Mirrors

18 I Run To You


Notas iniciais
Hey gente! Ofereço esse cap a linda e fofa leitora Carla Cristina Minion, que me indicou essa linda música. Amei sua mensagem maravilhosa. Gente! O que está em negrito é Flashback. Calma! Não programem minha morte pelo amor de Deus, há um motivo pra isso, eu juro. E é flashback de um único dia, então estou perdoada né... Bem.. Quase perdoada porque tenho certeza que ao ler o final desse capítulo vocês realmente terão vontade de me enforcar..

Eu fujo do ódio
Eu fujo do preconceito
Eu fujo dos pessimistas
Mas eu fujo tarde demais
Eu controlo minha vida
Ou é ela que me controla
Fujo do meu passado
Eu fujo muito rápido
Ou devagar demais me parece
Quando as mentiras se tornam verdades
É quando eu corro para você

Entrei na pré-sala da humilhação, que nada mais é que uma salinha em que você espera para ser revistada... Nua. Isso mesmo, você fica nua de frente e de costas para uma mulher que você nunca viu na vida... Isso tudo sem um jantar romântico antes.
Olhei para o lado e vi Jane ao celular, ela conversava/brigava com o Frank. Sei que falta poucos meses pra eu sair daqui, mas parece que esses meses ficaram mais eternos agora, porque são eles que me separam de Jane, do meu amor. Lembrei-me de como foi minha manhã, quero uma manhã como essa todos os dias.



Jane me acordou com beijos no pescoço, sorri com os arrepios, com aquela voz rouca sussurrando ao meu ouvido: “Bom dia, dormiu bem?”. Infelizmente no meu idioma não tem uma palavra que expresse a noite que tive, então apenas a beijei. Que delicia beijos carinhosos pela manhã.

Ela passeou a mão pelo meu corpo, mas logo quando me senti quente ela parou.

— Maur, preciso tomar café da manhã. Minha barriga tá roncando.

— Se tivesse comido todo seu Subway não estaria com fome agora.

— Se você não tivesse me dado aqueles olhos de gato de botas eu não teria te dado metade do meu. – O dela tava realmente gostoso. Ela sentou na cama, passando as mãos no cabelo o jogando pra trás

— Jane, sei que só posso sair daqui pra ir no DP, então peço pelo amor de Deus pra você ir na minha casa e pegar meu café. — Implorei e ela me olhou como se eu tivesse dito que ela tinha me engravidado

— Qual o problema do café do DP?! – Ela não entende das necessidades de uma mulher

— Aquele café parece ser feito sem açúcar e sem pó. Eu quero o meu. – Ela esfregou os olhos, olhou para o teto e soltou a respiração, me olhou e sorriu.

— Posso comprar um café pra você na cafeteria perto daqui. Daquele que você gosta. — Awn


— Você vai ficar bem Maura. – Jane sentou ao meu lado e me olhava preocupada. – Não arrume confusão pra darem um jeito de aumentarem sua pena... Eu estarei do lado de fora daquele portão quando você sair. Te fiz essa promessa e vou cumprir.

— Obrigada Jane. – Ela beijou meus cabelos e me abraçou. Pude sentir o quanto ela estava nervosa.

— E pelo amor de Deus, não chegue nem perto daquele maldito guardinha.

— O guarda-mal-humor? – Ela começou a esfregar suas cicatrizes.

— O próprio. Por favor, só não chegue perto dele, te imploro. Se ele ao menos sonhar chegar perto de você, garanto que sou eu que ficarei presa aqui. Então evite ficar perto dele.

— Não irei. Calma. – Ela me abraçou e nos beijamos. Não um beijo de despedida, mas de esperança, logo estaríamos juntas de novo.



Uma mulher morena e novata me chamou, pelo sotaque era brasileira, ou melhor, berrou meu nome com tanto desdém que juro que achei que fui eu que ganhei de sete a um na copa.

— Maura Dorothea Isles!

— Estou aqui. – Ela fez um “Oh” com a boca ao me ver.

— Você não parece pertencer a esse lugar.

— E eu não pertenço, é temporário. – Me sorriu sem graça

— Claro, desculpe. – Achei que abri minha boca de surpresa um pouco demais, porque meu maxilar até doeu... Mas... Será que ouvi bem? Ela me pediu desculpas? Ninguém nunca me tratou bem naquele lugar antes.

— Você é novata aqui? – Eu tinha que perguntar, é sério.

— Meu segundo dia. Venha, me acompanhe. – Ela me levou até uma salinha minúscula.

— Você terá que deixar seus adornos aqui. – Apontou minha mão esquerda.

