Mirrors

20 Everything That Begins Easily... - Part One


Sabe Deus como os dois conseguiram sair do carro e caminharem em direção ao elevador do hotel depois de pedirem um quarto. Apertaram os botões dos dois de maneira desajeitada, com as mãos inquietas para se tocarem novamente. Era como se jamais fossem se cansar disso depois das poucas horas em que ficaram longe. Seus corpos pareciam ter se acostumado com a presença um do outro constantemente.

As portas de um deles se abrem e Emily segura a mão de Ian com um sorriso malicioso no rosto, o guiando para dentro e clicando no número do andar desejado no imenso painel.

Assim que ficam somente os dois naquele cubículo, seus olhos se encontraram e estava óbvio que sentiram falta um do outro. Eles se aproximam tão rápido e assim que estão grudados, seus lábios tratam de fazer o mesmo, ditando um ritmo selvagem.

As costas dela estão contra a parede fria, fazendo um súbito arrepio percorrer seu corpo junto do beijo que passou de sua boca, para seu pescoço.

Ian estava prestes a arrancar a roupa dela ali mesmo quando as portas do elevador se abriram e os dois se separaram tão rápido que acabaram rindo da situação ao ver um casal de idosos com os olhos arregalados, completamente alheios e confusos diante do ocorrido. Ele e Emily saem em direção ao seu quarto dando gargalhadas, mas rapidamente voltam aonde pararam já próximo da porta.

— Alguém pode nos pegar aqui! – A morena falou entre suspiros.

— Quem se importa? – Perguntou, agarrando sua cintura e a levantando sem nenhum esforço. Envolveu suas pernas na de Ian, pressionando a ereção dele contra sua intimidade, fazendo os dois soltarem um gemido baixinho. Havia uma sintonia ali... Que nem mesmo eles poderiam explicar em palavras. Quando seus lábios se tocavam com voracidade, desejando nunca se separar, mesmo que falte o ar, era como uma combinação perfeita para começar um verdadeiro incêndio.

Com agilidade e cautela, Emily desabotoa a camisa dele depois de ter desamarrado a gravata. Seu terno estava jogado em algum lugar no chão, que ela não teve tempo de memorizar. Ele decide abrir logo a porta do quarto, e os dois entram sem se desgrudar. Enquanto Ian trancava a porta, ela tratou de correr até o primeiro móvel que viu – uma mesa com um vaso de flores como decoração, se sentando ali mesmo depois de arrancar o vestido que a cobria. A visão dela, apenas de lingerie vermelha e rendada, fez seus olhos brilharem de desejo pelo simples fato de tê-la naquele quarto. Antes de estar colado nela de novo, termina o serviço dela jogando a sua camisa longe.

— Sarà comunque uccidere me ben, morena. (Você ainda vai me matar assim, morena.) — Ian murmura em italiano, fazendo um frio percorrer a barriga dela. Adorava seu sotaque. Poderia ouvir por horas e não se importaria, nem mesmo reclamaria.

As mãos dele vão em direção ao seu sutiã, arrancando de seu corpo com um único movimento. Emily trata de jogar o vaso de flores longe, fazendo ele cair no chão e se quebrar em pedaços, se deitando na mesa com as costas arqueadas sentindo seu corpo se arrepiar diante do toque ousado dele.

Sentiu lábios quentes passarem por cada centímetro de sua pele deixando um rastro de fogo. Levantou imediatamente somente para pular todas aquelas preliminares, já tirando o cinto e a calça de Ian, que parecia não estar interessado nas preliminares também.

Sem nenhum aviso prévio, os dois se tornaram um só e, como estavam em um quarto mais afastado e as paredes eram mais grossas, não precisavam conter os gemidos. Ian a segura com força levando ela até a cama, onde era até mais confortável para os dois. Emily o abraçou, beijando seu maxilar, fazendo ele aumentar ainda mais seus movimentos.

Sentia seu corpo elétrico diante do choque entre seus corpos. Rebolava sob o membro dele sem deixar de encará-lo. Aquilo fazia ele enlouquecer diante da perfeita visão da morena se contorcendo de prazer. A maioria das mulheres com quem ficava fechava os olhos ou escondia o rosto entre os travesseiros para abafar os gemidos. Aquela mulher era diferente. Ela não se importava em mostrar que estava gostando. Estava ali por inteira e mostrava em cada suspiro, gemido e sorriso que soltava a cada estocada que lhe proporcionava prazer e êxtase.

