Mirrors

6 Canção e silêncio


Notas iniciais
Oi gente!!!! Mil obrigadas a Samantha pela confiança na fic que ainda é uma bebezinha. Li mil vezes e ainda não tô crendo, amei as palavras. Vc é uma amada. Nesse cap veremos Maura se abrindo um pouco. E obrigada pelos comentários e ameaças de morte, são incentivadores. Boa leitura

“Procurei nos lábios, procurei nos olhos a sua presença
só achei saudade.
Procurei nos livros, nas fotografias o seu sorriso
só achei tristeza.
Eu não queria ser um entre milhões de loucos
Pouco a pouco vou perdendo os parafusos
E correndo contra a multidão.
Não vou implorar piedade, não vou lhe escrever poemas
Não, eu já tranquei as portas e você nem se importa.
Quer saber, eu já chorei até demais por você.
Vejo a cada instante você indo embora e eu não sei pra onde
Deve ser pra onde a alegria e o seu amor se escondem.

Ao desembarcar fomos recebidas pelo Detetive Shark, não faço ideia do primeiro nome, só ouvi o Shark e como ele não parava de sorrir para Jane. Tive um pouco, talvez muito desconforto com aqueles olhares trocados.- Na hora o achei o homem mais feio e horrível do mundo, mesmo tendo a impressão que Deus pegou o Brad Pitt e falou: “acho que dá pra melhor um pouco” e fez o entojado Shark. Fomos alugar nosso carro e depois seguimos ao hotel.

Meu humor só melhorou um pouco quando ao chegar ao hotel fiquei sabendo que Jane e eu teríamos que dividir um quarto –nenhuma novidade ao pensar no preço alto dos quartos em Vegas-. Bem que eu poderia reservar um só para mim, mas me faltou vontade.Shark desnecessariamente nos acompanhou até o nosso andar. Não sei o que é o pior no elevador: Assuntos desnecessários ou aquele silêncio mórbido como se um soubesse um segredo bizarro do outro.

Nos despedimos de Shark, minha voz para dizer “Tchau” saiu prazerosa o suficiente para arrancar tinta da parede. Jane me olhou confusa e eu não entendi o porquê.

– Você não foi com a cara dele né Maur.

– Gostei dele como pessoa. – Foi tudo que disse até ela abrir a porta. “o quarto se resumia a duas camas de solteiro beeeeeem simples, simplicidade parecia ser o lema daquele quarto,uma sala com um sofá redondo no meio e um pequeno e lindo scoth bar, ou minifreezer como alguns chamam.

–Tá muito calor aqui. – Jane reclamava sacudindo a própria camisa e abrindo as janelas

– A sensação térmica é maior que a temperatura. É apenas impressão.

– Minha impressão é estar derretendo e a sensação térmica que eu estou tendo é de abraçar o sol. Tem uma piscina na cobertura.Vamos!

– Como você sabe?

– Li o planfeto enquanto você decidia sobre um carro tartaruga ou um que anda.

– Eu não vou entrar na piscina a essa hora e não trouxe bloqueador solar adequado e... Por que você tá me olhando assim? Eu não vou e você não vai me obrigar a ir.

– Entra na piscina logo Maura! – Jane gritava e jogava pingos GELADOS de água em mim.

– Não chega perto de mim, você tá ensopada.– Quase berrei ao vê-la saindo da piscina e vindo em minha direção.

– Entra na piscina Maura. – mesmo a forma carinhosa que ela me olhou não me derreteu, não valia uma água gelada. Ela me abraçou molhando minha roupa

– Arg! Você tá um freezer! Me abraçou mais apertado Eu não vou entrar e não importa o que você faça. Daqui não saio.

– Tá bom. – Jane me pegou nos braços indo em direção a piscina enquanto eu esperneava

– Me solta. – já não sabia a que distância estava da piscina.- Tô mandando! Me solta!

– Você que manda. – Então ela simplesmente abriu os braços, e infelizmente percebi que eu estava perto demais da piscina, tão perto que estava em cima dela. O tchibum foi inevitável e minha vontade naquele momento era rasgar o pescoço de Jane no meio.

