Mirrors
18 Try To Drag Me Down.
Alicia perambula pela casa com um de seus ursinhos de pelúcia, o girando de um lado e por outro. Veste uma camisola branca de algodão e mangas compridas e um par de chinelos de veludo. Ela anda pelos corredores cantarolando baixinho uma de suas músicas favoritas até chegar ao quarto do irmão. Educada como sempre, Alicia começa a bater e chamar pelo irmão.
— Ian! Ian! Ian! Ian! Ian!
Minutos se passaram e nada. Alicia começa a ficar irritada e a bater mais freneticamente na porta.
— Alicia, o que você está fazendo? – Valentina pergunta, se aproximando da filha. Alicia se vira para ela.
— Estou chamando o Ian para ir conhecer as minhas novas bonecas, mas ele não me responde! – Respondeu irritada e voltando a bater e gritar pelo nome do irmão. Valentina riu e se apressou a afastar a filha da porta.
— Meu amor, ainda são cinco da manhã. – Explicou Valentina. – Você não devia estar acordada e muito menos o seu irmão. Alicia olha para a porta do irmão e depois para o seu ursinho de pelúcia.
— Mas eu não estou com sono. – Explicou, voltando a ficar calma.
Valentina sorriu.
— Bem, nem eu. Estou indo fazer um lanchinho, quer ir comigo? – Perguntou. Alicia sorriu em concordância. – Ótimo, então vem.
Valentina estende os braços para a pequena, que corre para os braços da mãe, e as duas caminham em direção à cozinha.
No quarto, Ian sorri da cena que acabou de presenciar, ou melhor, escutar. Ele estava quase indo abrir a porta quando sua mãe apareceu chamando a atenção da irmã mais nova e ficou escutando atrás da porta a conversa das duas. Ele quase conseguiu imaginar a irmã de braços cruzados irritada por não ter conseguido acordá-lo. Mas o que ele podia fazer, depois do encontro com os irlandeses de ontem e da bebedeira com o primo, Ian estava exausto e capotou. Ele não teria paciência para atender os pedidos da irmã agora. Deu graças a Deus quando sua mãe apareceu e a tirou de lá. Ian ama sua irmã mais do que tudo nessa vida, mas quando ela quer, ela consegue ser mais cansativa do que mil outras crianças. E além do mais, eram cinco da manhã! Depois que sua mãe e sua irmã se afastaram, ele voltou para a cama e capotou, dormindo até tarde.
***
A noite havia caído quando Emily, seus primos e Benjamim chegaram em Chicago junto com os seguranças que seu pai prometeu enviar para ajudá-la. Todos dormiram durante a viagem, menos ela, só imaginando a hora de colocar as mãos no chefe da Cosa Nostra, mas queria começar de baixo. Começaria com os traficantes de pequeno porte e os vendedores de armas. Não conseguiu descansar somente com essa ideia de todos caindo devagar. Claro que entende o fato de tudo ter se iniciado com a traição de seu avô e talvez seja isso que torne tudo mais doloroso, entretanto, estavam passando dos limites. Até ela já nasceu com a corda no pescoço sem ao menos ter ideia disso! No apartamento, somente sua família decidiu posar por ali mesmo enquanto os seguranças ficaram em um hotel bem próximo, o que deu uma ampla visão do apartamento das meninas antes que algo desse errado. A Cosa Nostra tinha uma mania de descobrir alguém tramando contra eles antes mesmo das pessoas terem colocado os planos em prática, então precaução era a palavra-chave para toda aquela situação. Pensou em ligar para Ian, mas desistiu. Lá devia ser de manhã em função do fuso-horário.
— Acho melhor todos descansarmos para amanhã cedo...
— Não! – Emily interrompeu seu tio Bem assim que ele quebrou todo o silêncio desde que saíram do aeroporto. – Vamos agora mesmo pegar o primeiro deles.
— Em, estamos todos cansados, talvez seja melhor começarmos tudo amanhã. – Charlie murmurou já bocejando de sono.