— Esqueci de devolver minha aliança. – Retirei minha aliança de noivado e entreguei muito, mas muito contra a vontade para aquela morena.

— Tudo bem, você poderá tê-la de volta quando sair.


Shark passava pelo corredor quando Jane e eu saímos do elevador.

— Ei Maura! Mais linda ainda essa manhã – ele disse me olhando como se eu fosse sua sobremesa favorita. – Como é que está?

— Noiva – respondeu Jane, antes que eu pudesse abrir a boca. Shark olhou-a como se ela
tivesse dito que eu estava grávida.


— Maura está o quê? – E ele continuou me olhando

— Noiva. Vai se casar. Venha doutora, vou te levar ao laboratório – Ela me puxou como se não existisse amanhã, me levando a minha antiga sala, agora ocupada por outra pessoa que graças a Deus não estava no momento.

— Não me lembro de nenhum pedido de casamento... E olha que tenho uma ótima memória. – Falei enquanto ela fechava a porta.

— Porque eu ainda não pedi. – Ela respirou fundo, parecia ansiosa, e enfiou a mão no bolso, em seguida se ajoelhando. – Maura, eu pretendia fazer o pedido totalmente de modo clichê, te levando pra algum restaurante caro com champanhe e caviar. Mas estou limitada entre aqui ou lá em casa... Então... Optei pelo lugar onde te conheci. Acho que isso ainda é um pouco clichê.

— É muito clichê. – Ela abriu a caixinha de veludo revelando um anel brilhante de noivado lindo... Realmente lindo.

— Maura Isles, deseja ser minha esposa?

— É lindo Jane. – Ela me olhava com expectativa — Você sabe que está pedindo pra se casar com uma detenta, certo?

— Também não sou um santo. – Me sorriu. Havia tanto amor em seus olhos, e acho que os meus de alguma forma refletiram isso.

— Então coloque-o no meu dedo. Eu aceito. – Ela se levantou, colocando cuidadosamente o anel maravilhoso em meu anelar, e as mãos dela tremiam. Beijou minha testa em seguida e se afastou.

— Isso me faz muito feliz Maura. – Seus olhos estavam marejados, e senti uma lágrima atrevida escorrer pelo meu. – Vai ficar tudo bem

— Agora você pode me dizer por que falou pro Shark antes de falar comigo?

Jane revirou os olhos — Até parece que você não percebeu! Ele estava te comendo com os olhos... Não gostei – Deu de ombros


Lady Antebellum — I Run To You

Ruby me esmagou com seus braços, e começou a dar pulinhos me levando junto.

— Quanta saudade Doc! Meu coração não parava de fazer turu turu de tanta saudade! – Ursa apareceu atrás dela.

— Larga ruivinha aguada, agora é minha vez! – Outro abraço esmagador de ossos— Obrigada loirinha! Obrigada por ter me trazido de volta – E pela primeira vez na história alguém agradece por ter sido trazida pra cadeia.— A segurança máxima é horrível!

Ruby tentou empurra-la com o cotovelo, mas Ursa não se moveu um centímetro— Então loirinha... — Ursa me olhou de um jeito esquisito – Um passarinho me contou que você está noiva. – Aposto que esse passarinho dança samba.

Ruby me encarou.

— Noiva?

— Ainda não está decidido.

— Você ficou noiva?!

— Eu ia lhe contar.

— Quando? Na sua boda de prata?

— Quando entendesse como isso aconteceu. Ainda não acredito.

— Está todo mundo aqui? – Cavanaugh perguntou olhando para todos sentados a mesa da sala de reuniões.

Shark parou de me encarar e replicou:— Falta o Marlon. — Cavanaugh balançou a cabeça.

— Esse povo de Vegas parecem não saber o significado da palavra responsabilidade – Pigarreou e olhou para baixo, como se consultasse um roteiro invisível.— Certo – disse, e voltou a limpar a garganta.— Bem... as mais altas instâncias nos proíbem de intervir... bem... no acontecimento ocorrido ontem na... no local do último incidente – Ele ergueu os olhos, e por um momento achei que estivesse impressionado.— As mais altas instâncias – repetiu.— Recebemos ordem de manter segredo sobre o que vimos, ouvimos ou deduzimos desse fato e de sua localização. Nenhum comentário, público nem privado, de nenhuma espécie. – Ele olhou para Jane, que fez um aceno de cabeça, e depois para todos nós ao redor da mesa.—Portanto...


Através do vidro, vi Marlon-Rex se aproximando da sala, na hora olhei para o meu copo de água sobre a mesa pra ver se tremeria igual do filme Jurassik Park... Infelizmente não tremeu, decepcionada...