Subi a superfície tirando um pouco de água do rosto e abrindo meus olhos em busca dela, mas não a vi do lado de fora da piscina.


– Filha da ... – então ela me agarrou por trás, colando nossos corpos. Suas mãos em minha cintura me fez esquecer a raiva completamente, enquanto gargalhava de mim

– Calma Maura, eu só não queria ficar nessa piscina linda sozinha. Não há mais ninguém aqui além de nós duas olha.

– Será por que ainda são três da tarde?! – tentei fingir raiva, mas ela logo percebeu que eu não estava mais nervosa. Me virou e ficamos frente a frente, muito próximas. Por algum motivo me detive nos lábios molhados dela... Em como os pingos de água se formavam na ponta de seus cabelos e depois em como as gotas deslizavam devagar por aquele rosto e corpo, brilhando com a luz sol do sol

– Fica aqui na piscina comigo Maur.- me apertava em um abraço manhoso

– Estou com roupa, se é que você não percebeu– nossa conversa era sussurrada como se fosse um segredo que ninguém pudesse escutar.

– Então tira. – ela afastou um pouco nossos corpos e colocou as mãos na barra da minha blusa e a levantou expondo meu biquini amarelo que fui quase obrigada a colocar. Suas mãos pareciam tocar propositalmente minha pele.

Se livrou da minha blusa a jogando para fora da piscina. E colou nossos corpos outra vez quando ameacei fugir da piscina, e novamente encarei seus lábios, senti seus olhos em mim e notei que ela me olhava diferente também. Por impulso a olhei nos olhos, nossos olhares se sustentaram por alguns segundos e então ela os desviou. E se afastou do meu corpo para que eu tirasse minha calça, nadou até uma certa distância, mergulhou e voltou a superfície.


– Pensou melhor a respeito do nosso filho camaleão Maura? — disse um pouco longe, passando as mãos nos cabelos para retirar o excesso de água. Acho que Vegas será inesquecivel

Meus olhos estavam presos na sala cheia de rostos desconhecidos, minhas mãos soavam no vidro que me separava “do mundo real”. Korsak estava atrasado, vinte minutos, estava atrasado.

– Esperando sua família loira? – uma detenta que nunca vi na vida me perguntou parando ao meu lado.

– Não. Apenas um amigo. – confessei soltando a frase com o ar.

– Por mim eu não queria que minha família me visse aqui, mas fazer o que? Sinto falta deles e eles de mim. – olhei para a mulher ao meu lado. Ela aparentava uns 40 anos, rosto queimado pelo sol, o bronzeamento não era uniforme. Eu estava carente de conversa, resolvi passar o tempo enquanto esperava por Vince.

– Quem da sua família virá te visitar hoje? — perguntei a olhando nos olhos enquanto ela olhava a sala cheia de desconhecidos através do vidro.

– Meu filho e meu namorado. Eles não puderam vir semana passada, meu menino jogou bola e fez dois gols pra mim-disse alegre– Estou um pouco ansiosa. – notei sua feição triste ao revelar aquilo – Acho que aquele senhor está te chamando loirinha.

Olhei novamente através do vidro e avistei Korsak acenando para mim.Ele segurava uma sacola grande na mão. Passei pelo guarda-mal-humor e parei na porta, louca para entrar naquela sala.

– Oi Maura! – ele me esperava de braços abertos, não resisti pular naquele abraço. Nunca tivemos essa intimidade, mas hoje... Hoje era diferente.

– Como está todo mundo Vince? – perguntei me desfazendo do abraço e sentando a mesa com ele.

– Maura, você precisa aumentar os nomes na sua lista. Algumas pessoas estão barradas lá fora porque você não permitiu a visita. – sorri sem graça, não pretendo receber visitas, apesar que fiquei curiosa sobre quem eram essas pessoas.

– Desculpe. Só há você na lista. Pensei em colocar a Kiki, mas... Não sabia se ela queria vir.

