O sofá do apartamento das meninas parecia pequeno demais e os dois acabaram sob o carpete, depois de arrastar com muita dificuldade a mesa de centro sem se desgrudar um do outro. Um sorriso lindo escapa do rosto de Lorenzo, exibindo seus dentes perfeitamente brancos. Chloe sorri imediatamente de volta, porque era impossível não fazer isso ao ver aquela expressão risonha em seu rosto. Ele rouba mais um beijo da ruiva, que o puxa novamente aprofundando aquilo e sentindo um rastro de fogo em cada centímetro de sua pele cada vez que sentia o toque dele. Já fazia algumas semanas que eles trocavam meros beijos e no calor do momento, Lorenzo se afasta dando atenção ao colo da garota enquanto suas mãos vão em direção a blusa dela.

— Acho melhor você ir. Emily deve estar chegando e não seria nada legal ser vista no meio da sala. Não que estar com você aqui não seja legal. Acredite, é bem legal. Mas eu realmente não aguentaria ser zoada por um mês inteiro. – Murmurou praticamente gaguejando, empurrando Lorenzo com delicadeza para fora do apartamento com um sorriso nervoso no rosto enquanto ele a obedecia, saindo de lá sem entender absolutamente nada.

Chloe se levanta assustada ao ouvir o despertador no volume baixo, bem próximo de seu ouvido. Resmunga ao lembrar-se de seu pesadelo que, na verdade, realmente aconteceu, no mesmo dia em que foi para o Brasil. Pegou o celular acreditando que aquilo lhe traria alguma inspiração para escrever algo decente ao Lorenzo, mas o que diabos ela escreveria? O homem deve estar completamente confuso sem entender nada do que havia acontecido.

Talvez, ache que ela seja bipolar demais, quando na verdade tudo não passava de um nervosismo desnecessário, mas que importava e muito para ela. Ao contrário da prima, Emily, sempre imaginou como sua primeira vez seria perfeita ao lado daquele que ama.

E talvez o que sentisse por ele não seja amor, mas já faz dele o homem que poderia ser seu primeiro. Com esses pensamentos rondando sua cabeça, ela decide ir preparar algo já que Kieran, Charlie e Benjamim acordariam mortos de fome. Deu uma limpada rápida na casa, porque sempre odiou desorganização. Depois de arrumar a mesa e colocar panquecas, ovos, bacon e bolo sobre ela, Emily apareceu no batente da porta seguindo o cheiro delicioso da comida.

— Alguém acordou inspirada. – Cantarolou, já pegando um prato e se servindo. Chloe senta ao lado dela quase que imediatamente e a observa como uma águia enquanto Emy mastigava com o cenho franzido. Os olhos das duas se encontram e a ruiva desvia o olhar imediatamente, voltando a encará-la assim que a prima volta a comer. – Tudo bem, o que aconteceu?

— Nada.

— Está fazendo aquela cara.

— É a que eu tenho.

— Você só tem essa cara quando está cheia de dúvidas rondando sua cabeça. – Murmura a morena desistindo de comer sobre o olhar intenso de Chloe.

— Você e o Ian já...? – A garota mal conseguia terminar a frase de tão nervosa.

— Já...?

— Você sabe! – Exclamou irritada com a prima se fingindo de boba. Emily começa a rir.

— O que acha que fazemos sempre que estamos no meu quarto? Jogando baralho? – Ironizou, pegando mais um pedaço de bolo.

— Isso é sério Em. Eu e Lorenzo não passamos dos beijos e a culpa é toda minha porque tenho medo de ultrapassar essa barreira. Literalmente falando! – Chloe suspira pesadamente se servindo com um copo de água e bebendo tão rapidamente quanto colocou.

— Você quer isso? – Pergunta Emily cruzando os braços e levando o assunto a sério dessa vez.

— Claro. Mas, tenho medo. Medo do Lorenzo não ser o cara que eu achava que fosse e que tudo dê errado e não seja especial. E o pior de todos: eu passar vergonha por ser a pessoa de vinte anos mais inexperiente do mundo quando o assunto é isso! – Sussurra temendo que os primos ouvissem. – Como foi com você e Ian?