— Ian... – Sussurrou assim que os dois atingiram o seu máximo ao mesmo tempo. Os dois se encaram por alguns minutos, observando um ao outro.

Todo o quarto estava uma verdadeira bagunça e cheirava a puro sexo. Acabam cochilando por algumas horas e acordam abraçados. Emily tinha uma mania de se abraçar a algo sempre que dormia. Antigamente era um travesseiro que tem até hoje, jogado em alguma caixa do porão de sua casa. Mas agora ela não precisava de nada assim, somente o corpo dele a esquentando do frio e a protegendo de qualquer mal. Era essa a sensação que sempre tinha ao lado de Ian.

E aquilo a assustava às vezes. Acordou primeiro que ele e ficou um bom tempo com seus pensamentos rondando enquanto o observava dormir. Parecia tão sereno. Temia a todo custo que a Cosa Nostra tirasse aqueles momentos de felicidade da sua vida. Se ele soubesse o perigo que corria estando ao lado dela, continuaria ali, dormindo naquela serenidade? Emily e sua mania de fazer as perguntas erradas, afinal, a única a correr perigo ali era ela, mesmo que não soubesse disso. O mundo realmente é uma caixa cheia de surpresas (ironias). Ian abre os olhos e se espreguiça sem afastar o corpo dela do seu. A morena não deixou de encará-lo só por ele ter notado, apenas abriu um sorrisinho tímido.

— Não me contou como foi no Brasil... Resolveu o problema na empresa de seus pais? – Perguntou curioso. O semblante de Emily muda imediatamente.

— Estou trabalhando nisso.

— Se precisar de ajuda, posso me oferecer.

— Não, não, obrigada... Isso é algo que tenho que resolver sozinha. Afinal, tudo aquilo será meu em breve e eu tenho que aprender a me virar. – Sussurra. – E a Itália?

— Incrível! – Respondeu, apesar de querer saber ainda mais sobre o tal problema da empresa. Afinal, ele tinha poder o suficiente para cortar qualquer assunto da raiz e não seria um esforço grande ajudar ela. Mas a entendia. Entendia essa necessidade que Emily tinha de resolver aquilo sozinha, sem a ajuda de ninguém. Afinal é isso que tem tentado fazer desde que assumiu a Cosa Nostra. — Minha família continua a mesma.

Aquelas palavras curtas de Ian diante de perguntas que envolviam sua árvore genealógica deixavam Emily ainda mais curiosa sobre tudo. Queria saber mais. Mais sobre as pessoas que criaram ele, e fazem parte da vida dele assim como sua família faz parte da vida dela. O celular toca e ela vê o nome de seu tio na tela.

— Eu tenho que ir. Meu carro ficou na universidade. – Murmurou e ele a segurou com mais força.

— Sério mesmo que temos que sair dessa cama? Desse hotel? Hoje? – Ian estava tão sonolento e não havia nada para fazer na empresa então poderia ficar ali o resto da tarde e passar a noite também.

— Tenho umas coisas para fazer hoje... Mas a gente pode se ver amanhã.

— Ou mais tarde.

— Você não se cansa?

— Nunca. Já descansei o suficiente. – Ironiza com um sorriso no rosto. – Eu te levo até lá.

— Tudo bem, eu só vou tomar um banho rápido. – Murmurou se levantando da cama e indo em direção ao banheiro completamente nua, sem se importar em se enrolar sobre um cobertor.

Ian ficou ali, ainda na cama, apenas apreciando o corpo dela se movendo até o banheiro do quarto com um sorriso malicioso nos lábios. Ele sentiu falta de ter o corpo de Emily perto do seu, dos beijos, da sua voz. Se ela soubesse o quanto é perfeita... E por mais que não goste de pensar nisso, Ian sabe que não vai poder ficar muito tempo com ela sem contar a verdade sobre ele, sobre a Máfia. Ou ele conta tudo, ou ele termina tudo. Não pode se dar o luxo de colocar ela em perigo.

Se um dia as coisas ficarem feias dentro da Cosa Nostra e alguém souber de Emily, ela será a primeira a sofrer. E Ian nunca se perdoaria se algo acontecesse à morena. Nunca.

Mas ele não quer pensar sobre isso, não agora. Não demorou muito tempo para se levantar também e correr até o banho para acompanha-la.