— Desculpe o atraso capitão

Cavanaugh era um homem razoavelmente robusto, de porte viril e bem conservado, mas pareceu pequeno e feminino comparado ao homem que estava parado à porta, e acho que percebeu isso. Marlon sentou ao meu lado com seu grande corpo, tive que me afastar um pouco pra ele caber entre eu e o legista.

— Então – O tenente prosseguiu após uma viril limpada de garganta, tenho quase certeza que deve estar ardendo agora. — Temos mais vítimas, e não temos muitos resultados. Estou disposto a ouvir sugestões. – Marlon pigarreou, isso deve ser contagioso.

— Para falar a verdade capitão, agradeceria se pudesse me emprestar outra pessoa além da Rizzoli, alguém que possa me ajudar a me situar, a pôr os pingos nos is, coisas desse tipo. — Todas as cabeças se voltaram para Korsak em perfeita sincronia, exceto a de Marlon. Ele se virou para pra mim e indagou:

— O que acha disso Maura? — Vocês podem achar que Maura (eu que vos falo) é uma imbecil por não ter ligado os fatos antes, mas quando a ficha caiu, veio acompanhada de uma incontrolável vontade de bater a cabeça contra a parede. Marlon odeia Jane, então a melhor maneira de irrita-la era grudando em mim.

Olhei para Jane ao lado de Cavanaugh, ela estava com os dois punhos cerrados sobre a mesa, a mandíbula travada enquanto olhava para o nada.



Os dias passaram relativamente rápido. Agora faltava apenas dois meses para minha liberdade. Ruby e Ursa não paravam de falar detalhes do meu casamento, e todos os dias eu conversa com Jane ao telefone. Aos sábados ela vinha me ver.
Eu estava sentada na minha beliche olhando a foto do meu aniversário, foi há exatamente um ano, e todas as lembranças estavam tão reais, eu quase podia sentir o bolo em meu rosto e cabelo novamente. Ruby entrou na nossa cela com seu jeito silencioso de ser que assustou até as aranhas das paredes. Subiu na minha beliche e sentou ao meu lado, roubando minha foto... Nem preciso dizer que é folgada? Ou preciso?

— Aí que fofo! E Quando é seu aniversário doc.

— Hoje.

— Aí meu Deus! Por que tô sabendo disso só agora?!

— Você tá sabendo muitas coisas de mim só agora.

Ruby começou um processo de se contorcer para aparentemente tirar algo de dentro da blusa. E ofegante tirou um pequeno pacote de semente de girassol.

— Parabéns! Não é muito, mas é tudo que tenho. E é de coração!

— Tô bem Ruby, não precisa.

— Você só não quer aceitar porque é algo bobo né? - Ruby se sentou novamente,e colocou o pacote entre nós na minúscula cama. A alegria deu espaço a tristeza. — Mas é só isso que tenho pra oferecer. Desculpa

Senti uma pontada em meu coração e um vazio que não soube explicar ao ver a garota ali, sentada ao meu lado de cabeça baixa. A voz que ela usou foi tão dolorida que tive vontade de abraça lá. Mas tudo que fiz foi pegar o pequeno pacote que tão gentilmente e sufocadamente esquentado pelo calor de Ruby e oferecido pela mesma
.

— Obrigada Ruby. — a morena cresceu os olhos azuis que agora brilhavam surpresos— Está muito bom, quer um pouco? – Estendi o pacote a ela que abriu um sorriso enorme.

Ela apenas balançou a cabeça negativamente, o sorriso ainda tomando conta de todo seu rosto.

— Ruby, você é muito importante pra mim. Você sempre se esforça e da o melhor de si para me agradar. Você é o mais perto de uma amiga que posso ter aqui.

— E você é minha melhor amiga do mundo inteiro! — Ruby levantou os braços para mostrar que era do mundo inteiro mesmo — Quantos anos doc?

— Parei de contar quando a casa dos 30 acabou.

— Se a gente tivesse no mundo real eu ia te levar pra beber e a gente comemorar. Escolheria um bom vinho...

— Só que você beberia suco de uva. Menor de 21 não pode beber.

— É minha fantasia, nela eu posso fazer o que quiser.

Ursa e a guarda brasileira apareceram com duas caixas enormes.

— Ei loirinha! Chegou pra você.

— O que tem ai dentro “pra nós”? – Ruby pulou do nosso beliche indo em direção AS MINHAS CAIXAS depois de enforcar o inglês. Pulei também.