— Normal. Decidimos fazer sexo sem compromisso, ele concordou, eu disse que era virgem, e Ian não se importou. E então aconteceu! – Emily falou de uma maneira tão simplificada que tudo pareceu ser extremamente fácil, mas para Chloe, aquilo era um bicho de sete cabeças.

— Não foi tão simples quando tentei com Stan. – Falou suspirando pesadamente. – Talvez eu não tenha nascido para isso.

— Todo mundo nasceu para isso. – Emily riu. – O Stan era um babaca. Não foi simples por isso.

— Então o que eu faço? Simplesmente tiro a roupa na frente dele? – Perguntou cruzando os braços.

— Mais ou menos isso. Mas quando estiver certa de que é exatamente isso que você quer. – A morena aconselhou se levantando e dando um beijo no topo da cabeça da ruiva. – Tenho que ir para a universidade hoje. A noite temos mais um cara para pegar.

— Claro. Mas, tem certeza que tem cabeça para ser atriz agora?

— A vantagem de ser atriz é que você pode ser outra pessoa por um tempinho. Acho que talvez isso me anime e eu combinei com Dan. Ele vai me ajudar a interpretar a Julieta melhor.

— Você é perfeita para a Julieta.

— Sim! Mas o conselho não sabe. – Emily sorriu. – Vejo vocês mais tarde.

A morena pega sua bolsa e sai em disparada para seu carro em direção a universidade para se encontrar com Dan. Interpretar iria definitivamente ajudá-la a espairecer, mesmo que por alguns minutos. E seu professor era divertido, o que tornaria a manhã mais agradável. No apartamento, Chloe pega o telefone fixo sem fio e disca o número do apartamento de Lorenzo. Quem atendia era algum funcionário, então ninguém precisava saber que foi ela quem ligou e de bônus, descobriria se ele já havia chegado em Chicago.

— Alô? – Murmurou uma voz doce do outro lado da linha, o que deixou a ruiva mais calma.

— Oi... O Lorenzo está? – Pergunta.

— Quem gostaria?

— Uma amiga. – Respondeu sem pensar duas vezes.

— Ele retornou hoje da Itália, mas mal chegou e já voltou ao trabalho. Deve voltar para casa depois do almoço.

— Obrigada! – Agradeceu desligando o telefone.

Correu para o quarto e tomou um banho demorado, usando a banheira do apartamento pela primeira vez desde que se mudou para lá. Usou o secador para secar os cabelos e passou uma maquiagem pesada no rosto. Abriu o guarda-roupa pensando em algo descente para usar. Mas Chloe sabe exatamente o que deve usar nessa ocasião, mas infelizmente ela não tem nenhuma que a agrada, por isso ela veste um short jeans, uma regata vermelha e seu velho tênis preto surrado, sua bolsa e sua carteira. Já ia sair quando dá de cara com os primos e o tio andando a passos tão lentos que pareciam estar sonâmbulos.

— Que horas são? – Perguntou tio Ben, indo em direção a sala e se deitando.

— Oito da manhã. Eu preciso dar uma saída e...

— Comida! – Exclamou Charlie e Kieran quase que ao mesmo tempo correndo famintos em direção a mesa e arrancando risadas do tio, que vai até os dois, enchendo o prato.

— Enfim, eu volto. – Completou a ruiva pegando as chaves do carro e saindo dali às pressas.

******

Ian mal havia descansado da cansativa viagem de volta a America e já estava indo trabalhar. Concordou com Lorenzo que voltariam para a empresa depois do almoço, mas como Lorenzo acabou recebendo uma visita inesperada, ele iria acabar se atrasando e Ian teria que começar sua pesquisa sozinho.

— Bom dia, senhor Baldocchi. Fez uma boa viagem? – perguntou Susi, a secretária pessoal de meia idade de Ian, e também a única empregada que ele trata tão bem quanto uma pessoa de sua família.

— Foi cansativa, Susi. – contou ele, entrando em seu escritório com ela o seguindo sorridente. – Pode me trazer um café? Dos fortes, por favor.