– Pois acredite que ela está furiosa lá fora. Aqui estão algumas coisas do pessoal barrado lá fora. – ele colocou a grande sacola em cima da mesa e começou a retirar alguns objetos.

– Que tanto de coisa! – tenho certeza que meus olhos brilhavam.

– Esses são alguns livros que escolhi, tive ajuda, calma. Trouxe só cinco, semana que vem trago mais. – me estendeu um pacote de presente rasgado – Desculpe, eles abriram pra revistar. – me sorriu sem graça.

Passei os olhos pelos títulos, maioria romance, mas a boa noticia é que não li nenhum deles ainda.



– Aqui está um kit de maquiagem, presente da Kiki, é bem simples, eles são chatos com maquiagem por aqui. Também um Kit de unha que algumas guardas afanaram algumas coisas, esse foi presente de uma mulher lá do laboratório, fiquei surpreso quando a encontrei lá fora e ela sabia meu nome. Eu nem sabia que ela trabalhava lá – sorriu sem graça novamente, nerds de laboratório como eu não são lembrados mesmo, somos invisíveis.– E a oficial novata mandou um MP4, mas os guardas vão te entregar lá dentro. – finalmente terei meu próprio rádio! É claro que não colocarei no repertório que ela escolheu, deve ter só músicas que adolescentes adoram. Aposto que Ruby vai amar.

Korsak continuava colocando as coisas na mesa, me falando o nome de quem havia me mandado. E confesso que fiquei surpresa, mesmo após tudo que fiz, ainda há pessoas que se preocupam comigo.

– E aqui está a foto que você pediu. – me estendeu a foto que Jane e eu tiramos no Egito. A pirâmide de Gisé atrás. Nós duas usando chapéu de Indiana Jones e Jane soprando o indicador, como se ele fosse uma arma e ela tivesse acabado de tirar. – Acharam uma boa ideia trazer essa também – Korsak tirou outra foto do envelope pardo

Antes que eu pudesse perguntar quem foram o “acharam”, Korsak me estendeu uma segunda foto. Era a foto do meu aniversário. Meu rosto e cabelo estavam cheio de bolo, sim, fizemos uma brincadeira boba de guerra de bolo. Jane estava abraçada a mim, Thommy e ao Frank, um abraço triplo. Ângela ao nosso lado era a única intacta, limpa! Ai de quem jogasse bolo nela, teria que comer o resto do bolo inteiro e limpar a casa sozinho... Essa foi a ameaça que ela berrou. Korsak estava no canto da sala, bem ao fundo da foto com um prato com um resto de bolo, ele era o único que estava realmente comendo o bolo ao invés de usá-lo como arma. Minha família estava ali, tudo que eu precisava para ser feliz estava naquela foto.

– Esse dia foi maravilhoso. – a voz do homem me despertou das lembranças. Sentia a mesma nostalgia que eu, tenho certeza.

– Sim. Inesquecível. – hesitei – Frank não retornou nenhuma ligação minha quando eu ainda estava solta, ele tem raiva de mim?

Korsak suspirou
– Acho que isso é algo que ele tem que te responder. E a Ângela...

O sino informando o fim da visita tocou. Levantei-me para dar um último abraço no meu amigo.


– Obrigada pelos presentes. – falei dentro do seu abraço de urso.

– Semana que vem terá mais. Não deixe de me ligar Maura. Pode pedir qualquer coisa. E cuida bem da Ruby, sei que ela deveria cuidar de você, mas cuida dela também.

– Da onde você a conhece?

– Estou ajudando uma pessoa a cuidar de alguém importante para a Ruby. E por favor, aumente sua lista de visitantes.

– Amei essa playlist! Parece um Ruby hits! – Ruby dizia sentada no meu beliche, próximo aos meus pés. Apenas levantei a cabeça do meu travesseiro e sorri.

– Sabia que você iria gostar. Foi uma pessoa novata do meu antigo serviço que me mandou – não pude deixar de achar estranho, nunca dei intimidade a ela para um presente. Na verdade acho que ela tinha medo de mim.