Já fazia horas desde que Ian havia deixado Emily na porta da universidade, onde ela entrou no carro e pisou fundo no acelerador para chegar o mais depressa possível em casa. Subiu o elevador às pressas e ignorou todas as perguntas do tio e dos primos, indo para o quarto e trocando de roupa. Colocou uma lingerie preta, onde o sutiã era rendado e a calcinha tinha o cós alto que ia até a curva de sua cintura, demarcando bem o desenhado de seu corpo.

Era hora de pegar mais um da Cosa Nostra.

E havia maneira melhor de atingir alguém pelo psicológico? Afinal, é isso que eles têm feito com sua família desde sempre. Por cima, colocou um vestido vermelho, completamente colado ao seu corpo, de alcinhas. Usou uma maquiagem chamativa para a noite, usando uma mistura de tons neutros e escuros, além do famoso batom com um vermelho escuro fosco que ela tanto adorava. Um louboutin meia pata preto enfeitava seus pés e ela sai do quarto dando de cara com Kieran, que estava prestes a bater na porta do quarto.

— Está mesmo pronta para pegar esse garoto? – Perguntou cruzando os braços. – E se outros caras irem até você?

— Vocês estarão lá, e mesmo que não estivessem, eu sei me virar. Mas para todos eu sempre serei a garotinha que corria pelo quintal da casa, chorando com o joelho machucado depois de escalar árvores ou jogar bola na rua. – Murmura. Odiava ver todos quererem tirar a pressão que ela sentia no dever de ter para resolver tudo aquilo.

— Eu confio em você.

— Confia mesmo? Ás vezes não parece.

— Não estaria aqui se não confiasse. – Afirmou Kieran com um sorriso nos lábios e ela o abraçou agradecida. – Como foi a universidade? Ficou a tarde toda fora, não apareceu nem para o almoço.

— Melhor impossível. – Comentou já encerrando a conversa quando seu tio Benjamim aparece.

— Você devia estar muito ocupada para não atender a minha ligação, não é? Afinal, você sabe que seu tio odeia quando não atendem um telefonema dele. – Comentou se fingindo de bravo.

“ As mãos de Emily vão para o box embaçado do banheiro ao sentir seu corpo amolecer diante do prazer. Ian segurava a cintura dela com firmeza, se movimentando com estocadas ora lentas e ora rápidas. A água quente do chuveiro caia sobre dois que mal tomaram um banho, só ficaram ali se divertindo mais uma vez antes de cada um seguir seu rumo. Ela joga a cabeça para trás gemendo alto enquanto ele faz questão de dar um belo chupão em seu pescoço deixando sua marca ali.”

Emily estala a língua assentindo inocentemente e dando um beijo na bochecha do tio antes de ir em direção a sala onde os seguranças se preparavam junto de Chloe que organizava as armas com eles.

— Está tudo pronto? – Pergunta para a ruiva que assentiu.

— Hoje vamos pegar alguém com um patamar um pouco mais alto que o de um simples associado. Ele é filho do chefe de segurança da Cosa Nostra. Todo mundo sabe como essa guerra de fato começou e que não eram eles os vilões da história até agora. Então entenderei se alguém quiser ir embora. – Anunciou Emily se voltando para os capangas de seus pais. Ninguém ousou se mexer. – Vou entender esse silêncio como uma afirmação de que não irão nos deixar. Pierre Mattarazzo tem dezenove anos e já comanda um dos prostíbulos mais famosos de Chicago. O que significa que a leva de seguranças ali é grande. Ele não tem nenhum vínculo com a Cosa Nostra além do pai que com certeza ficará bem irritado quando ver que o chefe para quem ele trabalha não protege tão bem os funcionários e a família dele quanto deveria.

— Iremos entrar lá como prostitutas, o que significa que precisaremos de uma vista grossa sobre nós porque qualquer homem pode chegar até nós. O nosso foco é Pierre. Ele está contratando mais garotas e por isso cada uma será chamada para uma sessão particular com ele. Precisamos que vocês ajam de maneira rápida, capturando cada um dos seguranças ali. Cada segundo conta então sejam precisos também. Enquanto isso, Benjamim estará na sala de computação, apagando todos os rastros de que estivemos ali. – Chloe completa com um sorriso no rosto. – Qualquer escorregão, vocês já sabem...

— Estão sendo testados para entrar na máfia do meu avô, que em alguns anos será minha. Espero que entendam que quem entra para esse mundo só sai dele quando estiver a sete palmos do chão e nós costumamos ser muito rigorosos com os capangas que temos ao nosso lado. E para entrar é necessário sacrifícios, o que significa que terão que matar. E espero não ver ninguém sentindo peninha deles, porque nenhum teria pena de fazer o mesmo conosco. — Emily encara os primos que já não gostaram nada da ideia. Os olhos deles se encontram com os dela imediatamente e ela faz questão de sustentar o olhar. – Ninguém.