— Claro, senhor, claro. – Susi pediu licença e se retirou, indo preparar o café que lhe foi pedido.

Ian sentou-se em sua mesa e se permitiu relaxar, se confortando em sua cadeira reclinável e se virando para admirar o centro da cidade. Respirou fundo e começou a observar todos aquele prédios comerciais, casas, pessoas. A vista é maravilhosa e agora Ian entende porque sua mãe o fez pagar por uma parede de vidro, quando ele podia simplesmente fechar tudo e ter mais privacidade. Mas agora ele entende.

Ela queria que ele observasse. Observasse o que ele tinha nas mãos. Pois ele tinha tudo. A cidade de Chicago é dele. A cidade que ele quiser, é dele. Basta ele querer. Valentina explica isso a ele desde que ele é pequeno, mas só agora ele entende.

Ele entende como seu avô consegue ser temido e admirado, mesmo depois de se aposentar, por qualquer líder ou pessoa que seja. Seu avô fez coisas terríveis, coisas que Ian não gosta de lembrar, mas que foi necessário para ele chegar aonde chegou e deu certo. Talvez seja isso que Ian deva fazer para que idiotas anônimos pare de encher o saco dele.

Matar um João ninguém para irritá-lo? Ian não gostou da noticia no começo, mas depois de refletir um pouco, viu como aquilo soava hilário. Ian nem conhecia o morto. Nenhum dos seus homens o conhecia também, demorou algumas horas para que ele descobrisse o nome do falecido, Charles, um cafetão e jogador impulsivo. Mas o pior de tudo, ele havia comprado os serviços da Máfia para protegê-lo, e agora estava morto. Ou alguém o matou apenas para passar uma informação que, na opinião de Ian não serve para nada, ou o matou para mostrar que a Cosa Nostra não cumpri mais com a sua palavra, o que se torna um problema enorme.

Aconselhado por seu pai antes de voltar a Chicago, Ian decidiu ir com calma nesse assunto, pois ir com muita sede ao pote, pode ser exatamente o que a pessoa espera, e também poderá trazer mais problemas a ele. Ian vai tratar esse assunto com tranquilidade e inteligência. Seja lá quem esteja querendo irritá-lo, não irá conseguir.

Ian continua a observar a cidade e nem percebe quando Susi entra com seu café. Ela o deixa sobre a mesa e sai sem dizer uma palavra, pois a mesma conhece seu chefe e ele estava concentrado demais para ser educado com ela, por isso simplesmente saiu.

Minutos depois, Lorenzo entra com seu notebook em mãos e um sorriso enorme no rosto.

— Meu Deus, Ian, você já leu as notícias hoje? – pergunta Lorenzo, indo até ele e colocando sobre sua mesa o computador. – Veja isso. El Chapo foi preso!

Ian franziu as sobrancelhas diante daquela noticia. El Chapo é o cara mais rico do mundo e o maior traficante e contrabandista também. Cosa Nostra nunca gosto dele, pois ele era melhor do que eles, mas El Chapo nunca se intimidou e foi se tornando cada vez mais, um dos caras mais poderosos do mundo. Já chegou a ser preso algumas vezes, mas o desgraçado conseguia subornar até os policiais. Porém dessa vez, parece que a coisa é séria.

— Ganhamos alguma coisa com a prisão dele? – Ian questiona, analisando o sorriso irônico de Lorenzo, que se segura para não cair na gargalhada.

— Na verdade, não muito. Ele vai continuar a comandar seu império mesmo se estiver na segurança máxima. Você sabe como funciona. – explica.

Ian assente.

— Então por que diabos você está rindo desse jeito? Parece um maníaco, Lorenzo. – repreendeu Ian.

Lorenzo deu de ombros e abriu outra pagina de noticias em seu computador.

— Não está interessado em saber como os policias conseguiram localizar e prender Chapo? – queixou-se Lorenzo.

— Como? – indagou Ian, começando a ficar curioso.

Lorenzo sorriu de orelha a orelha.