– Ela tem bom gosto – concordo não – Passa meu número pra ela. – disse sorrindo sensualmente. Essa sensualidade é natural dela, tudo que ela fazia era assim, sensual.

– Você gosta de mulher Ruby? – disse colocando meus braços abaixo do meu pescoço, ajustando melhor meu corpo deitado na cama.

– Não, mas se ela me der um desse com essa Ruby hits e me levar para um jantar com comida de verdade e bebidas chiques eu passo a gostar. Queimo coro bonito! Afinal bêbado e hetero não combinam na mesma frase. – não pude deixar de gargalhar com minha nova amiga idiota.

– Você é muito engraçada Ruby. Tenho certeza que daria muito bem com uma amiga minha. Ou ex amiga, não sei.

– Não existe ex amigo Doc. Existe inimigo ou desconhecido. Depois que a amizade acaba só tem esses dois caminhos.

– Não sei em qual deles me encaixo. – realmente não sei, nunca mais vi ou falei com Jane depois daquilo tudo. Suspirei.

– Esse suspiro aí não é de amigo não heim Doc.

Canção e silêncio – Zé Manoel

– Você já teve uma amizade que era diferente de todas as outras? Nunca tive muitas, mas essa era especial... Essa pessoa é ou era, não sei mais, minha melhor amiga. – sorri ao ver o rosto sorridente de Jane na minha frente – Sabe quando você abraça alguém e essa pessoa te abraça mais forte ainda, e você sem perceber acaba apertando mais ainda e não fica desconfortável? Pelo contrário, é prazeroso? E da vontade morar naquele abraço, sabe? Um lugar tão seguro como um abrigo.

Ruby me olhava atenta e então mirei o teto, a imagem de Jane ainda estava em minha mente. Agora Jane me abraçava e eu quase podia sentir o cheiro do trident de canela que ela adora mascar, ou então o de tutti frut que eram exclusivos da manhã, meu favorito.
– E sabe quando você encontra essa pessoa ao acaso e ela quando olha pra você sorri? O sorriso mais sincero de todos é pra você. Aquele tipo de sorriso que os olhos ficam pequenos e brilham. Esse não há como fingir.

Passei a mão pelo meu rosto na tentativa de tirar uma lágrima furtiva. –
E essa pessoa se preocupa se você almoçou, sabe por um simples alô se você está bem. E sempre implica com você por coisas bobas, e é como se vocês tivessem uma linguagem própria, um idioma que só vocês entendem. Vocês têm piadas internas que... – sorri – Que faz as outras pessoas ao redor acharem que vocês são loucas, e talvez até sejam! E amam compartilhar essa loucura exclusiva.

As lágrimas ameaçavam vir com mais força – Eu tive uma amiga assim. Uma amiga que aparecia de surpresa na minha casa quando eu estava triste e dividia um pote de sorvete e filmes velhos, que não me deixava sozinha na minha solidão. Que contava uma piada idiota quando eu precisava rir e respeitava meu silêncio. Que conseguia ver através da minha máscara, tinha uma gentileza na hora certa... – suspirei novamente, quase um soluço – Uma amiga que dividiu sua família comigo, sua vida, e fez questão de me colocar em cada um dos seus sonhos. Eu era a primeira na lista dos planos de férias.– sorri e já não me importava mais com as lágrimas que desciam silenciosas pelo meu rosto. – Eu tive Ruby, eu fui feliz. Fui feliz com queijo quente, cerveja em latas, hambúrguer, janta requentada, sabores estranhos de pizza que teimava misturar com os meus, viagens inesperadas, domingos de baseball e o mais importante. Amor.

Ruby estava em silêncio, então olhei para baixo e a vi enxugar uma lágrima. E me dei conta do desabafo que compartilhei, me senti envergonhada. Eu sempre fui tão fechada com todo mundo, mas com Ruby era diferente. Não era a mesma cumplicidade que eu possuía com Jane, era puro também, mas... Realmente não sei explicar a diferença. Melhor não pensar nisso, não quero a comparar a Jane

– Você a amava não é Doc? – disse com a voz um pouco embargada.