— Você por acaso conhece a Cosa Nostra? Tem ideia de que tipo de organização eles são? Cada segundo em que estamos de braços cruzados, minha avó pode estar agonizando de dor porque eles torturam sem dó ou piedade por ninguém! Sabe Deus qual é a situação dela agora. Faz dias que ela sumiu! É bem provável que já esteja... – Sua voz prendeu feito um nó na garganta. Não podia imaginar sua adorável avó morta.
Não podia nem mesmo falar aquilo em voz alta que já lhe dava repulsa e seu ódio aumentava ainda mais. Kieran, que até então estava calado observando a prima com suas próprias brigas internas, decidiu se manifestar.
— Ela está certa. Devemos pelo menos deixar algum recado para eles antes de tudo. Não precisa ir todo mundo. Eu posso ir com Emily. – Murmurou para ela que assentiu agradecida pelo apoio.
— Eu também vou. Seremos rápidos... Não precisamos pegar todos em uma cajadada só. Alertá-los já é o suficiente. – Diz Chloe indo até a morena e a abraçando de lado.
— Ethan e Logan vão me trucidar se souber que deixei vocês duas irem sozinhas. – Benjamim sussurrou, mas no fundo, no fundo, já queria estar deitado, dormindo feito um bebê no primeiro quarto que encontrar.
— Eles não precisam saber, e o Kieran também está indo. – Argumentou Emily e seu tio mal ouviu o que ela disse, já indo a procura de uma cama.
— Não acha melhor ir só nós duas? – Pergunta Chloe cruzando os braços indecisa. Os gêmeos, quando iam ajudar os pais em algum assunto mafioso, não passava de negociações, e das mais pequenas. Sua prima levou em consideração aquilo e olhou para o primo que fechou a cara.
— Kieran...
— Eu aguento, Emily. – Vociferou cruzando os braços e encarando as duas.
— Tudo bem, então. – Chloe a encara descrente, mas entende a situação e acaba cedendo.
As duas foram em direção a seus quartos e pegaram algumas armas que guardavam no piso falso embaixo da cama. Já estavam de saída quando Charlie apareceu dizendo que iria acompanha-las também. Esse era o maior medo delas, porque não sabiam qual seria a reação dos primos ao ver aquele mundo de um ângulo diferente. Uma hora ou outra isso aconteceria então tentavam se focar no que iria acontecer a seguir. Saíram do apartamento em direção ao carro da Emily, que ainda estava do lado de fora do prédio.
A ruiva fez questão de dirigir até o ponto onde alguns garotos vendiam droga para um traficante grande na cidade. Grande parte desse dinheiro ia para Cosa Nostra que dizia garantir a segurança deles em troca, mas verdade seja dita, eles não passavam de peões no jogo de xadrez. Alguns dos jovens eram apenas adolescentes tentando uma maneira de ganhar dinheiro fácil para sustentar a família. O lugar era um beco no centro da cidade, e vivia lotado. A polícia raramente batia ali, mas quando o fazia, eles eram avisados antes. De alguma maneira, sempre conseguiram escapar. Emily encarou a prima por alguns segundos e desceu junto com os gêmeos rumo aquela viela, em direção ao garoto mais afastado dali, se sentando na frente dele e lhe jogando uma nota de duzentos.
— O pacote é só cinquenta, senhorita. – Murmurou ele com um sorriso, que sumiu de seu rosto rapidamente ao ver os primos da morena atrás dela.
— Eu não quero drogas, quero somente falar com o seu chefe. – Disse de maneira direta, sustentando o olhar do garoto que parecia ter usado um pouco daquilo que vendia. Com certeza pagaria o prejuízo mais tarde.
— Desculpe, mas não acho que...
— Quero fazer um acordo com ele. E se eu fosse você, aproveitaria o meu bom humor e responderia antes que as coisas ficassem feias. – Falou ela interrompendo o garoto que engoliu em seco ao ver Kieran e Charlie retirando uma arma do bolso. A morena arqueou a sobrancelha com um sorriso no rosto.
O garoto apontou para a pequena porta, ao lado das grandes latas de lixo que havia no beco e sorriu amarelo, pegando o dinheiro com as mãos trêmulas. Emily agradeceu se levantando. Não precisou nem mesmo esconder o rosto. A porta os levaram para um cassino decadente, mas bastante lotado. Um lugar chamou atenção dos três, pois havia dois homens de tocaia. Os meninos a seguiram alguns passos atrás e antes que os outros tentassem impedir sua entrada, o traficante levantou os olhos por alguns segundos, permitindo somente a entrada dela.