***

Sícilia, Itália

Augustos caminha com sua filha, Valentina, pelas ruas de Palermo tranquilo e sereno. Sua neta, Alicia, corre na frente dos dois se divertindo com a pipa que acabara de receber do avô. Valentina por sua vez saboreia um sorvete de chocolate com limão siciliano, matando mais um dos seus desejos repentinos.

— Ela é igualzinha a você. – Murmura Augustos, se referindo a Alicia.

Valentina sorri.

— Ouço muito isso.

— Mas é que a semelhança entre vocês, é de arrepiar. Às vezes olho para ela e é como se o tempo tivesse voltado a trinta anos atrás, e eu estivesse correndo atrás de você no nosso jardim, enquanto caçamos borboletas. – Menciona Augustos, sorrindo se lembrando dos velhos tempos em que perdia tardes com os seus filhos, e fazendo Valentina encher os olhos com lágrimas.

Ela detesta ser tão sentimental, e as coisas só pioram quando está grávida. Mas fica feliz ao também se lembrar das memórias do pai... De quando corria no gramado de casa, com seu irmão e seu pai. Se lembrar quando criança lhe traz uma nostalgia gostosa que a faz se sentir bem.

— Me tirou de casa para me fazer chorar, é? – Brincou, passando os dedos por debaixo dos olhos e limpando as lágrimas que escorriam. – Eu sinto falta daquele tempo. – Confessa, após um tempo.

— Eu também. – Augustos diz, passando seu braço pelo ombro da filha e a abraçando.

— Mas agora a vez é deles, — Continua Valentina, se referindo aos filhos. – E eu é quem terei lembranças de como Ian e Alicia correndo de um lado para o outro, quebrando vasos, copos, dentes, braços... – Eles riram, se lembrando das milhares de vezes em que Ian, quando criança, já chegou a se machucar. – Mas sabe pai, nunca vou me esquecer da minha infância, porque ela foi uma das melhores partes da minha vida.

Augustos aperta mais Valentina contra ele, demonstrando seu carinho pelas palavras da filha. Ele fica contente em ouvir isso, pois se sente culpado todas as vezes ao se lembrar o que seus filhos sofreram quando criança justamente por serem filhos dele. Tentativas de sequestros, sustos, tudo isso podia ter feito eles crescerem traumatizados e odiando suas vidas, mas não. O amor deles sempre foi maior. Sempre.

Depois de mais um tempinho caminhando, Augustos e Valentina pararam em um pequeno café de esquina e se sentam em uma mesa ao ar livre, na calçada, a fim de poder ficar de olho em Alicia, que brinca no parquinho a frente. Os seguranças também os acompanha, todos uniformizados, pois Palermo sempre soube da existência da Cosa Nostra, e também sempre soube que Augustos a comandava, porém nunca tiveram que temê-lo, pois Augustos nada fez além de trazer prosperidade e fartura para a pequena província da Itália. O povo da cidade chega a admirá-lo, ele e toda a sua família.

— Un succo d'arancia, per favore. (Um suco de laranja, por favor). – Pediu Valentina.

— Lo stesso vale per me. (O mesmo para mim) – Completou Augustos.

A jovem garçonete anotou os pedidos e se retirou e logo voltou com os sucos e saiu, voltando a deixar os dois sozinhos novamente. Passado alguns instantes em silêncio, Valentina começa a observar o pai com mais atenção, o medindo.

— Se tem algo a dizer, por favor, diga. – Disse Augustos, percebendo o que a filha fazia.

Valentina respirou fundo e deixo o copo de suco sobre a mesa.

— Aquela ameaça que Ian recebeu, você suspeita de alguém? – Perguntou, sendo direta e voltando a sua pose de sempre.

Augustou balançou a cabeça.

— Eu estou sempre suspeitando, minha filha. – Respondeu.

Valentina assente.

— Algo que devemos nos preocupar? – Indaga.

— Por enquanto não, são apenas suspeitas. – Falou, tomando mais um gole de suco e olhando distraido para a rua.

— Ian é capaz, meu pai. Espero que saiba disso. – Alertou ela, fitando o pai com serenidade.

Augustus assentiu.

— Eu sei. Foi nós que o treinamos, não haveria de ser diferente. – Disse ele. – O problema é que minhas suspeitas são antigos problemas meus. E eu mesmo quero lidar com eles. – Explicou.