– Sim. Às vezes mais do que a mim. – novamente as lágrimas vieram com força. Chorei por um tempo, enquanto Ruby assistia a cena em silêncio, apenas colocou a mão sobre minha canela e passou a mão devagar ali, um voto mudo de solidariedade. Após alguns minutos eu me recuperei um pouco e continuei. Eu precisava daquilo ou ficaria louca. — Desde o dia que percebi essa diferença no sentimento que sentia por ela, assumi para mim mesma que era um amor platônico, afinal não havia uma conotação sexual. Pra mim só bastava estar perto dela, esse era meu único desejo.

– Quando isso mudou? – perguntou com um tom de voz mais baixo. A olhei buscando na minha mente a resposta que eu não tinha.

– Acho que não sei. Talvez após nossa viagem a Vegas, ou talvez antes. Não sei quando ou como começou. Só sei como terminou.

– Doc, ainda não terminou. – e ela tinha razão, não terminou. Só não terminou pra mim – Eu sei que não é fácil admitir isso, afinal chega a doer e é uma dor que tipo, tão grande que, nem sei. cara. Essa dor vem de dentro quebrando tudo quando sai. E como calar algo tão grande né? E a verdade que você já sabe fica lá, gritando das suas entranhas, berrando sem parar porque ela é tão grande quanto você. E sabe o que é pior?

balancei a cabeça em negativo
– A intensidade do que você sente é a sua intensidade. E ela precisa doer pra te mostrar o que você sente. Jogar na cara seus medos e piores pesadelos pra você saber o que é importante pra você. Ela te joga no meio do caos, e é aí que você encontra a resposta. Quando essa dor te mostra seu caos.
Ruby respirou fundo antes de continuar – Doc, sei que aqui dentro desse aquário tudo é mais intenso, qualquer coisinha te magoa. Mas seja forte tá. Lá no mundo real tem pessoas que se preocupam com você, e eu aqui dentro me preocupo com você também, não sou grande coisa, mas preocupo tá. E essa pessoa aí que você falou também se preocupa com você. Pelo jeito que você fala dela Doc, e pelas coisas que você falou que ela faz, Ahh Doc! É intenso demais. E o amor é verbo múltiplo e circular, precisa de quem ama e receba amor de volta. Impossível toda essa intensidade e toda essa história que vocês tem juntas ai se não fosse recíproco, né? Tipo bate e volta.

O toque de contagem soou. E a guarda entrou em nossa cela. Ruby escondeu o mp4 entre as pernas para a guarda não ver e desceu da minha cama quando ela saiu.

– Por que você escondeu meu MP4? – perguntei quando ela me estendeu o mesmo.

– Isso ai é proibido aqui Doc. Só pode essa coisa velha e desnutrida A PILHA que o meu é. Por que você acha que um guarda escondeu bonitinho embaixo do seu travesseiro sem ninguém ver?

– Mas foi o Korsak quem trouxe! Foi presente de uma detetive! – afirmei incrédula. Estou cometendo mais crimes sem saber?! Vou acabar sendo presa por isso! ... Ignora o pleonasmo que pensei agora.

– Isso é a prova que tem gente lá fora que importa com você. Importa a ponto de molhar a mão de um guardinha corrupto aí pra te agradar. Não é desse lado da cela que os corruptos estão Doc, e não estou falando dos seus amigos. O corrupto não é quem oferece, é quem aceita. – comecei a entender o motivo da prisão de Ruby. Essa menina...

– Tenho que ir ao banheiro doc, deixa que dou um jeito de carregar a bateria do seu rádio tá. – e pegou seu Kit pessoal. Quando estava na saída da cela, girou nos calcanhares me encarando e falou – Se a Katy Bieber aparecer por aí você guarda ela, por favor?

– Tá falando isso pra me provocar né? – perguntei em tom de deboche.

– Falo sério. A Ursa assustou a coitada aquele dia e ela sumiu. Pruft! Foi embora. – a Ursa me assustou com os gritos também e eu ainda estou aqui.

– Não conte com isso Ruby. – afirmei séria e ela me olhou um pouco decepcionada, abaixando os olhos os encarando no chão.