Finalmente voltamos para o apartamento para nosso “almoço”. Não seja mente poluída, realmente almoçamos o que Ângela havia preparado e que finalmente foi descongelado... Tá! Não sou santa, levei Jane para o quarto, e em minha defesa afirmo que ela estava com muita vontade de ir... Oh! Bota vontade nisso! Como dizem lá no sul do Texas “Tava mais quente que boi na embernada aquela menina”

Entramos no quarto beijando, batendo em tudo que parede pelo caminho, era fogo demais! Ela tirou o paletó o jogando para qualquer lugar sem interromper nosso beijo. Levantei meu vestido e o tirei por cima, nem faço ideia de onde ele foi parar. Em dias comuns eu o dobraria com muito cuidado, mas não era um dia comum.

A joguei na cama que caiu sentada, em seguida sentei em suas coxas, voltando ao nosso beijo. Jane passava as mãos por meus cabelos, minhas costas e me puxava mais para ela.
Ela retirou sua camiseta verde de guerra e jogou para o chão, levei minhas mãos com tanta vontade para seus seios que nem me reconheci. Meu pescoço foi atacado com mordidas e leves chupões.
E como azar é meu nome do meio, o telefone de Jane tocou, nos lembrando que estávamos ainda em horário de trabalho.


— Acho que pedirei conta quando nos casarmos. Você me sustenta?

Jane atendeu ao telefone, e sentou repentinamente na cama, me assustando. Passou a mão pelos cabelos e depois a colocou na boca, tampando-a. O olhar dela era de horrorizada. Desligou o telefone e fez novamente o mesmo processo de mão no cabelo e boca.

— O que aconteceu Jane? Já estou aflita.

— Eles o levaram Maura. – Me olhou com olhos arregalados

— Levaram quem? – Acredito que meu olhar também era aterrorizado

— Shark A gang levou o Shark. O imbecil tentou mostrar serviço, parece que ele achou o esconderijo e foi lá sozinho. – pelo menos ele mostrou serviço achando o lugar né? Pena que nem mandou uma mensagem de texto compartilhando a informação.


Jane levantou da cama como se o colchão estivesse pegando fogo. Vestiu as roupas em segundos me prometendo deixar a par de tudo. Uma hora depois Debs bateu a campainha me buscando pra ir também.


Como terminei meu horário de serviço, fui até o sagrado corredor dos telefones e liguei para Jane que me atendeu no segundo toque.

— Boa tarde meu amor! Vou ser obrigada a trocar de carro.

— Que foi? Seu carro matou alguém de tétano?

— Ele não está tão mal assim, pára Maur.

— Desde quando te conheço você tem esse mesmo carro. E eu já troquei o meu 3 vezes. E na ultima vez que sai com você, seu carro fez um barulho tão alto de lata arranhando que achei que o cambio tinha caído e causado um acidente no carro de trás.

— Deu pra fazer piadas agora doutora?

— Foi engraçada?

— Foi

— Então sim. Mas o que aconteceu? – Ela bufou

— Atropelaram meu carro hoje.

— E você está bem?! Teve feridos?! Machucou?!

— Tô bem, Calma. Tô inteira pra você. — Sorri

— Que bom ouvir isso. Alguém além do seu carro saiu ferido?

— Sim

— Quem?!

— Meu ego.

— Ai Jane! Não me deixa preocupada assim.

— Gosto da sua voz de preocupada. Consigo até imaginar você passando as mãos nos cabelos e depois as colocando na cintura. – Então me olhei, realmente eu estava com a mão na cintura após passar no meu cabelo.

— Te liguei pra falar que amei meus presentes.

— Só por isso? – Ouvi a campainha tocar – Mandei tudo triplicado, pois sabia que Ursa e Ruby iriam querer também, principalmente Ruby que ouvi falar que não pode ver nada que seja de comer.

— E você acertou. — Ela abafou o microfone do celular e disse algo. Se despediu de alguém


— Quem era na campainha? - Perguntei direta

— Era Deborah.

— Mas já passou das oito. Não é um pouco tarde para visitas sociais?

— Não é social. Ela veio me trazer uma coisa.

— E já foi embora? Só chegar, entregar e sair? Sem nem sentar para dividir uma cerveja? Como ela é gentil.

— Ela só veio trazer meu jantar. Ela ficou horas falando com Ruby outro dia sobre uma maravilhosa lasanha que ela faz e devido ao pequeno espaço e grande altura na voz de Deborah eu ouvi toda a conversa. E fiquei curiosa pra experimentar. Então aqui estou.

— E ela pode simplesmente aparecer assim e lhe entregar coisas? Fazer seu jantar...

— Você me faz soar como uma eremita

— Estou fora a apenas 3 meses e já fui substituída?