— E você vai compartilhar elas comigo? – Perguntou.

Augustous a fitou. Queria muito, mas sentia que o problema era apenas seu. Ele quer lidar com ele, lidar com um problema pela última vez da maneira antiga, como sempre vez. Poderia muito bem contar a filha sobre Anthony, pois ela poderia ajudá-lo, como a perfeita estrategista que é, mas não quer sobrecarregá-la por conta da gravidez, uma vez que é de risco e se ele estiver certo sobre Anthony, uma carnificina está para chegar.

— Quando chegar a hora. – Disse ele por fim.

Valentina não se deu por vencida, mas resolveu deixar pra lá. Ela sabe que seu pai irá contar com ela quando for necessário então irá esperar. Voltaram então a adimirar a paisagem calma e bela da cidade, intercalando entre a movimentação da rua e Alicia, que ainda corre brincando com a pipa.

***

Augustos chega em casa e vai tomar um banho rápido e logo já está em seu escritório investigando. Já faz alguns meses que Augustos recebeu algumas cartas citando um velho conhecido seu. Algumas pessoas de confiança dele que juram terem visto Anthony Gavin Brian andando livremente por aí. Porém, Augustos viu com seus próprios olhos aquele infeliz morrer. Ele viu. Ele está morto. Infelizmente, não foi apenas uma carta que ele recebeu, foram bem mais. Então foi investigar.

Mandou homens para o Brasil, o local onde Anthony provalmente se escode, para tentar achar alguma pista e até agora nada. Estava discando o número de um dos seus homens que está no Brasil, quando uma de suas empregadas adentra seu escritório com um envelope em mãos.

— Com licença, senhor, mas mandaram te entregar. – Anuncia a mulher, deixando o papel em cima da mesa e se retirando.

Augustos estranha a entrega e pega o envelope com cuidado. Não há endereço, nem remetente. Apenas seu nome escrito com caneta vermelha no topo. Sem pensar demais, ele abre o envelope e tira de lá algumas fotos. Ao ver o conteudo delas, fica furioso.

Anthony estampa todas as fotos.

As datas estão no canto superior delas e são ainda desse ano, há menos de um mês. O desgraçado está vivo... Bem vivo! Augustos encara a foto sem reação, mas com um ódio mortal.

— Maledetto! – Grita furioso quebrando vários de seus porta-retratos que estavam sobre a mesa. – Como esse desgraçado sobreviveu? Como?!?

Augustos apoia seu corpo em suas mãos que estão sobre a mesa e abaixa a cabeça, respirando fundo e tentando pensar com clareza. Mas o que ele não conseguia entender é como Anthony está vivo. Augustos o viu morrer, aliás, ele viu quando o mesmo foi enforcado e dado como morto. Ele também o torturou, ele e todos os membros de casa da Cosa Nostra. De nenhuma maneira Anthony poderia ter saído dessa vivo. Não, não tinha e não tem como. E é isso que Augustos repete baixinho para si mesmo.

E depois de alguns minutos pensando sobre como ele poderia ter escapado vivo, Augustos já sabia a resposta. O madeletto tem aliados de dentro da Cosa Nostra e isso ele não vai perdoar.

— Marcos! – Augustos grita para a porta e segundos depois ela se abre e Marcos, chefe de segurança da Cosa Nostra, entra.

Ele olha ao seu redor confuso, já que está tudo quebrado e, Augustos, por sua vez, não está nada contente.

— O que houve? – Pergunta.

— O que houve? Houve isso aqui, seu imprestável!

Augustos bate a mão no peito de Marcos, depositando a foto de Anthony ali. Marcos pega a foto e a analisa, rapidamente ele fica tão puto quanto Augustos.

— Impossível! – Diz ele sem acreditar. – Nós o vimos morrer. Nós o matamos!

Augustos o olhou incrédulo.

— Sim, nós o vimos morrer, mas esse filho da puta não está morto! E a não ser que mortos vivos existam, quero que você reúna todos os membros da casa para uma reunião com urgência na Caserma ainda essa semana. E deixe bem claro que eu quero todos nessa reunião. – Ordena.

Marcos assente.

— Quer que eu também avise Ian, senhor?

Augustos para de andar de um lado para o outro e encara Marcos. Ele havia se esquecido de Ian, porém ele não irá envolver sua família nisso. Isso é coisa dele.

— Não. Agora vá! – Ordenou e Marcos saiu em disparada da sala do chefe.

