jane me chamou— Vem dançar Pearl Jam comigo!

— Jane, você está bêbada – afirmei o óbvio

— E você tá linda com esse sorrisinho irônico na cara. – corei com o comentário, tenho certeza! Minhas bochechas queimando me alertam disso. E nunca, nunca mais mesmo deixo Jane chegar perto de um Jack Daniel´s Honey na vida. Aprendi a lição.

Jane pegou a garrafa transparente do chão e deu uma golada generosa deixando um pouco do líquido escorrer por sua boca. Como ela consegue beber assim sem nem fazer cara feia?

— Vem! Para de ser chata. Vem comemorar! Vamos curtir Vegas! Uhhuuu!!! – Levantava os braços animadamente, derramando um pouco da bebida no tapete branco lindo daquele quarto de hotel, me segurei pra não correr e pegar um detergente, se fosse minha casa teria corrido e matado Jane. — Vamos curtir essa noite iluminada Maur! Não tem tanta luz assim em Boston! Acho que da pra ver essas luzes da lua! –Pearl Jam terminou e uma música estranha começou a tocar no celular dela.

— UHHHUUUUU!!!! Taylor Swift! – Ela começou a fazer uma dança esquisita— Vamos curtir Maur!!

— Você vai curtir sua cama Jane. Depois de um bom banho demorado e um café bem forte, vamos.

Taylor Swift – I knew you were trouble

Depositei minha taça de pinot sobre a mesa de vidro e fui em direção da morena alegre, que agora tocava uma guitarra imaginária, enquanto cantava o refrão da música: ‘Cause I knew you were trouble when you walked in. So shame on me now...” (porque eu sabia que você era problema quando você apareceu. Tanta vergonha de mim agora).

Realmente Jane, você bêbada é um problema, e se essa música não fosse tão irritante eu filmaria essa cena. Seria minha carta na manga quando a morena tentasse pregar alguma peça em mim. Como Jane tem essa musica no celular? Tenho certeza que isso é obra de uma nova oficial que ficou lá em Boston.


— Jane – Peguei em seu braço e agarrei a garrafa antes de um novo gole. E antes que eu pudesse fazer qualquer outro movimento fui agarrada por trás, como um tamanduá agarra um formigueiro... Me senti as formigas naquele momento. —Você tá me esmagando!

Ela gargalhou, possivelmente rindo da minha situação indefesa, ali, com os dois braços me apertando com toda a força que ela não sabia que tinha, ameaçando quebrar os coitados dos meus ossos frágeis. –
Jane...


— Isso é abraço Rizzoli – ela disse rindo— Se não estralar os ossos não é um abraço Rizzoli.


— Já estou toda estralada, pode soltar – Jane colou mais seu corpo ao meu e sussurrou no meu ouvido


— Só soltou se você dar uma bela golada nesse Jack Daniel’s aí na sua mão. – sou amiga de uma criança, só pode!

— Jane, uma bêbada já está bom demais. Não. – Senti Jane colocar o queixo em meu ombro, sua respiração batendo em minha orelha.

— Não estou bêbada. – sorri com o jeito emburrado que ela falou.

— Está sim minha amiga, e muito! Não deveria ter deixado você beber algo além de cerveja hoje. Me solta por favor. – falei ao tentar de novo me soltar inutilmente, apenas consegui virar meu rosto para ela, ela me olhava com um brilho diferente nos olhos, esse brilho está bem presente nos últimos dias.


— Maura, já falei! Não vou soltar enquanto você não der uma golada nisso aí.


— Isso é chantagem Srta. Detetive


— Agora é sargento. – Me disse orgulhosa, me fazendo sorrir e negar com a cabeça. O ego dessa mulher está cada dia maior, e piora com essas luzes de neon vinda da janela do quarto.

E pelo bem das minhas costelas esmagadas, acho melhor dar uma goladinha bem pequena nisso aqui. Olho para o litro meiado em minha mão. Sério?

Odeio Las Vegas!

O liquido desceu queimando tudo que encontrava pela frente. Sei que fiz uma careta horrível. Ela comemorou e ouvi um
“Isso! Agora uma golada maior ou não te solto”.


— Próximo! — ouvi uma voz masculina gritando

— PRÓXIMO! – a voz masculina agora berrava bem mal humorada.

Senti mãos empurrando minhas costas
— Vamos logo sangue azul! Sua vez! – um outro guarda ainda mais mal humorado me empurrava em direção a parede branca, só então percebi que eu era a primeira da fila.

Tropeçando cheguei a parede. Antes que eu pudesse pensar em arrumar meu cabelo, uma placa foi empurrada em minha mão e a foto foi tirada. Se houvesse como, tenho certeza que o flash daquela câmera barata teria me deixado cega. Antes que eu pudesse voltar a enxergar mais que sombras, o guarda-mal-humor mandou eu me virar para a esquerda. Irritada, apenas levantei a placa e virei. Não me importava mais como sairiam aquelas fotos, afinal seria impossível ficar agradável aos olhos dentro daquela roupa laranja-derrete-retina.

— DIREITA! – sem perceber encolhi meus ombros com o grito.

— ALÉM DE CEGA É SURDA SANGUE AZUL?! DIREITA!

Me virei fazendo uma nota mental de enviar uma carta ao diretor a respeito do tratamento mal educado que as detentas estão recebendo nesse presídio. Espero que esses seis meses passem rápido.



Notas finais
.Spoiler: Maura conhece sua amiga de cela nada convencional e de quebra conhece a temida enfermaria.. tadinho dos pulmões dela