— Bom, uma mulher tem necessidades né. – Fiquei calada — Mas só você faz canelone pra mim.

— Então ela é sua nova melhor amiga?

— Tá com ciúmes?

— Completamente.

— Sim. Somos amigas e somos próximas. Mas o melhor e mais importante lugar está reservado para alguém muito especial.

— Não Sabia que você falava tanto com a Ruby assim para ela ganhar esse lugar... Afinal ela é linda.


— Você quer saber um segredo?

—Claro!

— Debs e Ruby são bonitas sim, mas elas não são você. Quando você tá perto de mim tudo é diferente. Consigo ver futuro quando tô do seu lado. E você ... Você é a pessoa mais charmosa, cheirosa, inteligente e linda que eu conheço. E como se isso não fosse o bastante, você é a mais honesta, leal, sincera e não mente. Essa última parte até me assusta um pouco. Te amo Maur. Tanto, tanto... Que...

O guarda-mal-humor gritou que a hora dos telefonemas havia acabado e que eu deveria ir limpar o pátio. Despedi-me rápido de Jane dizendo para ela se acalmar, pois só faltava mais dois meses e eu sairia dali.


O guarda-mal-humor ficava esgueirando pelo pátio como um tubarão dando voltas num recife de areia. Andava de um lado para o outro, mas nada conseguiu, a não ser uma topada no dedo.
Olhei o céu, com certeza iria chover e logo.

Um alarme alto tocou e tive a impressão de ficar surda.

O guarda gritou para que eu deitasse no chão. Pensei duas vezes ao olhar aquela grama nada amistosa e então senti o grito do guarda-mal-humor ecoando no meu ouvido novamente. Olhando pelo lado positivo, eu não estava surda, mesmo que desejasse tal coisa naquele momento. Joguei-me na grama nada macia, percebendo que era artificial, nunca tinha reparado aquilo antes.

E para completar meu dia lindo e maravilhoso, uma chuva torrencial começou a cair. Ela oscilava entre: “vou afogar” e “o mundo acabando em dilúvio”. Ela estava fazendo ondas até interessantes de se admirar se eu não estive ali deitada absorvendo toda sua água gelada com meu corpo e sendo espetada por aquela grama falsa.

— PARA O DEPÓSITO AGORA! – o guarda-mal-humor gritou.

Todos os comentários inteligentes tinham escorrido de mim naquela chuva incansável que ensopava meu corpo ao passar por minha jaqueta fina, então apenas olhei para o guarda e voltei a me concentrar em manter meu rosto solene, franzindo um pouco a testa e deixando a minha meia molhada. Fiz que não com a cabeça e formou uma cachoeira no meu pescoço.


— VOCÊ VAI ENTRAR LÁ AGORA!! — Levantou o cassetete pra mim. Olhei o depósito ISOLADO DE TUDO, era o lugar onde guardavam ferramentas e coisas velhas. A chuva piorou.

Limpei um pequeno afluente do rio Mississipi de minha testa e olhei para os olhos sombrios do guarda mal humor. Ele queria que eu o xingasse, gritasse ou pula-se no pescoço dele, mas fiz o mais lógico que eu poderia fazer naquela situação... Dei de ombros, o que mandou uma tromba de água para meu pescoço. Mas não me importei, nada me faria voltar para a solitária agora, não quando quero obcecadamente terminar meus poucos meses e sair desse lugar

Fui em direção ao quartinho conseguindo pensar em apenas uma coisa horrível... Perdi meu jantar.
Entrei e ele entrou também, batendo a porta atrás de si. Então percebi que eu estava sozinha ali com ele.

Notas finais
Calma! Tenho só 26 anos e tenho amor à vida. Spoiler do próximo cap. - Alo? - Jane, que bom ouvir sua voz - Senti minha voz sair mais afetada do que eu esperava - Que voz é essa Maura? O que aconteceu pelo amor de Deus?! - Nada Jane, estou bem - funguei - Não mente pra mim Maura! O que aconteceu?! Me fala ou eu baixo aí, você sabe bem do que sou capaz. Então me fala. - Jane... - Senti meus lábios tremerem e apertei mais forte o telefone em minha mão - É alguma coisa com a Ruby. - Não. Jane, por favor, tudo que eu preciso é ouvir sua voz, mais nada. - Com a.. huh.. Ursa? - falou hesitante - Jane.... - Ouvi um barulho do outro lado da linha - O que você está fazendo? - Indo pra ai. Se você não fala alguém vai me falar. - Eu.. Eu fugi da enfermaria pra te ligar.. e... Se quiser o novo cap mais rápido, me deixe saber através dos comentários