Augustos suspirou fundo e tentou se acalmar para que pudesse pensar com clareza.

Esses ataques... Os pequenos empecilhos que vem atrapalhando a vida do neto, como o roubo das armas, as ameaças. Tudo feito por debaixo dos panos, porque não conseguem atingir quem realmente quer, não tem forças para isso. Ou seja, só pode ser alguém sem influência, que vive escondido e quer causar discórdia, porque se pessoas associadas e protegidas da Cosa Nostra continuarem a morrer, as coisas irão ficar complicadas. E, claro, pode ser milhares de pessoas que desejam acabar com a organização, porém, infelizmente, só vem um nome a cabeça de Augustos: Anthony Gavin Brian.

***

— Nonno, eu fiz exatamente o que o senhor mandou. – Repete Ian ao telefone.

Augustos suspira ao ouvir aquilo.

— Eu sei meu neto, mas não fez uma só pesquisa se quer? Não foi atrás das pessoas que trabalhavam para Charles e que estavam lá naquela noite? – Perguntou, já começando a ficar irritado com a falta de informação. Ian engoliu em seco, pois tudo o que fez foi passar a tarde com Emily.

— Não, eu cheguei em Chicago, fui para a empresa assinar alguns contratos e depois voltei para casa afim de descansar. E só. – Comunicou, se sentindo a pior pessoa do mundo por simplesmente ter deixado o assunto do Charles de lado. Mesmo que tenha sido aconselhado a isso, o certo era ter ido atrás.

Augustos passou as mãos pela cabeça e tentou não gritar com o neto, pois ele não merecia e nada disso é culpa dele.

— A partir de agora deixe que eu tome conta disso, escutou meu neto?

Ian ao ouvir aquilo ficou transtornado. Mas afinal, por que aquilo?

— Mas nonno, o senhor disse para eu não fazer nada a respeito e agora está me punindo por ter obedecido? – Questionou.

Augustos respirou fundo antes de responder o neto.

— Ian, eu não estou te punindo! – Exclamou. – Mas o certo era que você tivesse mandado alguém investigar! Alguém deve ter visto a cara de quem matou aquele cafetão. Eu preciso achar esses bastardos, Ian.

— E por que nonno? Você os conhece? Sabe quem são? – Indagou Ian.

Augustos abriu a boca pronto para dar qualquer desculpa quando Marcos entrou em sua sala com uma cara nada contente. Vendo aquilo, Augustos sentiu que algo ruim havia acontecido e tratou de se despedir do neto.

— Isso não importa. Mas agora me ouça, Ian. Deixe esse assunto para mim. Eu irei cuidar dele e nem se atreva a investigar. Isso é uma ordem!

Ele sabe que está sendo severo com o neto, mas não vê outra opção. E além do mais, ele é do jeito que é. Do outro lado da linha, Ian assente, possesso de raiva, mas não contraria o avô, apenas desligando o telefone.

— O que descobriu? – Augustos pergunta a Marcos, jogando seu celular em cima da mesa.

Marcos se aproxima dele nervoso e entrega alguns papéis a seu chefe, que os pega.

— Um informante nos contou que há alguns dias, foi pago para deixar passar um carregamento de armas brasileiras para dentro de Chicago. Era um arsenal pequeno, mas que faz um belo estrago. As balas usadas nessas armas batem com as cápsulas usadas e encontradas na casa noturna de Charles. Não há dúvidas de que são as mesmas armas e as...

— Mesmas pessoas. – Completou Augustos e Marcos assentiu.

— E tem mais. – Afirmou Marcos, se mostrando mais nervoso. – Outro informante nos contou qual será o próximo alvo desses bastardos.

— Quem? – Exigiu saber.

— Eles vão atacar o bordel do meu filho. E irão matar ele.

Augustos arregalou os olhos surpresos e entendeu porque Marcos está tão nervoso desde a hora em que entrou. Mas ele não vai permitir que isso aconteça, Marcos é um velho amigo e ele não vai deixar que seu filho sofra.

— Não se pudermos evitar. – Confortou Augustos com firmeza. – Ligue para o chefe da segurança de Chicago e diga que eu quero todos os meus homens naquele prostíbulo agora mesmo. – Ordenou e Marcos assentiu agradecido, mas sabendo que seu chefe faz isso mais por conta de Anthony do que por ele, pois os olhos vingativos de Augustos chegam a brilhar. – Se alguém tentar algo contra seu filho, serão mortos!

Continua...