– Não posso ter animais de estimação aqui e me sinto sozinha as vezes, Katy Bieber me dava atenção, balançava as asas pra mim. – dizia com uma voz triste, semblante triste também, como uma criança que escuta um “não” para algo que quer muito. – Você não tem animais de estimação? – me olhou curiosa.

– Divido um camaleão com uma amiga. – sorri com a lembrança de Jane e eu indo compra-lo em Vegas.

– E qual o nome dele? – me perguntou empolgada

– Se fosse fêmea essa minha amiga escolheria e daria nomes estranhos como Taylor Swift ou Lady Gaga. E se fosse macho eu escolheria. E na loja só tinha machos.

– Ainda bem que você não daria nomes estranhos né. Qual o nome que você escolheu?

– Freud. Em homenagem ao Sigmeud Freud. – Ela gargalhou, não sei porque.


– Ai Jane, estou tão animada!! Uhuu! Nosso primeiro animal de estimação! – eu estava feliz, batia palmas sem perceber.

– Ainda não sei como você me convenceu a adotar um camaleão?!

– O que?! A ideia foi sua! Agora que eu quero você não quer mais?

– Não é isso. Estava só comemorando aqui sozinha. – disse com os olhos na direção.

– Você vai amar quando ele mudar de cor! É lindo. O porteiro do DP disse que foi o melhor animal de estimação que ele já teve.

– Ele te passou o endereço certo, Maura?

– Claro que sim!

– Então POR QUE já é a segunda vez que passamos por essa banca?

– Por que você virou aquela rua ali atrás e...

– VIREI PORQUE VOCÊ MANDOU!

– Ai calma, vou ligar o GPS do meu celular.

– E por que não fez isso A MEIA HORA ATRÁS? Me economizaria mais de 10 dólares de gasolina sabia?

– Ih mais que estresse! Enquanto você não mudar esse tom, não falarei mais com você. – Jane ficou calada, apenas obsevando o transito.– Se você sabia que não seria paciente, não devia ter se oferecido para vir.

– Foi você quem pediu o favor de te levar pra comprarmos esse camaleão.

– E você aceitou, agora aguenta! Ah achei! Sobe essa rua ai e vira à esquerda.

– Ok. Estamos subindo, subindo. Agora virando, virando.

– Jane por que aquele outro detetive te ligou agora a pouco?

– Ele me chamou pra sair. – senti meu rosto se fechar, de repente senti vontade de falar algumas verdades para aquele detetive petulante. Atrevido!

– Mas você prometeu me levar no J´Plieut hoje! Fizemos reservas antes de virmos Vegas poxa! Você tem que me avisar antes!

– Tudo bem. Da próxima vez vou inventar alguma desculpa.

– Próxima? Vocês já saíram?


– Eu já aceitei o convite, não posso desmarcar. – dizia ao estacionar o carro.

– Ah! Mas você pode desmarcar comigo, NÉ?! – enfatizei o “né” e ela retirou o cinto, se aproximou de mim e pegou meu queixo.

– Está com ciúmes, Maura? – ela sorria de uma forma tão fofa que senti minha raiva sumir... de novo, ando tão boba ultimamente...

– Não – desviei o olhar e quando o retornei, reparei que ela olhava para minha boca. Durou um meio segundo, mas eu vi, sim! Ela olhava minha boca. Senti aquela sensação no meu estomago, a adrenalina sendo liberada, como se tivesse borboletas em meu estomago (saiam daí ou eu vomito vocês). Então ela soltou meu queixo e se concentrou na fachada da casa atrás de mim.

– Vamos lá pegar nosso filho. – foi inevitável o sorriso em meu rosto. Minha imaginação me trouxeesperanças ou realmente aconteceu?


Desci do meu beliche indo em direção ao bebedouro e então vi Katy Bieber.

Eu admiro todas as formas de vida, mas acredito que por asa na barata foi um grande exagero.


Notas finais
Spoiler: Katy é salva; no flashback Jane vai a um encontro; ciúmes de Maura e Ruby faz uma descoberta