— Por causa de uma mulher! – e então caiu na gargalhada. – Ele trocou mensagens com uma mulher, melhor dizendo, uma atriz que fazia uma novela mexicana ridícula onde ela era uma traficante! Não é hilário?

Lorenzo riu até a sua barriga doer e Ian também não pode segurar a risada.

— Ela o traiu? – perguntou Ian, lendo a matéria.

Lorenzo enxugou as lágrimas que caiu e respirou fundo.

— Não se sabe, a policia ainda não disse nada. Mas cara, eu não acredito. Um dos homens mais poderosos e ricos do planeta foi preso porque conta de uma mulher! – exclamou Lorenzo divertido. – Ele era fã da tão novela que a mulher fazia uma poderosa traficante, mas ele devia saber que no final da novela, ela engana e manda todo mundo pra cadeia. Que babaca!

Ian riu do primo e da situação de El Chapo. Na matéria do jornal, havia uma foto da tal atriz mexicana e Ian entendeu porque El Chapo não conseguiu resistir, a mulher é linda!

— Uma atriz conseguiu acabar com um dos homens mais poderosos do mundo... Uau, isso sim é novidade! – exclamou Ian.

Lorenzo riu, se afastando de Ian e se sentando na cadeira a sua frente. Ele tem um sorriso sarcástico nos lábios.

— Que coincidência, né? – começa ele. – Homens poderosos se apaixonam por atrizes e acabam com seu império bilionário.

Ian dá de ombros, pois ele não faz a mínima ideia do que ele quer dizer com aquilo. Seu celular apita e ele o checa, se verificando que é apenas o despertador e como lembrete, está o nome de Emily.

— Tenho que ir. – Ian exclamou, se levantando e arrumando suas coisas.

Lorenzo arregala os olhos confusos.

— Mas eu acabei de chegar. Não íamos pesquisar sobre o caso de Charles? – questiona.

Ian dá de ombros, caminhando em direção a porta.

— Vemos isso depois. Lembre-se do que meu pai disse, temos que ir com calma e agir normalmente. Minorias não nos atingi, Lorenzo. – disse Ian, piscando para o primo e sorrindo logo depois.

Lorenzo assente e deixa o primo seguir seu caminho, pois ele sabe exatamente aonde ele esta indo, e talvez ele deva fazer a mesma coisa.

****

Chloe se olha no espelho pela milésima vez desde que voltou do shopping. A lingerie preta rendada realçava seu corpo de uma maneira que ela se perguntava se devia mesmo fazer aquilo. Não! Ela tem que fazer, ela sente isso. Esse medo dela logo vai passar quando estiver com Lorenzo. Decida, Chloe pega seu casaco bege e o veste por cima da lingerie. Faz uma maquiagem pesada nos olhos e passa um bato vermelho, realçando seus lábios carnudos. Nos pés, decidi colocar salto alto, por isso opta por seus louboutins pretos. Ela se olha pelo ultima fez no espelho e percebe o quão sexy está e que Lorenzo seria louco se rejeitá-la. Confiante, ela pega as chaves do carro e sai do apartamento antes que seus primos ou tio a veja.

Seu celular vibra no instante em que entra no automóvel. Uma mensagem de Lorenzo avisando que havia chegado da Itália e que só iria tomar um banho antes de ir até o apartamento dela. Chloe foi mais rápida, desejando chegar lá a tempo. O prédio era um dos mais luxuosos de Chicago e ela já havia ido ao local uma única vez. Era aconchegante, sem muitos detalhes que demonstrassem as características dele, mas com móveis feitos sob medida. Ela toca a campainha assim que chega na cobertura do prédio e a funcionária, Scarlett, uma mulher já de idade, abre a porta a recebendo com um abraço. A ruiva definitivamente conquistou os funcionários, que nunca virão o patrão levar ninguém para casa além dela.

— É tão bom ver a senhorita... Você. – Scarlett se corrigiu ao lembrar-se da ruiva deixando claro que não precisava de nenhuma formalidade.

— Também fico feliz em ver você também. Como estão todos? – Perguntou formalmente.

— Com o patrão longe, quase não tínhamos nada para fazer. Não que eu esteja reclamando. – Brincou arrancando risadas da garota.