— Fui informado que gostaria de falar comigo. Se não fosse tão bonita, eu até estaria irritado por ter levantado a voz e as armas para meus vendedores.
— Não tenho medo de irritadinhos, eles são os piores tipos. Aqueles que latem, mas não mordem sabe? – Ironizou ela, encarando o homem que estava à frente dele na mesa jogando poker. – Sai.
Ele a obedeceu quase que imediatamente, e ela se sentou na cadeira cruzando as pernas. Emily nota de imediato as câmeras de segurança e encara Charlie seriamente, que rapidamente entende o recado e se afasta calmamente.
— Já jogou poker? – Perguntou com um sorriso no rosto, encantado com aquela garota e ao mesmo tempo, curioso com a chegada dela, se perguntando quem seria a jovem e o que tanto queria. – O jogo estava acirrado. O homem estava perdendo. Quer uma rodada nova ou prefere continuar nessa?
— Não costumo recusar desafios. – Sussurrou. – O que está em jogo?
— Meio milhão de dólares. – Comentou entregando o bolo de cartas para que ela embaralhasse. Emily tinha uma mente brilhante e talvez seja por isso que possuía uma facilidade incrível em decorar falas. Pegou as primeiras cartas já sabendo de cor quais seriam, porque já tinha tudo preparado. O traficante a observava curioso e ela fingia sustentar o olhar, enquanto embaralhava de maneira que facilitasse sua jogada. Era roubo, ela sabia. Mas ele não... Então...
— Pode ficar com todo dinheiro. Eu só quero que envie um recado para um amigo seu.
— High Card. – Disse jogando a carta sobre a mesa com um sorriso vitorioso no rosto. – Mas agora estou curioso, quem seria esse amigo?
— O atual chefe da Cosa Nostra. – Os olhos do cara aumentam assustados tentando assimilar em que situação a garota havia o colocado. – E antes de comemorar uma vitória, tenha certeza de que ela foi ganha. – Completou jogando um Royal Flush, a mão mais famosa do poker que não podia ser batida com nenhuma outra carta.
— Que porra é essa? – Perguntou e olhou para a porta desesperado esperando que seus capangas estivessem ali, mas Kieran havia sido mais rápido, os jogando desacordados dentro da sala e fechando a porta. Emily se levanta ao mesmo tempo que o homem assustado. – Eu não sei do que você está falando...
— Não queira me enganar ou será pior para você.
— Eu não...
— É só um recado, não se preocupe. – Sussurrou. – Avise a ele que eu estou chegando. E que ele mexeu com a família errada. Preciso repetir?
— Não, não, senhorita.
— Que bom! – Emily retirou uma arma com silenciador e atirou bem perto do coração do homem, fazendo Kieran se assustar de imediato com os olhos frios da prima.
Os dois saíram fechando as portas e a morena corre até o primeiro segurança que encontra no cassino.
— Ouvi tiroteios na sala de poker principal. Vocês têm que ir até lá, há feridos. Por favor, meu amigo está lá dentro e... – Ela fingiu um choro que fez o homem cair direitinho, tentando a acalmar antes de correr até lá.
Chloe os esperava do lado de fora do cassino, junto de Charlie que já havia cuidado das câmeras apagando todas as filmagens e as deixando desligadas para que ninguém visse a saída do irmão e da prima, que entram rapidamente no carro.
— Você está bem, Kieran? – Perguntou ela.
— Ele irá morrer? – Sussurrou e Emily encara a prima que arqueou as sobrancelhas e sorriu dizendo “eu te avisei” somente com um olhar.
— Os mafiosos têm que chegar ali em menos de trinta minutos, ou ele entra em convulsão e morre. Não há nada que vão poder fazer, mas pelo menos lhe dará tempo para dizer o que ordenei.
— Ela matou ele? – Questiona Charlie e as duas reviram os olhos, mas acabam entendendo.
— Olha, é assim que as coisas funcionam. O mundo mafioso não é só negociações pacíficas. Tinha que ser feito! – Afirmou Emily.
— Mas...
— Kieran! Eles são vilões. Assim como nós. E ninguém se importa... Se parar para sentir pena, eles estarão te dando uma facada pelas costas em um piscar os olhos.
— Eu só não imaginava que a máfia gerava tantas mortes. – Comentou abaixando a cabeça. Só de ter feito os capangas desmaiarem já o deixava mal.
— Ela gera mais mortes do que imagina. As mãos de toda a família é suja de sangue. Mas, não se preocupe, nenhum sangue é de pessoas inocentes. Todos são exatamente como nós, talvez até mais sujos, a diferença é que não nos faz falta. A máfia só nos atinge quando o próximo a ser machucado é alguém com quem nos importamos. – Concluiu Emily se lembrando imediatamente de sua avó e se perguntando como ela estaria nesse exato momento.
Ao chegar em casa, tomou um banho gelado demorado, colocando um pijama fresco e se deitando na cama junto a prima. Os garotos dormiriam com o tio no quarto de Emily. Chloe tentava inutilmente enviar uma mensagem dizendo que sentia falta de Lorenzo, mas temia parecer uma idiota, apagando a mensagem diversas vezes, decidindo deixar isso quieto. Aquilo fez a morena se lembrar de Ian. As coisas andavam difíceis para ela, e só podia pensar na avó. E só agora se deu conta de que também sentia falta dele, até mesmo de seu modo convencido. Nada a faria se sentir melhor do que ouvir a voz dele ou ter ele por perto nesse momento.
***
Já era tarde da noite e Ian e sua família ainda estão acordados bebendo e conversando. Lia e Muriel estão por lá também. A essas horas, Alicia e Bella já estão dormindo profundamente no quarto. A empregada trazia mais uma rodada de whisky para os rapazes e de suco para as mulheres, mesmo que Lia não esteja grávida, ela prefere acompanhar a amiga e apoiá-la.
— Aquelas armas que perdemos ontem não vai nos interferir diretamente, até porque elas eram para o estoque pessoal de Augustos, então não precisamos nos preocupar. Mas precisamos de qualquer jeito repor todas. – Muriel comentou.
Ian torceu a boca.
— Eu não entendo porque meu avô quer tantas armas assim.
Valentina se interferiu.
— Ele sempre foi assim, meu filho. – Disse tomando um gole de seu suco.
— Ele podia começar uma guerra com aquelas armas, Valentina. – Muriel alertou.
Valentina deu um sorriso fraco.
— Sendo assim, você precisa ver o porão dele.
Todos riram, pois sabiam que com Augustos não se brinca muito menos se subestima. Apenas Valentina sabe o tamanho do arsenal do pai, mas até ela estranha os pedidos recentes que o pai anda fazendo. Ela sabe que algo está acontecendo e vai atrás disso, mas até lá, é melhor ninguém levantar suspeitas contra ele.
— Mesmo assim, amanhã mesmo eu vou falar com ele sobre isso. Como chefe da Cosa Nostra eu tenho o direito de saber o que está se passando na cabeça dele. – Ian disse com firmeza, tomando um gole de bebida.
Valentina olha para o filho e seus olhos brilham. “Esse é o meu filho”. Vitor a olha nesse instante e percebe na hora o que se passa na cabeça dela e também sorri. Eles estavam mais do que orgulhosos de Ian.
— Você conhece seu avô, primo. Você pode ser o dono do mundo e mesmo assim, ele não vai te confessar nada. – Lorenzo relembrou fazendo todos sorrirem.
Ian balançou a cabeça.
— Eu tenho os meus meios. – Disse ele convencido. Lia, que até então só observava os mafiosos conversarem, riu e olhou com pena para o sobrinho.
— Ah, meu querido, eu só vi uma pessoa nessa vida dobrar o seu avô. – Começou ela. – E essa pessoa é a sua mãe. Eu não sei bem o que ela faz para ter ele nas mãos dela, mas ela sempre consegue o que quer.
Valentina abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida por Muriel.