— E onde ele está?

— No banho. Pode esperar aqui ou no quarto dele. Acho que o senhor Lorenzo não irá se importar. – Ela arqueou as sobrancelhas e a guiou até o quarto.

— Obrigada, Scarlett. – Agradeceu com um sorriso no rosto.

Chloe se senta na cama, sentindo que ia ter um tique nervoso a qualquer minuto, enquanto suas pernas insistiam em correr para bem longe dali e esquecer daquele absurdo. O barulho do chuveiro fazia sua ansiedade crescer cada vez mais. Observou cada mínimo detalhe do quarto. Era cinza, com tons de madeira, com uma cama enorme e um tapete peludo. Logo em frente uma mesa de vidro.

Um grande espelho na parede da mesa e entre esse móvel, duas portas: uma que dava para o closet e a outra que dava para o imenso banheiro. O quarto era bastante iluminado, tanto pela luz natural que emanava da sacada, quanto pelas luzes artificiais bem posicionadas. Uma mesa de escritório no canto e em frente, duas poltronas para leitura. Alguns nichos na parede da cama com fotos dele com Ian e uma mulher que parecia ser sua tia, além de uma de sua mãe, que morreu durante o parto, segundo Lorenzo. E uma das fotos mais belas, ele e sua irmã gêmea que era provavelmente a garota mais linda que Chloe já vira. O sorriso dela era tão natural, que sentia uma imensa vontade de conhecê-la, mesmo que as coisas entre ela e o irmão da garota não dessem certo. Estava tão absorta observando as fotos, que nem mesmo se deu conta de que o chuveiro havia sido desligado.

— Chloe? – Perguntou Lorenzo ao abrir a porta do banheiro dando de cara com a ruiva. Seu olhar se ilumina enquanto o nervosismo dela se espalhava por todo o corpo.

— Surpresa? – Brinca com um sorriso, arrancando outro dele quase que imediatamente.

— Claro... Mas, é uma surpresa maravilhosa. – Murmura indo se aproximar dela quando nota que está apenas de toalha. – Já volto.

Enquanto Lorenzo caminhou em direção ao closet, ela desamarrou seu casaco e desabotoou cada botão vagarosamente. Ele volta usando uma calça jeans, pronto para puxar assunto sobre como foi sua viagem a Itália, escondendo todo o assunto mafioso que ocorrera, claro. Também estava louco para saber tudo o que aconteceu no Brasil. Ele sentiu a falta dela, dos beijos dela e de principalmente, de irritá-la. Ele adora vê-la irritada, pois ela fica linda dessa maneira.

Parou imediatamente ao vê-la terminar de retirar todo o casaco, o deixando deslizar pelo seu corpo até o chão. Todas as palavras se prenderam em seus lábios ao observar o corpo perfeitamente desenhado da ruiva. Chloe respirou fundo enquanto ele se aproximava, não aguentando aquele silêncio e quebrando a distância entre eles rapidamente, o abraçando pelo pescoço. Lorenzo pousa suas mãos nas costas dela, enquanto a mesma prende seus lábios no dele, beijando-o como se fosse à última vez que fosse fazer aquilo. Foi impossível não notar a tensão no corpo dela, o que o fez se afastar imediatamente.

— Você está bem? – Perguntou acariciando as bochechas rosadas da garota.

— Claro, claro que estou. Por que a pergunta? – Chloe riu falsamente tentando voltar a beijar Lorenzo, mas falhando novamente.

— Você não quer isso. – Afirmou.

— Por que eu não iria querer?

— Você é virgem? – Sua expressão finge confusão diante da pergunta, mas só queria sair dali e chorar por estar passando toda aquela humilhação.

— O que? O...O que? Eu...

— Chloe, não minta para mim. – Murmurou e ela fica de costas para ele, sentindo algumas lágrimas escaparem de seu rosto enquanto pegava o casaco.

— Vai me chutar para longe daqui por eu ser inexperiente?

— E por que eu faria isso? – Lorenzo riu.