— Ah, isso é verdade. Eu já presenciei essas raras cenas muitas vezes. Valentina dobra o pai como ninguém! – Exclamou ele apontando para ela.
— Isso eu não posso negar! – Acrescentou Vitor, recebendo de brincadeira, um olhar mortal da esposa.
— Eu sou a única filha que ele tem e ainda mulher. Vitor mais do que ninguém sabe como ter uma filha mulher é diferente. E eu e meu pai sempre fomos muito chegados, depois nos separamos... Voltamos a ficar próximos de novo... Enfim, sempre soube que poderia dobrá-lo, mas como qualquer filha consegue dobrar o pai e conseguir o que quer. Pergunte a Vitor, Alicia sempre ganha as coisas dele e ela só precisa estalar os dedos. – Conta, olhando para o marido que levanta as mãos em rendição.
— Isso é verdade. – Confessa Vitor. Ian ri dos dois assim como todos os presentes. Se ele já faz tudo pela irmã mais nova, imagina o que seu pai não faz por ela? E talvez Valentina tenha razão, talvez seja coisa de pai e filha, mas pelo sorriso que a mãe tem no rosto nesse exato momento, ele sabe que é algo mais. Sabe que, na verdade, sua mãe só tem a simples capacidade de ter o que quer.
— Isso eu também não posso negar. Eu me dobro e me desdobro por minha filha. – Muriel admitiu e Lia passo as mãos pelo cabelo do amado, sorrindo timidamente e lhe dando um selinho demorado. Depois disso, eles voltaram a conversar sobre negócios, depois começaram a contar histórias engraçadas do passado e a beberem mais. Em um momento, Lorenzo se retirou para ir ao banheiro e ao voltar, estava mais branco do que o normal.
— Meu querido, o que foi? – Perguntou Valentina, chamando a atenção de todos para Lorenzo, que estava parado na entrada da sala com o celular em mãos.
— Lorenzo, o que foi? – Questionou Ian, se levantando e indo até ele. Lorenzo o puxou de lado, o afastando da família, pois queria privacidade para o que iria lhe falar.
— Acabei de receber um telefonema do nosso subchefe de segurança. – Começou. – Ele me contou que um traficante morreu a poucas horas no cassino clandestino dele.
Ian franziu o cenho sem entender aonde o primo queria chegar com aquilo.
— E daí Lorenzo? O que isso tem a ver com a gente? – Contestou. Lorenzo passou a língua pelos lábios os molhando, mania essa que ele faz sempre que está nervoso, e engoliu em seco.
— A pessoa que o matou deixou um recado. – Ian já ia abrir a boca novamente para contestar o primo, mas dessa vez Lorenzo foi mais rápido. – Foi para você, Ian.
Ian ficou rígido. Mas que porra é essa? — Ele pensou.
— E qual era a mensagem? – Perguntou sério.
— Que você mexeu com a família dele e que ele está chegando. – Contou. – Aconteceu alguma coisa que eu deva saber, Ian? Quem é esse cara e por que ele te ameaçou?
Ian olhou incrédulo para o primo.
— E eu vou saber, caralho! – Exclamou baixinho. – Isso deve ser peixe pequeno, matou um cara que nem o nome sabemos e veio com essa de recadinho. Fala sério, Lorenzo. Isso só deve ser brincadeira.
— Brincadeira ou não, é muita audácia dele, não acha? Vir até nós de uma maneira tão baixa. Eu não sei você, mas eu estou puto com isso. Estou cansado de sermos feitos de palhaços por esses babacas. – Queixou-se Lorenzo vermelho de raiva.
E Ian mais do que ninguém o entendia. Depois do episódio com Santiago e o canalha do roubo dos diamantes, Ian viu que ele precisava impor respeito sobre ele e a Cosa Nostra. Já que a organização nunca, nunca foi enganada e não começaria sendo por ele. E mesmo que a morte desse cara seja insignificante e Ian esteja pouco se queixando para ele, a pessoa que o matou achou que poderia atingi-lo com isso. Achou que tem algum tipo de poder, vantagem para cima dele.
E isso ele não vai aceitar.
— Arrume as coisas e ligue para o nosso piloto. – Ordenou Ian. – Vamos embora agora mesmo.
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