— Porque eu sou um grão de areia comparada as outras garotas com quem já esteve. E por mais que eu queira isso, não sei nem mesmo como começar, só sei que quero que você seja meu primeiro. E talvez o último também. – As palavras saem quase que atropeladas.

— E eu também não sou como os moleques com quem já ficou, Chloe. Se quero isso? É claro, mas quando você estiver pronta. Acredite, sou bem paciente. – Sussurrou se aproximando dela com um sorriso lindo.

— Então não vai me expulsar daqui?

— Eu gosto de você, Chloe. É por isso, e por vários outros motivos que posso citar agora mesmo, que quero ir com calma. Temos todo o tempo do mundo. – O rosto dele se aproxima do dela, a beijando quase que imediatamente. – O que acha de colocar alguma roupa, ir almoçar comigo e depois passar a tarde assistindo filmes?

— Eu adoraria! – A ruiva ri agradecendo por aquele momento constrangedor ter evaporado.

Lorenzo desaparece por alguns segundos, voltando com uma camiseta dele e a ajuda a se vestir. Os dois decidem esperar o almoço ficar pronto sentados na sacada observando a cidade de Chicago. Ele deitado no chaise redondo que havia ali e ela entre as pernas dele, encostada em seu peitoral e com a cabeça descansando em seus ombros largos. Chloe adorava ficar horas apenas abraçada a ele, como se o mesmo pudesse protegê-la de tudo que há do lado de fora daquelas paredes. Sentiu um beijo estalado na cabeça e sorriu, virando o rosto somente para beijá-lo.

***

Ian desce pelo elevador e assim que sai do prédio, seu motorista já está a sua espera e ele ordena que o leve no lugar de sempre. Minutos depois, eles estacionam em frente a faculdade de Emily. Como sempre, o campus em frente a faculdade está cheia de jovens, e como o dia hoje é quente, as meninas passeiam com saias e shorts curtos, chamando a atenção de garotos.

Ian sai do carro e chama a atenção para si e várias garotas fazem questão de passar em sua frente, apenas para se mostrarem. Ian se diverte com isso, sorrindo para todas. Ao longe ele avista Emily, que o observa com um sorriso nos lábios, não acreditando o quão exibido ele consegue ser. Ao vê-la, Ian abre um sorriso enorme e Emily sente algumas borboletas no estomago. Não é de hoje, mas ela sente que está começando a nutrir sentimentos por Ian. Ela precisa tomar cuidado, tudo o que ela menos quer é se apaixonar por alguém.

— Você não consegue ser menos exibido? – indaga Emily, parando em sua frente com os braços cruzados.

Ian tem um sorriso lindo no rosto e dá de ombros, olhando para os lados e fazendo a pose galã, fazendo Emily rir ainda mais.

— Você sabe, está no meu sangue. – diz ele puxando a morena pela cintura e a beijando.

Ele estavam com saudades um do outro.

— Dios, como senti falta do seu beijo. – Ian exclamou ao se separar da morena.

— Adoro quando você fala italiano. – confessa Emily, rodeando o pescoço de Ian com os braços. – E eu também senti a sua falta.

— Você ainda tem aulas? – perguntou Ian, fazendo carinho no rosto da jovem.

Emily sacudiu a cabeça.

— Não, hoje é só meio período. – contou. – Está a fim de ir almoçar? Conheço um restaurante italiano ótimo e é aqui perto.

Ian torceu os lábios.

— Eu estou a fim de comer outra coisa hoje. – disse ele.

Emily já estava quase abrindo a boca para perguntar que tipo de comida ele está a fim quando percebe o sorriso malicioso que Ian exibe.

— Ah, é? E o que você sugere? – provoca a morena, se aproximando mais de Ian.

— Bom, eu conheço um hotel maravilhoso, bem longe daqui. – sussurra ele, agarrando a cintura da jovem.

Emily já começa sentir suas pernas fraquejarem. Ela aceita e entra com Ian em seu carro, e eles já começam a se divertirem ali mesmo.

Ian devia ter prestado mais atenção na fala do primo mais cedo, pois assim como El Chapo, o próximo homem poderoso a perder seu coração para uma atriz, pode ser ele.